O Tomé foi homem de entrega e de voz. Serviu a Rádio Luanda por cerca de três décadas, emprestando o timbre firme e a disciplina profissional a uma instituição que se tornou parte da sua vida. Mas antes da rádio, conhecemo‑nos na Igreja Metodista Unida, cargo pastoral Moisés, nos anos 80, quando espreitávamos a adolescência, seguindo-se a juventude que nos reunia em cânticos e fraternidade.
A sua vida foi marcada pela simplicidade e pela proximidade. Não acumulou riquezas, não se deixou seduzir pelo poder fácil. O Tomé foi presença solidária, voz que se oferecia, coração que se partilhava.
Ontem, ao aconselhar um jovem a poupar, lembrei‑me da música de Elias dya Kimwezu: uma poupa porque “a fome madruga”, outro é esbanjador porque entende que “a morte chega durante a noite”. Hoje, essa reflexão ganha corpo. A vida é breve e Tomé partiu sem aviso, deixando‑nos a interrogação: poupar para o futuro ou viver intensamente o presente?
Refúgio‑me em João 14:2‑3: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar‑vos lugar.” Quero acreditar que o Tomé Armando, filho da tia Tomba, foi preparar‑nos lugar, que a sua partida não é fim, mas transição.
Exalto nele a dedicação profissional, a fidelidade às raízes, a ternura com que tratava os seus. O Tomé foi voz, foi memória, foi laço. Hoje, o nosso Cacaca cala‑se na terra, mas continua a falar em nós, nos gestos que deixou, nas lembranças que nos unem.
Que a sua vida seja lembrada não pela doença que o levou, mas pela força com que serviu, pela dignidade com que viveu e pelo afecto com que nos tratou.
Foi-se mais um "Dactora"!

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