Translate (tradução)

sábado, agosto 15, 2026

ILUMINAÇÃO, BURACOS E ESCURIDÃO SÃO PERIGOS NAS ESTRADAS

Os crescentes acidentes com vítimas mortais, dezenas de feridos e destruição de viaturas nas estradas nacionais de Angola têm uma causa que se repete como um refrão trágico: buracos inesperados em vias que, à primeira vista, parecem em bom estado técnico. O condutor, surpreendido, vê-se forçado a escolher entre esquivar o buraco em velocidade — arriscando colisões ou saídas de pista — ou passar por cima dele e comprometer o veículo. É uma armadilha recorrente em troços como Ndondo-Kapanda, Zenza-Ndalatandu-Malanji, Waku Kungu-Alto Hama, Kibala-INP, Cabo Ledo-Longa, Luvangu-Ondjiva, entre outros.

A estrada 230, entre Zenza e Mazozo, complementa esse drama onde conduzir sem iluminação pública nem sinalização horizontal se assemelha a jogar à cabra-cega, avançando às cegas, guiado apenas pelas luzes dos veículos em sentido contrário e pela intuição de não sair da faixa. 

O encandeamento das luzes máximas, a ausência de linhas de guia e os buracos sazonais transformam cada viagem num exercício de sobrevivência.

As consequências são devastadoras. Colisões frontais, saídas de pista e fadiga mental tornam-se rotina, minando a confiança colectiva na segurança viária. O impacto económico soma-se: atrasos no transporte, custos adicionais de manutenção e perda de vidas produtivas. Cada buraco é mais do que uma simples ausencia de manutenção técnica. É um golpe na dignidade de quem circula e na credibilidade das instituições responsáveis pela infraestrutura.

A solução exige coragem e investimento em iluminação pública, preferencialmente solar, que daria visibilidade às estradas. A marcação viária reflectiva e a sinalização vertical em curvas e zonas de risco devolveriam referências claras aos condutores. Em aditamento, campanhas de educação rodoviária e fiscalização rigorosa disciplinariam o tráfego e o uso adequado das luzes. É preciso, acima de tudo, uma política de manutenção preventiva, que não espere pela tragédia para tapar buracos, nem os "deixar engordar como frangos no aviário que aguardam pelo abate", como bem ironizou o menino Bebê, na Marginal do Ndondo.

Conduzir em Angola não deveria ser metáfora de cabra-cega, mas experiência de confiança e progresso. As estradas são caminhos de vida, não de morte. Investir em infraestrutura viária é investir em esperança, garantindo que cada viagem seja feita com segurança, dignidade e futuro.

Sem comentários: