Translate (tradução)

terça-feira, abril 29, 2008

TINTA E CIMENTO DÃO NOVA CARA AO KUITO


REPORTAGEM
Depois da guerra é chegada a hora da reconstrução. Na Avenida Joaquim Kapango, a principal do Kuito, as faixadas dos edifícios recebem novos rostos fruto do Programa Especial Mínimo de Reconstrução da Cidade do Kuito – PEMRK. Segundo o director provincial das obras públicas do Bié, João Marques Bango, o governo repara as partes frontais das residências de modo a conferir uma nova imagem à cidade.
Dentre os edifícios reparados, em reparação e por reparar consta o conhecido prédio da Gabiconta, por sinal o mais alto da cidade e que foi depois da guerra pós eleitoral o símbolo da destruição do Kuito.
O edifício reparado, volta a desempenhar o seu antigo papel de ex-líbris da cidade. Apesar da beleza que confere hoje à cidade, Marques Bango avança que outros trabalhos terão de ser feitos no seu interior, devido a ruptura dos esgotos.
Ainda no que toca à construção e reconstrução dos edifícios, Marques Bango avança outras novas frentes.
“As instalações que acolheram a Segurança do Estado serão completamente demolidas e construído um novo”, disse acrescentando que contactos estão em curso com os ocupantes dos escombros, de modo a abandonarem o recinto e permitir o inicio dos trabalhos. Para se garantir a eficácia e a segurança das obras em curso, uma comissão técnica foi criada pelo governador, Amaro Taty, cujo fim é vistoriar os edifícios e analisar os projectos técnicos antes da emissão das licenças de construção/reconstrução de mais de uma dezena de edifícios.
Para as famílias com escassos recursos, o governo, através do PEMRK, distribuiu mais de cem kits de construção contendo dentre outros meios, cimento, tintas, chapas de losalite, portas e janelas, mosaico e loiça sanitária, num valor calculado em kz 250 mil por kit.
Noutra vertente, segundo ainda o director das obras públicas do Bié, empreiteiros chineses vão construir cerca de duas mil e quinhentas residências de alta, média e baixa renda nos arredores do Chissindo, sendo que os trabalhos geológicos já foram efectuados.
AS ESTRADAS
A reparação das vias secundárias e terciárias da província do Bié é outra das apostas do Executivo de José Amaro Taty, devendo acontecer entre os meses de Maio e Agosto, segundo Marques Bango. “O Governo conseguiu equipamentos de terraplanagem e começar-se-á pela periferia do Kuito, estendendo-se os trabalhos às outras municipalidades, bem como a ligação entre as sedes municipais, comunais e aldeias”, explicou.
Também para breve está a reparação das estradas Kuito/Chinguar e Kuito/Menongue, ambas já consignadas e com conclusão prevista para o final deste ano. As rodovias Kuito/Kamacupa, Kuito/Kuemba, Kuito/Andulo e Andulo/Nharea aguardam pela consignação do Ministério das Obras Públicas.
O AEROPORTO JOAQUIM KAPANGO:
Encerrado há mais de 2 anos para obras de restauro a pista do aeroporto Joaquim Kapango tem já 1700m reparados, sendo o mês de Junho o apontado para a entrega da obra e consequente reabertura ao tráfego aéreo. Atrasada está a vedação do recinto aeroportuário, facto que leva Marques Bango a não arriscar a data da conclusão desta sub-empreitada. Quatorze milhões de dólares americanos é quanto custa a reparação do aeroporto que uma vez concluído servirá de alternativa ao Internacional 4 de Fevereiro, já que o aeroporto Albano Machado, do Huambo, entrará imediatamente em obras.
JOGOS ESCOLARES
A realização em Maio próximo na cidade do Kuito dos campeonatos nacionais escolares está a movimentar a cidade onde 15 espaços desportivos ganham novos rostos, com trabalhos de reparação e até mesmo a construção de novos recintos de jogos.
A iluminação pública em toda a zona urbana é já um facto e começa a ser extensiva aos bairros periféricos como o Kantiflas, Kamburukutu, Fátima, Santo António, Popular e Piloto. A falta de água canalizada nos bairros da cidade é compensada com a construção de fontanários e poços artezianos que aos poucos substituem as famosas cacimbas.
KUPAPATAS
Enquanto os transportes públicos não chegam à cidade do Kuito/Bié os taxis e as motorizadas, também conhecidas por Kupapatas, têm sido a solução para pequenas e médias deslocações dentro e fora do Kuito. Os preços variam em função da distância e da hora. Distâncias mais longas e à noite, por exemplo, cobram-se mais caro, sendo o valor mínimo o de Kz 50.
A diferença entre apanhar um kupapata e um taxi é que os primeiros levam até à porta de casa, ao passo que os segundos limitam-se a ligar os mercados municipal (na cidade) e o do Chissindo (à entrada da cidade, estrada do Huambo) ao preço de Kz 50.
ESTÓRIAS DE SUCESSO
A agricultura é dos pontos fortes da região central de Angola. A bata rena, o milho, o amendoim (ginguba), o feijão, citrinos, horto-frutícolas, entre outros produtos despontam nos campos sendo o Bié um dos principais fornecedores das cidades litorais. Entre os que apostaram na agricultura está Sabino Salongue, 67 anos, natural de Ekovongo e reside na cidade do Kuito desde a sua adolescência. Enfermeiro reformado, Ti- Salongue, como é carinhosamente tratado pelos mais novos da cidade, já dirigiu os hospitais provincial do Bié e municipal do Kuito.O sexagenário diz nunca ter saído do Kuito, mesmo nos tempos mais críticos das confrontações militares.
“Sempre vivi aqui, depois de curtas passagens por Malanje e Luena”, gaba-se ao mesmo tempo que aplaude os avanços que se notam na cidade e na província.
“Dedico-me agora à agricultura e este ano pode ser de boa colheita de milho”, respondeu quando interrogado sobre como passa a sua reforma.
Ti-Salongue conseguiu um tractor agrícola e é com os proventos do campo que custeia os estudos universitários de três de seus filhos na capital do país.
“Se tudo correr bem no próximo ano recebo mais dois doutores e já poderei ir feliz”, ironizou.
Tal como Sabino Salongue, Argentina Ernesto é outra reformada que aos 58 anos faz do campo a sua nova ocupação. Dona Argentina junta o valor da reforma da Função Pública e os proventos do campo para cuidar dos netos, enquanto as filhas se formam em Luanda.

