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quarta-feira, maio 27, 2026

A LEVIANDADE DA SH BOUTIQUW

Foram seis dias intensos em São Tomé e Príncipe, entre encontros com jornalistas, memórias partilhadas e reencontros emocionantes. A promessa de uma entrevista com Hermínia das Neves, chefe do Departamento de Programas da RNSTP, sobre a minha carreira literária e o livro Amores de Mel’aço, ficou suspensa por causa da transmissão da plenária da Assembleia Nacional. O país vive o seu ritmo próprio, e a rádio, fiel ao dever institucional, cedeu espaço à política.  

Mas o fecho da estadia trouxe uma cena menos poética. No hotel SH BOUTIQUE, a experiência foi marcada por infiltrações de água do ar condicionado, tapetes encharcados e um cheiro de bolor insuportável. Reclamações não atendidas, noites mal dormidas com porta e janela abertas para puder respirar. A carta que escrevi ao gerente, no dia 6 de maio, resume o desfecho:  

Sem condições dignas de acomodação, só me resta interromper a minha estadia no vosso hotel e solicitar o reembolso do dia em falta.”  

O que mais faz mossa não é apenas o problema físico do quarto, mas a atitude dos funcionários e da gerência: tudo levado no espírito “leve-leve”. Esse traço cultural, tão bonito na música e na convivência, torna-se corrosivo quando se instala na gestão. O “leve-leve” pode ser filosofia de vida, mas não pode ser desculpa para a falta de rigor.  

Países e organizações não se desenvolvem nesse passo. O hóspede que reclama, o cidadão que exige, o investidor que aposta — todos precisam de respostas sérias e eficazes. Sem isso, a simpatia transforma-se em desconfiança, e o encanto em frustração.  

São Tomé e Príncipe tem talento, cultura e hospitalidade. O desafio é transformar o “leve-leve” em calor humano e acolhimento genuíno, sem abdicar da disciplina que o desenvolvimento exige. Só assim o país poderá afirmar-se como destino e como nação.

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