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quarta-feira, abril 23, 2008

MPLA NO BIÉ: “MUDAREMOS A HISTÓRIA DE 1992"

Afirma Joaquim Uanga, o Primeiro-Secretário provincial

Trabalho é a palavra de ordem do partido dos camaradas no Bié que, depois da amarga surpresa imposta pela UNITA em 1992, pretende redimir-se da derrota de 5-0 sofrida naquela província central do país.

Joaquim Uanga não esconde que a luta pelo voto será renhida entre as principais forças em jogo. O primeiro-secretário do MPLA não menospreza, por isso, nenhum dos adversários e diz que só com muito trabalho a safra cairá certinha para o seu “cesto”.

Pergunta (P): Estamos a cinco meses das eleições, qual é o estado de preparação do vosso partido para a corrida?

Joaquim Uanga (J.U.): O nosso partido está a gozar de uma boa saúde e preparado para todos os desafios que surgirem. Por isso correspondemos ao programa nacional de contacto entre os dirigentes e a base, no dia 05/04, isto para incrementar do trabalho que temos vindo a fazer, há muito tempo. Nesta base informamo-nos sobre quem são e onde estão os nossos militantes e simpatizantes, tomamos nota das preocupações das populações, informamo-las sobre os esforços do governo e as perspectivas do país com um novo governo do MPLA.

P: Está a dizer que o contacto porta-a-porta já começou?

J.U.: Esse trabalho já, há muito, tem sido feito. Aqui no Bié evitamos trabalhar com estimativas e desde o fim da guerra que temos vindo a desenvolver campanhas porta-a-porta com o fito de obtermos dados reais sobre com quem contarmos em Setembro.

P: E com que números conta o MPLA no Bié nesta altura?

J.U.: Os dados são positivos e satisfazem a direcção do partido. De momento não os vamos revelar, mas podemos dizer que os resultados de Setembro serão diferentes dos obtidos em 1992.

P: Grosso modo, quem melhor recebe a vossa mensagem?

J.U.: Nós estamos com 60% de mulheres e a juventude. As primeiras sofreram na pele e os jovens assistem as mudanças positivas que o governo do MPLA efectua na província e que podem ser ampliadas continuando no poder.

P: Olhando para os números de 1992, qual é a principal meta do MPLA?

J.U.: Para responder à sua pergunta devo dizer que nós estamos a fazer o nosso serviço sob a palavra de ordem “MPLA trabalhar para vencer”. É este o objectivo do partido.

P: A vitória incluirá inverter os 5-0?

J.U: Não gostaria de criar falsas expectativas. Tudo fazemos para que o voto seja livre e respeitamos todos os que participarão da corrida. A única coisa que lhe posso dizer é que nós pretendemos cumprir com os nossos objectivos e, para tal, vamos continuar a convencer o eleitorado sobre as vantagens do nosso programa de governo, esforços que nos levarão à vitória no Bié e em todo o pais. De momento preferimos falar sobre o trabalho que nos levará a colher bons números em Setembro.

P: Há ainda hoje no Bié espaços cativos do MPLA e da UNITA?

J.U.: Vou falar apenas de nós que estamos em todos os nove municípios, nas trinta comunas e em todas as aldeias e embalas onde a única coisa que muda são os números, devido à densidade populacional de cada aglomerado. Em termos de força e presença estamos em todo o território bieno.

P: Enquanto primeiro-secretário do MPLA na província, qual é o adversário que mais o preocupa?

J.U.: (Risos) Penso que não devo eleger nem o adversário mais forte nem o mais fraco. Todos são adversários e porque as eleições, às vezes, trazem alguma surpresas o respeito é para todos.

P: Os políticos da oposição queixam-se frequentemente da intolerância política por parte dos militantes do MPLA. Verdade ou mentira?

J.U.: Ouvimos com frequência, mas temos vindo a refutar esses vocábulos, porquanto nunca foi nosso apanágio incitar ninguém para essas acções. O que se passa, na verdade, tem sido a rejeição, na base, de determinadas mensagens e políticos que deixaram de cativar as populações. Nós ganhámos o nosso espaço, fruto das nossas obras e os que se queixam são aqueles que perderam espaços ou que não conseguem tirar sequer “migalhas do nosso bolo”.

