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quinta-feira, junho 21, 2012

POPULARES BARRICAM DEOLINDA RODRIGUES

Não são comuns, entre nós, actos como o que pude testemunhar na quarta-13-06-2012, na Avenida Deolinda Rodrigues (Estrada de Catete), no trecho entre o Milenium e antiga Ponte Partida, município de Viana, em Luanda.
Um autocarro da TCUL, com o nº 1110, atropelou um pedestre que ficou com o braço quebrado. O motorista meteu-se a monte, deixando o veículo, ao que se seguiram os passageiros.
Segundo os populares, o acidente ocorreu por volta das 17h30 minutos e até às 19h (momento em que cheguei ao local) não havia nem polícia nem um carro das emergências médicas para socorrer o “ofendido”, razão pela qual, em solidariedade para com a vítima, colocaram pedras, pneus, e um poste de madeira atravessado na estrada (sentido Viana-Luanda) impedindo, desta feita, a circulação automóvel. Segundo ainda os popualres ouvidos no local, a acção visou chamar a atenção das autoridades para o socorro que se impunha à vítima do atropelamento.


segunda-feira, junho 18, 2012

Os proveitos do CAN (foi há 2 anos)

Os proveitos do CAN
In: jornal de Angola, opinião
18 de Janeiro, 2010
Os desportistas têm os seus ganhos garantidos, depois do CAN que Angola realiza: as infra-estruturas desportivas e afins. Os comerciantes, hoteleiros, restauradores e outros que directa ou indirectamente participaram na organização do Campeonato têm também a sua parte conservada. Tudo o que serviu ao CAN fica para a posteridade. Os jornalistas ganharam, nos campos, as condições de trabalho neles instaladas, mas ganham algo mais, o conhecimento e a experiência profissional.
Numa organização internacional, como o Campeonato Africano das Nações em futebol, a mobilização por parte dos órgãos de comunicação social, no que toca aos jornalistas, é tão grande que todos os profissionais da casa se vêem envolvidos de forma indistinta.
Jornalistas que frequentemente se limitavam à cobertura de assuntos políticos, sociais ou culturais como especialidade, viram-se forçados a experimentarem um outro lado da profissão: percorrem os campos principais e de apoio, entrevistam jogadores e técnicos, falam com adeptos de vários países participantes e exercitam as línguas estrangeiras, usadas como recurso apenas nas viagens que efectuavam ao estrangeiro.
São ganhos que ficam para a eternidade. As redacções viram nascer, num abrir e fechar de olhos, outros “experts” desportivos. Novos comentaristas surgiram também, dada a envergadura da missão e os desdobramentos que se afiguraram necessários. Mais postos de trabalho foram criados e muito do que andava oculto entre os homens das redacções e áreas de apoio veio à luz do dia.
Luciano Canhanga | Libolo

Viaj´Ando pelo Interior d´Angola

Há mais de um ano que não o fazia, por força da falta de carro, até há bem pouco tempo (quando quebrei a monotonia de ficar por Luanda.
No dia 14 de Junho, pela primeira vez ao volante naquele percurso, meti-me a caminho do Sumbe para cumprir uma jornada laboral junto do governo do Kuanza-Sul.
Terminado o encontro entre a direcção do meu patrão e aquela instancia executiva, decidi, também pela primeira vez, fazer o percurso Sumbe/Gabela. Rico em termos de motivos turísticos e paisagísticos mas também em termos de perigosidade se a condução for efectuada sem a máxima precaução. Apesar dos 100km/horários de média que o meu i20 suportou com galhardia entre um Fortuner e um V8, pude transpor as curvas apertadas, as serras, as inclinações acentuadas e tudo mais. Destaque vai para uma viatura Toyota Hilux que vi capotar a poucos quilómetros depois do desvio para Gabela EN240. O homem mudou de direcção numa velocidade que os amortecedores da carrinha não suportaram e capotou. Felizmente sem vitimas mortais pois os ocupantes da viatura pularam antes da consumação do capotamento.
Vi, também pela primeira vez as lindas Cachoeiras da Binga, as roças de café da então CADÁ, a cidade da Gabela (muito maior do que a minha vila de Calulo). Pude também ver o rio Mazungue da infância do meu amigo Augusto Alfredo e, na Kibala, o restaurante Kandimba onde tivemos de atender aos estômagos reclamantes.
Enquanto meus chefes seguiram para Mussende, inverti para Norte, em direcção ao Libolo onde não ia há mais de ano e meio. Já a caminho do Dondo comprei uns kikeles, em Kambingo, peixes cujas escamas são cartilagens e por isso também comestíveis, que levei a Luanda e resto para Catoca.
Entre o Alto-Dondo e a cidade do Dondo pude ver, e com satisfação, a recuperação e alargamento do troço rodoviário que era dos mais degradados do país. Foi bom ver que dentro de dias aquele troço deixará de ser “dor de cabeça” para os automobilistas e os passageiros. Deixará também de se constituir em perigo para os moradores de Kassesse que corriam o risco permanente de ver carros despistados a visitar suas casas, pois os que mais estavam próximos da rodovia foram desalojados, permitindo o alargamento da estrada.
Do Dono a Luanda, já noite cerrada, foi apenas deslizar sobre uma estrada que apesar de aceitável reclama por reparos em alguns trechos onde o peso dos camiões “amolgou” a rodovia, dificultando a circulação cómoda dos “turismos” que arrastam os chassis nas lombas.

quarta-feira, junho 13, 2012

O FILME ESTÁ APENAS NO COMEÇO


A SUA/VOSSA ATENÇÃO!

