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quinta-feira, dezembro 02, 2010

UMA NOVA SEDE ADMINISTRATIVA PARA MURIEGE

Esta é a nova instalação da administração comunal de "Yenue nuri eje" (vocês são gatunos), expressão mal entendida pelos primeiros tugas que por aí "aportaram" tendo baptizado a circunscrição com a denominação de Muriege.

A administração comunal não só se instalou em "nova casa" como também recebeu um novo imobiliário.

Para trás ficam os dias em que o administrador e a sua equipa tiveram de prestar serviço público em condições de acomodação menos dignas.

O ministro da defesa, Cândido Van-Dúnem, acompanhado do seu homólogo da agricultura e governantes da Lunda Sul e Moxico.

Muriege é comuna do municipio de Muconda, província da Lunda Sul.
Reportagem: 09.11.2010

terça-feira, novembro 30, 2010

ALÔ PAPÁ, HÁ CHUVA EM LUANDA!

- Papá, a caminho da escola molhei-me. Sorte é que estava prevenido com outra roupa.
A mensagem enviada por sms carregava alguma preocupação do pai distante no nordeste.

- Filho, coragem - disse-lhe a amansar a dor- o papá também andava à pé do rangel ao IMEL e muitas vezes à chuva. - Concluiu encorajando o rapaz.

- Ok papá. - voltou a teclar o rapaz, treze anos às costas e frequentando a oitava classe.
- Filho, tenho orgulho de ti. Estás no bom caminho e precisas te fazer um homem.
- Ok papoite. Olha papá, dia 30 de Novembro há uma festa. Para entrar serão necessários Kz 700.
O pai liga preocupado com a chuva e a festa. Tudo a fazer-lhe confusão na cabeça. 
- Alô Mociano!
- Sim papá.
- Quem organiza a festa?
- São os meus colegas e amigos do bairro.
- Mas que tipo de festa é essa?- Perguntou algo aborrecido pelas respostas secas que ouvia.
- Não papá. Não é REIV.
O pai acalma-se um pouco, suspira, sorve ar puro, mas não fica por ai.
- Qual é a idade?
- De 14 anos para baixo, papá.
- Mas tu ainda só tens 13...
- Oh papá, falta pouco para 2011...

Seguiu-se um silêncio e o pim-pim-pim. As operadoras de telefonia móvel estavam sem cobertura de rede.

A curta conversa e as sm's anunciando a chuva, que por quase inundou a capital angolana a 17 de Novembro, tinham sido registadas às 11h41minutos. Daí em diante nada mais houve de comunicação entre pai e filho. Na memória do pai surgiam agora as más recordações de casas sem tectos, ruas completamente inundadas e um trânsito automóvel insuportável. Pior ainda porque o colégio ficava longe de casa e não se sabia se o menor teria formas de sair da escola para casa.

Em viagem para Luanda, o pai aeroportou pelas 17 horas transportado numa aeronave da Palanca. Os 15 quilómetros de carro foram realizados em 5 horas até Viana. Num percurso de pára-anda-pára e sem contacto com o filho que ao proteger-se da chuva desprotegeu o telefone que encharcou.

Apenas no dia seguinte trocaram novidades.

domingo, novembro 28, 2010

PONTE SOBRE CASSAI: FRONTEIRA ENTRE ANGOLA E RDC

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Na imagem a ponte ferroviária sobre o afluente do Cassai que permite o cruzamento da fronteira entre Angola e o Congo Democrático aguarda pelo apito das composições do CFB.

A empreitada de reabilitação está em curso e o comboio já apita no Huambo. Até aqui (Luau) levará algum tempo mas, tarde ou cedo, cá estará para a alegria das populações da antiga vila Teixeira de Sousa.
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terça-feira, novembro 23, 2010

CRUZANDO A FRONTEIRA COM A RDC

Aqui, neste local em que foi feito o retrato, estava no lado do Congo Democrático, passando pelo posto fronteiriço do Luau.

A ponte sobre o afluente do Casai que serve de marco fronteiriço entre os dois países tem duas cores e é feita de materiais diferentes.

Na parte angolana foi pintada em vermelho e amarelo e é metálica até ao meio do rio. Na parte congolesa (a que a foto mostra) é de betão e pintada de cor azul.

Aqui, o movimento transfronteiriço é intenso, bastando um salvo-conduto (laissé passé) para as populações ribeirinhas. Dos dois lados compra-se e vende-se tudo o que no oposto não haja.

