“Primeiro mataram Saddam, depois Khadaffi. Agora cercam Cuba, sequestraram Maduro e silenciaram o líder do Irão.” A frase ecoa como um rosário de inquietações que não se esgota. O mundo, cada vez mais espectador da sua própria erosão, assiste impávido. Uns batendo palmas, outros exigindo que a vítima se retrate, quando o vilão é quem devia ser confrontado.
Vivemos tempos em que a estabilidade colectiva, firmada na Carta das Nações Unidas, parece uma peça de museu. O princípio da não ingerência, da autodeterminação dos povos, da soberania dos Estados, vai sendo corroído por narrativas de conveniência, por sanções selectivas e por intervenções que se dizem libertadoras, mas deixam rastos de ruína.
O filósofo francês Alain Badiou advertia: “A verdade não é aquilo que se impõe, mas aquilo que resiste.” E o que resiste hoje são os povos que, mesmo cercados, mesmo vilipendiados, ainda ousam afirmar a sua identidade, a sua história e os seus projectos de futuro.
A morte de líderes como Saddam Hussein, Muammar Khadaffi e Khamenei não apenas eliminou figuras tidas como "controversas". Ela desmantelou estruturas, desorganizou sociedades, abriu espaço para o caos. O que se seguiu à queda dos regimes depostos pelo ocidente não foi a paz prometida, mas a fragmentação, o extremismo e o êxodo.
A perseguição e captura de Nicolás Maduro, o cerco a Cuba, a demonização e ataques ao Irão, tudo isso parece seguir um roteiro onde o “outro” é sempre o culpado, e o “civilizado” é sempre o redentor. Mas como bem disse Eduardo Galeano: “A história nunca diz adeus. Diz até logo.”
Ó país [líder] silencioso, se chegar a tua vez, que farás? Quando os tambores da destruição baterem à tua porta, será tarde para perguntar por que não te importaste com o que fizeram ao vizinho. O mundo não é uma colcha de retalhos isolados. É um tecido interligado, onde o fogo numa ponta pode consumir o todo.
Hoje, muitas barbas estão em chamas. É tempo de termos as nossas de molho. Não por medo, mas por consciência. Porque o silêncio diante da injustiça é também uma forma de violência.
E aqui reside a maior perigosidade: o silêncio daqueles que deviam emitir a sua voz firme. O silêncio dos que têm poder de palavra, de decisão e de influência transforma-se em cumplicidade. A omissão, quando se esperava coragem, é o terreno fértil onde o vilão prospera. Como advertia Martin Luther King Jr., “o que mais preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

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