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quarta-feira, março 18, 2026

INTRODUÇÃO A "O GAJO DO PASTOR"

As crónicas reunidas em “O Gajo do Pastor” compõem um mosaico vibrante da religiosidade popular angolana — um território onde fé, moral, rua e riso convivem num equilíbrio tão frágil quanto irresistível. Neste universo para‑literário moldado por Soberano Kanyanga, a espiritualidade não é abstrata; é prática comunitária, é sobrevivência, é gesto, é contradição, é memória, é música, é fofoca, é filosofia de esquina, é Kimbundu ao peito e ao ouvido.

O texto que dá nome à colectânea abre a porta para um mundo povoado de personagens imperfeitas, cúmplices e profundamente humanas:
Kitembu, com a sua meia‑sabedoria bíblica;
Kafejá e Kilole, sempre prontos a inflamar debates e risos;
Kapitia, guia leigo, mestre de sermões improvisados e parábolas repletas de moral comunitária;
Kaxikana, filósofo etílico‑teológico que contempla o mundo entre uma reflexão e um gole;
Wazedywa, homem entre a fé e a hesitação;
Lumingu, velho cuja fragilidade revela mais sobre os outros do que sobre si;
Kimone, Nvundi, Aida, Henriqueta, Kaxinda e tantas outras mulheres que sustentam a trama entre igreja, mercado e quintal;
Mesu‑a‑Yadi, juventude que observa e aprende;
e o incansável Irmão Pirigo, que nunca perde a chance de ensinar aquilo que raramente pratica.

As ruas do Nzamba‑1, do Rangel, de Kalemba, da Kibala, do Kaputu e de tantos outros bairros tornam‑se extensões naturais dos templos metodistas, protestantes e neo‑carismáticos. Nesta colectânea, não há fronteira entre igreja e rua: uma invade a outra com espontaneidade.
Sermões misturam‑se com latas escondidas; rezas com mexericos; hinos com tropeços; parábolas com ironias; e versículos com interpretações tão criativas quanto duvidosas.

A fé que atravessa estas crónicas não surge como idealização, mas como prática social, cultural e emocional, sempre acompanhada por humor e humanidade:

— Gente que canta para espantar o medo.
— Gente que ora para enfrentar culpas antigas.
— Gente que tropeça entre pecados, promessas e tentações.
— Gente que mistura cevada com versículos.
— Gente que encontra consolo no pastor… e noutro copo.
— Gente que chora e ri quase ao mesmo tempo.
— Gente que tenta não perder a dignidade em meio a tudo isso.

E há também aquelas histórias domésticas que, contadas por Kapitia, ganham vida de parábola — lições edificantes sobre velhice, respeito, responsabilidade, e sobre o que se colhe quando se planta desprezo ou cuidado. Entre a fragilidade dos mais velhos, a impaciência dos mais novos e a vigilância silenciosa da juventude, o quotidiano transforma‑se num púlpito onde o riso, a dor e a consciência se encontram para educar o coração.

Neste conjunto, as vozes femininas ganham especial relevo, ampliando o retrato íntimo da vida comunitária: são mulheres que carregam memória, humor, astúcia e uma moralidade prática, feita de mercado, quintal e igreja. Entre conversas de comadres, confidências sussurradas, risos cúmplices e histórias colhidas nos becos, revelam‑se múltiplas dimensões do sagrado e do mundano — a solidariedade de vizinhança, a sabedoria herdada e a ironia certeira com que observam o mundo.

Ao longo das crónicas, há uma crítica social fina, envolta em humor e ternura:

— Igrejas que florescem como negócios improvisados.
— Pastores que tropeçam no próprio púlpito.
— Fiéis que tratam milagres como quem joga na lotaria.
— Velhos da Kibala e do Kaputu que filosofam com uma caneca na mão.
— Mulheres que equilibram tradição, sensualidade e devoção.
— Bêbados que filosofam melhor do que muitos pregadores.
— O povo — sempre o povo — que resiste, reinventa e recomeça.

É também um exercício de preservação da oralidade kimbundu: a musicalidade da fala, os provérbios tortos, o humor de terreiro, as expressões de aldeia e cidade, a lógica popular que, mesmo sem rigor académico, ilumina a vida como nenhuma teoria o faria.

As doze crónicas celebram o lado mais humano da espiritualidade:

— Onde o pastor pode falhar,
— O crente pode pecar,
— A vizinha pode exagerar,
— O velório pode virar palco,
— O culto pode virar comédia,
— E até o bêbado pode não ter bebido, mas ser tratado como tal.

No fundo, “O Gajo do Pastor” é uma narrativa coral sobre a tentativa — sempre falhada, sempre retomada — de ser melhor do que se é.
É Angola em estado bruto:
a igreja dentro da rua e a rua dentro da igreja.
O sagrado contaminado de humano;
e o humano sempre a tentar tocar o sagrado.

É a vida vivida ao ritmo dos sermões, dos copos, dos cânticos, das piadas, das fofocas, das parábolas domésticas, das lições que vêm à mesa e das verdades que só a ficção oral consegue dizer.

Uma colectânea que confirma que, na religião como na vida, a graça de Deus muitas vezes se manifesta… pelas gargalhadas e pelas lições que elas carregam.

sábado, março 14, 2026

ELOGIO AO CAMARADA "KACIPAKO"

Durante a infância, na OPA, e na adolescência, quando ingressei na JMPLA, inspirava-me no camarada Tany Narciso e sonhava em tornar-me um agitador de massas: aquele indivíduo capaz de interromper o discurso do camarada comissário ou mesmo do camarada presidente para introduzir "vivas" e outras palavras de ordem que agitassem a população e incendiassem o entusiasmo popular.  

Com o tempo, conheci outros dois exímios discursistas públicos e agitadores de massas: o camarada Norberto Kembwisa, de Saurimo, e o camarada Americo Cachipaco "Kacipako", do Kwitu, que acaba de nos deixar e a quem este texto se dedica como homenagem. Nos dias que correm, quem dá sinais de grande agitador de massas, pela sua verborreia e dinamismo, é o camarada Kalupeteka Kalu, de Wambu.  

Hoje [14.03.2026], porém, é o camarada "Kacipako" que choramos. Homem de entrega ao Partido e a Administração Local, de humildade e de presença vibrante, recordamo-lo também pelo seu humor e pela célebre frase “carne com [vinho de] 14 graus” ao almoço. 

Encorajo o camarada Kembwisa a prosseguir e a formar delfins. Ao mais novo e mui dinâmico Kalu peço que nunca refreie o seu ímpeto, inspirando crianças, adolescentes e jovens — viveiro do nosso MPLA — a seguir os seus passos: trabalhar com as populações, animá-las, falar a língua que percebem e doar-se com humildade.  

Neste momento de dor, fazemos vénia ao camarada "Kacipako", agitador de massas e homem de entrega, que parte deixando-nos o exemplo de coragem, de humildade e de dedicação às populações. Vá bem, camarada, e mobilize os nossos que se adiantaram, pois daqui a um ano teremos grandes desafios. Que a sua memória seja chama viva, que nos inspire e nos fortaleça na caminhada!

domingo, março 08, 2026

O PAPÁ ESTÁ NO CÉU!

 (In: O gajo do pastor)

Naqueles anos em que os velhos já não tinham a energia de outrora para refrear a algazarra das crianças e dos adolescentes da igreja — todos tratados como filhos, sem excepção — a mocidade parecia padecer de um estranho pigarreio. Algo lhes entupia a garganta e, para aliviar, recorriam ao fritz, nome codificado para as alcoólicas que circulavam como sacramentos clandestinos.

Ndonga, Xikito, Kajila K’Elombo, Tombinho, o infalível Kaxikana e o sempre presente Manyinga, entre outros da mesma igualha, tinham como ponto de concentração um bar que, por ironia divina, ganhou o cognome de “Céu”. Era lá que tudo acontecia, paredes‑meias com a casa arrendada por Xikito. Quando alguém perguntava aos filhos “onde estavam os pais”, a resposta vinha certeira e com inocência bíblica:

— O papá está no Céu.

E estavam mesmo… a provar bênçãos fermentadas.

A Classe Kwanza‑Sul, emancipada e já caminhando para duas décadas, tinha como pastor regente um aposentado que decidira servir a Cristo como vocação tardia. Contava‑se que vivera uma vida de homem carnal e só depois da aposentação se convertera, formando‑se em teologia.

Certa vez, visitado por Ndonga, o filho do pregador, alegre como sino de Natal, soltou uma pérola doce como mel de pau:

— Só vieste hoje? Ontem o aniversário do papá bateu. Até vinho houve!

Se era verdade ou intriga infantil, ninguém soube. A verdade é que o pregador ficou gravado como “amigo da juventude”: uma alma que combatia com candura para não deixar que as ovelhas se precipitassem no abismo da desordem mundana.

Era domingo e já se fazia fim de tarde. As diligências religiosas estavam concluídas: visitas aos enfermos, actas fechadas, relatórios alinhados. Sem que ninguém chamasse ninguém, os comparsas reencontraram‑se espontaneamente em casa de Xikito. Desta vez não foram ao “Céu”. Nenhuma visita de anciãos estava prevista. Era dia de descanso espiritual e etílico só até às 17h.

Os telemóveis não eram ainda para todos. Tudo funcionava à base de recados e bilhetes. A palavra, quando dada, era cumprida:

— Palavra d’honra!
Cumpria‑se.