Ainda a fazer falta está a ligação ferroviária. Informações recolhidas no local apontam para um "dia sim e dia talvez" da parte do comboio congolês até à fronteira, enquanto que da nossa parte (Angola) os trabalhos de reabilitação da ferrovia iniciada no Lobito ainda não atingiram o seu epílogo.

No posto fronteiriço existem já infraestruturas novas como posto da polícia fronteiriça, centro médico, unidade da polícia fiscal e uma escola. O último troço da via (cerca de cinco quilómetros entre a vila do Luau e a fronteira, está em reparação e alargamento).

O comboio do Lobito também está a caminho...

quinta-feira, novembro 18, 2010

UM OUTRO ROSTO PARA CASSAI SUL

Cassai Sul é a sede da comuna com o mesmo nome, do Município de Muconda, Lunda Sul, na margem do rio Cassai fronteiriço com a província do Moxico, através do município do Luau.

Aqui, no tempo Tuga, "havia (segundo relatos de quem lá nasceu), um aeródromo militar e um grande quartel" que serviam para manter a fronteira e conter o avanço dos independentistas do MPLA também tratados pelos tugas por "turras".

A guerra e o isolamento levaram a localidade  ver quase tudo a desabar, embora persistam ainda alguns edifícios antigos como a escola, a igreja em reconstrução, o hospital local, o tanque de elevação de água, o ex-posto (onde os sobas levavam palmatoadas dos sipaios bufos), etc.

Foi bom ter viajado com um homem na casa dos quarenta e nasceu na localidade que no dia 09.11.2010 viu ser inaugurado um fontanário para minimizar a procura de água.

A poucos metros da saída para o Moxico, foi reerguida a grande travessia de betão sobre o Cassai, ligando Cassai Sul ao município do Luau.

Governantes do Poder Central,  províncias da Lunda Sul e Moxico, público local e convidados testemunharam estas realizações que conferem dignidade de vida a mais angolanos do interior.

Testada a Ponte, seguimos ao Luau, onde as velhas carruagens, gastas pelo tempo e danificação humana, guardam ainda lembranças do tempo que foi bom: a ligação ferroviária entre o Lobito e Luau, seguindo para o Ex-Congo Belga. 

sábado, novembro 13, 2010

O INTERIOR INVERTENDO A PARAGEM E DESTRUIÇÃO

SEDE COMUNAL DE MURIEGE, MUNICIPIO DE MUCONDA, LUNDA SUL.

Para os habitantes do pequeno vilarejo a água corrente já é realidade.

Em tempo foi um posto comercial e militar dos Tugas...

Hoje, na Angola Independente, é uma comuna que procura sair da letargia, deixando para trás os longos anos em que não houve investimentos públicos e privados acompanhado de um cerco cerrado nos anos de guerra.

quarta-feira, novembro 10, 2010

ANDANDO E CRESCENDO COM O LESTE DE ANGOLA

SAURIMO-MURIEGE-MUCONDA- CASSAI SUL- LUAU- RDC

A estrada reabilitada convida para o baixar do pedal do acelerador. Mais de 300 km de percurso.

Na comitiva seguem os ministros da defesa, agricultura, secretário de Estado das obras públicas, governadora da Lunda Sul, vice-governador do Moxico, outros intregrantes governamentais empresariais e eu.

A data é 09.11.2010.

Ao longo do troço, mais de dez pontes reabilitadas, com destaque para as de Tamba, Luachi, Luachimo, Mombo,  Tchiumbe, Lufige e Cassai.

domingo, novembro 07, 2010

COMO AJUIZAR SEM TER SIDO PRATICANTE?

Nesta semana que finda recebi, com agrado e preocupação, um convite da direcção provincial da cultura para presidir ao juri do concurso de danças tradicionais.

Agradado porque o convite surgiu como reconhecimento às minhas reflexões sobre a cultura local. Um dos textos que terá estado na origem do convite foi publicado na Revista Lusango editada pelo Governo da Lunda Sul.

Preocupado porque nunca fui bom dançarino (nem mesmo de kizomba) e nem sou natural do leste/nordeste de Angola, região em que trabalho há já cinco anos e com uma grande interação com as comunidades e sua cultura.

E tal como me mostrei inquieto, perguntando-me, sem negar ao convite, por que teria de ser logo eu a preisidir ao juri, muitos também se terão questionado: por que razão um mukuakuiza com tantos peritos que há por cá?