PGR entrega à CNE cartões de eleitores apreendidos
FONTE: ANGONOTICIAS (12.06.2012)

"A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou, recentemente em Luanda, à Comissão Nacional Eleitoral (CNE), 54 (cinquenta e quatro) Cartões Eleitorais apreendidos no processo-crime n° 609/2012, cuja tramitação corre sob a direcção do Ministério Público na DPIC, na Província do Uíge…

Os referidos Cartões de Eleitores foram apreendidos na cidade do Uíge, ilegalmente na posse do cidadão Manuel Diekeno que os recolheu dos seus legítimos utentes, sob a alegação de que serviriam para o alistamento de trabalhadores numa empresa de ConstruçãoCivil, denominada CASA-CE, cujo patrão seria um indivíduo de nome Quinho…
Os elementos da Polícia Nacional chegaram ao cidadão Quinho, de nome verdadeiro Olavo Feiteira Lourenço Castigo e ficou demonstrado que os cartões apreendidos não serviriam para a inscrição de interessados em emprego mas sim, para apresentar os respectivos utentes como subscritores da candidatura de um partido político…

A PGR lembra que a Lei Orgânica Sobre as Eleições Gerais contém um capítulo Sobre as Infracções Eleitorais cujas sanções não excluem a aplicação de outras mais gravosas, em casos de concorrência com infracção criminal punida pelo Código Penal".

Comentário do autor do blogue: No meu lado crítico diz que nem a casa é de santos nem ela foi erguida em terra de santos. Muita coisa ainda vai acontecer antes e deppois da "corrida" em relação a esta casa-ce.

sexta-feira, junho 08, 2012

A CRÍTICA SOCIAL DE DOG MURRAS E A MINHA CRÍTICA LINGUÍSTICA

Preâmbulo
A música é um dos meios que facilitam a aprendizagem e retenção de conhecimentos. Ela é usada, por isso, no ensino formal, na publicidade e noutros domínios não só para exercer a função lúdica mas também educativa.
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Este exercício visa, em primeira instancia, felicitar o Murtala Bravo (Dog Murras) pela rica criação musical que faz uma crítica social ao que se passa com determinadas confissões religiosas mais taxadas ao dízimo do que aos valores fundamentais que devem nortear o homem em sociedade justa e à crença no além.
Murras Power, como também é conhecido, enfoca questões como a ordem de estacionamento e de acesso aos acentos numa suposta igreja em que ele é “o Pastor Murras” e vai dando receitas para cada um dos problemas que lhe são apresentados pelos aflitos crentes(?).
“Os de Starlete estacionam à esquerda e sentam-se também à esquerda”. Os de Carrão (Geep) estacionam à direita e obedecem a mesma ordem dentro do templo ao passo que os que se dirigiram à pé são acomodados (?) também de pé. “São os pobres”.
E o Pastor Murras afirma que “Vim cobrar vossa entrada lá nos Céus. Só vai entrar quem me pagar bem… Osde Toyota Starlete pagam dízimos em Kwanzas e os que estão à direita (que usam Geeps de grandes cilindradas) pagam dízimos em Dólares, sendo que os pobres, que andam à pé, vão limpar o templo do Senhor”.
Eficaz no seu olhar e na sua crítica, Murras Power desperta os incautos para o cuidado a ter em conta ante ao surgimento, no nosso país, cada vez mais, de vendedores de banha de cobra.
Porém, não deixo de fazer-lhe o merecido reparo, quando na busca de rima, o Murras deixa de observar a concordância verbal nas estrofes que se seguem.
- você já morreste só que ainda não se tocaste porque a jibóia mesmo sem cabeça reage…
- Você tem fogo juadice e muita pressa, fica calma, cedo ou tarde vai chegar tua factura…
- A boa cabra come onde está amarrada mas se se amarraste no lixo, mana não procura culpada…
- Xé meu amigo, porco não foge farelo. Você sujaste quem vai despejar água?  Você ganha lá juízo e aguenta teu prejuízo…
-  Se acredita, kota, tua hora já chegou, deixa os ndengue dar o show…
Por aquilo que conheço do Dog Murras, com quem já falei várias vezes,  julgo que todas essas broncas tenham sido propositadas. entretanto, atendendo a audiência que ele tem dos kandengues aos kotas, todos desejosos de aprender um “bom português”, seria salutar que o nosso Murras Power nos transmitisse a sábia crítica numa linguagem repleta de metáfora mas também com bastante lisura gramatical para que despertemos as mentes e melhoremos o nosso “linguajar “.

