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sexta-feira, dezembro 15, 2006

REENCONTRO


Nove meses depois, eis-me na LAC - Luanda Antena Comercial- onde dei nove anos de sangue, para tratar de negócios da nova Empresa e aproveitar manter um dedo de conversa com colegas e amigos de caminhada. "Escribas".

Da esquerda para a direita:
Raul Bias Van-Dúnem (LAC e colega de faculdade)
Paulo Fuete Duda ( LAC, proveniente da Rádio Comercial de Cabinda)
Norberto Abias ( LAC, proveniente da Rádio 2000 do Lubango)
Manuel Vieira ( Eclésia, proveniente da Rádio 2000 do Lubango)
Luciano António Canhanga (Ex-editor da LAC)

Como doi a saudade dos dias de Rádio, apesar do bolso furado...

Soberano Canhanga

terça-feira, dezembro 12, 2006

OUTROS TEMPOS IV


Naqueles tempos em que consentir qualquer sacrifício era considerado o mínimo que os cidadãos ( povo) deviam fazer, era comum dizer-se: - Cada cidadão é e deve sentir-se necessariamente um soldado".
E hoje?

Soberano Canhanga

terça-feira, dezembro 05, 2006

PERGUNTA DE DEZEMBRO


No Domingo, dia 04, assisti à missa católica na TPA. Depois do sermão, terminava o padre com o seguinte anúncio: "Queridos irmãos e irmãs, estamos a distribuir envelopes para a colecta de contribuições para a construção de um alpendre no quintal da igreja. Apelamos que o valor mínimo é de mil kwanzas, porém aqueles que tiverem mais podem dar o quanto podem".

Anúncios como estes noutras igrejas e denominações religiosas são frequentes e comuns, parecendo-se algumas delas mais vocacionadas para o dinheiro do que para a propagação da fé.

Tendo em conta o carácter voluntário que deve(via) nortear as ofertas religiosas,
_É cómodo (lícito) que igrejas e ou confissões religiosas estabeleçam valores mínimos para as oferendas?
_ Tais tectos mínimos Criam ou não constrangimentos aos que gostariam de dar, porém impossibilitados pela renda?
Dê a sua opinião.

Soberano Canhanga

quarta-feira, novembro 29, 2006

OUTROS TEMPOS III


Naqueles tempos (até decada de noventa) era comum escrever-se em paredes de edifícios públicos e ou privados (?) expressões que caracterizavam o estado anímico, psicológico e político.
E dizia Neto que : "É preciso organizar uma economia que apoie a guerra e fazer a guerra para a defesa da economia".

Soberano Canhanga

quinta-feira, novembro 23, 2006

OUTROS TEMPOS II


Num período caracterizado pela euforia Revolucionária e pela religião marxista-leninista, com o seu comunismo, tudo o que é hoje anormal era de esperar. Vejamos o que se disse na altura por um Cda. que hoje até gosta de dinheiro ( na altura apenas a burguesia era detentora?).

-"... É preciso partir os dentes à pequena burguesia..."

Soberano Canhanga

segunda-feira, novembro 20, 2006

OUTROS TEMPOS


Começo hoje a rubrica outros tempos que visa rememorar slogan's políticos que já fizeram eco. Em "Outros tempos" você poderá ler e comentar o significado que tinham os slogan's naqueles tempos e o significado que teriam hoje.
E comecemos com este.


- "Nós somos milhões e contra milhões ninguém combate. Quem tentar será vencido" A. Neto.

quinta-feira, novembro 16, 2006

O "CULPADO"

Horácio Pedro Adão Kambole (ao Centro), radialista, natural de Catete, com passagem pelo Lubango. Este homem é o culpado pela minha profissionalização em Rádio-Jornalismo.

Quando fui à rádio quis apenas ser redactor, aliás, foi o que me foi dito pelo Mateus Gonçalves (Director de Produção) em 1997, quando entrei para a LAC fazendo o programa Dicas da Cidade. “Amigo Canhanga, tu és bom, tens potencial para ser bom repórter e bom redactor, mas falar, isso não. Esquece o microfone”. Assim foi durante muitos meses, até que num fatídico dia desapareceu em Abidjan o avião que transportava Mâitre Beye (negociador da paz para Angola).

Era Sábado e estava sem repórter. Eu era editor de fim-de-semana. Liguei ao José Rodrigues que era na altura o Editor-Chefe para fazer a confirmação da informação recebida de uma fonte. Às 12H30 tinha o noticiário feito e com um directo a partir da Vila Espa, só que não tinha Locutor, por sinal o Horácio Pedro.

