Um ramal estendia-se do Museke até ao Kikolo, junto à moagem de trigo, enquanto outro ligava a Estação do Zenza do Itombe ao Ndondo para facilitar levar a Luwanda pessoas e produtos alí chegados, vindos da zona sul.
Não eram linhas redundantes como hoje, permitindo comboios ascendentes e descendentes em simultâneo.
As frequências e os intervalos eram mais longos. O comboio enchia-se de pessoas e imbambas. Os passageiros, conhecendo as frequências, preparavam-se para não perder a viagem.
A história ferroviária de Luwanda começou em 31 de Outubro de 1888, com a inauguração do primeiro troço de 45 km entre Luwanda e Funda, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro de Ambaca (Henriques, 2015). Em 1909, a linha chegou a Malanji, consolidando-se como eixo vital para o transporte de passageiros e mercadorias. O ramal de Kalumbu, inaugurado em 1925, estendia-se por 31 km até à margem do rio Kwanza (Osório, 2015). O ramal de Golungo Alto, aberto em 1918, somava 31 km desde a Kanyoka. O do Kikolo levava trigo à moageira e passageiros para a Estação do Museke e vice-versa. Todos os ramais foram desativados ao longo do século XX, quando a expansão urbana e a falta de manutenção ditaram o seu fim (Africa Press, 2023).
Durante décadas, o Caminho de Ferro de Luwanda transportou milhares de passageiros por dia. Nos anos 1950, a rede atingia mais de 500 km de extensão, com composições que levavam tanto pessoas como mercadorias agrícolas e industriais. A cidade cresceu, mas o comboio manteve-se como símbolo de convivência e de esperança.
Hoje, as composições DMU são mais curtas e rápidas, mas as frequências continuam longas. Luwanda reclama novos ramais: a reposição dos comboios para Funda, Kikolo e Kalumbu, assim como a construção de novos ramais: Morro dos Veados-Porto-Kakwaku e Cabo Lombo-Kakwaku.
A reativação e construção destas linhas poderia aliviar o trânsito, reduzir a poluição e devolver ao comboio o papel de espaço de conversa e de memória colectiva.
Se a Europa não aposentou o comboio, por que nós o faríamos? Para além de transporte barato e seguro, o comboio é refúgio contra o stress urbano e promessa de longevidade.
Como lembra Tomás Leiria Pinto (2015), o comboio foi símbolo de planeamento e integração logística. Para nós, continua a ser símbolo de esperança, de reencontro com a cidade e de futuro partilhado.
Publicado no Jornal LUANDA de 17.08.2026

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