Quinze de Junho de 2026_ Circulava na Rua Ngola Kilwanji, próximo da Mabor. Um passageiro de um SUV baixou o vidro e lançou pela rua um saco com restos de comida. Parei, liguei o intermitente, apanhei o lixo e fui devolver ao condutor do veículo:
— Leve o vosso lixo a um sítio adequado para descarte, disse-lhe com firmeza.
O homem ficou petrificado e repassou o lixo ao "suíno" que se encontrava no banco de trás.
Pedi desculpas aos condutores que vinham atrás de mim e segui viagem. Uns aplaudiram, outros acharam-me “maluco”. Mas quando os valores estão invertidos, ser chamado de maluco é, na verdade, sinal de consciência.
Mais tarde, ao recordar no Facebook o meu pequeno canteiro em Kalulu, lavra anexa à da cunhada Angelina, os sobrinhos informaram-me:
— Tio, a mamã está em Luanda.
Ela tinha viajado do Dondo, onde mora, para visitar os filhos. Aproveitei a ocasião para ir vê-la.
— Cunhada Angelina, precisava de reconhecer presencialmente o quanto foste mãe na minha vida.
Ela sorriu, com a serenidade dos seus 64 anos:
— Meu cunhado, nunca foste chato. Foste apenas alguém que precisava de cuidado, e eu dei o que pude.
Angelina Bernardo Canoa, ex-esposa do meu primo “mano Gonçalves”, cuidou de mim entre 1987 e 1989 com amor e paciência, mesmo em tempos de carência. Hoje, continua a mesma mãe de sempre.
Foi um dia em que fiz duas devoluções: o lixo na estrada e a manifestação de gratidão à família que me sustentou com amor e carinho.

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