Quinta-feira, Maio 23, 2013

EM DEBATE: "A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA ELEVAÇÃO ACADÉMICA E CULTURAL DO ESTUDANTE".

O escritor e jornalista Tazuari Nkeita, José Caetano de nome próprio, aceitou o convite que lhe foi formulado para no dia 05 de Junho dissertar aos estudantes da Escola Superior Politécnica da Lunda Sul e outros convidados sobre "A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA ELEVAÇÃO ACADÉMICA E CULTURAL DO ESTUDANTE".
 
A palestra marcará a constituição formal do Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura da Lunda Sul que conta com o apadrinhamento da Escola Superior Politécnica, afecta à Universidade Lweji A Nkonde.
 
- Se está a residir na Lunda Sul ou estiver nesta província, no dia 05 de Junho, sinta-se convidado e passe a palavra a demais interessados.
Pretendemos casa cheia.
 
Data: 05/06/2013
Local: Anfiteatro da ESPLS
Hora: 9h30
 
Contamos consigo e com seus convidados.

Quarta-feira, Maio 15, 2013

UM CANTO À ESTAÇÃO SECA




Kasimbu nosso do cieiro, do frio, do vento seco.
Venha!
Aguardamos por ti com nossas samarras, nossos panos e kapulanas, nossos casacos e mbirikitis.
Não está aqui quem te desdenha!
Kasimbu nosso, traz fartura nas caçadas, nas pescas nas chanas, nos rio sem água, nos lagos límpidos e nos mares agitados de ventos longos.
Para afugentar frio guardamos lenha!

Kasimbu nosso de cada ano, trás noites estreladas para nossos serões de ana-a-ndenge.
Que todos dias se empenham!


Sábado, Maio 04, 2013

LIBOLO: DE CHACOTA GERAL A ORGULHO NACIONAL

  • Depois de um longo silêncio, traço hoje algumas linhas sobre o Recreativo do Libolo, equipa da minha circunscrição natal.
  •  - No Girabola, à décima jornada,  embora com 2 jogos em atraso, fruto da nossa participação nas Afro-Taças, estamos entre as piores equipas. Com 8 jogos disputados o Libolo, bi-campeão angolano de futebol, soma apenas 5 pontos e ocupa a última posição da tabela classificativa, numa competição em que o líder, com 10 jogos, já soma 26 pontos.
  • - Na Liga dos Campeões Africanos estamos entre as melhores. O Recreativo do Libolo apurou-se, a 04 de Maio de 2013, à fase de grupos, depois de ultrapassar o Enugu Rangers da Nigéria por um agregado de 3-1.
  • De motivo para chacota geral, o Libolo passou a orgulho nacional.  Para mim, terminou a hibernação.
  • O LIBOLO NÃO MORREU. ESTÁ A CAMINHO!

Quinta-feira, Maio 02, 2013

RESPONSABILIDADE SOBRE TEXTOS NÃO ASSINADOS NOS SITES

A quem recai a responsabilidade material e civil por um texto/artigo divulgado num site público ou institucional, em que a matéria (artigo), não assinada pelo autor, belisque o campo do alheio?
Essa questão colocada a um jurista sénior da nossa praça (Luanda) surge a propósito de muitos textos de opinião, cujo conteúdo se dirige a pessoas (singulares ou colectivas), aparecerem em sites institucionais sem que os seus autores sejam identificados. Veja o que nos diz o jurisconsulto Nguvulo Makatuca: "não havendo assinatura, a responsabilidade seria da publicação. No caso, do órgão que haja publicado a matéria. Caberia a este órgão fazer a prova de que a responsabilidade seja de terceiro. Daí o facto de os órgãos deverem sempre identificar o autor da matéria, mesmo nos casos em que este opte por agir sob anonimato”.
O jurista prossegue ainda que,  neste caso, estaríamos perante uma responsabilidade objectiva (independente de culpa) devido os benefícios obtidos pelo órgão com a publicação da matéria. Caso o autor estivesse identificado, haveria responsabilidade solidária de ambos.
 A parte lesada pode, segundo NM, demandar qualquer um deles (em regra a parte com melhores condições para reparar o dano), podendo esta, a demandada,  exercer o direito de regresso sobre a outra parte, caso prove que o dano tenha sido causado por culpa exclusiva da outra parte. A responsabilidade do meio que publica um texto de opinião que lese interesses de terceiros legalmente salvaguardados fica sempre difícil excluir, a menos que o tenha feito com a menção expressa de que não assumia qualquer responsabilidade sobre o conteúdo dos textos assinados.

