Sexta-feira, Novembro 20, 2009

O FIM DAS AULAS E A ROUBALHEIRA DOS COLÉGIOS


O ano lectivo em Angola vai até à última semana de Novembro, para o ensino primário (classes de passagem), e primeira semana de Dezwembro, para as classes de exame do ensino geral.

Numa altura em que se avizinha o Natal, comemorar o dia de família com um mínimo de bens é o que as famílias almejam. E nessa luta uns se esforçam em poupar e outros em amealhar, ainda que de forma fraudulenta. É o que se passa com os colégios de ensino privado de Luanda.

Tenho três filhos que frequentam, dois colégios. Com a mensalidade de Novembro saldada na primeira semana, ambos os colégios decidiram notificar-me para pagar a propina do mês de Dezembro até ao dia 15.11.09, sob pena de os meus filhos serem expulsos das instituições que frequentam e vedados aos exames/provas finais.

Embora os alunos que terminem o ano lectivo em Novembro não devessem pagar a propina de Dezembro, para mim não há grande problema em desbloquear a verba solicitada para "contribuir na festa dos professores". O "big problem" é mesmo terem de cobrar antes de se "consumir" e ameaçarem expulsar os alunos a partir do dia 15.11.09, mesmo com o mês de Novembro pago e ainda a meio. Há por aqui alguma incongruência que o Ministério de tutela deve resolver. Ou as cobranças anárquicas não lhes chega aos ouvidos?
_ Se nao, aqui fica a prova do que muitos sem voz reclamam.

Domingo, Novembro 15, 2009

QUANDO BOCAS E OBRAS SE CONJUGAM NO FUTEBOL

Há um ano ouvi, através da Rádio Cinco, o governador de Cabinda, Anibal Rocha, a garantir que tudo faria para que a província que governa se fizesse representar em 2010 no convívio dos grandes do nosso futebol, o Girabola.


Dito e certo. Cabinda vê-se representado, no Girabola do ano em que Angola organiza o CAN, com o Sporting e o Futebol Clube de Cabinda que disputou o torneio de repescagem, vulgo liguilha.

Ao contrário de outros políticos da nossa praça, bons em promessas e péssimos nas obras, Anibal Rocha (na foto) olha(va) para o futebol com a mesma atenção que dispensa às infra-estruturas sociais que fizeram inscrever o seu nome no desenvolvimento da província mais a norte do país. Rocha mandou construir e fiscalizou obras para estádios, campos pelados e pavilhões multi-usos. Usando de bons ofícios e encorajamento moral, Rocha fez também com que as equipas de Cabinda apostassem na formação, contratando, para o efeito, técnicos com alguma experiência. E o resultado está aí à vista de todos.

Em cabinda “os carecas podem pentear e os malucos não morrem à fome”, ao contrário de Benguela onde o ex-governador Dumilde Rangel, referindo-se aos apoios que as equipas locais de futebol precisavam para se manter entre as grandes, terá desabafado, à mesma Rádio Cinco, que no seu tempo/governo “não havia pente para carecas nem pão para malucos”. Académica do Lobito e o Primeiro de Maio estão a "vagabundear" no campeonato provincial perdendo a chance de desfrutarem dos enormes investimentos em curso na província que vai acolher uma das séries do CAN 2010. A Huila que tinha uma equipa no Girabola cmseguiu mais uma e Cabinda passou de zero para duas.

Luciano Canhanga

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

SIM À INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA: BRASIL ULTRAPASSOU RPC PELA DIREITA?

Mais um elemento novo na História sobre a independência de Angola. Até agora tudo o que a minha geração sabia era que foi Brasil o primeiro país a reconhecer a nóvel República Popular de Angola. Pelo menos assim está registado nos documentos oficiais. Porém, em entrevista recente à TV Zimbo (conduzida por Amílcar Xavier), o nacionalista e embaixador Luis Neto Kiambata trouxe à luz uma nova verdade.


Dizia Kiambata  que a luta do MPLA pela independência, proclamada por Agostinho Neto (estátua), presidente deste Movimento, só foi possível graças ao acolhimento desta força política-militar pela RPC- República Popular do Congo ou Congro-Brazza. Disse mais, o sexagenário, que "aquando da independência de Angola quem estava para fazer o primeiro pronunciamento de reconhecimento era o representante da RPC", só que expressar-se na sua língua (francesa) fê-lo perder preciosos instantes que foram oportunamente aproveitados pelo representante do Brasil que disse falar em nome da sua República Federativa.

E o embaixador Kiambata questionava-se na entrevista: "Se o Congo-Braza sempre nos apoiou e tudo fez para que Angola se tornasse independente, tendo inclusive, à data da proclamação da independência enviado um seu Ministro para testemunhar, previsaria aquele país de lutar pela primasia do discurso de reconhecimento"?

E a resposta implícita não podia ser melhor do que esta, a minha: Não precisava! pois só não o fez antes porque não dava para fazê-lo nestas circunstâncias.

E agora que foi "despolectada" esta nova verdade, outra pergunta surge: Por que terá o representante brasileiro em Angola se aboletado da palavra alheia?

Luciano Canhanga

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

ARBITRAGEM = CERIMONIAL?

Começou, em todo o país, a apresentação e debates sobre as três propostas de constituição elaboradas pela Comissão Constituinte da Assembleia Nacional.

Os membros da comissão constituinte, partidos representados no parlamento angolano e as associações cívicas estão empenhados em levar aos públicos os temas principais das três propostas que podem ser lidas aqui: http://www.comissaoconstitucional.ao/ . Na essência, as divergências residem nos tipos de Poderes a atribuir ao Presidente ou na forma de exercício da presidência, plasmados nos Modelos A, C e B, respectivamente, PR=chefe do governo em A e C e PR=árbitro em B.

O outro tema quente da discussão tem a ver com a forma de eleição do Presidente que pode ser pelo sufrágio universal directo (propostas A e B) ou voto indirecto (em proposta C onde o cidadão presidenciável tem de ser cabeça de lista de uma formação política concorrente, devendo, de igual modo, o PR ser do partido da maioria parlamentar, o que levaria a inexistir a possibilidade de litígio entre o governo do Presidente da República e o Parlamento por serem da mesma formação partidária).

Colocados os assuntos na mesa da discussão, uma das grande questões, a meu ver, reside em saber, como e onde depositarão, os cidadãos anónimos, as suas sugestões e se, de facto, elas serão tidas e achas pelos legisladores.

Outra questão tem a ver com a designação que se atribui ao PR no segundo modelo (semi-presidencialismo) em que o eleito para o mais alto cargo da Nação é tido como "Presidente Cerimonial". Será que a arbitragem presidencial e o cerimonial querem, em política angolana, dizer a mesma coisa ou se está perante uma velada insinuação para que os angolanos não optem pelo semi-presidencialismo?

(In)felizmente é a proposta C que o "Magister" quer!

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

O INTERVALO DO PROFESSOR GONCHA

Em Calulo, na escola número três, ao Kassequel, Gonçalves da Silva era professor da primeira classe. Os alunos eram maioritariamente filhos de recuados (deslocados) da comuna de Kissongo e das redondezas, com domínio precário da língua que une o país, o português.

Gonçalves ensinava as ciências e a Língua da Nação. Estávamos no ano de 1988. A guerra apertava dia após dia. Os bens de consumo escasseavam e o lanche para os meninos, dias havia, semanas não, exceptuando-se aos filhos dos camaradas comissários e delegados municipais.

João Kaúia, de seu nome, aparentava oito anos e estava na primeira classe. Tinha um desafio duplo: aprender a língua que não sabia e enquadrar-se no seio dos demais colegas que o desdenhavam devido ao seu cantarolar que se parecia ao chilrear dos passarinhos. Parecia mesmo que imitava os pica-flores e os rabos-de-junco que cercavam a escola, naqueles tempos de voos fracassados do salalé. Porém, Kaúia era mais do que isso. Tinha saudades do amanhecer, das visitas às armadilhas e ratoeiras deixadas nas bermas das lavras e das pescas aos sábados e domingos, dias em que "não havia escola".

Na escola, enquanto se ensaiava nos primeiros termos da língua lusa, passava os recreios a solo ou em companhia de conterrâneos que com ele "kimbundavam" ao intervalo. Recordavam os idos tempos no Kissongo, ainda sem guerra, nem recuas, com fartura de mandioca, carne de caça e peixe no rio Kixikumuna. Kaúia e amigos viajavam, no intervalo, para a era dos bons tempos, do café madrugador da avó Kixibo, do milho assado da tia Kifunde e das brigas de afirmação que deixava os rapazes com a pele enrijecida e cheia de pequenas cicatrizes. Cada sinal no corpo tinha uma história. Eram essas histórias que cobriam o tempo de recreio.

Um dia, daqueles dias de muita ocupação do professor Goncha, em que era preciso passar a "pente fino" os cadernos, Kaúia adiantou-se na apresentação dos deveres ao professor. Era a forma de ganhar tempo para a repetição dos exercícios errados. Os primeiros a entregar os cadernos eram sempre os primeiros a recebê-los. Era já hora de recreio. Ao regressar à carteira, Kaúia enfia a mão debaixo da mesa e, debalde, nota que o seu farnel, um pedaço de bombó com ginguba, já lá não estavam. Os colegas tinham todos abandonado a sala e alguém se tinha aboletado do seu farnel.

Kaúia, banhado em lágrimas, queria explicar, mas palavras não tinha. O seu raciocínio era em Kimbundu que  traduzia para o "pretuguês" em que engatinhava. Pensou explanar na língua que dominava, mas era proibida naquele recinto oficial. A língua da sua gente era apenas para o intervalo com os amigos da buala e na informalidade da aldeia da Banza de Calulo. Aflito, quase a fazer-se em pedaços, Kaúia encostou a metros da secretária do professor que, de óculos inclinados para os cadernos, simplesmente não ligava ao que se passava ao seu redor.
_ Camá pressor! chamava Kaúia.
_ Diga! Respondia o mestre.
_ Camá pressor,
_  Diga!
_ Camá pressor,
_ Diga!

À medida que o tempo passava, Kaúia mais se chateava da desatenção que lhe era brindada pelo mestre. O professor, por sua vez, julgando serem daquelas queixas miúdas, próprias dos alunos primários em tempo de intervalo, redobrava a atenção à correcção dos exercícios, até que o aluno reclamou:

- Oh! io uamba hanji digó-digó, mbomba iama anhana!*
* o mesmo que: oh! estás aí a dizer, diga, diga, o meu bombó foi roubado!


Luciano Canhanga

Sábado, Outubro 31, 2009

QUESTÃO DIFICIL EM "DIA DE ANIVERSÁRIO"

Sábado foi um dia de muito trabalho na obra. Foi também noite de alguns frascos e acordei ainda enfrascado na manhã de domingo, dia 18 de Outubro. Ainda entre o ontem e o hoje (19) fui surpreendido pela pergunta de meus filhos que de véspera tinham tido um grande debate sobre o dia da Rádio e da Televisão.

_ Papá, a Rádio e a televisão em Angola só têm 32 anos? Perguntaram o Mociano e a Danni.
Pestanejei. Tentei fazer conexões para entender a pergunta. Apressado, rebusquei no in o que me restava dos conhecimentos adquiridos no IMEL e do livro do padre e jornalista Muanamosi Matumona sobre a história do jornalismo angolano.
_ Não filhos, têm mais. Mas por quê? questionei.
_ Vimos na televisão a publicidade do seu aniversário, hoje, e dizem que foi em 1977, responderam em coro.
_ Filhos, muitas instituições fazem a festa no dia da sua inauguração ou criação do serviço. Outras como a Rádio e a televisão adoptaram datas que lhes foram marcantes, mesmo não sendo estas as do início das suas actividades. Assim foi. O Primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto, visitou a rádio no dia 05 de Outubro e a televisão no dia 18 de Outubro de 1977. Porém a rádio e a televisão já existiam. Não começaram a emitir a partir do dia da visita do Presidente Neto.

_ E porquê que dizem que hoje é o dia da televisão se ela já existia? voltou a questionar a menina.
_ Filha, o aniversário duma empresa não é como o aniversário de uma pessoa. Pode ser em qualquer data. Depende do dono.

E voltei à cama ressacado, pensando na aula que me cobrariam no do dia seguinte.

História da Televisão em angola:
1962 - O Rádio Clube do Huambo emite as primeiras imagens; 1964 - A 8 de Janeiro Rádio Clube de Benguela, efectuou outro ensaio de TV; 1970 - A 22 de Junho um técnico da Lusolanda emite a partir de um estúdiomontado na boite Tamar, na ilha de Luanda; 1973 - A 27 de Junho de o governo português autoriza a exploração do serviço de televisão e constitui-se a "RPA" Radiotelevisão Portuguesa de Angola. Surge também a TVA, num projecto de emissão por cabo; 1976 - A 25 de Junho de 1976 o Governo Angolano decreta a nacionalização da RPA, passando a designar-se Televisão Popular de Angola; 1977 - O primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, visita a Televisão Pública de Angola (TPA). A dia é comemorada como o da televisão no país; 1979 - Dá-se corpo a uma iniciativa local, nas cidades de Benguela e Lobito; 1981 - Surge no Huambo o primeiro centro de produção regional; 1997 - Em Setembro de 1997, a TPA é transformada em Empresa Pública, por força do decreto n.º 66/97 de 5 de Setembro, sendo a palavra "Popular" substituída por "Pública". Fonte TPA (on line).

ADENDA
“Nos 34 anos de existência, a direcção da TPA trabalhou com vista a oferecer aos telespectadores, nacionais e estrangeiros, uma programação diversificada” SIC ANGOP, 10/10/2009.

"Cronologia do desenvolvimento da TPA: 1975 - Início das emissões em Luanda, 1979 - Início das emissões em Benguela; 1981 - Início das emissões no Huambo; 1982 - Difusão da emissão em Malanje e N'dalatando; 1983 - Passagem da era da televisão a preto e branco para cores; 1990 - Início das emissões na Huíla e Cabinda; 1992 - Início emissão em todo país (Projecto TVRSAT); 1997 – (Setembro) a TPA é transformada em Empresa Pública, por força do decreto n.º 66/97 de 5 de Setembro, sendo a palavra "Popular" substituída por "Pública"; 2000- Lançamento do segundo canal da TPA; 2008 - A TPA lança o seu canal internacional", IBIDEM.

Luciano Canhanga

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

FIM DO "GIRA" 2009: LIBOLO AFUNDA KABUSCORP E SONHA COM FAIXA DE 2010

Terminou, a 25/10/09, o 31º Girabola, campeonato angolano de futebol de primeira divisão. Com o campeão, Petro de Luanda, já conhecido na penúltima jornada, a 26a jornada foi bastante emotiva e teve as atenções viradas à cauda a segunda posição, para a qual pleiteavam Sport de Luanda e Benfica, D'Agosto e Libolo.


À entrada da jornada, o SLB era segundo, com 47 pontos, mais dois do que o D'Agosto e Libolo nas posições imediatas. Na cauda, a Académica do Lobito, Primeiro de Maio de Benguela, Desportivo da Huila, Kabuscorp e Bravos do Maquis tinham respectivamente 14,23,28, 29 e 31 pontos, estando as duas primeiras já despromovidas.

Na derradeira partida, quando parecia miragem o segundo lugar do Girabola 2009 prometido no ínicio da temporada pelo presidente do Libolo, Rui Campos, a equipa da vila de Calulo teve força e crença suficientes para em Luanda derrotar o afoito e "tomba gigantes" Kabuscorp por 0-1 e beneficiando da derrota do SLBenfica por 1-0 no Namibe. O Libolo, cujo presidente ambiciona ser campeão em 2010, depois do terceiro lugar em 2008, terminou esta temporada com 48 pontos, mais um do que os benfiquistas de Luanda, na terceira posição. Quanto ao Kabuscorp do Palanca, equipa de Bento Kangaba, a derrota foi a gota de água que fez transbordar o copo e teve mesmo de ser remetida à disputa da liguilha (na qual participam as três ultimas equipas do Girabola 2009 e os segundo classificados das três séries de ascenção) para poder sonhar ainda com o Girabola 2010.

No estádio Mundunduleno, no Luena, os Bravos do Maquis foram valentes e impuseram um empate a um golo ao já campeão Petro de Luanda, consoilidando a manutençao entre os grandes do Gira 2010. Noutra peleja que envolveu o aflito Desportivo da Huila, que todos viam como o que menos possibilidades tinha para se aguentar no Girabola, os militares da Huila, a jogarem no Namibe, conseguiram travar o Benfica de Luanda e beneficiaram da derrota dos palanquenses.

O D'Agosto, eterno candidato ao título, para cuja luta "desistiu" a três jogos do fim, entrou para a jornada final na terceira posição e saiu na quarta, pois perdeu em casa, por 1-2, diante da Académica do Soyo. O Inter Club e o Santos, equipas do meio da tabela, empataram a um golo. Empate registaram igualmente as formações do ASA e do Recreativo da Caála sem golos. Em derby benguelense a Académica do Lobito fechou a temporada com vitória de 1-0 sobre o Primeiro de Maio.

Classificação final
1º Petro de Luanda 56
2º Recreativo do Libolo 48
3º Benfica de Luanda 47
4º 1º de Agosto 45
5º Académica do Soyo 39
6º Santos FC 36
7º ASA 35
8º InterClube 33
9º Recreativo Caála 33
10º FC Bravos do Maqui 32
11º Desportivo da Huila 31
12º Kabuscorp 29
13º 1º de Maio 23
14º Académica do Lobito 17

Luciano Canhanga

Sábado, Outubro 24, 2009

A QUESTÃO DA POPULARIDADE E DA REPRESENTATIVIDADE

Na sua actual configuração, o parlamento angolano é unicamaral, composto por 220 deputados, dos quais 90 são eleitos nos 18 círculos provinciais, na proporção de 5 parlamentares por cada província, e 130 no circulo nacional (em função do número total de votos válidos os partidos elegem mandatos na proporção dos votos conseguidos).

Angola tem 18 desiguais províncias, em termos demográficos e de extensão territorial, aspecto que não é tido em conta na distribuição de mandatos por província, já que há distribuição equitativa de deputados por cada uma das 18 circunscrições. Fruto disso, uma questão se coloca: basta ser província para eleger deputados ou a população que alberga (eleitores) devia ter um peso na distribuição dos 90 representantes dos povos das províncias na Assembelia Nacional?

Como se entende que províncias como a do Kuanda Kubango (199.049 km2: 150.000hab), Cabinda (7.270 km2: 170.000hab), Bengo (41.000 km2: 500.000hab) e Namibe (58.137km2: 85.000hab) elejam o mesmo número de representantes que as províncias de Luanda (2.257km² e 4milhões hab), Huila (78.879 km2: 2,6 milhões hab), Malanje (97.602 km2: 700.000hab), Bié (70.314 km2: 2.000.000hab) ou Huambo (34.270 km2: 1.200.000hab.)?*

Quem esteve atento à distribuição de mandatos nas eleições lusas ou quem tem acompanhado outras realidades como a estadunidense, vê, com satisfação, que a distribuição de mandatos por Província/Estado está proporcionalmente ligada ao universo populacional. Havendo desigualdade no número de governados/eleitores, teria de haver proporcionalidade em termos de mandatos.

Sendo na democracia onde as maiorias “subordinam” as minorias, as províncias mais habitadas deviam possuir mais representantes/assentos que as menos habitadas. Isso, se calhar, motivarias os governos provinciais a desenvolverem políticas que desincentivassem o abandono destas circunscrições e permitisse o equilíbrio, ou mesmo o aumento da população.

Se neste momento as preocupações dos decisores políticos são outras e passam pela consolidação da paz, da concórdia social e da democracia, é bom que se comecem também a acender outras luzes para os próximos debates urbanos, pois, a evolução natural do pensamento político e social, um dia, lá nos levará.

*Dados demográficos: ANGOP
Luciano Canhanga

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

RODAGEM DE SECRETÁRIOS PROVINCIAS DO ÉME PRENÚNCIO DE DANÇA DE GOVERNADORES?

A primeira notícia veiculada foi sobre a indicação de Mawete João Baptista, actual governador do Uije, para liderar o MPLA em Cabinda. A segunda versa sobre Boa Vida Neto, actual governador do Namibe que deve "pastorear" os camaradas no Bié, indo secretariar o EME no Namibe a actual governadora do Bié Cândida Celeste. João Miranda vai dirigir o Partido no Bengo. Outras movimentações podem acontecer, tendo em conta os preparativos, ainda em curso, das conferências provinciais do partido que vão homologar as "decisões superiores".

Perante os factos eis algumas LEITURAS POSSÍVEIS
> O MPLA vai deixar de ter governadores a secretariar o Partido em algumas províncias.
> Os governadores como Anibal Rocha e Ndombolo, que são lideres do Partido em Cabinda e Bengo para onde foram indicados outros nomes para secretariar o Partido, vão ser exonerados.
> Governadores como Boa Vida Neto e Mawete João Baptista vão ser exonerados e passam apenas a liderar o Partido ali onde foram indicados.
> Os governadores, como Boa Vida Neto e Cândida Celeste, vão apenas mudar de província, passando, antes da transferência governamental, a liderar o Partido nos novos poisos.