terça-feira, junho 05, 2012

CHEGOU A VEZ DO MANONGO-NONGO

Por: Tazuary Nkeita (*)
Começo por desejar as boas vindas a todos os presentes, agradecendo o vosso gesto, tão estimulante, de acompanhar o autor, Luciano Canhanga, no lançamento e na repercussão da sua segunda obra literária que tem um título que se aplica a ele próprio.
Digo isso porque Manongo-Nongo não é apenas a festa dos recém-nascidos é também a festa de um recém-admitido no mundo da literatura e de todos aqueles que hoje, aqui, o acompanham. (em vosso nome, peço uma salva de palmas para o nosso Soberano Canhanga)
Apesar do Luciano ser um jovem jornalista com uma experiência profissional de vinte anos, conheci-o há apenas quatro anos por intermédio de amigos comuns, também ligados ao jornalismo e à literatura. Facto curioso, entre ele e eu, é que ambos iniciamos o jornalismo com a mesma idade: 19 anos!; eu em 1975 quando Angola estava a nascer e ele em 1996 quando a independência já era adulta. O mais curioso ainda é que desde que o conheci, ele não deixa de me surpreender.
Surpreendeu-me a primeira vez quando me pediu para fazer a revisão e escrever o prefácio do seu primeiro livro, «O Sonho de Kauia», em 2010;
Surpreendeu-me novamente quando tomei conhecimento da publicação deste «Manongo-Nongo» - a Festa dos Recém-nascido - meses depois de ele ter pedido a minha opinião sobre um outro livro, «O Relógio do Velho Trinta», a obra que já anunciou antes deste lançamento.
E, como se não bastasse, voltou a surpreender-me pela última vez há menos de três dias, quando me convidou para fazer esta apresentação, em cima do joelho e quase na «Vigésima Quinta Hora».
Aceitei este desafio única e simplesmente por causa do espírito de combatividade que lhe é característico, que nos contagia, a todos, e que tenho elogiado desde que o conheci. E sinto um imenso orgulho por ser chamado de «padrinho» de um jovem assim, quando eu próprio, também, me sinto à deriva, procurando padrinhos, como se fosse um recém-nascido mergulhado neste complexo universo que caracteriza a literatura angolana.
Talvez não seja o melhor dos exemplos, entre os possíveis, mas o sentimento que me anima, estando ao lado do Luciano Canhanga, neste momento, é precisamente o da obrigação de um profissional, da saúde, chamado a socorrer com urgência o nascimento de uma criança; a sensação de alguém que vai sentir nos braços a respiração de um novo ser; o bater súbito de um coração na ponta dos dedos, mas, descobre, diante dos olhos, uma nova espécie de criação humana – quero dizer, o nascimento de uma obra literária com uma riqueza, um conteúdo e uma vitalidade impressionantes!
Manongo-Nongo merece, por mérito próprio, ser também, por isso mesmo, a cerimónia festiva da consagração do autor no universo da literatura angolana.
É o mínimo que posso dizer sobre o efeito que a leitura de «Manongo-Nongo – a Festa dos recém-nascidos» causou em mim, nas últimas 72 horas que antecederam a esta cerimónia.
O Luciano Canhanga tem agora a oportunidade de alimentar o seu recém-nascido, espalhando repetidamente os ecos e a boa nova desta cerimónia, com a mesma combatividade com que tem enfrentado os obstáculos do seu dia a dia.
O livro que nos chega, hoje, às mãos merece uma repercussão nacional. Seria uma Cegueira imperdoável pensar que o principal interesse por Angola hão-de ser eternamente as minas de diamantes, os poços de petróleo ou o jogo político. A prova está, aqui, na apresentação destas histórias fantásticas com um retrato magnífico da vida, da cultura e do património de povos de Angola e na mensagem que o autor nos transmite: - A nossa cultura é vasta e o trabalho que nos espera é maior ainda!
É um livro que se aconselha a todos os estudantes e amantes da literatura angolana; um livro que nos oferece histórias, de mais velhos que moldam o carácter dos mais novos, transmitindo conhecimentos e uma hierarquia de valores morais e sociais cujo resgate há muito se anda à procura.
É um livro onde os animais irracionais dão lições de civismo aos seres humanos e cuja repercussão nos faz exclamar «Esta é Angola, esta é a nossa terra; esta é a nossa gente!».
Outra característica é a recolha de mitos populares sobre a vida, a doença, a morte e o feitiço. O autor reproduz histórias do dia a dia das aldeias que percorreu e termina com a lição moral que elas encerram, transmitindo valores fundamentais e fraquezas do génio humano, tais como a solidariedade, a ingenuidade, a inveja, a ignorância, a ingratidão, o ciúme, a confiança mútua e triunfo da verdade e da justiça!
Se quisermos ser rigorosos na análise, Manongo-Nongo não é propriamente uma obra infanto-juvenil, mas um livro que os adultos devem ler e interpretar para as crianças.
É, finalmente, um livro que chega na hora certa e no contexto mais certo. Espero por conseguinte que ajude a aumentar os níveis de confiança de todos aqueles que ainda estão indecisos quanto a qualidade e ao futuro da literatura angolana.
Muito obrigado
Tazuary Nkeita
(*)Texto da apresentação da obra «Manongo-Nongo» de Soberano Canhanga
Sede da União dos Escritores Angolanos em Luanda aos 5 de Junho de 2012

quinta-feira, maio 31, 2012

sexta-feira, maio 25, 2012

SOOU O TIRO

O últimos dois dias produziram dois grandes acontecimentos políticos.
Primeiro: a Consulta que o Presidente da República fez, no dia 23/05/2012, aos membros do Conselho da Repúbçlica para se pronunciarem sobre a data de 31 de Agosto para a realização das terceiras eleições em Angola, a que os conselheiros disseram sim.
Segundo: a convocação das eleições, ontem, para a data supra mencionada, dando assim, de forma oficial, o tiro de largada para a corrifa eleitoral. No mesmo dia, José Eduardo dos Santos orientou ainda o Ministro das Finanças a inscrever no OGE/2012 a rubrica orçamental que cubrirá as despesas eleitorais dos Partidos e Coligações legalmente constituídas que deverão receber em Kz o equivalente a Cem mil dólares.

Atendendo que foi dado, oficialmente, o tiro de largada, sabendo que algumas formações políticas mativeram a preparação física permanente, enquanto outros aproveitavam o defeso para descansar, resta-nos saber qual será o alinhamento no fim da corrida.

Aqui, o meu olhar particular vai mais para a 2ª, 3ª, 4ª e 5ª posições da grelha, pois mesmo sabendo que nem todos os adversários dormiram à sombra da bananeira, não é arriscado vaticinar a "revalidação do título" por parte do Partido governante, tendo em conta os recursos ao seu dispor e as caminhadas permanentes que vem exercitando que, desta sorte, lhe permitem estar em forma.

A Unita que nas primeiras eleiçoes, em 1992, ficou na segunda posição com 70 dos 220 deputados, conservou a posição, mas com menos pontos, apenas 17 dos 220 possíveis, observando uma subida do 3º classificado de 1992, o PRS, que também conservou a posição, entretanto já com mais três dos 5 deputados que tinha na primeira Legislatura.

A Fnla, embora tivesse conseguido nas segundas eleições 3 deputados, nem por isso foi o 3º partido mais votando, tendo sido superada, em termos de votos totais, pela até então desconhecida Nova Democracia- União Eleitoral que conseguiu 2 lugares.

Para esta eleição (2012) que será no sistema "paga um leva dois", ou seja, um só boletim de voto para a eleição do Presidente/Governo e Deputados, teremos uma outra força que pelo peso politico dos seus integrantes promete arregimentar uma boa fatia do eleitorado para a sua casa. Trata-se da CASA-CE, Coligação onde confluem nomes como Chivukuvuku (Ex Unita), Lindo Tito (ex-Prs) Alexandre André (Ex-Pajoca), Lizete, etc., todos eles com elevadíssimas ambições para o exercício da mais alta magistratura", o que pode propiciar cisões pós-eleitorais quanto à tutela da CASA, ja que é a liderança da Coçligação que dará a possibilidade de ser cabeça-de-lista dos deputados e concomitantemente à presidencia da República nas eleições de 2017.