Após reflexão, achei por bem usar uma postura de liderança. Os líderes não têm de ser necessáriamente peritos em tudo. Têm é de estar bem ladeados e bem aconselhados. E foi o que fiz.

Documentei-me o suficiente sobre as indumentárias que acompanham as danças tradicionais locais (com realce para a Cianda, Cisela, Makopo, Kafundeji e Mukixi ), os instrumentos musicais (tipos de ngomas), os movimentos e sua descrição, sendo o resto ciência: entoação, harmonia, coreografia, enquadramento, movimentos, tempo de exibição, etc.

E foi uma bela experiência. Tudo o que o corpo de juri (seis integrantes) e a assistência poderam ver foi que nenhum dos grupos fugiu à modernidade, inovando aqui ou alí nalgum pequeno detalhe. Vimo-lo nas indumentárias, nas coreaografias, nas entoações musicais, etc.

Uns, os grupos dos municipios do interior (Dala e Muconda), conservando a ainda a matriz identitária das danças tradicionais e outros, os grupos do municipio sede (Saurimo), com uma grande propensão para a fusão de vários elementos culturais (empréstimos com outras danças contemporâneas), o que, na verdade, tornou difícial a missão de escolher quem representará a província no concurso nacional a acontecer no Huambo.

Um dos elementos a ter em conta é que sendo danças tradicionais a matriz deve ser no máximo protegida (mesmo sabendoo-se que nenhuma cultura é estanque e que os empréstimos são inevitáveis). A indumentária (incluindo as coberturas ou chapéus) deve ser rigorosa: Ou toda a tender para o modernismo ou toda ela confeccionada com materiais tradicionais o que lhe confere um aspecto mais rústico e indentitário com o passado; os toques devem ser originais…

A transmissão nas escolas deve obedecer ao tradicional para que não se mate o passado. Aprendido o original, deve partir-se para as inovações que se acharem pertinentes, já que a cultura é um bem comercial e turístico.

Assistido ao concurso em que despontaram grupos formados por pessoas adultas e experientes, e jovens e adolescentes com potencial, um dos questionamentos que me coloquei foi: Quem devia ir representar a Lunda Sul, visto que escolhendo “o aluno” poder-se-ia desencorajar “o professor”, sendo válido o posto?

A votação individual em todas as categorias, obedecendo-se ao estipulado no regulamento do concurso e ao principio de que “ganha quem mais pontos somar” resolveu a questão.

A título individual, e neste espaço sou porém a recomendar: O representante da província deve ser rigosoro na observância da indumentária (conforme acima exposto), no comando do grupo e acatamento das ordens dadas pelos executantes dos instrumentos, no cumprimento dos tempo para exibição, na execução ordenada dos passos (entrada e saída do palco) e noutros quesitos. Se assim for, o grupo escolhido pelo juri pode trazer uma medalha do Huambo.

segunda-feira, novembro 01, 2010

O MEU CAMPEÃO DO GIR'A BOLA 2010

Depois da vergonha do Angola-Argélia no CAN organizado por nós, até aqui somente comparado ao Portugal-Brasil (Mundial da África do sul), eis que fomos brindados com um anti-jogo que fabricou um campeão, perante a passividade do arbitro escalado para julgar a partida.

Inter e Santos F.C. um aflito para ser campeão e outro aflito para se manter na primeira divisão acabaram por protaginizar uma brincadeira de péssimo gosto para quem gosta de futebil jogado com entrega.

Com o Recreativo da Caála (Huambo) a vencer em Luanda o Petro Atlético por um/zero, o Inter começou a perder, ao intervalo, vendo a taça quase na montra dos caalenses. No segundoi tempo os políccias tiveram de se aplicar para alcançarem o empate que os colocaria em igualdade pontual com a equipa planáltica, entretanto em vantagem, dado o saldo de golos que possuiam os polícias.

Por seu turno, o Santos que apenas precisava de um empate, apercebendo-se da derrota em cabinda de outro afoito, O Desportivo da Huila (que precisava de empatar para se manter na primeira divisão) abrandou a marcha, tal qual o inter. Um jogo de amigos que se arrastou por uns trinta minutos, sem que alguém ousasse transpor o meio campo contrário foi o que nos brindaram os "campeões" do anti-jogo.
  
Por tudo quanto fez, derrotando na penúltima jornada o até então também candidato ao ceptro, Recreativo do Libolo, e vencendo em pleno estádio 11 de Novembro, em Luanda, o então campeão em título, Petro de Luanda, o Recreativo da Caála merecia mais do que um segundo lugar em ex aequo pontual com o Inter. É por isso o meu campeão.

sexta-feira, outubro 29, 2010

FATO E GRAVATA É INTELECTUALIDADE?

