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sexta-feira, fevereiro 20, 2026

CONSCIÊNCIA E HIGIENE NAS RUAS DE VIANA

As ruas alcatroadas de Viana estão marcadas por um cenário desconfortável: lixo espalhado, urina em cada canto e paragens de táxi colectivo transformadas em depósitos improvisados de garrafas plásticas, coroas de ananás e outros descartes. Mesmo onde existem contentores, o lixo insiste em cair no chão. Alguns moradores e frequentadores da vila parecem ter perdido o respeito pelo espaço comum.  

Na Rua Hoji-ya-Henda, encontrei dois “operativos” que conversavam com uma vendedora ambulante de mandioca fervida. Um deles, após provar a porção que comprara, atirou para o asfalto a parte que não lhe interessava.  

Aproximei-me, decidido a intervir:  

— Operativos, bom dia!  

— Bom dia, senhor! — respondeu um deles, com ar grotesco.  

— Desculpem-me. Aquele balde de lixo é vosso? Pertence ao vosso posto?  

— Sim.  

— Então, se vocês têm balde de lixo, por que o seu colega jogou a sobra no asfalto? É para dizer que “o governo não limpa”?  

O homem avaliou rápido a situação. A altivez inicial cedeu lugar à humildade.  

— Desculpa, pai. Isso é questão de consciência individual.  

Retomei:  

— Pois é. Os mais lúcidos devem ensinar os menos lúcidos. Só assim teremos uma vila melhor.  

Os dois homens abanaram as cabeças em aprovação. Continuei a minha caminhada, desconfortável com o cheiro do lixo e da urina que impregna cada esquina.


Por: Soberano Kanyanga (munícipe há 20 anos)

Publicado no jornal Pungo a Ndongo a 30.01.2026

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