Os próximos dias serão igualmente de grande agitação junto da Comunicação Social. A cobertura mediática imparcial e com tempos equitativos será, com certeza, um dos temas e exigência dos "fundistas" políticos.

Tudo quanto me vai chegando dos relatos da própria media aponta para a existência de uma exacerbada simpatia dos media, sobretudo os públicos, em relação a CASA-CE que tem mais espaço nos noticiários do que o maior partido da oposição e todos os demais concorrentes da oposição, chegando mesmo a rivalizar o espaço mediático com o "Tout Puissant" MPLA. Será algo premeditado? Agosto e os meses/anos que se lhe seguirão responder-nos-á esta questão. Pois, em meu modesto entender, embora a CASA tenha maiores possibilidades de instalar-se no "condomínio" Nacional (parlamento) também é das formações partidárias que me parecem mais frágeis a implosão, dada a composição e ambições dos seus inquilinos.

Neste olhar, ainda que superficial, não é de pôr de parte o que pode acontecer com o "moribundo" PDP-ANA. Com um deputado eleito em 1992, o partido fundado pelo finado Mfulupinga não pôde eleger representante à Assembleia Nacional nas eleições de 2008 e foi por um fio mágico que se salvou da extinção obrigatória. Elegerá, desta vez, um deputado ou será o fim do partido "Firme como o nº 88, no dizer do seu actual líder Nsidiangani Mbimbi"?

sexta-feira, maio 18, 2012

JÁ LÁ VÃO SEIS ANOS

Comecei esta aventura ppor Catoca em Março de 2006 e já lá vão seis.
A medalha de Mérito e reconhecimento pelo trabalho prestado durante os primeiros cincos anos foi-me entregue pelo meu asistente administrativo (Elias Pinto).
Depois dos 2 anos na Educação (ensino de base oficial) e 9 anos na LAC, já ando nisso de patrões há 17 anos.
E, junto a toda essa "pequena" experiência a docência universitária na Universidade Lweji A N´Konde (ESPLS), cujo contrato, por Tempo Certo, acabei de assinar hoje mesmo.

terça-feira, maio 15, 2012

CONFESSO: "PEQUEI"

Fiquei admirado ao ver um agente da polícia a receber, desavergonhadamente, valores a um necessitado em plena Ho Chi Mim. E o corruptor era eu mesmo.

Fui fazer a inspecção técnica da minha "latinha i20". Desde as sete da manhã que aguardava pacientemente pela minha vez. Éramos uns cinquenta na fila. O meu espanto era que muitos nem sequer ficavam na fila e os seus "casos" eram imediatamente resolvidos. Procurei saber qual era o mecanismo e um avisado me soprou ao ouvido. Fui ter com o dito cujo inspector e prometi-lhe o mesmo que os outros estavam a fazer para que me atendesse e podesse ir à minha outra vida (trabalho).
O meu espanto foi ver que o homem nem teve pejo em receber, de forma aberta, o valor da corrupção, e foi em hasta pública...

quarta-feira, maio 02, 2012

A DUREZA DA TAXI-DEPENDENCIA

Se arrependimento matasse nem estaria a teclar estas memórias.

Arrependi-me de andar de taxi (os vulgos azuis e brancos de Luanda). Os motivos prendem-se com a falta de respeito dos cobradores em relação aos clientes/utentes, engarrafamentos, condução perigosa, cobranças arbitrárias, enchentes, mau-cheiro, etc. E hoje, não devia ser diferente. Se diferiu, foi para o piorio.

Sai de casa as 07h00, a caminho do Alvalade, em serviço. Como não tenho carro e a entidade a quem presto serviço também não tem como me recolher em casa e me devolver a família, não tenho tido outra solução que não passe pelo uso de trajes soft e meter-me à estrada com mochila às costas e aturar os taxistas e suas travessuras. Comecei por apanhar um candongueiro de Viana à Estalagem, ao preço de cem kwanzas. Seguiu-se outro troço da Estalagem ao Grafanil/Bar, por duzentos kwanzas. O cobrador do mesmo carro avisou que chegaria à FTU, por mais duzentos kwanzas, e postos na tabaqueira  acabaria por fazer outra chamada, desta para os congoleses (mercado), por mais duzentos kwanzas. Mas não era tudo: daqui (congoleses) tive de apanhar um outro carro que me levou ao Alvalade/Maianga, por mais trezentos kwanzas... Uff! Já se viu quanto o pobre e honesto trabalhador  paga em candongueiros para se chegar ao serviçoo?

E, de regresso, já com menos azáfama do que a registada no periodo da manhâ, tive de desembolsar outros quinhentos kwanzas, do Largo da independencia a Viana...

Se fizermos contas de quanto ganha um técnico e quanto gasta em candongueiros, veremos que mais de 50% do ordenado se dilui nas passagens... Algo está mal. Muito mal. É preciso melhorar a oferta de transportes públicos e fazê-los chegar até lá aonde apenas os azuis e brancos e kupapatas tomam conta da situação.

É preciso educar também os taxistas e pessoas que para eles trabalham. Foi vergonhoso ver e ouvir um jovem cobrador a faltar ao respeito a uma senhora de modos finos. E, pior ainda, foi ver o mesmo cobrador a lutar com um outro jovem passageiro por algo que nem teve pernas para ser considerado um desentendimento. Só mesmo a falta de educação e falta da noção de que está a fazer um negócio e, portanto, a trabalhar para o público que se faz transportar no seu Hiace, o levaram a protagonizar tão ediondas cenas.

Por outro lado, já que os taxis são colectivos, também não seria nenhum disparate se houvesse taxi para quem vai trabalhar limpo e outros para quem vai à pesca ou lavar carros na baixa, pois viajar misturados tem sido um sacrilégio.

- Estará aí a associação dos taxistas de Luanda para ver questões de higiene dos seus associados e comportamento cívico perante os clientes que permitem ter os fogões acesos?
- Estará aí a polícia económica para salvaguardar a questão dos preços praticados por estes aproveitadores?
- Estara ai o INADEC para ver os direitos dos clientes/consumidores desses serviços que são violados volta e meia?
- Quem defende o povo desses monstros sorvedores do dinheiro alheio?