Começo a falar de mim. Sinto-me intelectual apenas uma vez por dia. Às primeiras horas da manhã, quando me sento no vaso sanitário. Aí sim. Navego no espaço, produzo ideias e, algumas são transmitidas aos mais diversos públicos. Boas ou más, submeto-as a julgamento neste espaço.
Frequentei universidades, mas isso não me dá ao direito de roubar um título que é de meritocracia.

Quanto aos outros:
Consultando o dicionário, define intelectual como sendo "aquele que  produz pensamento".
Noto muitos vestidos de fato e gravata fingindo que são gente pensante. Vejo também muitos, ainda sem o fato, debicando ideias de reter. Outros, formados em universidades de renome, gabando-se de tal facto, mas ficando pelo fato e gravata e pela universidade. Pensamento próprio nada!

E em que ficamos?

sexta-feira, outubro 22, 2010

RELOJOEIRO: UMA PROFISSÃO EM EXTINÇÃO?

Alguém viu por aí um relojoeiro de esquina?

Nos anos oitenta (séc. XX) quando comecei a me reconhecer como homem via na baixa e nos musseques de Luanda inúmeras casas com a inscrição "Relojoaria" ou "consertam-se relógios". Espreitando nelas encontrava homens aparentemente muito sérios e concentrados que usavam candeeiros auxiliares, chaves muito finas e bancadas com "buracos" onde se conservavam os pequeninos parafusos dos relógios mecânicos que consertavam.

Em finais da década de oitenta e princípios da de noventa popularizaram-se os relógios electrónicos e os relojoeiros foram tendo menos trabalho. Mesmo assim, havia ainda a coabitação dos velhos medidores de tempo, à corda, e os novos, movidos à pilha. Os relógios popularizaram-se tanto que a sua compra se tornou  acessível a qualquer bolso, chegando a perigar a vida dos que viviam do conserto dos aparelhos mecânicos.

Hoje, é raro, mesmo nas próvíncias do interior, encontrar uma bancada com um relojoeiro a consertar os "mede tempo". E nem mesmo por hobbie se exerce o ofício.

Será que inexistem pessoas com relógios muito queridos por revitalizar?
E onde andam os funileiros e outros que tanta saudade e falta fazem?

segunda-feira, outubro 18, 2010

KANDONGUEIROS SOBEM PREÇO DA CORRIDA EM LUANDA

O termo KANDONGUEIRO vem do kimbundu kandonga, o mesmo que especular. Estes fazedores do serviço de taxi colectivo vão, a partir desta manhã, subir o preço da corrida (viagem) para Akz 100,00 que equivalem a cerca de Usd 1,1, como reflexo da subida do gasóleo e da gasolina verificada há dois meses.
E se aparentemente nos tínhamos equivocado ao escrevermos que todos os demais preços de bens e serviços subiriam em cadeia, com a alteração do custo dos combustíveis, eis que, para a nossa tristeza, "a segunda pode ser de vez".

O Kandongueiro é o principal meio de transporte em Luanda e noutras cidades capitais de províncias, razão pela qual, a subida da corrida de Akz para Akz 100,00 influeirá directamente no custo de vida das populações que procurarão a compensação nos serviços que prestam e ou nos bens que produzem/vendem.

Para o bem dos que pouco ou nada têm para levar à boca, espero que a economia real não reaja conforme se prognostica.

quarta-feira, outubro 13, 2010

INÉDITA FÉNIX TRAZ MINEIROS À LUZ

Pela primeira vez um grupo de 33 mineiros "soterrados" há cerca de três meses são resgatados com vida dum "abismo" a 700 metros de profundidade.

Deus e a ciência contribuiram para tal proeza. A Cápsula Fénix, desenvolvida pela marinha chilena, circula num espaço de aproximadamente 50cm e leva apenas uma pessoa de cada vez. O processo está ainda em curso no memento em que escrevinho estas linhas.

Para nós, angolanos, que também não estamos isentos de catástrofes e calamidades, seria de todo desejável que parte das grandes verbas alocadas para a defesa e segurança fossem aplicadas em ciência e tecnologia, como aconteceu com o Chile que não recorreu nem à China, nem aos capitalistas do ocidente para trazer os seus "quase mortos" à luz.

Bem haja!