“Se eu parei de estudar porque não houve possibilidades, penso que estando na reforma e com as filhas a estudar também é uma vantagem”, disse.
Dona Argentina diz que hoje é muito mais fácil cuidar dos netos do que ontem, enquanto trabalhava, facto que diz proporcionar-lhe muita alegria.
Luciano Canhanga

5 comentários:

MESUMAJIKUKA disse...

Texto publicado no Semanário Cruzeiro do Sul, edição n. 128 de 23 de Abril a 03 de Maio de 2008.

Kabiá-Kabiaka disse...

Amigo,
És um privilegiado porque podes acompanhar in loco a recuperação física, social, política e anímica da nossa terra... Aconselhava o sociólogo Gilberto Freyre que "ninguém deve viver longe do lugar onde nasceu ou se criou"... Eu tive que escolher um que se assemelhasse, mas como toda a imitação tem as suas limitações aproveito a publicar umas mukandas sobre as boas viv~encias do passado. Por isso, persevera em dar-nos notícias actualizadas, principalmente sobre o bom que aí se vive!
Abraço.

Gociante Patissa disse...

Mano, desculpa reagir assim tão tarde. Sou ainda dos q não compraram um portátil, o que me leva a gerir o blog através de cybercafés. Gostei da iniciativa de divulgar o Blog a contactar o jornalista Ismael Mateus. Oxalá ache algum interesse no trabaho do Angodebates e mil abraços.

Anónimo disse...

olá! xpero k xtejas bem de saude, kero lhe confeçar k chorei assim k lí o artigo k xkreveste sobre duas pessoas k eu tanto amo (SABINO SALONGUE E ARGENTINA ERNESTO)... sao poukas as x k me senti tao emocionado pela positiva e essa é uma delas. abraços
K.S.

Anónimo disse...

Olá sou Bieno, estou a estudar em Portugal.
É muito gratificante saber que a nossa linda cidade do Kuitos está a desenvolver,agora é a nossa vez, a nossa cidade depende de nós por isso dá que há dois anos estarei aí(Kuito cidade de vida) Gostaria de ter mais notícias sobre o Bié nomeadamente o Kuito. Obrigado pelo teu Blogg