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quinta-feira, outubro 08, 2026

CAMINHOS DE MAKONDO

Vinte e nove de Junho de 2026. O comércio e as vias de comunicação são o coração que ainda pulsa fraco no Muxiko Leste. A comitiva saída de Lwanda, a capitalíssima, chegada ao Lwau às nove horas, percorreu 270 quilómetros até Kazombo, entre pouco asfalto e muita terra batida. Dali, mais uma centena de quilómetros até Kalunda, comuna do município de Makondo, consumindo perto de 4 horas de viagem. O tempo, aqui, mede-se em poeira e paciência.

Sem estradas, não há comércio que floresça. O cimento, as ligas de ferro, as chapas e telhas, o mosaico e azulejos, a madeira serrada, as máquinas e equipamentos, tudo depende de transporte. E transporte pede vias em condições. O governo central promete: em breve a estrada chegará à sede da província. Já faltou mais. A população reconhece que o percurso foi encurtado em mais de metade do tempo outrora perdido.
Mas Kazombo não tem lojas, nem cantinas organizadas. As compras fazem-se em Sawlimbo, mais próximo do que a antiga capital do Muxiko unitário, a cidade do Lwena. Os poucos empresários reclamam da distância, da logística, da carestia e dos sobas que pedem dinheiro.
“Na Zâmbia, os sobas exercem autoridade sobre a terra. Em Angola, a terra é propriedade primária do Estado. Todavia, os sobas angolanos querem exibir o poder dos seus homólogos zambianos e forçam os poucos empresários com pedidos de dinheiro e bens materiais”, lamenta-se.
A multinacional AngloAmerican prospecta cobre na continuidade do filão conhecido como copper belt, agora em território angolano. Se promissores, tais projectos ligados à indústria extractiva poderão aliviar o sofrimento e as carências. Os acessos melhoram, a produção agropecuária e melífera ganha clientes, o comércio ganha corpo e a permuta cede terreno à economia monetizada.
O comboio do CFB, que poderia ser alternativa, fica longe do Makondo. Tal vez um ramal, um dia, venha a minorar os apelos. A ferrovia, símbolo de ligação entre o litoral e o interior, não chega a estas paragens. O comércio, por isso, depende quase exclusivamente da estrada. Sem ela, não há como transportar mercadorias, nem como dar corpo a uma economia que precisa de circulação para existir.
Na manhã de 30 de Junho, um detalhe curioso: os telefones assumiram o horário da Zâmbia. O combinado era levantar-se às 5h30, mas muitos despertaram uma hora antes. O acampamento viveu um pequeno alvoroço, sobretudo entre os trabalhadores habituados ao ritmo das 5h30. O tempo, mais uma vez, mostrou que aqui não se mede apenas em quilómetros, mas também em fusos e desencontros.
Assim se escreve a crónica de uma terra onde o cobre promete riqueza, mas onde o verdadeiro tesouro ainda é a estrada que falta, única via capaz de dar vida ao comércio e aproximar o Makondo do resto do país.
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In: viagem a Muxiko Leste

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