Na época não tínhamos telefones móveis e por isso, difícil era encontrá-lo. Às 12H 33 já com o indicativo no ar liguei ao Editor-Chefe informando-o que não tinha locutor. Este pergunta-me se eu era mudo: aí comecei a fazer locução. Li os títulos e chamei o José Rodrigues. Quando o Horácio chegou estava eu ao meio do noticiário. Passei-lhe a bola e ele “marcou o golo”. Tínhamos ganho o dia. Na segunda-feira, foram os mais críticos, entre eles Maria Luísa (Directora-Geral), a baterem-me no ombro.

De lá em diante o Horácio sentiu a necessidade de me formar no que ele mais sabia: Ler noticiários. Apostou em mim e eu aderi.
Por isso, sou hoje “a voz” que sou por culpa dele. A minha homenagem (in vita).

Luciano Canhanga

sexta-feira, novembro 03, 2006

PERGUNTA DE NOVEMBRO


Quase habituados a surpresas que o Presidente da República nos prega ao nomear ou exonerar membros do seu governo, nomeado que foi o Comissário Ambrósio de Lemos para substituir José Alfredo "Ekuikui" no Comando da Polícia Nacional, perguntamos:
-Que melhorias ou piorias se podem esperar?



Na foto: José Eduardo dos Santos, chefe de Estado angolano


SC

sexta-feira, outubro 27, 2006

A VOX POPULI e as EXONERAÇÕES



Tendo herdado um consulado que muito o desagradava, devido por um lado, a pouca idade em relação aos seus subordinados e a excessiva má interpretação do marxismo leninismo, aliado também ao facto de grande parte dos governantes de então e fazedores de política terem estudado muito pouco, JES não teve outra alternativa senão ir aos poucos limpando a casa.
E astuto como é, foi trocando as posições das peças, separando-as, até se desfazer dos analfabetos, alguns incompetentes e "políticos de Viva e Abaixo". Certo que alguns sobreviveram, mas muito poucos.

Esta “limpeza” não só afectou "o cérebro", mas também a cor (Apud. Sem. Angolense). Daí que passamos a ver um governo que enegreceu ao contrário daquele deixado pelo saudoso Presidente e que se vai tornando cada vez mais tecnocrata (verdade seja dita).

Analisada esta fase boa da “nguvulação”* de JES uma inquietação assalta a VOX POPULI. Está relacionada às constantes exonerações e troca de posições entre o séquito governativo. Na semana que corre JES trocou Sanjar por Furtado no Estado-Maior General das FAA, exonerou Pedro Neto da FANA e Ekuikui (na foto) de Comandante Geral da Polícia, entre outras peças do seu xadrez. Ele (JES) enquanto Chefe Supremo terá as suas motivações, quer objectivas quer subjectivas. Mas, nós a Populi, devemos ou não saber por que razão têm sido os nossos governantes nomeados, exonerados e ou renomeados para novas tarefas? É que os longos Comunicados lidos na RNA e TPA já nem dizem se foi por comissão de serviço, conveniência ou inconveniência de serviço, Competência ou incompetência, Compatibilidade ou incompatibilidade de funções ou coabitação, nada disso. E ficamos a ver Homens a sair e outros a entrar como se de casa da mãe Joana se tratasse.

Voltando ao Caso Ekuikui, dizeres dos próprios polícias atestam que "o Cda. deu conta do recado no que diz respeito à organização e apetrechamento da corporação, algo que até mesmo Nandó não fez enquanto acumulou o ministério e o Comando". Aqui na Lunda-Sul, de onde rabisco essa reflexão, não se fala doutra coisa senão da “má exoneração do Kota Ekuikui”. Compreendo que o sentimento regionalista e tribal abunda muito por cá, dado que Ekuikui é um Moxiquense. Porém, não é de perder de vista quando o assunto passa de boca em boca e de província em província.

E já agora: Com que equipa irá o Cda. Presidente às próximas eleições?

*Governação
Por: Soberano Canhanga

terça-feira, outubro 17, 2006

OS RUMOS DOS NOSSOS COLÉGIOS UNIVERSITÁRIOS


Ter uma formação coesa ou no mínimo um diploma que ateste a feitura do ensino superior passou a ser um dos grandes objectivos da juventude. Os motivos não são poucos: Aumentar o nível de conhecimentos para melhor servir ou apenas conferir agregação teórica à grande experiência conseguida na tarimba e corrigir vícios, bem como a simples intenção de obter o canudo e ver engordado o salário têm sido os motivos da procura dos cursos superiores.

A resposta, porém, a esses desideratos parece cada vez mais distante. Perante o agrado dos caçadores de canudos, os que se entregam na busca do saber têm visto dia após dia Gatos a serem vendidos em plena luz do dia, fazendo-os passar por lebres.

Já é de há anos o questionamento à qualidade do nosso ensino superior público, contaminado pela corrupção motivada pelos baixos salários e inexistência de condições de trabalho. É também sabido que a pesquisa que devia ser a condição “sine qua no” para que os docentes universitários preparassem as suas lições há muito deixou de ser feita.

Perante tal quadro, a aparição de instituições de ensino privado como: a Universidade Lusíadas, ISPRA, JEAN PIAGET, UCA, UNIA e outros colégios universitários afigurava-se, numa primeira fase, como a ponta de salvação do decadente ensino superior no país, já que ofereciam boas propostas em termos de cursos, salários à dimensão da labuta, pagos pelos alunos, e mais ainda; Aulas correntes sem interrupções motivadas pelas sucessivas greves na pública.

Alimentadas as expectativas, o tempo vem mostrando, porem, que foi puro engano ou sol de pouca dura. As pseudo “galinhas de ovos de ouro” têm se mostrado mais desorganizadas do que a “velhinha” Agostinho Neto. Uma administração que entende penas de cobranças de propinas e multas aos estudantes devedores, falta e ausência gritante de professores, e pior: Um quadro docente inexperiente e muitas vezes sem noção do que dizem ensinar. Qualquer pesquisa por mais leviana que seja mostrará que grande parte deles não possui uma carreira universitária que tenha passado pela monitoria, assistência, professor associado, titular, etc., como regem as regras da cátedra.

Se na universidade pública o uso de monitores no asseguramento de aulas em substituição de docentes que até existem, mas muito ocupados em outras tarefas de assessoria política e técnica, foi tema de debate em campanha eleitoral para decano da Faculdade de Direito que opôs Zé Octávio VD a Alberto Neto e Elisa Rangel, que dizer do uso de monitores que nem os seus cursos concluíram e que (des) instruem outros finalistas?

Deixo aqui apenas um exemplo, o do ISPRA, onde estudantes finalistas de determinadas licenciaturas já são usados como professores titulares de outros finalistas do mesmo curso *.

-É ou não caso para reflexão?
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*C.Soc. IV ano.

segunda-feira, outubro 02, 2006

MISS AFRICA


STIVIANDRA ENTRE AS SEIS MAIS "OUSADAS DO MUNDO"

Que a nossa miss Stiviandra merece o nosso carinho e aplausos, isso é bem verdade. Levou o nosso "Angola Avante e a nossa bandeira tri-color" à "catedral" da beleza mundial. E melhor do que apenas estar, subiu ao palco representando a realeza africana. Bom trabalho.

- Mas de lá em diante. Que será da nossa miss?
Mais uma como E. Aguardado e outras ou será desta que teremos o icone da beleza Angolana?

Soberano Canhanga

sexta-feira, setembro 29, 2006

SER CORAJOSO

É ser o último a saber que tem medo.

_Quantas vezes morremos de medo, mas como somos os lideres temos que dar exemplo e ser o último a desistir?

segunda-feira, setembro 25, 2006

É VERDADE, MOCIANO?


Já é secular que "Os filhos constituem a maior alegria dos pais". Esta alegria torna-se maior quando o pai ou a mãe encarna em si a dualidade de papeis.

O Mociano Canhanga e eu somos exemplo disso. Eu a fazer dele um rapaz e ele a fazer-me homem. Devemo-nos tanto um como outro. Se ele diz orgulhar-se do pai que tem, o meu júbilo é trancendental na medida em que até agora tem saído e feito aquilo que sempre quis fazer dele. Inteligente, embora demasiadamente tímido e bastante respeitoso.

Há dois meses fui a Luanda e assisti a uma reunião de pais e encarregados de educação. Disse-me a professora que tinha um comportamento exemplar e notas razoáveis para a idade dele e ensino que temos. Promessas foram feitas e até a professora foi convidada para um almoço. Estava eu seguro de que o meu filho aprovaria com mérito e, por isso, convidar a professora não macularia nem o trabalho dela nem o meu orgulho de fazê-lo passar apenas com notas verdadeiras.

Hoje, a coisa parece ter mudado. Recebi informações da madrasta que cuida dele, e bem, que o Mociano tornou-se indisciplinado e irriquieto em pouco tempo, faltando mesmo às aulas. São os dizeres da professora numa altura em que o ano lectivo está prestes a findar.

-Conhecendo o rapaz que tenho, devo apenas perguntar-me. Mudaram os interesses da professora ou é verdade, menino Mociano?

domingo, setembro 24, 2006

NZILA ZOLA

Significa em português "Caminho do Amor". Nasceu ontem o mais recente blog angolano. Ndombele Freddy, o autor, tem base em Luanda e trabalha na Lunda-sul.
Em três postagens o Freddy explica-nos o porquê do nome, o porquê do blog e fala também sobre a construção da Nação fundada no amor. Os escritos de Freddy prometem agradáveis temas para reflexão nos proximos números.

Por isso, o convite para uma visita e juntar-mos o http://nzilazola.blogspot.com à nossa lista de favoritos.

Bem haja!

Soberano Canhanga

domingo, setembro 17, 2006

A PALESTRA QUE FICOU POR SE DAR


Estava prevista para o dia 16 de Setembro de 2006 no recinto de lazer da SMC,Lda. Não aconteceu por razões organizativas, esperando o momento ideal.
Segue na íntegra o texto:
Sras. e Srs.,
A missão que me foi incumbida hoje não é fácil. Tratando-se de Neto uma figura de grande relevo. Quero antes referir-me à figura de um heroi... Qualquer dicionário dir-nos-á que o herói difere-se de indivíduos comuns pela sua capacidade de realizar proezas que exigem a abundância de alguma virtude crucial aos seus objectivos - fé, coragem, vaidade, orgulho, força de vontade, determinação, paciência, etc. O herói será tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas - liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz. Eventualmente buscará objectivos supostamente egoístas (vingança, por exemplo); no entanto, suas motivações serão sempre moralmente justas ou eticamente aprováveis, mesmo que ilícitas.
O heroísmo é um fato profundamente arraigado no imaginário e na moralidade popular. Feitos de coragem e superação inspiram modelos e exemplos em diversos povos e diferentes culturas, constituindo assim figuras arquetípicas. Situações de guerra, de conflito e de competição são ideais para se realizarem feitos considerados heróicos.

A título de exemplo, a França dominada pela Inglaterra surgir uma Joana d'Arc. No nosso caso, Agostinho Neto, a figura de que vos estou a falar.

Agostinho Neto, nacionalista, Percursor da luta de libertação nacional, primeiro Presidente da República de Angola, médico e poeta é Uma figura de larga dimensão social, política e cultural, por isso mesmo difícil de caracterizar.

