Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012

DEGRADAÇÃO AMBIENTAL: UM VENENO CONTRA O PRÓPRIO HOMEM

Miguel Sakandembe tem 74 anos e viveu a sua infância em Saurimo. Sempre que passa pela nova ponte do Muangueji lembra-se dos dias de praia fluvial que teve e das pescarias com os SEUS amigos. Hoje, do rio da sua adolescência e juventude só restam saudades. As areias, resultantes das ravinas, transportadas do Acampamento, Manauto e Xikumina fizeram desaparecer a água e quando ela é vista, neste tempo de chuva, está toda turva, impedindo a reprodução de cardumes e de plantas ribeirinhas.
Nas suas nostalgias, Sakandembe lembra-se também duma cidade com bastantes árvores e, sobretudo, bambúss que, com as suas infindáveis raízes, serviam de cortina contra a erosão das terras. Foi um tempo em que as ordens eram acatadas e todos tinham responsabilidade sobre a vida colectiva e sobre o futuro de Saurimo.
Os dias que se seguiram à nossa independência, se bem que alegres, pois os destinos do nosso país são ditados por nós memos angolanos, foram também de algum descuido. Partiram-se casas e lojas que seriam úteis aos nossos filhos. Cortaram-se árvores que nos dariam sombras e travariam a força erosiva da chuva, sem que outras fossem plantadas para substituir aquelas que o crescimento da cidade forçou o seu abate.
Os bambús serviram para fazer o colmo de muitas casas e até hoje o que ainda resta vai sendo cortado indiscriminadamente, sem que uma outra cortina arbórea seja instalada aí onde termina a cidade.


Madalena Nakala vende carvão no mercado do Catorze. A senhora nos seus trinta e tal anos já perdeu a conta de quantas árvores derrubou para a feitura de carvão. Muitas áreas que eram florestas estão hoje desmatadas e com sérios riscos de nascerem ai outras ravinas por falta de cobertura vegetal. Madalena sabe que sem árvores jamais seria possível fazer o seu negócio, mas nunca participa de campanhas de plantio de árvores.
To-Zé Sakalumbo que vive no Murieji é um grande caçador. Todos os dias as suas armadilhas apanham cabras do mato, lebres e outras presas que comercializa no mercado do Adolfo.
Única coisa que ele ainda não dominava era a necessidade de fazer a selecção de presas apanhadas vivas. Um certo dia foi surpreendido pelos homens que trabalham na preservação animal e foi aconselhado a soltar as fêmeas, sempre que encontrasse o animal ainda vivo, porque são as fêmeas que permitem com que haja crias todos os anos. To-Zé segue o conselho e é agora um disseminador destas ideias na comuna do Murieji. O jovem To-Zé também participa das campanhas de arborização e está sempre a falar às vizinhas para que deixem de mandas as crianças deitar o lixo, pois a sua pouca altura não os permite colocar o lixo no contentor.
To- Zé e Madalena Nakala são pessoas  da mesma faixa etária, mas muito diferentes, devido ao comportamento que evidenciam perante o equilíbrio da biodiversidade.
Plantar árvores para impedir o surgimento de novas ravinas, substituir as árvores que se cortam por velhice ou devido ao necessário alargamento da cidade, ensinar as crianças onde e como depositar o lixo, poupar as fêmeas na caçadas para permitir a reprodução dos animais, evitar a desflorestação das nossas matas para que tenhamos ar puro e sombras, deixar de lavar carros junto as ribeiras para evitar a contaminação das águas, entre outras medidas são tarefas de todos nós. Devemos nos esforçar em consegui-lo  para que nem nós, nem nossos filhos tenhamos no futuro lamentos piores do que aqueles do Kota Sakandembe.
 Cuide de si e do que está à volta de si.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

UM RELAXANTE CHAMADO IGREJA

Aos domingos,  frequentar uma igreja torna-se uma terapia social contra o stress, fadiga, vícios nefastos à saude fisica e psiquica.
A igreja, sobretudo as protestantes/evangélicas que ainda não foram mercantilizadas, levam-nos à abstração, reflexão e introspecção e retira-nos dos lugares comuns geradores de fadiga e vícios.