Nota: Por indicação do comentarista sou a reconsiderar o texto agora avermelhado.

domingo, outubro 03, 2010

O TOP, AS DUAS, A INJUSTA E O BOOM

"As duas" dos irmãos Almeida (música que retrata o amor doentio por duas mulheres) foi à fase final do "top dos mais queridos" 2010, mais por força do conjunto (disco) e da popularidade grangeada pelos manos do que pelo conteúdo da letra elevada ao concurso (análise minha).

É certo que uma das funções dos actores que exercem influências sobre a sociedade é observarem, descreverem e alertarem a sociadade. Daí que o problema evocado/levantado (cantado) pelos Almeida não deixa de ser pertinente. Aos actores, também sociais, cuja missão é moralizar a sociedade cabe fazer a interpretação correcta das mensagens e encaminhar "as ovelhas para o bom pasto". Até aqui o padre Apolónio esteve bem, na sua recente homilia na Igreja católica dos Remédios (Luanda). Porém, estendeu-se ao comprido ao ter sugerido que apenas "temos de cantar o que é belo" como se a letra sobre a poligamia e a poliandria que existem aos "olhos e gostos" até de padres fosse algo feio.

E o padre criticou também em hasta pública o " vai dar boom" (sexual) da Ary. Teria sido mais lógico se se tivesse referido à forma pouco sadia e ortodoxa como ela se veste e exibe, do que atacar a letra da música que descreve formas de viver activamente uma vida sexual a dois. "Na varanda, na cozinha, na sala ou no quarto" (desde que a dois e sem zongolas) não é, a meu ver, pecado algum.

Julgo que enquanto político (anthropos zoon politikon) Apolónio Graciano deve evitar juizos pouco abonatórios para si e para o património colectivo que é a igreja Católica.

Os músicos que cantem o que vêem e ouvem. Os clérigos que façam a interpretação correcta das mensagens lançadas pelos músicos e outros actores sociais, junto das comunidades que tutelam, para que todos moralizemos a sociedade angolana que anda doentia, conforme palavras do próprio padre por quem nutro respeito.

Quanto ao Top: ganhou quem já devia ter levado o "top" a muito tempo, por quilo que já fez na música: Yola Se(m)medo e a sua "injusta".

terça-feira, setembro 28, 2010

ESTÓRIAS CONTADAS

Tchibinda Ibinda, caçador estrangeiro do além Kassai, em perigrinação pelo oeste do seu homeland, conheceu e enamorou-se por uma bela princesa Lunda, Lueji-a-Nkonde de seu nome, cercada de amores e ódios de dois irmãos deserdados pelo pai, o soberano Nkonde daquelas terras de caçadores e comerciantes da África Central.

Impossibilitada pela tradição de usar o lukano, símbolo do poder real, nos dias do fluxo menstrual, Lueji deu-o à guarda do seu amante "mukuakuiza"* levantando a ira dos irmãos que se viram longe do trono, "oferecido" de mãos beijadas ao estranho caçador.
- Que ingenuidade desta miúda! - terão dito.
Desta contenda começou a expansão do império, com Tchinguri a rumar para a direcção do sol poente (oeste) e Tchinhama em direcção ao Sul (Moxico). 
Este trecho da tradição nordestina de Angola ensina-me a encarar o comportamento pouco amistoso do irmão Lunda em relação ao cunhado extra-territorial, acompanhado sempre de um olhar desconfiado e uma aceitação duvidosa, sobretudo se este não tiver dado ainda aos cunhados a riqueza que a tradição Lunda-Cokwe muito preza: Os sobrinhos.

É um ciúme secular e fundado na tradição destes povos que se esvazia em pessoas mais aculturadas, informadas (com maior intercâmbio inter-cultural) e ou de elevada instrução.

Por outrto lado, apesar de se reconhecer, por cá, que "enquanto mais mel fabricar uma abelha, mas ela se torna habilidosa", há um sentimento de que o estranho pode apossar-se do "mel" e deixar a colmeia às moscas. E não é tudo. Há também um outro sentimento, este mais racional e economicista, de que "se aqui o estranho faz dinheiro, aqui o deve gastar", ainda que em futilidades.

Tal como conclui José Redinha, na sua obra "Etnosossiologia do nordeste de Angola", apesar do desajustamento de determinadas atitudes comportamentais, "é contraindicado tentar modificar, em curto espaço de tempo, o que levou séculos a construir", daí que, se é extra-nordestino, conheça a idiossincrasia, adapte-se e viva em conformidade.

