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segunda-feira, março 10, 2008

TRANSFORMAR ARMAS EM ARADO

(Crónica de viagem)

Lembranças tristes da guerra para que servem?
Em museus talvez tenham alguma utilidade histórica, mas quando estendidas aos ventos, aos sóis e às chuvas, para quê mais cantar vitórias e chorar derrotas enterradas?

-Assim mesmo, procedem os ferreiros, serralheiros, funileiros e outros que se dedicam à transformação dos restos da guerra em algo valioso para a vida.

São incontáveis os carros militares, tanques e outras peças de artilharia pesada que os combates deixaram para trás e que seriam o constante cartaz de boas vindas àqueles que (re)descobrem as estradas d’Angola profunda.

Até a bem pouco tempo o cenário que nos era mostrado era exactamente este: Carros queimados, tanques destruídos, e outras peças de artilharia pesada ladeando as estradas de metro a metro e quilómetro a quilómetro, uma situação que tende a desaparecer.

Primeiro, pela acção positiva dos “homens das artes”. Funileiros, serralheiros, bate-chapas, entre outros que reaproveitam o que é possível retirar destes antigos meios de guerra, transformando-os em objectos de paz.

Estes homens, muitos deles levados às actuais profissões pela carência de quase tudo, não têm medido esforços, para com as chaparias de tanques e carros fabricar: arados, portas e janelas; com os chassis as pontes para transpor rios, entre outros fins. É no fundo também uma forma de aplicar os RRR: Reduzir - ReutilizarReciclar.

Uma forma inteligente de nos desfazermos das recentes tristes lembranças e tocarmos o barco para frente. Outra contribuição têm dado as construtoras das estradas que afastam estes pesadelos para longe da visão ou mesmo enterrá-los.

Bem haja ferreiros!

Luciano Canhanga

5 comentários:

ANNA MATHAYA disse...

Certo Canhanga, toquemos o Barco para frente, realment emuita coisa vai mudando, lembro que em 2001 fiz minha primeira viagem de carro pelo norte profundo, em direcção ao Uíge, repeti a proeza em 2004 e depois em 2006 e 2008 e muito dos "gigantes tomabados" foram ou reutilizados por nosos "valorosos metalurgicos" ou levados para longe pelos xinocas refazedores de nossas estradas. Beijo grande.

MV disse...

Bom texto! Boa visão do país, vamos olhar para o nosso país em grande plano. Abraço MV

MV disse...

Já agora vá dando um olhar a Serra da Chela
www.serradachela.blogpsot.com

MV

MESUMAJIKUKA disse...

Crónica publicada no Semanário Cruzeiro do Sul na edição de 15 a 22 de Março de 2008, página 21.

Gociante Patissa disse...

"Homens s�o vontades"