Há exemplos que valem ser partilhadas pelo seu arrojo. É conhecida a dieta "arroz com feijão" ou "arroz com lataria" nos quarteis e nos estabelecimentos prisionais. Os presos em Vunonge comem sopa, salada, verduras e dieta diversificada. O Campo Prisional, no perímetro irrigado do Mis(s)ombo produz tomate, couves, repolho, cebola, feijão, milho, maracujá, alho, entre outras variedades que vão à cozinha. Os detidos dizem sentir à mesa o fruto do seu trabalho e entregam-se à lavoura com energia e elevada disposição. Mas a nova direcção dos Serviços Prisionais do Kuvangu (Vunonge) é ainda mais ousada. Está a implementar um projecto piloto de criação de pequenos roedores e aves, com o objectivo de diversificar a dieta alimentar dos efectivos e da população prisional. Segundo o director Sabino Salongue Catombela, já existem algumas dezenas de coelhos e porquinhos-da-Índia, com expectativa de chegar a centenas.
O coelho adapta-se facilmente a diferentes climas, incluindo tropicais. Alimenta-se de feno, folhas verdes e rações ricas em fibras, praticando a cecotrofia (reingestão de fezes nutritivas). A sua reprodução é extremamente rápida: a gestação dura apenas 30–32 dias e pode resultar em várias ninhadas anuais, cada uma com 6 a 10 filhotes. A carne de coelho é rica em proteína, de baixo teor de gordura e fácil digestão, sendo considerada um alimento saudável e de elevado valor nutricional.
Quanto aos porquinhos-da-Índia, adaptam-se bem a climas temperados e tropicais. Alimentam-se de capim, folhas verdes e legumes, necessitando de suplementação de vitamina C. A gestação dura entre 59–72 dias e pode gerar 3 a 4 ninhadas por ano, com cerca de 3 filhotes por parto. A sua carne é magra, nutritiva e tradicionalmente consumida nos Andes, representando uma fonte acessível de proteína animal.
O projecto inclui ainda um pombal e uma capoeira, onde já se encontram dezenas de galinhas adultas e pintos. Estas aves reforçam a oferta de proteína animal e complementam a criação de roedores.
O projecto representa uma estratégia inovadora de diversificação alimentar, aproveitando espécies de fácil manejo e reprodução rápida. A criação de coelhos, porquinhos-da-Índia, pombos e galinhas poderá transformar a dieta prisional, garantindo proteína acessível e sustentável, em linha com práticas de ciência animal (Cheeke, 1987).


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