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domingo, abril 20, 2008

VER, OUVIR E DIZER COM RAZÃO


(Crónica de viagem)

Razão é o exercício da racionalidade, usando aquilo a que Aristóteles definiu como verdade. Dizer que é o que é, e que não é aquilo que não é.

Debico essas ideias a propósito do que vejo ao longo das minhas idas ao interior do país (sempre que me refiro ao interior é partido de Luanda) e sobre o que leio e oiço na comunicação social. O tema é: Reconstrução e Construção Nacional.

Surgem constantemente críticas segundo as quais o actual “governo é inoperante”. Outros dizem que quando forem eleitos farão o que o actual governo não faz. Nessa ordem de ideias colocam-se como desafios a construção e reconstrução de estradas e pontes, infraestruturas sociais básicas (escolas, hospitais, água e luz), habitação social entre outras tarefas de que o povo carece.

Uns apregoam a “inoperactividade” do actual governo por meros caprichos eleitoralistas. É o papel da oposição criticar. Mas se o fizer com razão será muito melhor. Outros porque desconhecem o que se faz. E porque até nunca conheceram o marasmo em que a guerra mergulhou o país.

Que não se tem ainda o país ideal, isso julgo ser verdade. Que o actual governo está a fazer muita coisa, isto julgo também ser verdade. Que o povo ainda não está satisfeito, isso também é verdade. E por que razão julgo serem estas verdades, segundo a definição aristotélica?

_ Houve um tempo em que o governo controlava apenas 30% do território nacional. A grande arma usada pela guerrilha para impossibilitar a acção e extensão do governo era a destruição de pontes, minagem de estradas e ataques até onde não havia presença de forças militares. Enquanto vivi na Munenga e em Calulo assisti a várias acções dessa natureza. Hoje, a acção governativa é um facto em todo o país e, com ou sem estradas desejáveis, os angolanos já se fazem transportar em carros de lés a lés, ou seja: de Cabinda ao Cunene e do Lobito ao Luau.

Outra verdade é que as coisas estão a ser mal feitas. A estrada que mais conheço é a EN120 que liga Luanda ao Huambo, atravessando as províncias do Bengo, Kuanza-Norte e Kuanza-Sul. Muitos trechos reabilitados ainda não foram inaugurados e já apresentam novos buracos. O asfalto e os lancís são colocados de forma tão superficial que à primeira chuva eles se descolam. Isso para não falar de outros aspectos técnicos. Disse-o, e muito bem, num artigo assinado no Novo Jornal, o deputado Jaques Arlindo dos Santos que “o asfalto colocado na EN120 muito se parece a uma lona que se descola à chegada da chuva". Vamos apontar esses erros. Chamar e apelar aos órgãos fiscalizadores para tomarem medidas pertinentes. Chamar os empreiteiros à razão, pois não basta fazer, mas sim fazer bem. Não podemos pagar duas vezes por uma mesma obra.

O povo agradece pelos trabalhos feitos e que facilitam as suas vidas, mas o povo também vê que se não houver maior sentido de Estado por parte dos fiscais das obras, se os culpados pela descartabilidade das obras não forem responsabilizados, podemos em curto espaço de tempo voltar à estaca zero. Daí que o apelo é para que se façam bem as coisas e que se critique com razão!

Luciano Canhanga

5 comentários:

Gociante Patissa disse...

Nada é mais justo e belo do que criticar com sntido de justiça. Qlqer cidadão em sã consciência não pod ignorar o q se está a fazr na perspectiva do desnvlvimnto mormnte das infra-struturas. Agora, também é extra-terrestre aquele q defende q o governo de Angola está isento de criticas. Estive muito recentment durant as férias a fazer um biscato c/ tradutor/interprete p/ um consultor brtânico. E foi de atingir "orgasmo espiritual" o troço Benguela_luanda sem saltos. Fez-me lmbrar o percurso Ondangua-Winhoek na Namíbia. Só que com uma determinante diferença: a sensação de perigo eminEnte no periodo nocturno dada a flta d sinalização. Quanto as tuas idas ao interior, uma tarefa: INTERPRET A MÁXIMA UMBUNDU "OSANDA ONDAMBI KAKAVI"

ANNA MATHAYA disse...

Muita coisa vem sendo feita, eu que o diga nas idas ao Uíge, ou na recente ao Dondo, Gabela e Waku-Kungo, é emocionante!! Mas é preciso fiscalizar, as obras precisam ser para a posteridade. Depois do advento da paz, surpreendi-me com o que ainda restava de asfalto consistente na via que liga Bengo ao Uíge, e ouvi de meu velho Pai que aquela estrad fora feita nos anos cinquenta! Então nossa "Reconstrução Nacional" não pode ser de curta duração, afinal, em tese, os materiais são melhores hj que nos 50!!
Jinhos e thanks pela paragem no Dont Give UP!

sandritta disse...

alô!
Obrigada pela visita a meu blog. O seu é muito nice. Parabens! Adorei as cronicas dos viagems.

besÖs
Sandra

MESUMAJIKUKA disse...

Matéria publicada no semanário Cruzeiro do Sul, edição n. 128 de 26 de Abril a 03 de Maio de 2008.

Kabiá-Kabiaka disse...

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce", assim, escreveu Fernando Pessoa... Então, não podemos deixar de sonhar e construir um futuro melhor para todos os angolanos.
Obrigado, pela visita ao "Mukandas do Kabiaka".