P: Está a dizer que o MPLA domina agora as antigas praças-fortes da UNITA?

J.U.: Não é por aí. Nós não falamos em praças-fortes nem a sul nem a norte. O que posso avançar é que o MPLA no Bié está agora em toda a parte e instalado com muita aceitação. A tal dita intolerância não é mais do que a rejeição das populações que já tiveram sob o seu controlo no passado. Digo mesmo que não seria justo que o MPLA que abriu o país ao multipartidarismo estivesse agora a impedir a acção política da oposição.

P: Mas numa corrida eleitoral as regras são pouco claras…

J.U.: Sempre fazemos o jogo limpo.

P: Estamos em contagem regressiva e a educação cívica é importante...

J.U.: Essa questão sempre constou do nosso programa. O conhecimento dos nossos símbolos, por parte dos eleitores, e a sua mobilização para o voto é pão de cada dia.

P: Queixa-se também a oposição que o MPLA bloqueia as actividades de outras forças políticas realizando actos paralelos…

J.U.: Que eu domine essa informação não. Todos os partidos são livres de realizar as suas actividades, desde que não estejam fora da lei. O que não se deve reclamar é a concorrência que depende apenas da capacidade de mobilização. Nós nunca reclamamos sempre que outros se anteciparam às nossas actividades. É preciso que esclareçam o quê que os amedronta.

P: Discursos com vivas e abaixos são ou não perigosos à coabitação pacífica?

J.U.: Enquanto dirigentes actualizados, sempre jogamos com os contextos. Usávamos estas expressões para combater a guerra. Conseguida a paz não vemos mais razões para tal. Só as pessoas desactualizadas é que continuam a dizer abaixo ao nosso presidente, entre outras asneiras. Estas pessoas que ainda agem como se estivessem na década de 80 devem é ser perdoadas para se evitarem mais confusões.

P: Olhando para a cidade do Kuito e para a província no geral, há reconstrução, mas também há atrasos nas estradas, o comboio não apita e os aviões não pousam no Kuito. Isso preocupa ou não o partido que governa?

J.U.: Temos consciência de que não é possível a reconstrução, em seis anos, daquilo que foi destruído em mais de trinta anos de conflito e ainda fazer quilo que se devia ter feito e não se fez.

O nosso governo está com duas empreitadas: fazer e refazer. Nós estamos a acompanhar e a tranquilizar os bienos que as estradas terão novos tapetes, que a energia chegará à casa de todos, que as escolas e a saúde atingirão todas as aldeias e de igual forma a água. Quanto ao aeroporto, temos a garantia de que será reaberto em Junho, estando nesta altura concluídos mais de 50% da empreitada. Estou também certo de que as pessoas vão compreender que valeu apenas esperar pelo tempo que duram as obras, já que é um trabalho de profundidade. O Comboio também voltará a apitar.

Luciano Canhanga

4 comentários:

MESUMAJIKUKA disse...

Entrevista publicada no semanário angolano Cruzeiro do Sul na sua edição de 19 a 25 de Abril de 2008.

Anónimo disse...

Quatro dias depois das eleições tudo aponta que o marcador foi invertido. O MPLA vence com 4-1, desfavoráveis à UNITA.

Anónimo disse...

