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quarta-feira, junho 17, 2009

FENOMENAL


Nove de Junho de dois mil e nove. A região leste de Angola com o seu clima tropical húmido habitua-se com a secura do vento do cacimbo. Há já 25 dias terminou a estação chuvosa embora o céu teime em, aqui e acolá, ameaçar um desabamento hídrico. O relógio aponta religiosamente vinte horas e dezoito minutos. A cobertura de zinco da estrutura metálica que os acolhe desacta, de repente, aos gritos.

_É chuva chefe, alertou o chauffer de si já aborrecido pelo tempo extra sem pagamento. Mas recupera-lo-á com dispensas e batidelas no ombro...

Os pingos principiantes caiam preguiçosos, anunciando apenas o desfazer-se de sobras guardadas para ocasiões especiais. Fechada a sala de trabalho, chefe e subordinado, correm de lebre em direcção aos aposentos que distam seiscentos metros. À medida em que Kambuta e o seu pupilo Sabalo aceleravam o passo, a chuva lhes seguia o gesto. Os pingos nenés, passam a adolescentes e furiosos. Ganham forma e intensidade e ninguém mais os enfrentar.

Desprevenidos casebres, na aldeia ao lado, cedem. Adobes virgens para novas moradias se fundem e se transformam em lamaçal. Na cidade, não muito distante, surpreendidas tendas, paridas de chuvas abrilenas, renunciam ao papel protector e bombeiam fluídos. A chuva preencheu três horas duma noite de estrelas opacas para o gáudio dos lavradores que inesperadamente revêem os campos florirem, ainda que por dias contáveis, e o sorriso rasgado dum pecuarísta que encontra na selva agreste a verdura abundante para os seus rebanhos.


Fenomenal! declamam os homens perante o silêncio da Tina Mente que nem pôde prever tamanha chuva junina que aos olhos dos povos nordestinos se comparava ao milagre de Txibinda Ilunga, o estrangeiro guerreiro/rei.

Caiu chuva, mas sobre ela ninguém reportou, nem mesmo o "Acorda país" ou o "Boca louca". No dia seguinte mais chuva vespertina e os anunciadores sempre em silêncio sepulcral. E nada se disse!

Luciano Canhanga

2 comentários:

Anónimo disse...

19-06-2009 2:59

ANGOP: Uíge
Últimas chuvas destroem 350 hectares de culturas no Bembe e Quitexe

Uíge - Trezentos hectares com culturas pertencentes aos camponeses dos municípios do Bembe foram destruídos durante as últimas chuvas registadas no transacto mês de Maio na região do Uíge, informou nestaquinta-feira à Angop, fonte do Departamento provincial do Instituto para o Desenvolvimento Agrário.

De acordo com o relatório de balanço sobre o grau de execução da campanha agrícola 2008/2009 chegado hoje à Angop, outros 50 hectares cultivados com feijão, ficaram igualmente destruídos no município do Quitexe, também em consequência das mesmas chuvas.

Kimangola disse...

...Kifua dimi, muenho ufua Ue!
Kidi...

é a blogosfera é mesmo grande e por vezes perdemo nos por todos estes cantinhos.

falta só mais um ano para regressar ao Kwanza Sul para fazer o estudo sobre os Sumbis/Pindas.

fez bem em lembrar me que VC anda por aqui também.

o "processo por aí ( Angola) tá lento não é?
continuo dizendo que a Agricultura deveria ser a ciência primeira nas preocupaçõe humanas, mas distraem se com petrodolares, betão e Bundas femininas...



xaxuaxo