A igreja torna-se assim, para além de lugar de adoração, um local de reencinto de reencontro de contemporâneos, colegas, amigos e irmãos na fé que vivem todo o ambiente lúdico criado com os cânticos, jograis, teatros, ofertórios, acção social e educacional, etc.

A igreja torna-se ainda um agregador de sinergias e carregador de energias para além da já citada  terapia contra o stress.
Ainda não sabe onde viver esses momentos?

Procure por uma Igreja Metodista Unida e consulte a bíblia em Mateus 7:7-8.

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012

A PORRADA CONTINUA: NOS "CONGOLENSES"

Passados dois anos desde que visitei pela última vez a zona das Pedrinahs, a Terra Nova, julgava que a "porrada" dos polícias e fiscais administrativos de Luanda contra as "zungueiras" tivesse terminado ou no mínimo houvesse com as denúncias quase diárias um tratamento mais humano para com aquelas senhoras do arreió-arreió.

É que ao passar pela rua Lino Amezaga que Liga a Avenida Brasil (Hoji-ya-Henda) à Estrada de catete (Avenida Deolinda Rodrigues) roçando o mercado dos congoleses (vulgo congolenses), pude ainda ser brindado com o mesmo filme: um policia corria ferozmente atrás das zungueiras que comercializvam nos passeios, chegando mesmo a se apoderar da bacia de uma delas. E o polícia não estava sozinho.
Os seus colegas estavam sentados e expectantes numa esquadra móvel aí estacionada (vulgo roulotte), enquanto um outro individuo, a paisana, e ostentando um porreto e rádio de comunicação semelhante ao que usava o polícia, acondicionava os trofeus recebidos das zungueiras mais desatentas.

Será que os chefes da corporação  já explicaram para onde os seus subordinados levam essas bacias e respectivas imbambas? Seria bom que as zungueiras soubessem.

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

ATÉ QUANDO VIVEREMOS COM OS ETERNOS PROBLEMAS DE LUANDA?

Sempre que estou em Luanda, invade-me um misto de alegria e tristeza. 
Alegria porque partilho o calor e a amizade da familia: dos filhos, dos sobrinhos, da esposa e dos amigos.
 
Tristeza porque noto que na nossa capital os serviços básicos sempre desandam na nossa capital: a crónica falta de energia eléctrica, a deficiente recolha de lixo, a falta de água em muitos pontos de Luanda, a acumulação de areias nas bermas que provocam muita poeira, a falta de iluminação pública, o trânsito caótico e desordenado, a ausência de drenagem das águas pluviaias, os buracos nas estradas e as estradas mal construídas, as obras suspensas, o cheiro nausdeabundo que brota das fossas entupidas em plena cidade e arredores, etc. etc, um mar de problemas há muito adiados que fazem de Luanda, ao ver de quem aqui não vive e com experiências doutras cidades, uma selva.

E falando sobre lixo, no bairro em que vivo, Vila Nova, Viana, Sector 1, há mais de seis meses que os resíduos sólidos não são recolhidos. A administração entendeu realizar obras de drenagem das águas pluviais no bairro, o que quase todos os moradores louvaram, mas por via disso os acessos para as máquinas e equipamentos de recolha foram bloqueados e o resultado está aí: um mar de lixo e suas habituais consequências como acumulação e reprodução de moscas, mosquitos, ratos, gatos, etc. Só não se fala de outras doenças porque, felizmente, a chuva ainda tarda em chegar.

É caso para se dizer que, se por um lado estão a tentar resolver um problema (o das águas publivias), por outro impedem a recolha do lixo que já engoliu uma ruela (por sinal a minha) e ameça fortemente os quintais.