Com esse andar levaremos séculos a sermos País!

segunda-feira, abril 23, 2012

DIÁRIO DA CHUVA

Choveu em Luanda.

Os agricultores estão alegres. Está, entretanto, dificílimo contactar os idosos. Estão  todos nas "hongas" a aproveitar o regadio natural e lançar sementes à terra.

Doutro lado, porém, só lamentos e "muxoxos" dos administradores da coisa pública. A chuva, o melhor fiscal d´obras, chegou. Está tudo à mostra. Faltam arruamentos por concluir, casas por construir, lixo por recolher, águas por drenar, enfim. Foi desfeita toda a maquilhagem e "a mulher enfeieceu".

Depois dos lamentos virão as desculpas de sempre. A falta de chuva que não deixa as barragens produzirem energia eléctrica, a mesma chuva que, quando cai, derruba os postes, cabos eléctricos e outros estragos que no dizer dos "dimixi" fazem com que não tenhamos, nunca, nem água canalizada nem energia eléctrica domiciliar.

Choveu em Luanda, mais uma vez e os resultados e desculpas estão à montra!

quarta-feira, abril 18, 2012

A MINHA RELAÇÃO CONFLITUOSA COM AS MOTOS

Por que me perseguem as motorizadas?

Em menos de nove meses, três foram os acidentes e incidentes com motorizadas. O primeiro aconteceu a 25 de Junho de 2011, em Luanda. Estava a atravessar a estrada. O agente regulador mandou parar o trânsito, mas lá vinha um guineense de Conacri, sem licença de condução nem passaporte, projectando-me contra uma viatura. Por pouco não fui dessa para melhor! Benevolente, embora tivesse retido a motorizada em minha casa, acabei por devolvê-la ao dono sem outras exigências ou denúncia à polícia.
A segunda foi na segunda semana de Janeiro de 2012. Dirigia-me ao Centro Integrado Zwo Lyetu, em Saurimo. Na passadeira, junto à escola do Kandembe, liguei o intemetente e parei o carro para deixar os alunos atravessarem a estrada. Distraído, como disse, um jovem que não possuia nenhum documento embateu contra a parte traseira da carrinha que eu conduzia, quebrando o stop. Por sorte, havia um polícia trânsito na cercania que rapidamente cuidou do assunto. Levamos a motorizada e o jovem à esquadra mas o polícia de transito de Saurimo não pôde responsabilizá-lo. Inicialmente o jovem comprometeu-se em ressarcir os danos provocados na carrinha, mas depopis de uma conversa entre o jovem e o agente que cuidava do caso (em língua nacional Cokwe) o assunto ficou  em águas de bacalhau. E o polícia subiu mesmo "à cátedra da sua petulância", aconselhando-me a levar o jovem (eu sozinho) à sua família para que se responsabilizassem dos danos... Foi todo o dia perdido na esquadra sem que me fosse passado um papel sequer a atestar que estive na esquadra por causa de um rapaz que embateu na carrinha.

A terceira foi a 16 de Abril. Saia da Faculdade para casa quando um rapaz montando uma motorizada, êbrio e em contra-mão, veio ao encontro da carrinha conduzida por mim. Dada a eminência do perigo imobilizei a carrinha mas, mesmo assim, o jovem, qual suicida, jogou-se frontalmente contra a Hilux, estatelando-se depois no asfalto, já sem noção do que se passava à volta. Mais uma vez havia um agente regulador de trânsito que rápidamente chamou reforço, evitando assim que a viatura fosse vandalizada, como é hábito destes povos. Levado o motard ao hospital, na companhia de dois polícias de viação e trânsito (21h30), fui depois  solicitado a passar pelo local do sinistro onde recolhemos a motorizada em direcção ao comando policial. Até aqui parecia tudo a correr bem, se não fosse a solicitação dos meus documentos pessoais e da viatura, passando eu de vítima a vilão. Foram horas de sofrimento. Pior seria se não tivesse recebido a visita de Adão Diogo e esposa e da jornalista Flávia Massua e irmã; Se não tivesse, do lado de fora da esquadra, o sempre presente Elias que se desdobrava em contactos; Se não tivesse o Zeca Fernandes a fazer outros contactos para minimizar a minha dor; Se não tivesse enviado um sms ao D.M. que no dia seguinte permitiu a devolução dos documentos... É que o polícia alegava, inicialmente, que era preciso acompanhar a evolução clínica do moto boy que na manhã do dia seguinte já andava com os próprios pés, para depois alegar que "o jovem não tem possibilidades e o chefe tem de o ajudar"! Ora essa. Ainda tentei concordar. Quem sem culpa sente a milímetros o cheiro nauseabundo da cadeia, quem fica misturado no quintal da polícia com pilha-galinhas e criminosos é capaz de aceitar uma proposta dessas para se ver livre da situação constrangedora. Mas, por sorte minha, quando me preparava para pedir dinheiro emprestado e "ajudar" o jovem ferido (via polícia), ligou-me o DM a saber da minha localização. Informei-o que estava na polícia porque ainda não me tinham devolvido os documentos, mesmo estando o jovem já fora do hospital. Desconheço as diligencias feitas pelo DM, mas só sei que aqueles que condicionavam a minha "soltura" ao pagamento de uma "coima" tinham já os lábios secos. Trocaram informações baixadas eventualmente pelo seu chefe e os documentos me foram devolvidos minutos depois. O dia já tinha mais de metade do seu tempo.

Mais do que esta narração dos três casos acidentais que tive envolvendo motorizadas, o prgunta que persiste é: por que razão as motas me perseguem?

sexta-feira, abril 13, 2012

O PERIGO DO "LUGAR COMUM"

Enquanto jornalista,
Intrigava-me, sempre que fosse a províncias, encontrar e reportar factos noticiáveis que aos olhos dos confrades locais não passavam de algo comum ou sem interesse jornalístico.

Pois, a repetição e o hábito fazem dos factos, mesmo anormais, lugares comuns ou factos normais. É isso que faz com que se desvie deles a nossa atenção que se dirige ao periférico, ou para o nada, fazendo com que na aparente ausência de factos dignos de atenção e registo, o nosso olhar se fixe na propaganda e no simplesmente lúdico.


