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terça-feira, abril 03, 2012

MEMÓRIAS DA PAZ (10 anos depois)

Decorria o mês era Março de 2002. A missão que me fora incumbida pelo Director de informação da LAC-Luanda Antena Comrcial, Sr. José Rodrigues, era a de seguir ao Luena e reportar para o auditório da sintonia azul o que se estava a passar no terreno.
"Para o Luena já!"

Só que eram poucos os que lá podiam chegar. Voava-se pouco para o Moxico e as viagens de carro, nem pensar!

Quem mais para lá voava era o PAM- Progarma Alimentar Mundial com aviões ligeiros do tipo Beachcraft e cargueiros Antonov's.
E lembro-me, a propósito,duma anedota que de tanto o PAM fornecer milho aos carenciados angolanos no tempo da guerra, alguém ousou em perguntar a uma criança:
- Que planta dá o milho?
- É PAM, mano! - terá respondido um menino.

A minha ida ao Luena, capital do Moxico, aconteceu semanas depois da morte de Jonas Savimbi em combate. Objectivos: transmitir aos luandenses, ouvintes da LAC, que se passava no terreno, ou seja, as movimentações dos militares que procuravam a paz definitiva e a situação humanitária dos milhares de civias que saiam todos os dias das matas (os que estavam sob domínio da UNITA).

Embora tivesse feito antes deslocações em reportagens militares ( feitas em cenários de guerra presente ou recente), aquela foi a mais marcante. Não só pelo impacto que teve, mas também por ter sido quase um exclusivo para rádios privadas angolanas (a abordagem na Rádio Pública era muito formal e marcada por discursos selectos e oficiais). 
 
Edificio do Gov. Moxico
Lembro-me da dificuldade que havia em mandar "despachos" para Luanda. Havia apenas duas línhas telefónicas para ligações que fossem para fora do Luena. Enorme era a fila, e uma tentativa fracassada era suficiente para ser substitído por outra pessoa na cabine. E, pior ainda, porque havia sempre ao lado uma "toupeira" a escutar o que as pessoas diziam ao telefone. E foi nestas circuntâncias que depois de uma entrevista bem conseguida com um governante da província, minutos depois, fui abordado por agentes da polícia ligados à sede do Governo que me pediram para voltar ao local da entrevista, pois o chefe queria corrigir algumas coisas que dissera na entrevista. Perante a minha negação de que "estava a mandar o material para Luanda" os homens pediram-me então a K7 onde estavam gravadas várias entrevistas: a do governante em questão e outras feitas ao longo dos dias anteriores.
- Já mandei a entrevista toda em directo.
- Em directo quer dizer o quê?
- Quer dizer que as pessoas já ouviram e a minha direcção em Luanda já gravou o que o chefe disse.
- E assim vamos dizer o quê no chefe?
- Digam que não me viram ou que já mandei e não dá mais para recuar.

E lá se foram os homens. Até hoje fico sem saber se terão sido orientados pelo Governante ou se terá sido "meixeriquice" deles.

2 comentários:

José Sousa disse...

Amigo Soberano!
Regressei aos meus blogues. Ao encontrar o teu no Facebook, lio-o com muita atenção e gostei dessa informação, tão bem feita! Vou continuar a ler o resto e o que virá, pois amo a minha querida Angola e gosto de saber sobre ela. Muito obrigado por nos dares os teus conhecimentos.
Vai até ao meu que tem lá um post novo.

httP//www.conculolundo.blogspot.com

Um grande abraço do amigo José Sousa.

José Sousa disse...
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