Translate (tradução)
domingo, janeiro 29, 2017
DIA DE REUNIÃO
domingo, janeiro 22, 2017
ENTRE CHORAR E VENDER LENÇOS
Reflectindo sobre o alcance do ditado, no tempo em que nos encontramos, duas lições se podem retirar dessa frase:
1- Ficar parado, a lamentar, não resolve o problema da carência nem repõe o poder aquisitivo perdido pelas famílias. Devemos é pôr as cabeças em ebulição e pensar no que deve ser feito e como deve ser feito para se contornar a situação financeira do pais e das famílias que não é muito boa.
2- A ousadia intelectual, essa sim, faz com que aprendamos com a crise financeira e se faça dela uma oportunidade de fazer mais e melhor, sendo que aqueles que estagnarem "comprarão" os lenços para enxugar as lágrimas.
Estando no início de um novo ano, um novo ciclo, vamos então, em força, ao trabalho. Vamos inovar no agir e fazer, pois "tolice é esperar por resultados diferentes quando se fazem as coisas do mesmo jeito".
Façamos com nossas equipas "uma chuva de IDEIAS", selecionando, depois, aquelas que nos pareçam as melhor elaboradas e mais arrojadas.
É tempo de planificar. Não vá a reboque das organizações. Seja você a locomotiva!
domingo, janeiro 15, 2017
A PISCINA FLUVIAL
domingo, janeiro 08, 2017
PRECONCEITOS MORTAIS
Sandro é um trabalhador empenhado, daqueles que mesmo adoentado se esforça em comparecer e despachar os assuntos muito importantes e muito urgentes.
domingo, janeiro 01, 2017
CONTEMPLANDO A PISCINA
Texto publicado pelo Jornal Nova Gazeta
quinta-feira, dezembro 29, 2016
MANGODINHO NO ISTMO
Publicado no caderno fim-de-semana, do Jornal de Angola, 03/06/18, pag. q0
quinta-feira, dezembro 22, 2016
NA HORA DA JANTA
quinta-feira, dezembro 15, 2016
MANGODINHO COM NOVAS IDEIAS
- É verdade, Mangodinho, até branco você lhe bate nas costas?
- Não fica mais burro. Prepara macroeira e, mês que vem, me acompanha. Vais ver o meu pai a lhes bater no ombro e lhes dar ordens. Diferença está só mesmo no estudo. Se a pessoas estudou mais e é chefe, branco contigo não torra farinha. Eu mesmo estou a pensar me meter na alfabetização. Pelo menos, assim, esses kafussas que andam a vir trabalhar na obra da estrada já não me vandalizam. Temos que crescer. Por hoje chega. Vou planificar algumas coisas que vi lá em Luanda e que podemos também fazer aqui. Vamos descansar e pensar.
Nota: texto inserto no jornal Nova Gazeta de 12.01.2017
quinta-feira, dezembro 08, 2016
SOZINHO EM CASA
quinta-feira, dezembro 01, 2016
MANGODINHO NA NGWIMBI
segunda-feira, novembro 28, 2016
ACHADOS E FUTADOS
Texto publicado no Nova Gazeta de 10.11.2016
segunda-feira, novembro 21, 2016
KYAMAFULU
Uns ainda tentaram fingir não ter ouvido, mas não tardou o soar da bala ao ar. O homem parecia disposto a alimentar os crocodilos de carne quente.
Todos: jovens, idosos, crianças e até mulheres de calças fizeram-se carga abaixo.
Era a vida do viajante homem, quando chegasse ao controlo militar na ponte sobre o Kwanza, em Kambambe. Kyamafulu (bicho mau) era assim.
- Kyamafulu, senhor polícia? Não pode ser. Aqui não há história que se conte nem estórias de roer as unhas. - Repliquei.
Kyamafulu só há um!
Obs: texto publicado na coluna "(Re)flexões leigas" do jornal Nova Gazeta, a 13.10.16
segunda-feira, novembro 14, 2016
"ORDENS SUPERIORES" LEVADAS A TEATRO DOMICILIAR
segunda-feira, novembro 07, 2016
INSULTOS CONSTRUTIVOS
Texto publicado no jornal Nova Gazeta de 20.10.2016
terça-feira, novembro 01, 2016
TCHUNA BABY
segunda-feira, outubro 24, 2016
O ESTADO DA MINHA "NAÇÃO"
- Papá dormiu onde?
- Dormi aqui mesmo.