Primeiro, dizer que esta será a vigésima quinta vez que se assinala no país o dia do herói nacional em homenagem ao fundador da nação.
A.Neto, Nasceu a 17 de Setembro de 1922, na aldeia de Kaxicane, município de Icolo e Bengo, próximo de Catete. O pai era pastor e professor da igreja protestante e sua mãe igualmente professora. Após ter concluído o curso liceal em Luanda, Neto trabalhou nos serviços de saúde, tornando-se rapidamente uma figura proeminente do movimento cultural nacionalista que ao longo dos anos quarentas conheceu uma fase de expansão.
Decidido a formar-se em Medicina, Neto fez poupança durante vários anos e foi com essas economias que embarcou para Portugal em 1947, tendo se matriculado na Faculdade de Medicina de Coimbra. Portanto, Neto Estudou primeiro em Coimbra e depois em Lisboa, depois de ter ganho uma bolsa de estudos dos Metodistas Americanos dois anos depois da sua chegada a Portugal.
Politicamente, Muito Cedo iniciou as actividades clandestinas e experimentou a prisão pela primeira vez em 1951, ao ser preso quando reunia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz em Estocolmo.
Retomando as actividades políticas após a sua libertação, Neto tornou-se representante da Juventude das colónias portuguesas junto de um movimento da juventude portuguesa, o MUD juvenil. E foi no decurso de um comício de estudantes a que assistiam operários e camponeses que a PIDE o prendeu pela segunda vez em Fevereiro de 1955, sendo posto em liberdade dois anos depois.
Por altura da sua prisão em 1955 foi lançado um livreto com os seus poemas e o caso da prisão do poeta angolano desencadeou uma vaga de protestos em grande escala. Realizaram-se encontros; escreveram-se cartas e enviaram-se petições assinadas por intelectuais franceses de primeiro plano, como Jean-Paul Sart, André Mauriac, Aragon e Simone de Beauvoir, pelo poeta cubano Nicolás Gullén e pelo pintor mexicano Diogo Rivera. Em 1957 foi eleito Prisioneiro Político do Ano pela Amnistia Internacional.
Em 10 de Dezembro de 1956 fundaram-se em Angola vários movimentos patrióticos para formar o MPLA, Movimento Popular para Libertação de Angola que lançaria a luta armada contra Portugal fascista.
Em 1958, Agostinho Neto doutorou-se em Medicina e casou no próprio dia em que concluiu o curso com a cidadã portuguesa maria Eugênia Neto. Nesse mesmo ano, foi um dos fundadores do clandestino Movimento Anticolonial (MAC), que reunia patriotas oriundos das diversas colónias portuguesas.
Neto voltou a Angola com a mulher e o filho de tenra idade (Mário Jorge) a 30 de Dezembro de 1959. Ocupou, então, a chefia do MPLA a exercer a medicinanbuma altura em que muitos integrantes do movimento tinham sido forçados ao exílio nos anos que antecederam o seu regresso ao poaís.
Em 8 de Junho de 1960, o director da PIDE veio pessoalmente prender Neto no seu Consultório em Luanda. Uma manifestação pacífica realizada na aldeia natal de Neto em protesto contra a sua prisão foi recebida pelas balas da polícia. Trinta mortos e duzentos feridos foi o balanço do que passou a designar-se pelo Massacre de Icolo e Bengo.
Receando as consequências que podiam advir da sua presença em Angola, mesmo encontrando-se preso, os colonialistas transferiram Neto para uma prisão de Lisboa e, mais tarde enviaram-no para Cabo Verde, para Santo Antão e, depois para Santiago, onde continuou a exercer a medicina sob constante vigilância política. Foi, durante este período, eleito Presidente Honorário do MPLA.
O MPLA lançou uma implacável campanha em prol da sua libertação, apelando para a solidariedade mundial para com Neto e todos os prisioneiros políticos angolanos.
Sob esta forte pressão, as autoridades fascistas viram-se obrigadas a libertar Neto em 1962, fixando residência em Portugal. Todavia, pouco tempo depois da saída da prisão, a eficaz organização do MPLA pôs em prática um plano de evasão e Neto saiu clandestinamente de Portugal com a mulher e os filhos pequenos, chegando a Léopoldville (Kinshasa), onde o MPLA tinha a sua sede exterior, em Julho de 1962. Em Dezembro desse ano, foi eleito presidente do MPLA durante a Conferência Nacional do Movimento.
Em 1963, Já eleito presidente do MPLA, Neto lança-se a uma intensa actividade quer no interior, quer no exterior do País. Dirigiu pessoalmente as relações diplomáticas do Movimento, podendo assim visitar numerosos países e contactar grandes dirigentes revolucionários que nele reconheceram o papel dirigente de um povo heróico que travava uma guerra justa pela independência nacional, pela Democracia e pelo Progresso Social.
Com a "Revolução dos Cravos" em Portugal e a derrocada do regime fascista de Salazar, continuado por Marcelo Caetano, em 25 de Abril de 1974, o MPLA ( a FNLA e a UNITA) assinaram um acordo de cessar-fogo com o Governo Português.
Agostinho Neto regressou à Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1975, sendo alvo da mais grandiosa manifestação popular de que há memória em no país. Dirige, pessoalmente, a partir desse momento toda a acção contra as múltiplas tentativas de impedir a independência de Angola, proclamando a Resistência Popular Generalizada.
E a 11 de Novembro de 1975, após 14 anos de dura luta contra o colonialismo e o imperialismo, o Povo Angolano proclamou pela voz do Presidente Neto a independência Nacional.
A figura de Neto, como militante total, corajoso revolucionário e estadista eminente não se limita às fronteiras de Angola. Ela projecta-se no contexto africano e mundial, onde a sua prática e o seu exemplo servem de impulso à luta dos Povos que, no Mundo, estão ainda submetidos à humilhação, ao obscurantismo e à exploração.
Assim é que, nas tribunas internacionais a voz de Neto nunca deixou de denunciar as situações de dominação colonial, neocolonial e imperialista, pela Libertação Nacional, a favor da independência total dos Povos, pelo estabelecimento de relações justas entre os países e pela manutenção da paz como elemento indispensável ao desenvolvimento das nações.
Pelo seu empenho na libertação dos povos, Agostinho Neto na África de expressão portuguesa é comparável à Léopold Senghor na África francesa.
Agostinho Neto foi também um esclarecido homem de cultura para quem as manifestações culturais tinham de ser, antes de mais, a expressão viva das aspirações dos oprimidos, para denunciar situações injustas.
A atribuição do Prémio Lótus, em 1970, pela Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos e outras distinções atribuídas a algumas das suas obras de poesia, são mais um reconhecimento internacional dos seus méritos neste domínio cultural.
Também na República Popular de Angola, a eleição de Neto como Presidente da União dos Escritores Angolanos cuja proclamação assinou, traduz a justa admiração dos homens de letra do jovem País, pelo seu mais destacado membro, que tão magistralmente encarou a "SAGRADA ESPERANÇA" de todo o povo
Agostinho Neto Morreu a 10 de Setembro de 1979 em Moscovo, e foi sepultado aos 17 de Setembro.
A carreira política de Neto foi acompanhada de uma intensa vida porofissional como médico e poética retratado o homem negro, a escravidão a exploração e o desejo de repor o que nos foi tirado pela presença colonial.
Assim é que tanto a medicina quanto a poesia foram instrumentos de uma luta que se forjou, sobretudo, pelo direito à vida.
Sua obra literária pertence a uma forma especial de poesia, cujas principais preocupações foram instigar, pelo verso, a prática revolucionária capaz de gerar transformações e afirmar uma identidade cultural nacional, necessária para a revolução política que fervilhava em Angola.