E como as coisas estão aí à vista de qualquer um, basta perguntar pela Padaria Cameha e rapidamente se encontra o local que fica a uns cem metros. A administração de Viana sabe disso mas as coisas continuam como estão...

 

Terça-feira, Janeiro 31, 2012

VIA EXPRESSA: PARA A MORTE?

Sim. Isso mesmo.
Não pode haver outras designacoes que não nos levem à ideia de que as vias expressas que se constroem em Luanda são pensadas para facilitar a morte dos pedestres.
Reparem que:
- Na Avenida Deolinda Rodrigues (Luanda/Catete) a iluminação pública termina na Ex- FILDA. De lá em diante é só escuridão.
- Na mesma Avenida, as passagens superiores ("pontes aéreas" como são conhecidas) estão colocadas em intervalos de 5 Km, inexistindo outros sinais de transito que facilitem as travessias, como semáforos e/ou passadeiras marcadas no pavimento.
- Na Avenida Comandante Loy (Shoprite/Palanca/Golfe II/Gamek/Benfica) existe apenas uma passagem superior junto à Vila do Gamek e contam-se as passadeiras marcadas no pavimento. Quando, tratando-se de uma via contruida para um transito rápido, deviam ser colocadas mais passagens superiores.
- Na dita "auto-estrada" de Cacuaco ao Benfica, pior ainda. Nem passadeiras, nem semáforos, nem iluminação, nem passagens supeiores nem nada. Quem, de bom senso, por lá passa se entristece ao contar o número de cães atropelados, o que leva a pensar quantos homens estarão a ter a mesma sorte, e quantos carros acidentados ao longo da via construída para ser rápida, contudo sem iluminação.

E dePois lá vem a polícia a erguer o dedo acusador apenas aos pedestres, como sendo os culpados dos muitos atropelamentos ou os condutores com formação deficiente. E o Estado/Governo/Quem-de-direito onde anda?
   

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

ELEIÇÕES EM ANGOLA: O "BILO" COMECA PELO MBALUNDU

Depois da morte de Ekwikwi IV do MBALUNDU nada será como dantes  naquele reino. Augusto Kaciopololo, falecido a 14 deste mês, era um rei com filiação partidaria bem definida e ostentava um cargo de soberania, deputado a assembleia nacional, pelo MPLA.

Agora que "o coração do rei deixou de bater", estando, segundo a tradição, a caminho da morte, que no caso equivale à separação do cránio do resto do esqueleto, as atenções das pessoas e o "bilo" entre os interessados recaiem a quem o vai substituir no trono do reino de Mbalundu.

Na corrida, como é de prever, entram inquestionavelmente a UNITA e o MPLA. O partido da oposição porque tem o planalto central angolano como a sua maior praça eleitoral de sempre. Depois do amargo de boca que foi, para os homens do Galo Negro, o reinado de Kaciopololo Augusto, não estarão interessado em repetir a dose que seria, no caso, encarar a possibilidade de ver intronizado um outro rei que não seja de sua simpatia ou que vista uma camisola que não seja a sua.

O partido da situação, o MPLA,  depois da vantagem que teve/tem no terreno que foi o de ter um rei- militante e que contribuiu com o seu dinamismo como cabo eleitoral, conduzindo à vitória conseguida em 2008, quererá, como é de admitir, repetir a ementa, colocando ou fazendo colocar no trono um rei-de-vermelho-preto-e-amarelo.

Há ainda um terceiro grupo de pessoas académicas, conseravdoras da tradição e costumes bantus e com equidistância política que pretendem um rei apartidário, para manter a pureza do reinado. Esses argumentam que "o rei deve colocar-se acima dos interesses político-partidários e ser figura aglutinadora do povo mbalundu, independentemente das convicções políticas dos seus súbditos".

E, como quem ganhar o rei ganhará eleitores, a ver vamos, se desta vez quem levará da melhor entre o MPLA e a UNITA (principais contendores) que em Setembro voltam às urnas para a escolha do parlamento e Presidente da República, num escrutínio do tipo "paga um leva dois" ou seja, em um único boletim escolhe-se o partido e o Presidente da República.

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

POR QUE SE DEGOLA A CABEÇA DO REI MORTO?

O corpo inerte do REI EKUKUI IV do Mbalundu, falecido no fim-de-sema, será degolado esta noite na capital do seu reino (Bailundo) para fazer cumprir a tradição. Provavelmente o rei não vá sozinho. É a experiência. Os Kesongo estarão já à caça de acompanhantes do Rei cujo corpo deverá ser acompanhado por uma ou duas "pessoas".
Diz a tradição, que se a cabeça não for separada do corpo e depositada no Ekokoto várias pragas podem assolar o reino, o que deve ser evitado.
Por outro lado, é através dessa prática que se contabilizam quantos reis já passaram pelo trono, bastando contar o número de crânios expostos numa fenda ou floresta (secreta) frequentada apenas por restritos membros da corte.
Para além dessas duas práticas, há ainda outra que atesta que "o rei nunca vai a andar sozinho", mesmo que vá para a morte, salvo em situações em que a sua despedida não pode ser assistida.
Se for em situações de enfermidade irreversível, os notáveis da corte dão fim à vida do rei no último momento, quando se nota que a partida é eminente. Desta forma "leva-se o rei" em vez de ir sozinho.
São questões e práticas discutíveis por um lado, tendo em conta a ocidentalização da cultura universal, mas também de respeitar, tendo em conta as nossas origens.
Concorde ou não com a prática, mas é verdade que o corpo de Augusto Katchiopololo, rei do Mbalundu e deputado do ciclo nacional pela bancada do MPLA, vai ser hoje degolado e depositado no panteão real do Bailundo. O corpo sem a cabeça, este pode ter outras exéquias mais formais e mais ocidentalizadas, tendo em conta a sua qualidade de deputado eleito para o mandato em curso.
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Subsídio "roubado" da página de facebook do Nguvulu Makatuka
 HÁ QUEM ESTEJA A DIZER QUE O REI DO MBALUNDU SERÁ DEGOLADO. Não de trata propriamente de degolar. Na verdade, na tradição ovimbundu o Rei apenas é considerado morto depois de a cabeça su estar separada do corpo. Houve uma falha protocolar no caso do designado EKUIKUI IV, cujo processo de morte está em curso. Tendo o coração deixado de bater, diz-se apenas que o Rei está muito doente. Ele é pendurado numa árvore tradicional pelo pescoço e apenas é considerado morto depois de a cabeça estiver separada do corpo. Não há um processo mecânico. Seria um sacrilégio. É a natureza que, pela gravidade, separa a cabeça do corpo. Apenas o corpo será enterrado. A cabeça será guardada no santuário do reino, junto da cabeça dos outros reis todos, desde KATYAVALA. No dia m que o seu corpo for sepultado, não será aconselhável as pessoas andarem pelas ruas, sobretudo sozinhas, há os drainados KATOKÕLA que poderão sacrificar algumas pessoas para que essas façam companhia ao SOBERANO. Esta prática já não existe, mas as pessoas não saem de casa, por reverência.
Nota: o autor deste blog é neto do rei  Ngana Ñunji, do Kuteka, título que significa PILAR.

Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

ANTES QUE SEJA TARDE: VIGIEM-SE PORTAS

“PARA ANGOLA, JÁ, EM FORÇA E DIPLOMACIA!”
A célebre expressão salazarista, que ganha apenas o reforço do elemento diplomacia, foi reiterada por Paulo Portas, MNE de Portugal em entrevista (04.01.2012) à SIC. E perece que Paulo Portas tem mesmo  port´aberta para, mais uma vez, Portugal  mandar à  teta do leite sem fim (Angola) todos os seus renegados, desempregados e empobrecidos até ao tutano, ainda por cima todos com os narizes empinados como nos tempos do “Portugal ultramarino”, para uma nova colonização cultural, económica e supostamente técnica.