* O que vem; o mesmo que estrangeiro.

quarta-feira, setembro 22, 2010

CRISTÃOS AO ENCONTRO DO DINHEIRO E DO REBANHO

PONTO PRÉVIO
“A sociedade é mutável. A concorrência cria desenvolvimento e a carência desenvolve o engenho” (autores anónimos).

Por que haverá tamanha distância, em termos de adesão de novos prosélitos, entre as comunidades religiosas tradicionais e as ditas emergentes, se todos pregam a felicidade?

A Bíblia nos diz que a saúde e os bens materiais são os pilares indissociáveis da felicidade: a saúde é gozada enquanto viventes na terra e os bens materiais também.  

- Uns pregam a felicidade na terra, onde vivemos hoje, e onde temos carências materiais e espirituais: A mensagem que se tem passado é de que viver bem (de forma desafogada materialmente e cristã) tem de ser aqui (terra). Incute-se nos homens e nas mulheres a necessidade de servir a Deus com fé e obra material (Tg. 2:18) para que esta, a última, se multiplique e redunde em saúde e bem-estar material. E os homens e mulheres são apelados a trabalhar e a ofertar cada vez mais, buscando a sua própria realização (espiritual e material) e com as doações proporcionarem também o bem-estar material das suas confissões religiosas (templos bem acabados e ornamentados) e dos seus líderes religiosos (aparentemente ricos). Os adeptos da felicidade em vida presente e na terra apoiam-se de instrumentos modernos de persuasão (publicidade e marketing e às vezes até da propaganda) para chegarem aos grandes contribuintes e moldadores de consciências (figuras públicas e políticas) que por sequência lógica acabam arrastando os seus admiradores e dependentes. Há porém que ter em atenção a interferência que o dinheiro pode causar na vida do cristão como nos aconselha a bíblia em Marcos 10:23-27 e Eclesiastes 5:10-12.

- Outros pregam a felicidade celestial o que pressupõe que a verdadeira felicidade seria/será aquela a viver na vida ultra tumba. Para tal a mensagem tem sido a de viver uma vida imaterial na terra (Lc. 18:25) para gozar de uma vida celestial abundante junto de Cristo. Os homens e as mulheres são apelados a seguir a Cristo, com uma vida modesta, sem apego aos bens materiais, na terra, para usufruir de uma vida tranquila nos Céus. Note-se, porém, que quando o plantio (busca por bens materiais) é escasso, escassa será também a colheita (ofertas materiais para o trabalho da igreja). Daí que estas igrejas tradicionais vivem hoje uma carência financeira.
Recorrendo o texto bíblico encontramos várias referências sobre serventes de Deus que tiveram bens materiais com o rei David (Ecl. 12:13-14). É necessário que o cristão com posses tenha uma conduta responsável perante o seu Deus, conforme Hb.13:5 ou ainda I Tm. 6:8.
- E quem serão os que desfrutarão da vida junto de Cristo? - A bíblia fala-nos de um número limitado de homens e mulheres que tiverem uma vida digna de tal recompensa: 144 mil pessoas apenas que ajudarão o Rei na governação (Ap. 14:3).

- E o que será então da terra (Sl.115:16). O salmista diz-nos que “os céus são do senhor, mas a terra deu-a ele aos filhos dos homens”.

Com tudo isso, quanto acima se elucidou, basta escolher o nosso caminho e segui-lo firmes, sempre firmes, tendo em atenção que as sociedades moldam-se com o passar dos tempos. O cristão é um ser social, como os demais, e deve estar a par de todas as transformações, independentemente dos dogmas que defenda. Uma conduta demasiadamente ortodoxa pode levar o cristão a recuar no tempo. Não é lícito que fiquemos a lamentar a falta de membros nas nossas comunidades religiosas assistindo impávidos as outras que se tornam cada vez mais cheias. Não devemos lamentar a falta de obras nas nossas igrejas quando as outras estão cada vez mais ricas.

Devemos sim, encontra os caminhos expeditos para fazer uma concorrencia leal e sadia ao nosso "vizinho/irmão": evangelizar, pregar a santa palavra, trazendo novas ovelhas para o rebanho do Senhor (independentemente do que são e do que fazem) e moldá-las à vida cristã. Juntar e não discriminar.