Caro colega (jornalista), ilustre gestor de Site/media, fica então o conselho e preste atenção ao que é publicado sem assinatura. À partida, todo o texto não assinado é da estrita responsabilidade do órgão que o veicula, sendo demandado, no caso, o director/responsável da publicação.
 

Segunda-feira, Abril 29, 2013

DEVIOS na RÁDIO FAZEM RECLAMAR PROVEDOR dos OUVINTES

Quem não tem conhecimentos sobre a ciência jornalística/radiofónica e que oiça a rádio que se faz hoje em Luanda pode  vir a pensar que aquilo que se faz se constitui no auge do bom radialismo.
Programas interactivos com ouvintes, informação sobre o transito automóvel fornecida na hora pelos ouvintes (lado positivo), deficiente componente formação e ausência de informação rigorosa, fracas reportagens (quase todas eles de circunstância) e, às vezes, linguagem menos cordata para com os ouvintes…
Nalguns casos, os radialistas chegam mesmo a ofender os seus ouvintes, tratando-os de acéfalos ou mentecaptos e outros epítetos,  a meu ver, agindo em contra-mão daquela que deve ser a linguagem urbana e cordata na rádio.
Infelizmente, é isso o que a juventude ouve. São esses os elementos de referência para quem queira seguir radialismo.
Se alguém hoje perguntar a uma criança que queira ser jornalista “tu queres ser como Maria Luisa, Rui Carvalho ou como o ´fulano da nova vaga´, com certeza que a resposta será: quero ser como o fulano da nova vaga.
Se por um lado as inovações na rádio são úteis e a tornam dinâmica, trazendo o ouvinte como actor do processo de radiodifusão, é também de mister utilidade urbanizar a linguagem, apostar na formação através da rádio e não deixar perder a vertente informação rigorosa, porque a rádio não é apenas entretenimento.
Também entendo que devia haver, no nosso caso, uma entidade ou instituição que velasse por corrigir os desvios, ainda que sob a forma de apelos: uma provedoria dos ouvintes, se calhar.

Segunda-feira, Abril 22, 2013

NOSTALGIA DA DECÊNCIA, SOLIDARIEDADE E DISCIPLINA*


NOTA: O texto que se segue é da autoria de Graça Campos, exímio artista das letras. Por o ter considerado monumental e "GRANDE AULA DE HISTÓRIA E MORAL", acabei por roubá-lo da sua página do face book, transplantando-o aqui a fim de O partilhAR com os meus leitores mais fieis.
 
Indecências

Sinto profunda nostalgia de alguns aspectos da "ditadura do proletariado" que nos governou até aos 90. Daqueles tempos, guardo algumas boas lembranças da disciplina, da solidariedade, da decência e outros.
Naqueles tempos, ninguém ficava indiferente a um óbito em casa do vizinho; ninguém assobiava para o lado à passagem de um cortejo fúnebre. E, claro, mulher alguma ia ao funeral para mostrar as pernas ou as mamas.
Naqueles tempos, a ODP reprimia, adequadamente, as afrontas à moral pública. Cidadãos surpreendidos em actos merecedores de algum recato, como sejam namorar ou, mesmo, ir um pouco mais além, eram apropriadamente açoitadas com catanas. Fossem eles quem fossem. Aliás, naquela altura, todos éramos, apenas, angolanos. Ser filhinho de papai é invenção dos dias hoje. Naqueles tempos, o que orgulhava as famílias era ter um membro nas FAPLA. Hoje, como se sabe, os motivos de orgulho são outros: cifrões e sobrenomes.
As pessoas que estão abaixo da minha geração acreditam que corrupção em Angola é chaga que vem do passado. Não é nada. No "meu tempo" corrupção ...só nos livros.
Quando olham para as fortunas de algumas famílias, as gerações mais novas podem ser induzidas a pensar que esse processo de acumulação vem do passado. Nada mais falso! Há 20 e poucos anos, todos, ou quase todos, estávamos no mesmo patamar. Sem fortunas, mais felizes da vida.
Naqueles tempos todos éramos todos os tais " ana mbuiji tu dila xinji dimixi", cantados pelo inesquecível David Zé.
Mas do que tenho mesmo muita saudade do passado é da decência. Naqueles belos tempos era de todo inconcebível que um cidadão angolano se apresentasse aos balcões da TAAG para fazer check in de calções e camisola sem manga, os chamados parte os cornos. Aliás, pessoas assim vestidas seriam travadas a vários metros da entrada do aeroporto.
Hoje, faz-me imensa confusão que a um matulão de 20 ou mais anos seja permitido viajar nos aviões da TAAG de tangas e parte os cornos. Onde é que já se viu isso? Por causa desses liberalismos, até mesmo os vôos internacionais da TAAG estão transformados em quitandas de mau cheiro porque se permite que matulões viagem de camisolas sem manga, expondo os seus sovacos a outros passageiros. Ua, meu Deus, quanto dibuzo sai daqueles sovacos...
Por tudo isso quero deixar aqui uma sugestão: que a TAAG, a Alfândega, SME e outras autoridades que operam nos nossos aeroportos internacionais travem a indecência. Calções são para crianças. Adulto que se apresente num aeroporto para uma viagem indecentemente vestido deve receber ordem para fazer QRF imediato.
Aliás, como podem mãe, esposa ou namorada que se prezem permitir que o seu ente saia de casa de "cuecas" e bibe para uma viagem?
Eu não acredito que o mundo ache graça alguma ao facto de alguns angolanos preferirem viajar mal vestidos. Pelo contrário.
Se dependesse exclusivamente de mim autorizaria a TAAG o exercício do direito de preferência.
Todas as discotecas de Luanda vedam o acesso a pessoas inapropriadamente vestidas. A TAAG, um dos principais símbolos do país, deveria, no mínimo, ser autorizada a adotar procedimento similar.
Em homens adultos, calções, chinelos e parte os cornos são trajes de quintal e praia e nunca para viajar em avião público.

