Na Rua Hoji-ya-Henda, encontrei dois “operativos” que conversavam com uma vendedora ambulante de mandioca fervida. Um deles, após provar a porção que comprara, atirou para o asfalto a parte que não lhe interessava.
Aproximei-me, decidido a intervir:
— Operativos, bom dia!
— Bom dia, senhor! — respondeu um deles, com ar grotesco.
— Desculpem-me. Aquele balde de lixo é vosso? Pertence ao vosso posto?
— Sim.
— Então, se vocês têm balde de lixo, por que o seu colega jogou a sobra no asfalto? É para dizer que “o governo não limpa”?
O homem avaliou rápido a situação. A altivez inicial cedeu lugar à humildade.
— Desculpa, pai. Isso é questão de consciência individual.
Retomei:
— Pois é. Os mais lúcidos devem ensinar os menos lúcidos. Só assim teremos uma vila melhor.
Os dois homens abanaram as cabeças em aprovação. Continuei a minha caminhada, desconfortável com o cheiro do lixo e da urina que impregna cada esquina.
Por: Soberano Kanyanga (munícipe há 20 anos)
Publicado no jornal Pungo a Ndongo a 30.01.2026

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