Deus requer a nossa fé e as nossas obras e não a forma como nos apresentamos (se bem vestidos ou rotos, se bem-falantes ou mal-falantes de determinadas línguas, se ricos ou pobres, etc.). Todos somos poucos para a grande obra que a nós se impõe.

sexta-feira, setembro 17, 2010

DE OLHO AOS 88 DE NETO

NGUXI-DIÁ-MULAÚLA completaria hoje, caso estivesse vivinho, oitenta e oito anos. Mas assim não quis o destino e partiu, para nunca mais voltar, no já longínquo ano de 1979, sete dias antes do seu aniversário.

Entendeu o governo angolano homenagear o primeiro presidente do país com uma data de reflexão e festa que é Feriado Nacional, o 17 de Setembro - Dia do Heroi Nacional. Um pouco por todas as províncias houve actividades políticas, culturais e recreativas com inaugurações de infra-estruturas sociais não faltando as já costumeiras "maratonas" de comes e bebes à fartura. Sendo numa sexta-feira, dando lugar a um fim-de-semana prolongado, é de imaginar a quantidade de garrafas que as ruas terão de acolher até segunda-feira e a fraca produtividade dos "melhores frascos" de cada repartição.

Este ano, o acto central do 17 de Setembro foi na Lunda Sul. Cerimónia simples e bonita. Ao invés dos habituais comícios, onde as pessoas ouvem as mesmas coisas de sempre, entendeu o Governo fazer um acto semi-público, no cine Chicapa (Saurimo) que esteve lotado. Pitra Neto, falou aos presentes sobre a dimensão política e humana de Neto, recorrendo às profecias do Kilamba que, a par da poesia, se mantêm actuais para o desenvolvimento da Nação em construção. O Ministro recordou slogans como "Defesa, Produção e Estudo";  "Agricultura é a abse e a indústria o factor decisivo"; "Um só Povo e Uma só Nação" e a visão cultural do poeta guerrilheiro. Pena mesmo foi que a exiguidade do espaço do recinto não tenha permitido que mais munícipes de saurimo podessem assistir à disssertação inovadora sobre Agostinho Neto. Mas a rádio lá esteve e transmitiu em directo.  

Ontem (16.09.20100), aconteceu no mesmo local uma gala cultural, tendo se falado sobre a(s) passagem(s) de Neto por estas terras e as amizades que fez. Foram distribuídos certificados a motoristas (uns quatro ou cinco), cozinheiros (uns três ou quatro), membros da então comissão directiva do Partido, jornalitas que o "entrevistaram" na década de setenta (Sec. XX) e outros camaradas. Foi bom ter em palco músicos da praça de casa (Saurimo) e outros idos de Luanda como o Gabriel Tchiema, que já é nacional e não apenas um tucokwe, e o duo kanhoto. Os meus apreciados Sassa Cokwe fecharam a gala que teve muita poesia, história e musicalidade.

Pitra Neto, Ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, presidiu aos actos testemunhados pela viúva de Neto, Maria Eugênia, e outras individualidades dos Governos Central e provinciais (das Lundas e Moxico) e convidados.

segunda-feira, setembro 13, 2010

ALGUÉM VIU POR AÍ UM "LAMBE-BOTAS"?

Já se chama ao meu país (Angola) "terra do anormal", tendo a excepção se tornado regra em muitos casos. O anormal, hoje, é viver e agir conforme os ditames. Na função pública, nas privadas, nas igrejas e na media também, são contáveis os que ainda fogem à "regra" da anormalidade quando o assunto é o tramento do superior ou do político com poder.

Aos poucos, sorrateiramente, surge uma nova "disciplina" no nosso modo de transmitir informação pública e obediência: o bajulismo ou simplesmente lambe-botismo, também conhecido entre os brasileiros (de quem tiramos muitos dos maus exemplos) por puxa-saquismo, instala-se entre nós a olho nú.

Os grandes mestres desta "cadeira" estão aí. Bem localizados e conhecedíssimos dos líderes e políticos a quem servem (cega e caninamente) pisotenado outros.

Em tudo quanto os aduladores dizem (escrito ou falado) 90% é graxismo. Normalmente são pessoas que estiveram errantes, tentando mostrar agora que estão sarados ou arrependidos dos estragos provocados num passado ainda de memória fresca.  Estes novos "mestres", que se fazem passar por guardiões dum templo em que nunca entraram, são capazes até de guerrear e maldizer aqueles que sempre se dedicaram às causas, pelo simples facto destes, os últimos, mostrarem ideias inovadoras e ou contraditórias.