 
* Título do autor do Blog.
- Texto de Graça Campos com o título "Indecências".

Segunda-feira, Abril 15, 2013

ENTRE O BAIRRO E O 5º ANDAR

Quando essa bananeira (foto)saiu de Catoca, Lunda Sul, era um "botão" com poucos centímetros. Hoje já tem um rebento e o primeiro cacho está para breve.
Agricultura é paciência. É "correr por gosto".
Aos meus amigos que me dizem para "deixar o bairro (Viana) e ir ao Nova Vida", digo que É isso que me retém no bairro.
Gosto de seguir o crescimento das minhas plantas, colher as primeiras frutas e ouvir o chilrear dos passarinhos logo pela manhã. São os meus despertadores, algo que jamais terei no quinto andar do edificio público e com espaço limitado.

Quarta-feira, Abril 10, 2013

DESABAFO DUM EX-PRATICANTE QUE ANSEIA POR AUTO-REGULAÇÃO NO JORNALISMO ANGOLANO

Há muito sem vem debatendo se "o jornalismo angolano é de facto uma classe".
 
No meu ponto de vista, falta coesão, falta uma entidade associativa forte e abrangente que leve ao processo de auto-regulação.
 
Tenhamos como exemplo os enfermeiros: têm uma ordem que regula o exercício da profissão, sejam eles de nivel básico, médio ou superior. Aliás, desapareceram os cursos básicos de enfermagem. E nem todos que usam batas nos hospitais são enfermeiros: uns saão maqueiros e ou assistentes de limpeza.
 
No jornalismo angolano, a coisa ainda está confusa. Kuduristas, simples locutores, e jornalistas de facto aparecem misturados na mesma "sopa". Todos dizem que são jornalistas, como se não fosse preciso escola e estrada para se ser, de facto, um jornalista; Como se o jornalismo fosse das profissões mais banais e irresponsáveis...
 
Torna-se ingente uma instituição que ponha ordem na coisa. Ou formação comprovada ou estrada comprovada que dê equivalência ao título. Quem não é jurista não exerce advocacia.
 
Quem não é formado em medicina e com cedula da ordem não exerce medicina em Angola. Até os psicólogos criaram uma ordem.
 
Que falta aos jornalistas para colocarem ordem na casa?

Com esse estado de coisas não me espantarei se um dia vier alguém lá do "morro" e extinguir a profissão de jornalista e a substituit por uns kuduristas ou propagandistas...

Quinta-feira, Abril 04, 2013

QUANDO FOI LANÇADO O SLOGAN “UM SÓ POVO, UMA SÓ NAÇÃO”?

  •  Em “Agostinho Neto e a Libertação de Angola”, Vol. V, pg 148, descobri que este slogan foi lançado/pronunciado pela 1ª vez por Agostinho Neto, a 4 Fev. 1970, no campo Vitória é Certa, Lusaka/Zâmbia.
  • As palavras de ordem eram “uma luta contra o tribalismo/regionalismo que afectava o MPLA”.

    DE KABINDA AO KUNENE: UM SÓ POVO, UMA SÓ NAÇÃO!