A exemplo, temos o que mais incomoda em Luanda e em algumas outras cidades de Angola: falta de transportes públicos, grandes congestionamentos do trânsito, deficiente recolha de lixo e drenagem, elevados níveis de poeira, gritante falta de H2O e energia eléctrica, poluição sonora, vadiagem, promiscuidade, prostituição, bebedice, delinquência juvenil, desleixo e espírito "deixa andar" das autoridades policiais, transporte de pessoas em caixas de carrinhas e camiões, gente pendurada em entradas de comboios, venda em passeios e passagens superiores (pontes para peões), etc., assuntos que deveriam encher, de forma critica e pedagógica, as páginas dos nossos jornais e noticiários audiovisuais deixaram de neles fazer presença constante.
Do Kambwá

Por que será?
Tornaram-se lugares comuns. Os jornalistas coabitam todos os dias com eles. Os nossos corpos e mentes ganharam anti-corpos. Deixamos de sentir dor.
E, enquanto não despertamos, nos vamos contentando com assuntos periféricos como maratonas e danças que roçam a pornografia.

terça-feira, abril 03, 2012

MEMÓRIAS DA PAZ (10 anos depois)

Decorria o mês era Março de 2002. A missão que me fora incumbida pelo Director de informação da LAC-Luanda Antena Comrcial, Sr. José Rodrigues, era a de seguir ao Luena e reportar para o auditório da sintonia azul o que se estava a passar no terreno.
"Para o Luena já!"

Só que eram poucos os que lá podiam chegar. Voava-se pouco para o Moxico e as viagens de carro, nem pensar!

Quem mais para lá voava era o PAM- Progarma Alimentar Mundial com aviões ligeiros do tipo Beachcraft e cargueiros Antonov's.
E lembro-me, a propósito,duma anedota que de tanto o PAM fornecer milho aos carenciados angolanos no tempo da guerra, alguém ousou em perguntar a uma criança:
- Que planta dá o milho?
- É PAM, mano! - terá respondido um menino.

A minha ida ao Luena, capital do Moxico, aconteceu semanas depois da morte de Jonas Savimbi em combate. Objectivos: transmitir aos luandenses, ouvintes da LAC, que se passava no terreno, ou seja, as movimentações dos militares que procuravam a paz definitiva e a situação humanitária dos milhares de civias que saiam todos os dias das matas (os que estavam sob domínio da UNITA).

Embora tivesse feito antes deslocações em reportagens militares ( feitas em cenários de guerra presente ou recente), aquela foi a mais marcante. Não só pelo impacto que teve, mas também por ter sido quase um exclusivo para rádios privadas angolanas (a abordagem na Rádio Pública era muito formal e marcada por discursos selectos e oficiais). 
 
Edificio do Gov. Moxico
Lembro-me da dificuldade que havia em mandar "despachos" para Luanda. Havia apenas duas línhas telefónicas para ligações que fossem para fora do Luena. Enorme era a fila, e uma tentativa fracassada era suficiente para ser substitído por outra pessoa na cabine. E, pior ainda, porque havia sempre ao lado uma "toupeira" a escutar o que as pessoas diziam ao telefone. E foi nestas circuntâncias que depois de uma entrevista bem conseguida com um governante da província, minutos depois, fui abordado por agentes da polícia ligados à sede do Governo que me pediram para voltar ao local da entrevista, pois o chefe queria corrigir algumas coisas que dissera na entrevista. Perante a minha negação de que "estava a mandar o material para Luanda" os homens pediram-me então a K7 onde estavam gravadas várias entrevistas: a do governante em questão e outras feitas ao longo dos dias anteriores.
- Já mandei a entrevista toda em directo.
- Em directo quer dizer o quê?
- Quer dizer que as pessoas já ouviram e a minha direcção em Luanda já gravou o que o chefe disse.
- E assim vamos dizer o quê no chefe?
- Digam que não me viram ou que já mandei e não dá mais para recuar.

E lá se foram os homens. Até hoje fico sem saber se terão sido orientados pelo Governante ou se terá sido "meixeriquice" deles.

domingo, abril 01, 2012

DEZ PERGUNTAS AOS POLITICOS ANGOLANOS

1- Do pouco que sei e ouviu sobre a CASA do Abel Chivukuvuku, a formação assume-se como "um partido do centro. Um ponto de convergência entre os não radicais da esquerda (perdsonificada pelo Mpla) e da direita (personificada pela Unita). Haverá nestes dois partidos e outros periféricos tantos “vira Casaca” para encher a Casa de Abel?
2-      Das poucas passagens que retive até hoje de políticos da Unita uma delas foi do Paulo Lukamba” Gato” que ainda nos tempos do “aço quente”, numa entrevista sobre possíveis negociações com o governo, dizia que “A política é a arte do possível”. Quero aqui fazer uso desta tirada para questionar que possibilidade terá Abel Chivukuvuku para fazer casamentos que lhe venham a encher a casa e obter votos para chegar ao poder?
3-      Ouvi, em tempos Abílio Kamalata Numa, discursando em Benguela para seus militantes nos seguintes termos: “Se o regime ajudou a criar a casa então que case com ela e dê os seus militantes”. Até que ponto a casa afectará o MPLLA depois das deserções já criadas nas hostes do Galo Negro?
4-      E, atendendo que “a política é a arte do possível” Quererá o Partido tri-color (vermelho, preto e amarelo) buscar uma aliança com a CASA de Abel só para reduzir o Galo a “churrasco”? Pretenderá o aspirante a Presidente de Angola, Abel, aceitar um possível aceno do M que lhe pode inibir de chegar à Cidade Alta?
5-      Depois de casamentos e concubinatos já visíveis como os que unem MPLA/ND, MPLA/FNLA-NGONDA que outro(s) enlace(s) podem conhecer a nossa política nos poucos dias que faltam para o tiro de largada para as eleições?
6-      Quem dos contendores da FNLA (Ngonda e Kabango) levará a FNLA às eleições depois do que se vem passando na Assembleia Nacional e Comissão Nacional Eleitoral, onde Ngonda, apesar de ser o presidente de jure, não tem representante que lhe preste obediência?