Assim, encontramos nos escritos do Maior poeta nacionalista uma interrogação e uma negação da condição do homem colonizado e explorado. Expressões que marcam "O Choro de África" de que sempre se assumiu como libertador seguindo passos de seus antecedentes e contemporâneos. (Senghor, Keniata, Lumumba, Nierere, entre outros).
O choro durante séculos/ nos seus olhos traidores pela servidão dos homens/ no desejo alimentado entre ambições de lufadas românticas/ nos batuques choro de África/ nos sorrisos choro de África/ nos sarcasmos no trabalho choro de África//
Sempre o choro mesmo na vossa alegria imortal/ meu irmão Nguxi e amigo Mussunda/ no círculo das violências/ mesmo na magia poderosa da terra/ e da vida jorrante das fontes e de toda a parte/ e de todas as almas/ e das hemorragias dos ritmos das feridas de África
E é em negação desta condição humana que Neto escreveu:
Não creio em mim/ Não existo/ Não quero eu não quero ser/ ... Não contem comigo/ para vos servir as refeições/ nem para cavar os diamantes/ que vossas mulheres irão ostentar em salões/ nem para cuidar das vossas plantações/ de algodão e café/ não contem com amas/ para amamentar os vossos filhos sifilíticos/ não contem com operários/ de segunda categoria/ para fazer o trabalho de que vos orgulhais/ nem com soldados inconscientes/ para gritar com o estômago vazio/ vivas ao vosso trabalho de civilização/ nem com lacaios/ para vos tirarem os sapatos/ de madrugada/ quando regressardes de orgias nocturnas/ nem com pretos medrosos/ para vos oferecer vacas/ e vender milho a tostão/ nem com corpos de mulheres/ para vos alimentar de prazeres/ nos ócios da vossa abundância imoral/
Não contem comigo/...

Ainda em Sagrada Esperança, livro lançado na década de setenta, porém escrito inicialmente ao longo dos anos quarenta, nota-se a esperança de uma Angola livre em detrimento à existência de cânticos simples de saudades.
Minha mãe/(todas as mães negras/cujos filhos já partiram)/tu me ensinaste a esperar/como esperaste nas horas difíceis//Mas a vida/matou em mim esta mística esperança/Eu já não espero/sou aquele por quem se espera//Sou eu minha mãe/a esperança somos nós/os teus filhos/partidos para uma fé que alimenta a vida (...)/

Depois da partida para o exilo de muitos patriotas que se tornaram os heróis dos nossos dias, onde se preparou a luta para a libertação do país, Agostinho Neto profetizava:
Às casas, às nossas lavras/às praias, aos nossos campos/havemos de voltar//Às nossas terras/vermelhas do café/brancas de algodão/verdes dos milharais/havemos de voltar//Às nossas minas de diamantes/ouro, cobre, de petróleo/havemos de voltar//Aos nossos rios, nossos lagos/às montanhas, às florestas/havemos de voltar/À frescura da mulemba/às nossas tradições/aos ritmos e às fogueiras/havemos de voltar//À marimba e ao quissange/ao nosso Carnaval/havemos de voltar//À bela pátria angolana/nossa terra, nossa mãe/havemos de voltar//Havemos de voltar/À Angola libertada/Angola independente.
Podemos perceber que a esperança de Agostinho se alimentava numa espécie de renascimento. A mãe, no caso a representação da África, não pode mais esperar pela partida ou pela morte de seus filhos e cabe aos mesmos a inauguração de um novo tempo, de uma nova liberdade. Neto dizia em Renúncia “Impossível” que
“ (…) E o que é mais importante:Salvei o mundo"! Assim, constrói-se a literatura do poeta, como um ponto nascedouro, próprio de uma pátria a ser fundada. Ricos em oralidade, seus poemas constituíram-se como cânticos capazes de organizar seus compatriotas para um conflito armado que durou de 1961 até 1975.
Uma vez começada a guerra pela independência Neto apela à resistência e à confiança para que não se traíssem os ideais. O poeta argumenta ainda o porquê da atitude contra o opressor:

Não direi nada/ nunca fiz nada contra a vossa pátria/ mas vós apunhalastes a nossa/ nunca conspirei nunca falei com amigos/ nem com as estrelas nem com os deuses/ nunca sonhei/ durmo como pedra lanzada ao poço/ e sou estúpido como as carnificinas vingativas/ nunca penséi estou inocente/ não diréi nada não sei nada/ mesmo que me espanquem/ não diréi nada/ mesmo que me oferejam riquezas/ não diréi nada/ mesmo que a palmatória me esborrache os dedos/ não diréi nada/ mesmo que me ofereçam a liberdade/ não diréi nada mesmo que me apertem a mão/ não diréi nada mesmo que me ameacem de morte/…

Conseguida a independência, Neto lança-se à conquista da liberdade de outros povos oprimidos. E encontramos slogans do seu tempo como:
“Na Namíbia, na Rodésia e na Africa do Sul está a continuidade da nossa luta”.
Ou ainda
“Angola é e será por vontade própria, trincheira firme da Revolução em Africa”, slogans que foram seguidos de uma práis, tal foi o nosso envolvimento na luta pelas independências do Zimbabué ( antiga Rodésia do Sul) da Namibia e eliminação do Apartheid na Africa do Sul e constituiçãos da organização "Países da linha da frente" precursora da SADCC, actual SADC… Como podem ver São inúmeros os ângulos de abordagem sobre Agostinho Neto, pelo que prefiro, por hoje, ficar por aqui e continuarmos a conversa já num sentido mais horizontal.

Muito obrigado.
Luciano Canhanga “Soberano”

segunda-feira, setembro 11, 2006

A CULTURA QUE TEMOS


Traço o mapa histórico e geográfico do país (Angola) e situo-me num ambiente influenciado pelo conceito cultural Europeu a que V. Kajibanga denomina como "o espaço Sociocultural luso-descendente", portanto, europeu e colonial, baseado no padrão imposto de “homem branco, culto e adulto” e que sem tal comportamento não se adquiria a condição de assimilado.

Geograficamente, sou um ocidental em relação ao país. Nasci numa região onde o sol tarda chegar, embora a luz europeia tenha chegado primeiro. Portanto, duma cultura influenciada ao longo de 5 séculos de presença portuguesa.

Tento situar-me agora no Leste, onde trabalho, e encontro um povo quase ainda arraigado às raízes profundas do seu tronco Cokwe, com suas autoridades e instituições tradicionais ainda vigentes, com o feitiço e a magia a superarem a medicina e as ciências sociais e exactas.

Noto também, por outro lado, a desarticulação daquilo que é ancestral aparecendo outras formas socio-culturais, ou seja, a miscigenação cultural fruto de influências recebidas via TV, sobretudo, e via contactos inter-pessoais (destaque para o Brasil, EUA, Portugal e RDC). Encontro na sua realeza o Soberano local vestido de peles, empunhando no pulso o mais sofisticado Quartz ou Omega. Comendo com as mãos para depois sentar-se num sofá de couro ou vestindo panos para fazer-se passear num X5 top de gama.

Andando pelas aldeias encontro casas de adobe e cobertas de capim enfeitadas com antenas parabólicas importando culturas alheias, sempre mal digeridas, fazendo com que o pano, principal vestimenta feminina ceda às calcinhas e sainhas curtas de verão brasileiro.

Encontro igualmente velhos que apenas falam Cokwe, crianças que não falam língua nenhuma e jovens que se arriscam nas duas ( Cokwe e português).

No ocidente angolano, mais à moda europeia do que à africana, encontro expressões aglutinadoras de povos e culturas como “zairenses, bailundos, sulinos, nortenhos, kacokwes” e outras para caracterizar o outro diferente do Eu luandense e pergunto-me:

_Que cultura temos e que cultura teremos amanhã?

Meus botões dizem-me que sou produto sociocultural que não é estanque, sendo minha família produto biológico.