- Mas, quando fomos dormir, depois da última novela, não vimos o carro do papá!
Puxei o vinco na testa para ver se se apartassem de mim. Debalde! Os mais novos pareciam dispostos a obter a resposta que pretendiam, ou no mínimo amealharem a sua boa disposição para as aulas à custa da minha. Foi, na verdade, uma noite de insónia.
- Está bem, papá. - Fez-se pronta e diligente.
- Aponta a ideia e faz cartazes para afixar na parte traseira do quintal.
- Os vizinhos cagões e gozões, que dejectam ao ar livre, nas traseiras do meu quintal, e deixam seus sacos de lixo junto à minha porta, minando minhas árvores que plantei com esforço e suor, poluindo o ambiente à volta, fiquem avisados: Vou colar avisos para deixarem de abusar da minha paciência e bom-senso, sob pena de o corredor que serve de passagem aos que não têm outro caminho ser fechado com arame farpado e "feijão-maluco".
- Mas, ó papá! Se o papá fechar o corredor e algum vizinho quiser reclamar? - Atirou o mais novo.
- Ele que vá reclamar com os vizinhos cagões e deitadores de lixo.
- Não incomodem o vosso pai. Ele está cansado, sonolento e aborrecido. Ele limpa sempre, mas, dessa vez, passou-se? - Acudiu a mulher.
- Mamã, ele passou? Foi aonde? O papá não está aqui mesmo?!
O estado da minha "nação", minha casa, é, às vezes, complicado. Vezes há que se falam coisas de baixar os ouvidos. Outras, raras, é assim. Falamos por falar. E, para preencher o rol, ainda recebi a SMS da sobrinha:
- Tio, preciso que me faças uma redacção sobre direito. É urgente. Se for ainda hoje melhor.
- Fogo! No meu tempo, sobrinha, iria, caso tivesse, ao tio para pedir-lhe livros ou indicação de bibliografia relacionada ao tema. Queres que eu faça por ti?
- Sim. Você é meu tio prá quê?- Respondeu ela também ousada e pensando que estava coberta de razão.
- Aí é, sobrinha?
Quase falei mas ficou só já no coração.
- ..!
NOTA: Texto publicado no jornal Nova Gazeta de 26.10.16
segunda-feira, outubro 17, 2016
A PRÓSTATA E A PROSTITUIÇÃO
![]() |
— A próstata vem da prostituição! — garantiu, firme, enquanto os amigos arregalavam os olhos, pedindo mais explicações.
— É verdade! Vocês não vêem que as duas palavras têm a mesma base? Eu explico… — insistia ele, orgulhoso da descoberta etimológica parida no fundo da caneca.
O velório decorria na rua da Ambaca, junto à pracinha do Kalisange (calissangue). Lá estavam todos os conhecidos da Igreja Moisés: Kitembu, Kajila, Kilole, Kapitia, Tina da Saia Longa, Aida, Laurinda, os anciães Pequenino e Domingos João… e, claro, Kaxikana, sempre ele, estrela maior do desatino.
No quintal pequeno e apinhado, os mais velhos discutiam a razão da vida com a Bíblia aberta no colo e cânticos para elevar a alma do falecido.
Lá fora, encostados à parede de uma casa de madeira, estava a turma de Kaxikana: uns defendiam o desfrute da vida, outros atiravam os Dez Mandamentos como travões aos exageros.
— Não adulterarás, diz a Bíblia — lançou Kajila.
— Tens razão, Kajila — respondeu Kaxikana, conhecido por amigo da espuma. — Eu cá acho que mulher é o pior dos males. Por isso é que me casei com a minha curtinha e espumosa!
— Vocês sabem que relação existe entre certa doença dos homens e certa prática de mulheres sem norte?
Aida, esposa de Kapitia, tentou puxar luz:
— Não, mano Kaxikana. Explica lá isso enquanto passo o café.
Café baptizado, claro — carregado de aguardente.
Kaxikana limpou a boca, empurrou o frango com um gole de cevada e retomou:
— Essa falta de géneros nas Lojas do Povo está a levar nossas irmãs à prostituição. Basta parar no Nzamba‑1, à noite, e ver quem apanha o autocarro 33 para a Baixa, atrás dos cooperantes. O resultado para esses estranjas vocês nem imaginam…
— Termina isso, homem! Conta lá essa cena das cooperantes!
Kaxikana inclinou a caneca, agora mais torpe do que lúcido:
— Yáh! Todos os cooperas que conheço têm problema na próstata. Tenho certeza de que isso vem da prostituição!
