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sexta-feira, junho 10, 2011

ADEUS, TIA SANTA!

Entre as ideias preconceituosas que fui ouvindo na minha infância fez eco e demorou ser dcesmontada da minha concepção do mundo a que rezava que "não havia sequer um catetista (catetense) de bom coração".

Dizia-se, entre malanjinos, libolenses e outros povos que afluiram em Luanda na década de 80 do sec. XX, que os naturais de Catete (Bengo, Angola) tinham aversão por qualquer outro povo que consideravam "menores" e, por isso, se desaconselhava qualquer enlace matrimonial com pessoas daquela região. Lembro-me ainda da célebre expressão "Akwa Lubolu adya jinhoka" (os libolenses comem cobras) que uma vizinha de Icolo-e-Bengo pronunciava em jeito de troça e minha mãe a ripostar: "Makuto, kadyé jinhoka. Adya ngó jimoma" (é mentira não comem cobras. Comem apenas jibóias).

Ainda na minha meninice, uma mulher oriunda de Catete pôde provar, com acções, que tudo aquilo que os mais velhos diziam não passava de mera insinuação preconceituosa e mito. Foi a Tia Santa, esposa do meu tio António Infeliz dos Santos. A senhora era tão boa que punha em sentido muitas madres da Igreja. Caia-lhe perfeitamente bem o nome de SANTA.

Deus chamou-a esta madrugada. Morreu a minha tia Santa de Catete sem que podesse desfrutar do muito que por mim fez. Ingrata vida!

Aqui fica a merecida homenagem à Santa de Catete.

Se a morte é um repouso, descance em paz merecida, minha tia!

2 comentários:

Val Du disse...

Oi, Luciano.

Os meus sentimentos pela passagem de sua tia.

Bom ler o seu testemunho a respeito dessa mulher que deve ter sido uma grande pessoa. Consegues passar muito carinho por ela, através de suas palavras.

Um forte abraço.

Soberano Kanyanga disse...

Lita, amiga,
Obrigado pelo conforto. Não a vi há já bom tempo, mas não me consigo esquecer do quão útil ela foi na minha infância, trando seus filhos e eu em igualdade de circunstâncias. Foi uma pena!