Dizem-me também que o amanhã será a fusão, ou no mínimo, a conciliação entre o ontem e o hoje, do eu e do outro, quando o outro for meu semelhante com suas formas peculiares de ser e estar e pensar. Quando os empréstimos não mais constituírem motivos para censura, tão pouco a diferença motivo de exclusão.

E concluo que a compreensão e a inclusão em vez da imposição farão a cultura do amanhã. Quanto ao hoje vale pensar em alteridade como desafio. Aconselha Gusmão.

Soberano Canhanga

quarta-feira, setembro 06, 2006

REDACÇÃO SOBRE OS PAIS


Hoje é um dia especial. Fui a Luanda e fui contemplado pela primeira vez em nove anos com uma redacção. Quis o meu primogênito que estuda a quarta classe numa escola pública falar sobre o pai que (não) tem. E ele escreve assim:
"O meu pai não é mau e tem respeito por todos, não gosta de briga e é inteligente. Trabalha muito. Trabalha na Lunda Norte.
Sobre o que eu quero, em dinheiro ou em presente, quando eu aprovar para a quinta classe, vai me dar como presente um video game, uma bomba de bicicleta e um livro dos três porquinhos".
Assinado em papel de caderno:
Mohamed Mociano dos Santos Canhanga

sexta-feira, setembro 01, 2006

AS PERGUNTAS DE SETEMBRO

Depois de duas semanas de muita "Fesada" com bebícios e comicios, inclusive de líderes de ONG's a assumirem de forma aberta e velada o activismo político... Surge agora o Setembro do Heroi Nacional, uma data e festa plasmada no calendário.
_Será desta que Os ensinamentos do guia imortal da revolução angolana serão recordados?
_Teremos a Fundação Sagrada Esperança transformada em FAN (Fundação Agostinho Neto) e a fazer barulho e realizações à dimensão do seu patrono?
_ Neto está presente ou esquecido pelos políticos da Actualidade?
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terça-feira, agosto 29, 2006

SAURIMO


Assim se chama a minha nova terra que o destino me deu. Não que tenha trocado o meu Bango de Cuteca, no Libolo, onde até pertenço à realeza, ou que tenha trocado Luanda, terra que me criou e fez homem por Saurimo.
Contingências da vida profissional trouxeram-me cá. E por que não tê-la também como minha terra? pois, cá estou junto ao jardim do palcio.
Essa é a minha nova terra, a Capital da terra que me alberga desde Março último, numa rotação de 42/7.
Aqui a vontade de crescer contrasta com o poder. Na mesma sintonia o brilho do diamante com a vida dos populares, não fosse a "mão santa" da maior Diamantífera da região. Mas o povo crê que dias melhores virão com esperanças depositadas na energia eléctrica da Hidro-Chicapa em construção.
Quatro simples meggas que podem mudar muita coisa. Pequena indústria que promete mais emprego e mais pão à mesa reformada do garimpo controlado.
Enquanto isso espera-se também ansiosamente nas graças divinas do oriente chinês com mais casas e estradas reclamantes de novo alcatrão. Por outo lado, a "santa diamantífera" projecta bairro para trabalhadores que o vão amortizar lentamente com salários. É o leste a crescer, a minha nova terra que o jornalismo me deu.
Soberano Canhanga

quinta-feira, agosto 17, 2006

FLEC's, FLECHAS e PAZ



Que as flechas deixaram de incomodar, isso parece ser verdade. Acabaram as mortes “matadas” nas matas do Maiombe. Todos estão pelo menos de acordo que a via militar não conduz nem à paz nem à (in) dependência (in) desejada.
Porém, há que se ter em conta quem politicamente representa o povo ibinda. As FLEC’s ou o FCD? e Com quem "havemos" de sentar?

Comecemos pelas destrinças.

De Flec's anda Cabinda cheia. Flec-Fac, Flec-Nova visão, Flec-Renovada, Flec-Original, Flec-etc., etc.

Há agora o FCD que tem duas direcções. A que é interlocutor válido encontrado pelo governo, liderada por Bento Bembe e a nova direcção nomeada por Nzita Tiago, o pai das FLEC's.

Ora, nem sei qual será o passo seguinte. Os que negociaram a paz já foram demitidos. O governo angolano vai fazer outra negociação com Chicaya e companheiros ou continuará a lidar com aqueles (Bento Bembe e turma) que já não representam, no dizer da FLEC, o povo de Cabinda?

-Quem é afinal Bento Bembe, quem é Chicaya e quem é o FDC perante as Flec’s?
-Quem é quem perante o governo angolano e perante ao povo de Cabinda?

Soberano Canhanga,