Na media pública, por exemplo, e fazendo fé ao Site "Maka Angola", os tugas já aplicam o lápis azul herdado do salazarismo.

Antigos donos de meio-mundo mas agora sem tangas (já seria bom andarem de tangas), os tugas até se arrogam de “cá virem ajudar”, como se nos dessem “almoços de borla”, quando na verdade são eles que clamam por "restos das espinhas dos nossos pratos".

- É preciso muito cuidado!
- É preciso que os nossos políticos e diplomatas não entreguem a Nossa Pátria aos maçónicos de Coelhos e Portas!
- É preciso que se retome a célebre tirada de que “Connoscoa cooperação não será fácil”!
É que os tugas, como lhes é peculiar, vão bajular ao máximo os nossos "engraxáveis" líderes políticos, pois o Nosso Futuro em nada lhes interessa, senão os nossos dólares do momento.

Estão de olhos apenas nas nossas riquezas.
- Vão vender outras quinquilharias, como no tempo “doutra senhora”, e até banha de cobra ou de sardão para ter o nosso petróleo e tudo o que lhes der dinheiro para desafogar a sua asfixiada economia!
- Vão fingir que são especialistas disso e daquilo. Na nossa ignorância de ouvir quem fala “bom português", muitos decisores políticos serão ludibriados pela conjugação verbal e adjectivação!
- E os "luz e tanos" ficarão com os nossos empregos, os empregos dos nossos filhos, comprometendo, outra vez, o nosso futuro... O Futuro da Nação Angolana!
- Vão roubar e revender-nos até os nossos inertes…
- Vão ficar com as nossas melhores terras aráveis e vão fazer novas Baixas de Kasanje se não estivermos atentos.

É certo que muitos angolanos encontraram refúgio na Tugolândia no "tempo das bazucas", mas tiveram que se contentar com a dureza da pedreira, com a faxina das estradas geladas e outros trabalhos menores… Os de casa colocaram barreiras protectoras ao seu Interesse Nacional Vital, à invasão e à partilha do que é reserva do cidadão lusitano.

E nós, será que Precisamos de kimbanguleiros expatriados?
- Precisamos de capatazes tugas?
- Precisamos de “puxa-cabos” expatriados na nossa media pública e privada?

Antes que seja tarde. Antes que não tenhamos necessidade de rememorar a célebre canção "Milhorró" e o seu refrão “ai, ai, vão se embora, isso assim não pode ser”, vigiem-se as portas dos vorazes apetites lusitanos!
E, antes de terminar: é preciso também estarmos atentos aos "vendelhões de templos" e pregadores de "reino celestial na terra". Os que a coberto de futebóis vêm para cá implantar "igrejas de dinheiro". Angola já não é terreno virgem para as igrejas e o Brasil tem milhões de ateus por evangelizar.

Rivaldo e Rivais, para as missões a que se propõem, não deviam ser recebidos com tantas honras como se de salvadores da pátria fossem... Chega de enganar os nossos compatriotas que, na ausência de soluções materiais para a gritante pobreza que nos afecta, vão entregando o pouco que possuem a estes lobos vestidos de ovelhas. 

- A Nação precisa duma “Guarda-Republicana” contra a invasão tugariana, asiática e de tantos outros vendedores de banha de cobra bem identificados!

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

CULPA MORRE SOLTEIRA: QUEM AFINAL AUMENTOU OS EMOLUMENTOS?

Em Novembro do ano findo o Presidente da República assinou o Decreto 287/11, de 1 de Novembro, referente aos emolumentos a pagar pelos serviços prestados no sector da Justiça, nomeadamente os atestados de residência, de agregado familiar, de declarações diversas e respectivas segundas vias, cuja aplicação aconteceu no primeiro dia útil de trabalho de 2012 (03.Janeiro).

Recebido com tremendo repúdio pela população de Luanda, concretamente da Maianga, que de dia para noite viu triplicados os emolumentos para os documentos em causa, o Decreto Presidencial teve de ser suspenso no dia 06 de Janeiro pelo próprio emissor a quem a TPA brindou, de seguida, com uma ampla campanha de adulação pela “clarividente medida suspensória” do maldito decreto, como se de outra pessoa/Instituição tivesse partido.

Há clarividência na formulação das leis que morrem à nascença… Há clarividência no passo à retaguarda … E em que pé ficamos?
- A quem devem os explorados nos dias 04 e 05 de Janeiro atribuir culpa pelas elevadas taxas pagas?

Sábado, Janeiro 07, 2012

LEI DOS FERIADOS SOFRE PRIMEIRO ATROPELO

A poucos dias do Natal, o Gabinete Jurídico do MAPESS, servindo-se da Nova Lei dos feriados nacionais, Lei nº 10/11 de 16 de Fevereiro, saiu a terreiro para explicar que “de acordo com o ponto 3 do artigo 6 da referida lei, não haveria Ponte nos dias 26.12.2011 e 02.01.2012, facto que foi “digerido” por uma grande parte dos angolanos comprometidos com o trabalho e com o desenvolvimento de Angola que tem de crescer com trabalho em vez de “fífias e folgas”. Porém, por mais paradoxal que pareça, no dia 29.12.2011 o Presidente da República, usando das suas Faculdades, usou de atribuir aos “farristas” uma Ponte no segundo dia do Novo Ano, contrariando a Lei que ele mesmo promulgou.

Não que o chefe do Executivo não o devesse fazer, mas no mínimo, é minha opinião, a inobservância do que a Lei prescreve devia ter passado pelo Ministério de tutela que, usando de um argumento qualquer, anunciaria a medida excepcional, pois da forma como a Ponte foi anunciada, deu a entender que o PR pura e simplesmente ignorou a Lei que promulgou e mandou às urtigas o seu liderado que cuida das questões trabalhistas (MAPESS).

Assim, Camarada Presidente, não se espante se um dia um seu liderado vier a pisotear uma outra Lei qualquer deste País que se quer moralizado e com os seus cidadãos virados para o trabalho que engrandece a Nação e as famílias.

Terça-feira, Janeiro 03, 2012

MOTO-TAXI: NECESSIDADE E PERIGO

Entre a necessidade do emprego e a preservação da Vida
No bairro Bagdad, Maria Nfwila chora a morte do seu filho querido. Magalhães era moto-taxista e teve um acidente frontal com outra motorizada. Não usava o capacete e por isso não resistiu aos ferimentos cranianos resultantes do acidente.

Na esquadra da polícia, o agente Bernardo Mukwateno tem a farda rasgada e a perna ferida: foi atropelado, em serviço, por um motoqueiro imprudente e sem habilitação que o arrastou por mais de 3 metros.

Na passagem para peões do Kandembe, Mpande a Umba viu o stop e o pára-choques da sua viatura danificados por um motoqueiro que não respeitou aquele sinal de trânsito, como ainda dizia que estava distraído antes de embater na parte traseira da carrinha.

Nos hospitais Municipal e Provincial, os bancos de urgência e as enfermarias são inundados todos os dias de vítimas de acidentes de e com motas que não poupam os passageiros, os transeuntes e os próprios motards. Mensalmente, o número de acidentados, feridos, e até mortes são consideráveis e avultados os prejuízos materiais que afectam as pessoas particulares, as famílias e o Estado que deve prover saúde e assistência à população.

Nas esquadras da polícia, sobretudo nas unidades de trânsito, começa a faltar espaço para acondicionar as motorizadas apreendidas na rua, fruto de condução perigosa, acidentes, falta de documentação dos meios e falta de habilitação para as conduzir. Todos os factos acima enumerados são e devem ser preocupação de todos, atendendo que falámos de dinheiro, segurança e integridade física que num abrir e fechar de olhos podem ser afectados por um qualquer imprudente.

Estou cônscio das dificuldades que o país vive em empregar gente que não teve acesso à escola, sendo grande parte deles jovens, a força activa. De igual forma estou consciente dos distúrbios sociais que os jovens desocupados podem provocar a esta e futuras gerações, caso medidas urgentes e concretas não sejam tomadas. Acho, de igual sorte, pertinente a opção de algumas instituições pela oferta de motorizadas aos jovens para a prática de moto-táxi. Só não entendemos por que razão as iniciativas louváveis de oferta de motas não são precedidas de aulas de habilitação dos jovens para conduzir e indução sobre o uso de equipamentos de protecção (capacetes para o moto-taxista e o passageiro), elementos fundamentais para que tenhamos estradas cada vez mais seguras.

Se todos reflectirmos e começarmos a resolver o problema pela base e não pelo topo, ainda vamos a tempo de emendar o tiro. Só prisão aos prevaricadores e apreensão de motorizadas não resolvem a questão. É preciso estancar a ferida já existente e prevenir outras.

Os motoqueiros, tão úteis à nossa vida comunitária quanto todos os demais profissionais liberais, devem ser formados (habilitados a conduzir); os mecanismos de legalização das motorizadas devem ser claros e simplificados; os próximos utentes de motas (sejam para táxi ou para uso singular) devem ser antes habilitados e documentados; e, já agora, por que não falar em seguro contra terceiros que venham a sofrer de acidentes causados por estes profissionais?

Vamos todos desenvolver a província e o país, mas de forma ordeira e responsável. Cada um fazendo o melhor de si, ultrapassaremos a barreira do subdesenvolvimento.

Sábado, Dezembro 31, 2011

A ENTREVISTA QUE NÃO ME FIZERAM

Para incentivar a participação de trabalhadores de Catoca e de familiares na habitual corrida de fim de ano, participei da mesma, tendo sido o último inscrito (nro 25), último na colocação de partida e último a chegar à meta.

Sr. Luciano Canhanga, apesar da idade (mais de 35 anos) e de ser PPD (pessoa portadora de deficiência) participou da corrida. Com que objectivos?
- A priori, anunciei a minha inscrição apenas para motivar os demais a participarem. Depois fiz para mim mesmo um desafio que era PARTICIPAR DA CORRIDA e chegar à meta pelos próprios pés, num percurso de12Km.

Atingiu os objectivos?
- Sim. Partir em 25º e chegar pelos próprios pés, ainda que na mesma posição, já foi muito bom. Pior seria usar a ambulância, o que não aconteceu.

Quanto aos prémios, que tem a dizer?
- Houve prémios para todos. Para trabalhadores, para visitantes, para crianças dos 10 aos 14 anos, para senhoras (infelizmente não houve participantes), para a velha-guarda, etc.

Disse que era PPD. Participou nesta categoria ou não estava prevista?
- A priori estava prevista esta categoria. Não se fizeram corridas diferentes nem trajectos diferentes. O primeiro deficiente a cortar a fita, fosse em que lugar, seria o vencedor da categoria. Mas fui o único e acharam que seria integrado na classe da velha guarda onde fui terceiro classificado. Por ter sido a única PPD tb deram-me uma pequena lembrança (já que não tive direito à taça).

Perspectiva para o próximo ano ou próxima corrida?
- Se ainda estiver aqui e tiver saúde vou preparar-me, o que não fiz desta vez, quero sair em 25º e chegar no mínimo em 20º lugar e ser 2º na categoria da velha guarda ou primeiro entre as PPD.