Relaxados, olhos distribuídos entre a televisão e a garrafa de cerveja que borbulhava ouro, as papilas gustativas brincavam com o chouriço assado e o pão fornecidos por Kaxinda. A vida dos jovens da ngelu só se podia comparar ao Éden paradisíaco.

Mas a pequena Kitilda, conhecedora de que as acções dos pais contrariavam o código metodista, irrompeu da cozinha em tom preocupado:

— Tikitô, Tikitô! Patoie, patoie, patoie...

O mundo congelou. Entre acreditar e ignorar a advertência da menina de dois anos, a prudência falou mais alto. Garrafas escondidas — mal-escondidas — e hálito comprometido de cevada e porco assado. Apenas o anfitrião foi à porta saudar o pregador, despachando-o como se fosse leproso.

Semanas depois, Ndonga trabalhava em missão de evangelização porta a porta com o pastor SS. O sol era intolerante e a sede não perdoava. Dirigiram‑se a uma roulotte. SS pediu dois hambúrgueres e um refrigerante para si. O íntimo de Ndonga, ressacado, implorava por uma bitola. O pastor, conhecedor das suas ovelhas, atirou com ironia pastoral:

— Meu jovem, estás à vontade. Se quiseres uma cerveja, podes pedir!

Ndonga congelou. Era permissão? Era armadilha? Era parábola? Jogou pelo seguro: pediu água. Água pura. Água que limpava a alma e castigava o fígado. 

Mais tarde, ao recordar o episódio, classificou o pastor com a ironia que lhe era própria:

— Esse é o gajo do pastor. Nem santo, nem pecador. Apenas humano, com humor suficiente para nos lembrar que até os guardiões da fé sabem que a tentação também se serve em copo gelado.

terça-feira, março 03, 2026

RETALIAÇÃO IRANIANA E VULNERABILIDADE REGIONAL

Os bombardeios americanos e israelitas contra alvos no Irão, que vitimaram líderes do país, desencadearam uma resposta imediata e contundente. Mísseis e drones foram lançados contra bases militares dos Estados Unidos em países vizinhos do Golfo, como Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar. O Irão justificou os ataques como defesa legítima, afirmando que “não combatemos os povos da região, mas a presença militar estrangeira que ameaça a nossa soberania”.

A presença de bases americanas nestes países é vista pelo Irão como plataforma de agressão, e o ataque inicial que matou altos dirigentes iranianos foi interpretado como acto de guerra. A aliança estratégica entre Washington e Telavive é considerada ofensiva e expansionista, razão pela qual o Irão insiste que a sua resposta é inevitável.
As consequências foram imediatas: vítimas civis em Abu Dhabi, medo generalizado nas áreas próximas às bases e reforço das medidas de defesa por parte dos governos locais. Estes justificam a presença americana como indispensável para a protecção regional, mas enfrentam críticas internas e protestos pontuais contra a vulnerabilidade criada pela instalação de bases estrangeiras. Um habitante de Manama declarou: “Não somos inimigos do Irão, mas pagamos o preço da presença americana”.
O sentimento das populações é de insegurança e de envolvimento “por tabela” num conflito que não escolheram. Os governos procuram transmitir segurança, afirmando que “as bases são indispensáveis para a protecção regional”, mas as populações percebem‑nas como fonte de perigo. O Irão, por sua vez, insiste que não combate os povos vizinhos, mas sim a ocupação estrangeira. Um porta‑voz iraniano reforçou: “Enquanto houver bases americanas, haverá resposta. A nossa luta não é contra os vizinhos, mas contra quem traz a guerra para o nosso território”.

No fim de tudo isso, e tal como dita a sabedoria milenar africana, "quando lutam dois elefantes, quem sofre é o capim."

segunda-feira, março 02, 2026

A LÓGICA DO VASSALO MODERNO

O Irão foi atacado por forças dos Estados Unidos e de Israel. Em legítima defesa, retaliou contra bases militares norte-americanas situadas em países vizinhos. A resposta, embora previsível, foi recebida com condenações apressadas por parte de países europeus que, em vez de censurarem os agressores, apontaram o dedo à vítima.

Num comunicado conjunto, os líderes da Alemanha, França e Reino Unido — Friedrich Merz, Emmanuel Macron e Keir Starmer — condenaram os ataques iranianos, ignorando o contexto da agressão prévia por parte dos seus aliados. Nenhuma palavra sobre os bombardeamentos israelitas. Nenhuma nota sobre as bases americanas que cercam o Irão como muralhas de intimidação. Apenas a condenação da resposta, como se o direito à defesa fosse privilégio exclusivo do Ocidente.