E você o que acha? 

Luciano Canhanga

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

EXPULSÃO COMPULSIVA DE ANGOLANOS:TRUNGUNGUISMO OU RECIPROCIDADE?

Ponto prévio: Continuam a chegar aos nossos ouvidos notícias sobre a expulsão compulsiva de angolanos da RDC. Até ao momento contam-se já milhares que entraram através dos postos fronteiriços de Luvu e Sanza Pombo. Outros estão a caminho. Os relatos são preocupantes. Porém, é preciso amainar os ânimos e resolver o problema com ponderação, diplomacia e sabedoria. Estamos condenados a viver juntos, (ou pelo menos em paz) dados os laços consanguíneos, culturais, religiosos, etc.

Os dois Congos e a Zâmbia foram dos países que ao longo das guerras angolanas mais receberam refugiados angolanos. Terminada a guerra em 2002, cadastrados pelas entidades competentes e com o estatuto de refugiado, muitos decidiravm voltar ao país, às expensas próprias, uns foram repatriados pelo HCR e outros por via das convenções internacionais decidiram por lá ficar, dado o tempo de permanência, convivência e as alianças matrimoniais seladas.

Como preço da fragilidade no controlo das suas fronteiras e normes riquesas minerais à vista, Angola vive uma invasão silenciosa de congoleses democráticos, congoleses de Brazza e de imigrantes doutros países, com realce para os centro e oeste africanos, que tudo fazem para transpor, de forma ilegal, as nossas fronteiras. A última semana foi marcadas por expatriamentos que levaram a clivagens fronteiriças com o Congo Brazza, em Massabi (norte de Cabinda), a que se seguiram difíceis contactos diplomáticos e outros dissabores com a RDC.

Angola tinha, na véspera, mandado para o outro lado da fronteira, cidadãos congoleses de Brazza que viviam ilegalmente em Cabinda. Outros tantos da RDC e doutras proveniências tinham conhecido a mesma sorte. Os congoleses de Brazza, descontentes com a acçao das autoridades angolanas, decidiram, unilateralmente, fechar a sua fronteira em Massabi, impossibilitando a saída dos angolanos que para lá se tinham dirigido em compras, como também não deixavam a saída de viatutras com mercadorias e materiais de construção, escoados a partir do porto do Point Noire.

Acto contínuo, a Cruz Vermelha Angolana deslocou-se à fronteira e (segundo a media) foi travada pelas autoridades locais que alegavam que tais bens emergenciais, para acudir os angolanos retidos, deviam ser canalizados à congénere congolesa da CVA. "A curta abertura vigorou somente o escasso tempo de fazer passar trabalhadores da empresa chinesa engajados nas obras de construção para o Campeonato Africano de Futebol das Nações, CAN-2010, na região... As pessoas estão ao relento. Não há nada para consumir nesta altura, para higiene normal, e muita gente já não tem dinheiro para comprar uma coisa para comer ou outro auto sustento. E isto é que está a começar a criar alguma inquietação seio da população", narrou o correspondente da Ecclésia. O jornalista disse ainda que “Os congoleses estão zangados porque, dizem, foram repatriados para o seu país muitos cidadãos oriundos da República Democrática do Congo (RDC)”.

Da parte da RDC veio também, na mesma semana, o ultimato para que os angolanos residentes do outro lado da fronteira (através das províncias do Zaire e Uige) abandonassem aquele território em 24 horas contados a partir de 04/10/09. Milhares de angolanos, muitos em situação legal, segundo a nossa imprensa e governantes,  foram corrigos à força e alguns violentados físicamente, tendo deixado para trás todos os pertences.


Embora com o Congo Brazza a situaçao tenha sido ultrapassada, depois de três dias de conversações em Cabinda entre governantes angolanos e homólogos do Congo algumas perguntas aguardam resposta:
> Acontabilização de congoleses democráticos supostamente enviados erradamente a Ponta Negra foi motivo que bastasse para a retenção de angolanos na República do Congo ou estivemos perante um simples acto de “trungunguismo” (casmurrice) do Congo Brazza?
> Quanto a RDC,  terá sido accionado o principio da reciprocidade ou este país está apenas a fazer retaliação?

Luciano Canhanga