Translate (tradução)

domingo, fevereiro 15, 2026

UM VOO SEM VOZ NEM IMAGEM

O silêncio dentro de um avião não é o silêncio da contemplação, nem o repouso da viagem. É um vazio que se impõe, como se a bordo tivesse sido decretada a ausência de música, de filmes, de anúncios, de qualquer sinal que nos situe entre a origem e o destino. O passageiro, entregue à monotonia, descobre que a única “performance” disponível é o ressonar da ocupante da cadeira da frente.

E como se não bastasse a falta de presente, o futuro também se anuncia comprometido: equipamentos de áudio danificados, botões arrancados, comandos sem tampas de cobertura, telas danificadas. Um cenário que mais parece palco de comício popular do que cabine de transporte aéreo.
É-nos pedido o patriotismo. Apelam-nos, a consciência e o dever, a amar as coisas nossas, antes das alheias. Todavia, o negócio exige contrapartidas e posicionar-se à medida da concorrência. Ou as empresas se diferenciam pela qualidade ou pelo preço. Cobrar o mesmo que outras companhias e servir menos é que não pode ser!
A indignação cresce. Por que apenas os “nossos aviões” se apresentam assim, sem divertimento, sem acompanhamento, sem cuidado? Que “onda” nos lançaram, que nos obriga a aceitar o desconforto como rotina?
Algo tem de mudar. Antes que os passageiros mais exigentes e conscientes dos seus direitos mudem de companhia, antes que a confiança se desfaça, é urgente que a "CAN" reencontre o compromisso com o bem-estar a bordo. Porque voar não é apenas deslocar-se no espaço. É também sentir que o tempo da viagem nos pertence, que a experiência é digna, que o futuro não se resume a um "lamaçal" de descuido.
Nota+: o pessoal de cabine esteve à altura (25.11.25)

Sem comentários: