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domingo, julho 05, 2009

ANACRACIA E SUCESSÃO ENCOMENDADA

A sucessão de factos sociais/políticos conduz-nos ao surgimento de fenómenos. Porém, essa transformação de factos em fenómenos nem sempre é visível aos "olhos" de todos, quanto mais porque os factos são precedidos de ebriantes campanhas propagandísticas e ou soft promotion da media ao longo de muito tempo. Assim, surgem as grandes fuguras que emergem do quase nada, à custa da venda de bijuterias ou organização de eventos caseiros.

Sendo África um campo fértil de mesmices, falemos da Anacracia que se resume na ausência de valores democráticos (demo= povo; cratia/cracia= poder) por arte das populações. Os poderes instituídos, desejosos da sua eternidade ou da passagem do mando de forma hereditária ou clientelar nunca se esforçam em informar/formar os governados sobre os seus direitos. Apenas se limitam a exixir deveres à Demo.

Os detentores de cargos públicos da magistratura nem sempre criam delfins fora da sua prole, família serventia ou clientela, criando um estadopermanente de dependência e incerteza em caso de vacatura natural. Isso torna-os omnicientes, omnipresentes, omnipotentes, sendo acatadas apenas as suas orientações, nulguns casos mesmo quando no "post mortem".

Assim foi na RDC, no Togo e está a ser preparada a mesma canja no Gabão de Bongo, podendo o tumor expandir-se para outras lactitudes do continente onde existem "anacracias" longevas.

Pois, mesmo nos casos em que a vacatura é provocada pelo poder divino e se cria uma hipetética transição balizada na constituição, é o herdeiro quem "de facto" governa e dita as leis, pois ha muito o processo foi (vem sendo) preparado.

Que dizer dum governo de filhos, primos, cunhados e sobrinhos ou dum parlamento de filhos, serventes, compadres e amantes? As premissas são preparadas à preceito e todo o resto é p'ra inglês ver.

A propaganda toma conta do cenário promocional do "príncipe" a quem são concedidas todas as facilidades pelo pseudo governo de transição que igualmente se encarrega de afastar todos os que se afirmem como potenciais vencedores do pleito contra o filho do "monarca". Os demais candidatos aceites para a corrida ou são da escolha do candidato da situação e surgem apenas para animar a festa, ou são tidos, a priori, como impotentes em chegar ao cadeirão maior.


Há que buscar um novo sentido ou um novo despertar do continente!

Luciano Canhanga

3 comentários:

O Sousa da Ponte disse...

Os problemas de Africa são reais mas também é preciso dar tempo ao tempo.
Estranho seria que paises colonizados tanto tempo, divididos pela guerra fria em guerras civis em meia dúzia de anos, ou muito menos, de paz se tornassem noruegas, suiças ou canadás.

Parece-me, n posição de observador de fora que as coisas estão a evoluir no bom sentido.

Só que Roma e Pavia não se fizeram num dia.

Não é ?

Anónimo disse...

Realmente leva tempo a construção dum edifício. Mas há etapas que podem ser queimadas ou indefinições que podem ser esclarecidas. Uma monarquia é também uma forma de governo.

Que tal se alguns Estados africanos adoptassem Monarquias puras e se deixasse de lado o "disse que disse" quanto à pureza da Democracia?

O autor

Anónimo disse...

Seja Monarquia ou Republica, O POVO é e será sempre POVO!
O melhor é o Povo participar o mais possivel na vida politica, não se abster nunca de seus direitos.
São S.