7-      Depois de ter sobrevivido à extinção compulsiva face ao fracasso das últimas eleições em que não pôde eleger sequer um deputado, terá o PDP-ANA do finado Mfulupinga Landu Victor pernas para mais uma corrida?

8-       Quem esteve atento ao que se passou no Senegal, onde o velho Abdulaye Wade foi copiosamente derrotado na segunda volta depois de ter aparecido à frente da contagem da primeira volta, terá notado qual foi a estratégia da oposição daquele país. Unir-se em torno de um para mudar o status quo. Que cogitam os nossos actores políticos da oposição?

9-      Olhando para o M, que a meu ver vai muito bem na sua “preparação física” para a próxima "maratona", noto a ausência apenas dum assumido/declarado delfim para suceder/coadjuvar o Candidato Natural daquela formação. Até que ponto essa situação poderá ou não refrear/animar a tendência de voto para o “Glorioso”?

10-  Depois dum finca-pé entre oposição e Mpla sobre a indicação da presidente da CNE que condicionou, por outro lado, a indicação e tomada de posse dos representantes da UNITA PRS e FNLA à CNE, as últimas noticias (vindas do Parlamento e na voz de Emílio Homem à TPA) apontam para uma cedência ou desistência da oposição quanto ao finca-pé que vinham fazendo. Primeiro foi o Tristão da FNLA que decidiu retomar o seu assento na CNE onde ele e companheiros da “oposição radical” terão ficado sem ordenados (porque quem não trabalha para o povo não deve ganhar dinheiro do povo). Terá sido o não pagamento dos USD 10 mil de ordenado aos Comissários faltosos que forçou o regresso aos trabalhos?

terça-feira, março 20, 2012

PENA CAPITAL: VIVER NA CAPITAL

Sem energia regular, os meus amigos deixaram de reclamar. Atiraram a toalha ao tapete, como se diz na giria desportiva.

Sem água corrente, os meus amigos só falam em chamar sisternas mas essas tambeém estão algo raras.
Agua rara, como canta o Bonga.

Sem recolha exemplar do lixo, os meus amigos levam o lixo nos carros quando vão a cidade baixa trabalhar e, vezes há em que regressam com o lixo à casa, pois não encontram contentores ao longo da via...
Já sei foi o cuachar das rãs na lagoa próxima a minha casa. Agora são as moscas e mosquitos que procuram refúgio nos meus aposentos...
Nao será que viver em Luanda é o mesmo que cumprir uma pena? É uma pena que a nossa capital seja tudo isso de mau que se vive hoje...

sexta-feira, março 09, 2012

DO TEJO AO KWANZA: UMA PROPOSTA QUE VEM DE PORTUGAL

sinopse
"História de um jovem, que saiu do aconchego de sua mãe e partiu sozinho para Angola, atendendo ao chamamento dos irmãos que lá viviam. Teve os seus dissabores, as suas tristezas e alegrias. Foi lá que encontrou os seus primeiros amores, onde se fez homem e constituiu família. Viajou praticamente por todo país, pelo qual se encantou irremediavelmente. Pretende-se essencialmente, neste pequeno romance, mostrar a paixão que fica impregnada na alma de quem viveu em Angola. Jamais se esquecem os cheiros da terra vermelha e o pôr do sol."
Cais da Alma    -    € 10,00    + portes simples  =     € 11,00
ANGOLA, Do Tejo ao Kwanza    -    € 12,00 + portes simples  =  € 13,00
Estes preços referem-se a envio por correio normal e para Portugal e Ilhas, cuja transferência será feita para o meu NIB.
Se enviados à cobrança, acresce € 2,50.   

segunda-feira, março 05, 2012

A LITERATURA, A POLÍTICA E AS LIBERDADES (ENTREVISTA)

Blog: litsubversiva.blogspot.com
Temática: Jornalismo, literatura, afro-descendência, cinema, etc.
Local de alojamento: Salvador da Baia (Brasil)
Autora: Ana Paula Fanon (jornalista e escritora afro-descendente).
Sábado,03 de março de 2012
Literatura Angolana em cena:os escritos de Luciano Canhanga