Entretanto, alguns países manifestaram-se contra os ataques norte-americanos e israelitas:  

- O Ministério das Relações Exteriores do Brasil declarou que “o governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irão. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação, que é o único caminho viável para a paz.”  

- Por sua vez, o governo chinês afirmou que “os ataques devem cessar imediatamente e a soberania do Irão deve ser respeitada.”  

- A Rússia classificou os ataques como “acto de agressão” e alertou para o risco de desestabilização regional.  

- A Espanha considerou a ofensiva “contraproducente” e apelou ao regresso ao diálogo diplomático.  

- Países africanos e do Golfo Pérsico também se manifestaram, pedindo “fim das hostilidades, respeito ao direito internacional e retomada do diálogo”.  

Todavia, vários outros países, embora não tenham figurado no comunicado conjunto da "troica europeia", alinharam-se diplomaticamente com os parceiros europeus, mantendo o silêncio cúmplice que caracteriza a lógica do vassalo: não se contesta o senhor, mesmo quando este viola princípios internacionais.

A perigosidade deste silêncio é profunda. Como advertia Martin Luther King Jr., “o que mais preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.” Quando os que têm voz se calam, a injustiça ganha legitimidade. Quando os que deviam defender o equilíbrio se omitem, o mundo torna-se refém da força e da conveniência.

A Carta das Nações Unidas, que consagra o direito à soberania e à legítima defesa, vai sendo ignorada por aqueles que a redigiram. O princípio da equidade internacional é substituído por uma moral de dois pesos e duas medidas, onde o aliado pode tudo e o adversário não pode nada.

A lógica do vassalo moderno não é apenas diplomática. É moral. É a renúncia à consciência crítica em nome da obediência estratégica. É o abandono da justiça em favor da conveniência geopolítica. E é, sobretudo, o risco de que, amanhã, qualquer país possa ser a próxima vítima, enquanto o mundo civilizado assiste, impávido, como quem diz: “não sou iraniano, não sou palestiniano, não sou sírio… nada disso me afecta.”

Mas afecta. Porque o mundo é um tecido interligado. Quando se rasga num canto, o desfiar é inevitável.

domingo, março 01, 2026

BARBAS EM CHAMAS, SILÊNCIOS EM FUMAÇA


Primeiro mataram Saddam, depois Khadaffi. Agora cercam Cuba, sequestraram Maduro e silenciaram o líder do Irão.” A frase ecoa como um rosário de inquietações que não se esgota. O mundo, cada vez mais espectador da sua própria erosão, assiste impávido. Uns batendo palmas, outros exigindo que a vítima se retrate, quando o vilão é quem devia ser confrontado.

Vivemos tempos em que a estabilidade colectiva, firmada na Carta das Nações Unidas, parece uma peça de museu. O princípio da não ingerência, da autodeterminação dos povos, da soberania dos Estados, vai sendo corroído por narrativas de conveniência, por sanções selectivas e por intervenções que se dizem libertadoras, mas deixam rastos de ruína.

O filósofo francês Alain Badiou advertia: “A verdade não é aquilo que se impõe, mas aquilo que resiste.” E o que resiste hoje são os povos que, mesmo cercados, mesmo vilipendiados, ainda ousam afirmar a sua identidade, a sua história e os seus projectos de futuro.

A morte de líderes como Saddam Hussein, Muammar Khadaffi e Khamenei não apenas eliminou figuras tidas como "controversas". Ela desmantelou estruturas, desorganizou sociedades, abriu espaço para o caos. O que se seguiu à queda dos regimes depostos pelo ocidente não foi a paz prometida, mas a fragmentação, o extremismo e o êxodo.

A perseguição e captura de Nicolás Maduro, o cerco a Cuba, a demonização e ataques ao Irão, tudo isso parece seguir um roteiro onde o “outro” é sempre o culpado, e o “civilizado” é sempre o redentor. Mas como bem disse Eduardo Galeano: “A história nunca diz adeus. Diz até logo.”

Ó país [líder] silencioso, se chegar a tua vez, que farás? Quando os tambores da destruição baterem à tua porta, será tarde para perguntar por que não te importaste com o que fizeram ao vizinho. O mundo não é uma colcha de retalhos isolados. É um tecido interligado, onde o fogo numa ponta pode consumir o todo.

Hoje, muitas barbas estão em chamas. É tempo de termos as nossas de molho. Não por medo, mas por consciência. Porque o silêncio diante da injustiça é também uma forma de violência.  

E aqui reside a maior perigosidade: o silêncio daqueles que deviam emitir a sua voz firme. O silêncio dos que têm poder de palavra, de decisão e de influência transforma-se em cumplicidade. A omissão, quando se esperava coragem, é o terreno fértil onde o vilão prospera. Como advertia Martin Luther King Jr., “o que mais preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”