Sexta-feira, Março 29, 2013

KIMBOMBO: VOCE AINDA SE LEMBRA?

Lí, em tempos no face book, uma reconstituição do jovem José Quitumba, o "Paizinho", em que ele e amigos bebiam kisângua em recepientes de azeitonas. Grande imaginação.
 
Trataou-se de uma recomposição da História recente dos nossos musseques onde a ausência de bolso para a cerveja ou a ausência desta era compensada pela fabricação caseira de uma bebida fermantada designada por Kimbombo.
 
O  Kimbombo era feito à base de arroz fermento e açúcar e havia quem adicionasse uma pilha para incrementar a fermantação. Hoje, os meninos e mesmo alguns jovens já nem sequer imaginam que houve um tempo em que a cerveja não era para todos. As consequencias para a saúde eram tantas.
 
Apesar da imaginação do angolano, entre o entorpecer-se daquela forma, para esquecer as malambas, a viver com muitas malambas sem solução, a escolha recaia, para uns, no suicídio que era tomar a "kissara" como também era tratado o kimbombo. Muitos morreram anémicos, outros por graves complicações respiratórias e outras patologias.
 
A reconstituição do meu amigo Quitumba serve, quanto a mim, para recordar um passado tenebroso vivido pelos angolanos e reflectirmos sobre o que de mau o povo viveu em tempos que não desajamos que  voltem a acontecer.

"Onde hoje se colhem rosas já foi um campo de espinhos". Think about it (Pense nisso)!

Sábado, Março 23, 2013

Soberano Canhanga fala ao Lusophone Society of Goa

A "Lusophone Society of Goa" é uma media digital e imprensa que visa o fomento da lusofonia no mundo.
"Econtrado" nas redes sociais, fui convidado a conceder-lhes uma entrevista, em português e inglês, que abaixo reproduzo.

1 - Estreou na Literatura angolana em 2010, com o "Sonho de Kauía" e como jornalista profissional é responsável pela comunicação institucional da maior empresa diamantífera angolana, a Sociedade Mineira de Catoca. O que significa para si ser jornalista e escritor ao mesmo tempo?
Ser jornalista e escritor é uma combinação harmoniosa a que me entrego com prazer, já que o jornalista e o escritor habitam o mesmo corpo.
O jornalismo é um sonho de há muito que se materializou com formação neste campo. O exercício da assessoria de Comunicação Institucional em Catoca é a exploração do outro lado da minha formação em Comunicação Social. É uma nova experiência prazerosa a qual procuram chegar grande parte dos jornalistas angolanos, depois de muito tempo a trabalhar em noticias diárias ou periódicas. Quanto à literatura, é apenas um complemento do meu ser. Na verdade, prefiro que me considerem como um "anotador ou contador de cenas", pois estou a entrar na literatura por mero acaso, como extensão do jornalismo que nunca deixei de exercitar, pois o jornalismo, para mim, é como se fosse um vício.

2-O seu livro "Manongo Nongo", lançado em 2012, é um conto infanto-juvenil. Qual a razão de se virar para os mais novos?
- Na verdade, tratam-se de vários contos (fábulas). Uns já ouvidos na infância e recontados com novos cenários e personagens, outros são de minha criação.
Os povos que tiveram um longo período sem o registo escrito faziam a sua História e preservavam a sua cultura através da oralidade. Fui influenciado, na minha infância, pelas estórias e história que ouvia contar dos mais velhos. Decidi levar parte desta oralidade para a literatura, como forma de legar aos mais novos as experiências e vivências que me foram transmitidas na infância de forma oral.
Hoje, são poucas as famílias que conservam o hábito de cantar para embalar uma criança ao sono ou contar uma estória. Já que a juventude hodierna não tem registos orais para reproduzir aos seus filhos, os livros podem ajudar a cumprir esta missão.

3- Porque é que se considera "anotador ou contador de cenas" e não gosta de se denominar escritor?
Considero que os escritores, digno desse nome, são aquelas pessoas que se cultivam para o ser. Que escrevem com profissionalismo e que vivem a fazer ficção. Eu sou um jornalista que, com alguma folga de tempo, vou procurando transcender do jornalismo à literatura. Por outro lado, eu não faço uma literatura clássica. Sou um repórter de vivências e que me sirvo da literatura para representar a realidade. Apesar de tenderem para a ficção, os meus escritos têm uma vertente vivencial. Se houvesse um meio termo entre o jornalismo e a literatura, a crónica por exemplo, é neste género que melhor me situo. Sou um cronista.

4 - Como caracteriza actualmente a literatura angolana?
O lado criativo está no bom caminho. Há maior liberdade de os escritores escreverem e publicarem sem qualquer forma de censura activa ou passiva. Regista-se também o surgimento de muitos novos escritores. Apenas há dificuldades em publicar, visto que não há uma grande cultura de leitura e, por este facto, vendem-se poucos livros. Os livros em Angola são também relativamente caros, pois não temos uma industria de papel e impendem sobre os livros publicados fora do país elevadas taxas aduaneiras. Isso faz dos escritores autênticos mendigos à procura de patrocinadores para as suas criações artísticas. Muitas vezes os escritores têm de suportar os gastos com a edição, como é o meu caso.

5-Quais são os seus escritores angolanos preferidos e porquê?
O primeiro livro que li foi "Vozes na Sanzala" de Uanhenga Xitu. Gostei do livro, gosto da sua bibliografia e da sua forma de escrever. Também admiro a escrita do Ondjaki, um escritor jovem e bastante produtivo, como admiro Jacinto de Lemos, Jofre Rocha, Roderick Nehone, Izaquiel Cori e Ismael Mateus. Há mais nomes mas prefiro citar apenas esses. Todos eles têm uma literatura cativante e tenho-os também como contadores de cenas. Uns, Uanhenga Xitu que é uma figura incontornável da literatura angolana, demonstram mais preocupação com o conteúdo do que com a forma de exposição e, às vezes, eu sigo-lhe o exemplo.

6-Acha que vale a pena incutir o espírito lusófono nos países e regiões de língua portuguesa?
A lusofonia é uma cultura. É algo existente, independentemente da dispersão dos falantes pelo mundo. Goa e Timor não estão nem próximos dos outros países lusófonos nem distantes. Estes territórios estão aí onde Deus e a aventura humana quiseram que estivessem, conservando uma cultura e língua já seculares. A língua estará lá para sempre como permanecerá em África e na América do Sul. É também importante ter em conta que a globalização aumenta a diáspora lusófona. Logo, é de incutir o espírito lusófono nos países e regiões que se expressam em português, e também noutros que queiram adoptar ou comunicar-se nesta língua. É o caso da Guiné Equatorial que vem reclamando o estatuto de membro efectivo da CPLP. Quanto à questão linguística, sou um expansionista. Venham mais falantes!

Quinta-feira, Março 14, 2013

IGREJA E A POLÍTICA ACTIVA

Vi, a 27.02.2013, um documentário na RTP-África sobre o comportamento da igreja Católica perante a luta pela independência em Moçambique, algo semelhante ao que se passou em Angola e nas demais colónias. No documentário, vários entrevistados disseram que os padres e bispos da Beira e Tete eram pró “indígenas” e, nalguns casos,  até apoiavam os guerrilheiros da FRELIMO, ou quando não o fizessem, pelo menos não os denunciavam à PIDE. Ouvi e vi depoimentos de ex-guerrilheiros a dizer que vezes houve em que recebiam dos padres (italianos hispânicos, nórdicos, etc.) de Tete e Beira medicamentos, comida e outros apoios. A diocese tinha um jornal que também servia de instrumento de denúncia das atrocidades de Salazar e Marcelo Caetano, tendo sido vendido após a morte do “bispo-revolucionário” que por lá andou.
Em Lourenço Marques (Maputo), porém, o bispo era um reaccionário. Era dum alinhamento impressionante com a política repressiva do Estado Novo. Foi apresentado o bispo a afirmar que “eles (os padres) eram portugueses e estavam ai por Portugal e quem assim não entendesse que fosse embora”. O bispo católico de Lourenço Marques entre 1973-74, que foi o período estudado, chegou mesmo a entregar um dos seus padres à PIDE. Ele mesmo acompanhou o agente da PIDE à casa do padre para ser investigado e interrogado.
Quantos africanos terá esse “lobo”, que ainda, torturado?
Por cá, Angola, não devem faltar clérigos que de dia usam batinas e de noite a farda dos elementos que “espancam” activistas e críticos sociais.
Basta ver quantos clérigos se intrometem em assuntos de política explícita ou partidária, esquecendo-se da doutrina bíblica que apela ao amor, perdão, compaixão, caridade e tolerância.
Há clérigos de distintas denominações religiosas que são autênticos activistas políticos deste ou daquele partido. As suas pregações e homilias não passam de comícios onde, de forma directa e aberta, propagandeiam a favor deste ou a desfavor daquele.
São esses que fazem aumentar o cepticismo dos crentes levando-os muitas vezes ao agnosticismo.