MPLA DE CONACRY E A SUA POSTERIDADE

O MÉRITO DOS FUNDADORES DO MPLA DE CONACRY SOBRE A FUNDAÇÃO DO MPLA E SUA
SILGA E RESPECTIVAMENTE A FUNDAÇÃO DA OMA TAMBÉM EM CONACRY E TODO SEU
DESENVOLVIMENTO E IMAGEM QUE PROJECTARAM A LUTA DE LIBERTAÇÃO DOS TERRITÓRIOS
COMO ANGOLA, SÃOTOMÉ E PRÍNCIPE, GUINÉE E CABO VERDE.
QUANDO A SIGLA MPLA CONTINUA A VIGORAR INSTITUCIONALMENTE, É PORQUE ELA AINDA POSSUI UM POTENCIAL.
PARA QUE A EXCELÊNCIA SE CONSOLIDE É NECESSÁRIO QUE ESTA CONSTRUÇÃO NÃO PARE DENTRO DE UM IMAGINÁRIO INFINDÁVEL.
A MARCA MPLA ACTUALMENTE A NÍVEL PLANETÁRIO POSSUE UMA REPRESENTATIVIDADE,
IDENTIDADE QUE EMERGE DE UMA DINÂMICA GLOBAL CUJOS RECEPTORES CONTINUAM A
SER EXTREMAMENTE IMPORTANTES NESTA CONSTRUÇÃO.
O MPLA COMO MARCA MUITO REAL OFERECE BENEFÍCIOS DIFERENCIADOS EM TODAS OS
MOMENTOS DOS DESAFIOS TANTO INTERNO COMO EXTERNO E SE PROJECTARÁ COM UMA
VISÃO DE FUTURO LONGINQUO, CONTEMPORÂNEO SE ESSA CONSTRUÇÃO CONTINUAR A SER BEM ESTIMULADA.
A PARTIR DE QUE FACTORES O MPLA PODERÁ RECORRER PARA MANTER UMA POSTURA DE LIDERANÇA INSTITUCIONAL?
SERÁ QUE OS FACTORES ECONÓMICOS E, POLÍTICOS E SOCIAIS ESTARÃO A SER OPTIMIZADOS
NESTA ERA PLENA DE OPORTUNIDADES E ARMADILHAS?
SERÁ QUE O MPLA POSSUE UMA SENCIBILIDADE TANTO TÁCTICA COMO ESTRATÉGICA
BASEADOS NA DIFERENCIAÇÃO E SUPORTADOS PELO EFEITO DA COMUNICAÇÃO?
MANTER-SE NUMA LIDERANÇA EXIGE UMA DIMENSÃO PSICOLÓGICA, ANTROPOLÓGICA E
SOCIAL PARA SE AFIRMAR COMO INSTITUIÇÃO.
AFINAL QUEM SÃO OS VERDADEIROS COLABORADORES INSTITUCIONAIS?
TODAS VIVÊNCIAS E EMOÇÕES ESTABELECEM MARCAS DIFERENCIAIS.
COMO O MPLA FARÁ PARA SE TORNAR ADAPTATIVO E MODERNO PARA EVITAR O ENVELHECIMENTO E IMPLUSÃO SEM CONTUDO FUGIR A SUA ESSÊNCIA?
QUAIS AS VANTAGENS COMPETITIVAS DO MPLA COMO MARCA?
SERÁ QUE O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA MARCA MPLA CONTINUA A VERIFICAR-SE PARA
ALEM DA SUA CONSTRUÇÃO INICIAL PELOS SEIS FUNDADORES DO MPLA DE CONACRY EM 1960?
O VALOR DA MARCA MPLA E SUA IMAGEM AINDA SERÃO RECONHECIDOS COMO OPÇÃO POLÍTICA BEM GENERALIZADOS E DIFERENCIADOS?
AS ATITUDES CRIADAS PELOS FACTORES GERAM SENTIMENTOS DE PREFERÊNCIA E DE LEALDADE E FIDELIDADE DETERMINANDO O VALOR DO CAPITAL DA MARCA.

COMO VALORES INSTITUCIONAIS QUAIS SERÃO OS BENEFÍCIOS, MAISVALIAS E CULTURAS DE EMANCIPAÇÃO E PROGRESSO SOCIAL?
PARA ISSO SERÁ NECESSÁRIO ESTABELECER UM RELACIONAMENTO FORTE QUE VINCULE
TODA INSTITUIÇÃO TOCANDO NO CORAÇÃO ALERTANDO OS SENTIDOS E ESTIMULANDO A MENTE.
DESTRUIR O MPLA SERIA DESTRUIR O MPLA DE CONACRYDOS FUNDADORES DE 1960 QUE
FORAM OS ARTÍFICES, SEIS FUNDADORES DO MPLA, A SUA DIMENSÃO SIMBÓLICA, SEU
PATRIMÓNIO HISTÓRICO E SUA EXPERIÊNCIA COMO CO-CRIADORA DE VALOR NA SUA ENVOLVENTE CHEIO DE VIVÊNCIAS.
O MPLA TEM QUE EVITAR QUE LHE COLOQUEM NUMA SITUAÇÃO DE INDIFERENÇA E DE
MERECER SOMENTE O LUGAR GRATIFICANTE DE PARTIDO HISTÓRICO FACE AO PASSADO E
SER DESAFIADORA DO FUTURO GLOBALIZADO.
QUAL A MISSÃO DO MPLA SENÃO PRODUZIR BEM ESTAR E QUALIDADE DE VIDA
PROMOVENDO A DINÂMICA SOCIAL.