A internet é um meio de comunicação que possibilita a aproximação de pessoas de diferentes lugares e culturas,embora o sociólogo Zygmunt Bauman no vídeo Fronteiras do Pensamento e no livro Amor liquido convide -nos a fazer reflexões sobre as relações virtuais.Foi neste contexto que conheci o escritor Luciano Canhanga ,visitei o seu blog, depois adicionei-lhe ao meu perfil no facebook e conversamos sobre experiências literárias em países marcados pela colonização a exemplo de Brasil e Angola.
Angola é um país situado geograficamente na costa ocidental de África, cujo território principal é limitado a norte e a nordeste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico que, apesar do fim da guerra civil em 2002 ainda sofre com os resquícios históricos.
Embora a língua portuguesa seja o idioma oficial deste país, existem outras línguas que compõem a cultura angolana como :umbundu, kimbundu, ambundu e a literatura é um meio de manter contato com as manifestações culturais e as reflexões políticas de quem se utiliza da palavra para registar a memória do seu povo.
Relendo a entrevista concedida por Homi Bhabha (Prosa & Verso) O Globo sobre valor das diferenças publicada em janeiro do ano corrente; em que Bhabha responde ao jornalista porque ele coloca a literatura como a forma mais sensível e de enorme significado entre os atos de sobrevivência cultural,cheguei a conclusão de que o meu oficio político na diáspora é dar visibilidade as produções literárias que estão a margem das chamadas alta cultura.
O entrevistado do blog Literatura Subversiva é Luciano António Canhanga jornalista e escritor do Libolo ,município da província do Cuanza-Sul, em Angola, autor do romance "O Sonho de Kaúia", Mayamba, (2010).
Quando começou a sua carreira literária ?
A minha paixão pelas letras teve inicio em 1983 quando um primo, Arnaldo Carlos, me emprestou o primeiro livro que li, gostei e retive. Foi "Vozes na sanzala" de Uanhenga Xitu. A escrita começa na década de noventa do séc. XX, quando de forma ainda muito incipiente comecei a escrever os primeiros poemas e a inventar algumas histórias, cujos personagens eram as pessoas que me eram próximas. Com a criação do meu primeiro blog em 2005 comecei a publicar algumas crônicas e artigos que evoluíram para o texto do meu primeiro livro publicado em 2010.
Quem são os seus escritores(as) prediletos (as) ?
Tenho uma admiração muito grande por Uanhenga Xitu e Jofre Rocha que são narradores de situações. Escritores preocupados mais com o conteúdo do que a forma. É óbvio que procuro encontrar o meu próprio caminho, mas inspirei-me muito neles. Também admiro Saramago e Mia Couto. Em Angola cito ainda Roderick Nehone e Jacinto de Lemos que são exímios cultores da palavra.
O senhor considera o livro O Sonho de Kaúia autobiográfico ?
Não! Talvez me perguntasse se vivi parte do que escrevo? A resposta seria sim, mas o que escrevo não é a minha história pessoal. Descrevo apenas situações políticas, sociais e históricas vividas pelos angolanos. O fato do personagem principal Kaúia tornar-se jornalista, profissão que exerço, faz com que alguns leitores busquem uma relação de familiaridade entre o personagem principal e o autor.
Que avaliação o senhor faz da literatura Angolana no Cenário internacional e nacional?
A internet popularizou a literatura e permite que os pensadores/criadores intercambiem conhecimentos e experiências. Hoje as formas e os conteúdos não são estanques. A nossa literatura já é marcadamente diferente daquela do século passado, devido a universalidade da criação e intercâmbio entre os criadores. Falando de Angola, depois de um período em que haviam poucos escritores e com temáticas pouco distintas, estamos hoje a viver um boom em termos de criadores. Óbvio que "nem tudo é literatura", porém estou a crer que depois da quantidade venha a qualidade. Já li bons textos de principiantes, mas também já comprei livros que desaconselho a meus filhos, devido a forma como a língua portuguesa é maltratada.
Angola é um país africano colonizado e marcado por um período de guerra civil. A situação hitórica, política e social do seu país refletem na sua produção literária ?
Quem lê “O Sonho de Kauia” encontra um pouco de tudo isso. A luta pela independência (homens que foram à guerra e encontraram as mulheres com os filhos nas mãos), os resquícios da “política assimilacionista do Estado Novo” que proibia o uso das línguas de origem bantu entre os nativos, a guerra civil que se seguiu a independência e o consequente êxodo de pessoas do campo para as cidades, as adaptações, etc. etc. E encontra ainda as desordens sociais nas grandes cidades como as construções anárquicas, o caótico tráfego automóvel, as novas manias de grandeza, etc. É sobre tudo isso, a que acresço pitadas de humor, que continuo a escrever. Quando sair a público o livro "Os desaquartelados", os leitores voltarão a encontrar um retrato do que foi e é Angola no tempo em que sou parte do seu agregado populacional (1976-2012).
O que mudou no seu país após o período de guerra civil ?
Depois de termos todas as atenções viradas para a guerra, estamos agora a pensar na reconstrução do que foi destruído: o tecido social, as boas práticas que foram ignoradas, o resgate do papel da família, etc. Estamos a reconstruir Angola, mas o caminho ainda é longo, pois há coisas que ficam reservadas a próxima geração, aquela que nada teve a ver com a guerra.
Quais são as suas principais preocupações políticas, uma vez que o senhor além de escritor é jornalista ?
A liberdade é a minha principal preocupação. Não há sociedade que se tenha desenvolvido num clima de ausência de liberdade e temos ainda uma grande marcha por efetuar neste domínio. Os escritores tem liberdade de escrever, mas há dificuldade em publicar. Sabe que Angola tem apenas 16 milhões de habitantes, sendo grande parte iletrada, e, pior ainda, porque dos que foram alfabetizados poucos têm cultura de leitura e há ainda os que não têm nada para ler. Logo, Angola não é um bom mercado para a literatura, sendo que apostar neste género artístico não anima os editores. Só para lhe dar um exemplo: Eu compro na editora os meus próprios livros para oferecer a amigos.
Noto que os jornalistas têm mais dificuldades em relatar os fatos, sobretudo, quando envolvem a governação. Muitas vezes, porque ninguém quer estar mal com os detentores do poder e dos medias, os jornalistas enveredam pela auto-censura que chega a ser mais perniciosa do que a censura explícita. Hoje, os grandes jornalistas do país ou são free lancers ou estão na assessoria porque a media privada começa também a ser submetida a operações de compra hostis. Sendo os novos titulares dos jornais, pessoas ligadas ao poder e com forte controle sobre as matérias publicadas.
Como funciona a política editorial para publicação de livros em seu país ?
A política editorial no pais é ainda bastante fraca. No passado era apenas a União dos Escritores Angolanos que editava. Ser-se membro da União era o grande bico d´obra. Agora há novas editoras, só que, na maioria das vezes, o autor precisa de ter um patrocínio para publicar. Essa dificuldade é mais acrescida quando se trate de um neófito que procura por um lugar ao sol. Os já consagrados têm alguma facilidade em ver o seu projecto aceito pelas poucas editoras existentes e ou pelos patrocinadores, mas os livros vendem pouco em Angola, devido a falta de cultura de leitura. Há uns que preferem editar fora do país, mas lá se coloca outra questão: para vender fora você tem de ser conhecido antes.
O senhor pretende lançar algum livro este ano ?
Tenho dois livros a espera de quem os aceite editar. Um infanto-juvenil "Manongo-Nongo", que até foi escrito com a pretensão de oferecer às crianças do Leste de Angola, desde que alguém se encarregasse dos custos de edição, e um romance "Os desaquartelados" que também já pode sair ao público. Aprendi ao longo do processo de aprendizagem que “a literatura adiada não apodrece. Ela antes amadurece”. É por isso que tenho paciência em esperar por melhores dias, pois enquanto aguardo pela chegada do sol, vou aperfeiçoando os textos.