Os passageiros que chegam nos voos noturnos trazem consigo cansaço, ansiedade e, muitas vezes, problemas familiares ou laborais que motivaram a viagem. Aos empregados das empresas que operam nos aeroportos exige-se pontualidade e excelência, pois para isso concorreram, assinaram contratos e recebem remuneração. Alegar sono ou esquecimento no cumprimento das tarefas é “lançar areia aos olhos dos clientes”.
A segurança, por sua vez, tem regras próprias e ordens que devem ser cumpridas sem brechas. Era 23h40 de 30 de Janeiro de 2026, no município libolense da Munenga. O avião, procedente de Sá da Bandeira, um DH quase lotado, aterrou. A bagagem demorou, mas não foi eternidade. E os carros?
Os taxistas estavam no lado de fora, no portão das chegadas, à espera de clientes para engrossar a conta do patrão e levar kwanzas para casa. Mas os carros para as bagagens não estavam lá. Os carregadores/repositores de carrinhos, responsáveis por repor os carros eventualmente levados na última chegada, não apareceram. Sem carrinhos junto ao carrossel e sem explicações, os passageiros com malas pesadas saíram em busca deles. Não sabiam que “quem saísse não podia reentrar pela mesma porta” larga e automática. Homens e mulheres ficaram do lado de fora, tentando encontrar carrinhos para transportar as malas.
A briga, que seria dos encarregados dos carrinhos, foi transferida para os jovens polícias que cumpriam à risca as ordens de segurança. Em matéria de segurança não se podem abrir brechas, mas a rigidez acabou por penalizar quem não tinha culpa. Os passageiros, já cansados e ansiosos, foram levados a depor no piquete policial, enquanto os faltosos dormiam nos gabinetes e compartimentos do aeroporto Ngana Soba ya Kamoxi.
A razão maior está do lado dos passageiros. Eles agiram por necessidade diante da ausência de carrinhos e da falta de informação. Os carregadores/repositores de carrinhos foram os principais faltosos, pois não cumpriram a função básica de garantir meios para o transporte de bagagens. A polícia, embora correta na aplicação das regras, transferiu para os passageiros o peso de uma falha estrutural que não lhes cabia.
A desorganização dos serviços de apoio criou a “maka”. Os passageiros foram injustamente penalizados, enquanto os verdadeiros responsáveis se ausentaram das suas obrigações.

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