Tal como sugere o bloguista Rangel Alves da Costa (Recanto das Letras em 01/01/2010), "Infelizmente os nossos legisladores e os juristas responsáveis pela elaboração de projectos legislativos nunca tiveram a preocupação de incluir nos textos o tipo que seria tipificado como "puxa-saquismo", cuja tipificação seria:

-“É crime utilizar-se dos meios de comunicação, do diálogo pessoal com as demais pessoas ou de qualquer meio de escrita, com o intuito exclusivo de forjar a criação de uma imagem positiva de outra pessoa, instituição ou ente governamental.
I – A pena será agravada e triplamente cominada se o beneficiado for algum político, com ou sem mandato;

II – Incorrerá na mesma pena aquele que denegrir a imagem de uma pessoa em benefício de outra.

Pena: Reclusão, de 2 a 5 anos".

 

quarta-feira, setembro 08, 2010

NO DIA "MUNDIAL" DO JORNALISTA PROPONHO:

O jornalismo é a actividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de colectar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos actuais. O jornalismo é uma actividade de Comunicação.

Ao profissional desta área dá-se o nome de jornalista. O jornalista pode actuar em várias áreas ou veículos de imprensa, como jornais, revistas, televisão, rádio, websites, weblogs, assessorias de imprensa, entre muitos outros.
Em angola, uma das principais dificuldades que os jovens que enveredam pelo jornalismo encontram no exercício da profissão, e que redunda em muitos erros, é o fraco domínio do instrumento de trabalho (a língua portuguesa).

A falta de domínio da língua dificulta a construção técnica eficiente do texto jornalístico, daí que, atento a este handicap, me junto aos esforços das direcções provinciais de comunicação social e da media pública e privada no sentido de ajudar a suprir (est)as lacunas que em nada ajudam no desenvolvimento do nosso jornalismo.

PROGRAMA DO CURSO PROPEDÊUTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA

1- CONTEXTUALIZAÇÃO DA GRAMÁTICA
2- NOÇÕES ELEMENTARES DE MORFOLOGIA
- ARTIGOS
- SUBSTANTIVOS
- CONJUNÇÕES
- PREPOSIÇÕES
- INTERJEIÇÕES
- VERBOS
- ADVÉRBIOS
- ADJECTIVOS
- PRONOMES
- NUMERAIS
3- USO DA VIRGULA

4- USA DA CRASE
5- NOÇÕES ELEMENTARES DE SINTAXE
- SUJEITO
- PREDICADO
- COMPLEMTENTOS: DIRECTO, INDIRECTO E CIRCUNSTANCIAIS
6- DISCURSO DIRECTO E INDIRECTO

7- VOZ ACTIVA E PASSIVA
8- FORMAS DE TRATAMENTO
9- PRONOMINALIZAÇÃO
10- CONJUGAÇÃO PRONOMINAL REFLEXA

11- TEMPOS SIMPLES E COMPOSTOS
12- REGÊNCIA:
13- CONCORDÂNCIA VERBAL
14- TRANSLINEAÇÃO


CARGA HORÁRIA: 5 DIAS=40 HORAS
Estou disponivel: Luciano Canhanga (formado em Comunicação Social e Pedagogia de História)
lcanhanga@hotmail.com
Tlm. 923558651

quarta-feira, setembro 01, 2010

À VOLTA DO PETRÓLEO: VIDA EM ANGOLA MAIS CARA

A experiência do passado dita que o custo de vida em Angola será mais alto a partir de hoje.

Tudo porque o Governo, através da SONANGOL, decidiu retirar parte do subsídio que inside sobre o preço da gasolina e gasóleo que passam doravante a custar Akz 60 e Akz 40, respectivamnete, contra os Akz 40 e 30 praticados até ontem, por cada litro.

Atendendo que as quintas agrícolas são irrigadas por motobombas a gasóleo e gasolina; a electricidade para as moageiras e padarias gerada a diesel; as câmaras de fio idem; os transportes marítimos, rodoviários, aéreos e ferroviários também movidos a diesel e gasolina, um reajuste dos preços de bens e serviços é inevitável.

Se nas vezes passadas o custo de vida disparou na mesma proporção da subida dos combustíveis,  na melhor das hipóteses teremos uma subida média na ordem dos 40%, já que o valor da gasolina evoluiu 50% e o do gasóleo 33%.

Com uma taxa de inflacção média anual de 10% e um incremento salarial (para a função pública) que ficou nos 5%, é de imaginar "quantos furos terão os angolanos de abrir nos cintos" para fazer face à carência de dinheiro para adquirir bens e serviços essenciais.