Num comunicado conjunto, os líderes da Alemanha, França e Reino Unido — Friedrich Merz, Emmanuel Macron e Keir Starmer — condenaram os ataques iranianos, ignorando o contexto da agressão prévia por parte dos seus aliados. Nenhuma palavra sobre os bombardeamentos israelitas. Nenhuma nota sobre as bases americanas que cercam o Irão como muralhas de intimidação. Apenas a condenação da resposta, como se o direito à defesa fosse privilégio exclusivo do Ocidente.
Entretanto, alguns países manifestaram-se contra os ataques norte-americanos e israelitas:
- O Ministério das Relações Exteriores do Brasil declarou que “o governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irão. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação, que é o único caminho viável para a paz.”
- por sua vez, o governo chinês afirmou que “os ataques devem cessar imediatamente e a soberania do Irão deve ser respeitada.”
- A Rússia classificou os ataques como “acto de agressão” e alertou para o risco de desestabilização regional.
- A Espanha considerou a ofensiva “contraproducente” e apelou ao regresso ao diálogo diplomático.
- Países africanos e do Golfo Pérsico também se manifestaram, pedindo “fim das hostilidades, respeito ao direito internacional e retomada do diálogo”.
Todavia, vários outros países, embora não tenham figurado no comunicado conjunto da "troica europeia", alinharam-se diplomaticamente com os parceiros europeus, mantendo o silêncio cúmplice que caracteriza a lógica do vassalo: não se contesta o senhor, mesmo quando este viola princípios internacionais.
A perigosidade deste silêncio é profunda. Como advertia Martin Luther King Jr., “o que mais preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.” Quando os que têm voz se calam, a injustiça ganha legitimidade. Quando os que deviam defender o equilíbrio se omitem, o mundo torna-se refém da força e da conveniência.
A Carta das Nações Unidas, que consagra o direito à soberania e à legítima defesa, vai sendo ignorada por aqueles que a redigiram. O princípio da equidade internacional é substituído por uma moral de dois pesos e duas medidas, onde o aliado pode tudo e o adversário não pode nada.
A lógica do vassalo moderno não é apenas diplomática. É moral. É a renúncia à consciência crítica em nome da obediência estratégica. É o abandono da justiça em favor da conveniência geopolítica. E é, sobretudo, o risco de que, amanhã, qualquer país possa ser a próxima vítima, enquanto o mundo civilizado assiste, impávido, como quem diz: “não sou iraniano, não sou palestiniano, não sou sírio… nada disso me afecta.”
Mas afecta. Porque o mundo é um tecido interligado. Quando se rasga num canto, o desfiar é inevitável.

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