Entre gargalhadas, “tsês”, palmas e apupos, Kaxikana concluiu a sua tese “científica”.
Chegou ao grupo, pousou os olhos em Kaxikana, e sentenciou, com ironia paternal:
— Ó Kaxikana… vai, meu filho. Empurra. Bebe tua cerveja. Ninguém está a te ver!
No domingo seguinte, todos foram chamados ao gabinete do pastor Domingos João para a inevitável reprimenda.
segunda-feira, outubro 10, 2016
O ÚLTIMO CACHORRO DE TURBINA
Os pais, católicos devotos, sonhavam vê‑la de véu e grinalda a subir a calçada da missão. Mas, Turbina, apóstata confessa, não lhes concretizou o sonho — nem enquanto vivos, nem depois de terem regressado ao pó. Durante anos foi mulher da vida; e, na vida, ganhou quase tudo: casa, carro, filhos e fama de mulher‑produto.
Com a idade a avançar e os filhos já a perguntar pelos muitos rostos que entravam e saíam da casa, Turbina abandonou a casa‑loja e ensaiou outros modelos de negócio. Mas os revezes económicos do país foram minguando as oportunidades. Vieram os dias de fome; os “arranjos” que lhe conferiam beleza foram rareando; e as picanhas, antes recauchutadas e bem apertadas nos vestidos, entregaram-se baloiçantes ao léu, como cão sem dono. A carroçaria, embora ainda avantajada, já mostrava sinais visíveis de desmazelo.
— Esse mercado está agressivo… — lamentava Turbina. — Umas coladas aos maridos que nem nesga deixam, outras largadas, outras em vida de pedra… Como vou conseguir meu homem? Como manter cama quente?
Foi assim, aflita, que se dirigiu à reza — dessas igrejas que prometem o mundo e mais algum recheio.
Ao voltar, reparou num ajuntamento estranho no segundo quarteirão. Ligou as antenas, e logo veio a informação: na aldeia, as notícias correm ao vento.
— A fila andou na rua de baixo — disse uma vizinha, ela própria coleccionadora de tesouros alheios.
— Aquela mana de cabelo longo morreu? Ai meu Senhor! — reagiu Turbina, com um grito capaz de molhar o bairro inteiro. — E o mano Jordão? Quem vai cuidar dos filhos pequenos? Ai sofrimento!
Turbina e Jordão — ou melhor, Turbina e Kimbundaria — já tinham trocado olhares… e algum calor. Ele, em tempos, fora cliente assíduo; e, no auge do descompasso do êxtase, chegara a propor-lhe casa e lar. Agora, com dona Eunice doente de morte, Turbina passou a espiar a casa do viúvo, visitando a vizinha com desculpas ensaiadas, enquanto engolia hectolitros de cuspo à espera do milagre: migração do homem alheio.
Chegada a noite do velório, Kimbundaria balançava a sua “turbina” como quem afia as armas. Parecia mais preocupada com a hora do funeral — ainda incógnita — do que com a dor de Jordão, que fingia, com a mesma destreza de sempre, os seus apetites kimbundásticos.
Entre suspiros teatrais e mão no peito, perguntava, volta e meia:
O funeral deu-se na tarde do terceiro dia. No sétimo, Jordão já caminhava mais solto, e Kimbundaria, vendo a porteira da “migação” entreaberta, apertou o cerco. Armou-se com um decote ousado, o arsenal turbinado de que era detentora desde miúda.
Ela conhecia os gostos do homem: funji de bombó, verduras, pevide e boa pomada. Sem delegação, assumiu o comando da cozinha, enquanto os parentes iaos chegando. Parecia chefe de logística: levava e trazia tachos, organizava as visitas, conduzia familiares ao quarto onde Jordão recebia condolências.
Mais tarde, quando os parentes mais distantes começaram a dispersar, e antes mesmo da missa do sétimo dia — marcada para aquela noite — Kimbundaria, vendo a migração quase confirmada, preparou o ataque final.
Enfrascou-se até tropeçar na sombra mais próxima. Depois, fingindo ser protocolo, anunciava entradas e saídas, enxugando lágrimas imaginárias. Aproximou-se do viúvo, encostou‑se a ele e soltou o último cachorro:
— Ó mano Jordão… as visitas para a missa de logo já estão a chegar. Não acha que já é tempo de me amigares? Me faz só esse favor, hoko?!