COM AS SUAS VANTAGENS, EXPERIÊNCIAS, SÓLIDA HISTÓRIA POLÍTICA E SUA GÉNESE QUE
COMEÇA EM CONACRY NOS ANOS 60 PELOS SEIS FUNDADORES COM A SUA NOTÁVEL
CAPACIDADE DE CRIATIVIDADE E EMPENHO.

UMA DAS GRANDES VIRTUDES SERÁ DE RECONFIGURAR O MONOPÓLIO DA INFORMAÇÃO E
DO EXPOLIO HISTÓRICO E PRESERVAR SUA NOTORIEDADE.
REVALORIZAR A MARCA MPLA NA MENTE DAS PESSOAS SERÁ UMA CONSTANTE E
CORRESPONDERÁ A UMA FORMA CÍVICA DE BEM -ESTAR.
AFINAL O QUE MOVE O MPLA?
A SUA DISSIDÊNCIA DEVERÁ SUBSTITUIR-SE A SUA INTEGRAÇÃO PLENA E MADURA A
SEMELHANÇA DA INTEGRAÇÃO PATRIÓTICA DOS DESCENDENTES DOS LÍDERES COMO
MOBUTO, GIZENGA, LUMUMBA.

ESCRITO POR:
AYRES GUERRA AZANCOT DE MENEZES
LISBOA 16-09-2009

Anónimo disse...

O MPLA COMO MARCA


O MPLA como Marca representa um poder permanente em função de mais do que a sua história e multiplicidade de histórias e perpetuações das suas tradições.
Um dos factores qualitativos de recriação da sua força consiste na lealdade da corrente regeneradora dos seus aliados.
Os seus atributos, qualidade e expectativas criadas e uma amálgama de resultados e sua funcionalidade reforçam uma narrativa que impulsiona a sua existência.
Não há dúvida de que as crenças sagradas, criações, metas e seu prestígio, sua visão e missão, capacidade de inovação reforçam o seu posicionamento.
A sua suposta notoriedade e fidelização em constante construção criando boas ligações emocionais melhorarão consideravelmente essa marca.
Sendo assim será que a marca MPLA é um sistema propulsor e fonte de criação de valor?
Será que a notoriedade do MPLA continua a ser evocada de forma espontânea?
Para que a marca MPLA se perpetue será necessário que as atitudes das pessoas correspondam a avaliações globais favoráveis.
Não há dúvida que a força da marca MPLA quase se confundirá a um culto descentralizado e de interacções e laços fortes e experiências partilhadas que criam várias identidades verbais e simbólicas.
Para falar da antiguidade da Marca MPLA teremos que falar forçosamente do seu núcleo fundador de Conacry dos anos 60.
A marca MPLA se perpetua pelo seu prestígio devido as associações intangíveis, pelo seu simbolismo popularizado incontornável e grandes compromissos com o passado.
O MPLA como marca, alem de possuir narrativas de sobrevivência, inclui testemunhos que dão a história, significados mais profundos e grande carácter de emocionalidade.
A história do nacionalismo e luta de libertação pelos actores de renome a partir da fundação do MPLA em Conacry pelos seis fundadores bem personalizados, como Viriato da Cruz, Mário Pinto de Andrade, Hugo José Azancot de Menezes, Lúcio Lara, Eduardo Macedo dos Santos e Matias Migueis perpetuarão essa marca de forma reflectida.
Poderemos então afirmar que os fundadores de Conacry foram os agentes prioritários e fundamentais da verdadeira autenticidade da marca MPLA.
A dinâmica da história e a construção de identidades pressupõem estados liminares, pelo afastamento constante de identidades anteriores.
Desenvolver a cultura da marca MPLA exigirá um constante planeamento e estratégias que permitirão reunir e sentir esta marca global.
Para terminar apelaria que nas verdadeiras reflexões que a lenda da marca não obscurecesse a lenda dos fundadores verdadeiros artífices.
Escrito Por:
AYRES GUERRA AZANCOT DE MENEZES