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terça-feira, abril 01, 2025

KWALE: PONTO DE PARTIDA E DE CHEGADA

_ O que tens feito pela aldeia, vilarejo, vila ou cidade em que nasceste?

Essa é a pergunta, ponto de partida, para o "mahezu" de hoje.

A comuna do Kwale (os portugas e angotugas decidiram escrever Cuale) foi elevada a município, com efeito a 01 de Janeiro de 2025. Na condição do Kwale, novo município de Malanji, cuja vila sede completa este ano cem anos, estão várias localidades, a exemplo da minha Munenga, perfazendo perto de 150 novos municípios.

Por causa das guerras que o país viveu, não se tendo poupado sequer uma localidade, muitos dos novos municípios possuem "diáspora" numerosa e que cria desenvolvimento em terras de acolhimento.

_ O que tens feito pela terra que te viu nascer ou que viu teus pais nascerem?

Bem, os filhos e descendentes do Kwale residentes em Lwanda e Ikolu nyi Mbengu (nova província de Icolo e Bengo) reuniram, este domingo, 30 de Março, no Zango Zero. A razão congregadora foi "discutir as contas da Cooperativa Kudisagesa [sociedade], rever os estatutos e eleger os órgãos sociais".

Se calhar, você pergunte:  Como foi lá um munengense parar? Recebi um convite do meu amigo-como-irmão Alberto Colino Cafussa [no nosso Kimbundu vernacular devia grafar-se Kafusa] de quem conservo muitas similitudes vivenciais. Nascemos na aurora da independência. Fomos à escola no mesmo período e coincidem as andanças a pé [forçadas pela guerra civil], o refúgio em Lwanda, a busca pelo saber, a profissão de jornalismo, o amor pela cultura e pela terra que nos viu nascer e [nos últimos tempos] a assessoria de imprensa a que fomos emprestados. Portanto, o Cafussa, que preside à mesa da Assembleia Geral da Cooperativa Kudisangesa é um amigo-como-irmão que mereceu a minha resposta afirmativa ao convite.

Todavia, quem mais se beneficiou fui eu. Pude "aprender" com os kwalenses o dever de cada um olhar para a terra que guarda o seu cordão umbilical, a necessidade de todos os que, por razões diversas, deixaram a sua terra umbilical pensarem naquilo que foi o seu ponto de partida e pensarem no seu crescimento e desenvolvimento.

Particularmente, há muito tenho estado a reflectir: os portugas que saíram de suas terras distantes [na época, dois a três meses a navegar pelo Atlântico] fizeram coisas maravilhosas em terra alheia: construíram estradas, habitações, fazendas etc., onde a imaginação do citadino destes tempos não penetra. E nós, que nascemos no interior e crescemos em grandes cidades, o que temos feito pelas localidades em que nascemos?

Voltemos ao Kwale, cuja administradora, nova no cargo e na idade, fez-se presente no "Encontro do Zango", acompanhado de autoridades do poder tradicional e religiosos que propagam a fé cristã no município. Calculadamente bem assessorada, a jovem administradora Cidalina Chamassango [na casa de seus trinta a quarenta anos, se tanto] meteu-se à estrada, percorrendo mais de 400 quilómetros, consciente de que para erguer o Kwale, enquanto município, deverá ir ao encontro daqueles que possuem conhecimentos científicos e técnicos e, sobretudo, daqueles que, amando a sua terra umbilical, pensem em lá investir as suas moedas conseguidas por via de trabalho árduo [por décadas] em outras localidades de Angola.

Os kwalenses reuniram-se para abordar o presente e o futuro da cooperativa Kudisangesa, entretanto, o momento serviu para reflectirem sobre o retorno das pessoas e de investimentos ao ponto de partida, assim como matar saudades.

"Cada povo tem a sua Canaã", sua origem e [que deve ser] destino [terra prometida]. E foi bom vê-los e ouví-los, sempre moderados pelo meu amigo-como-irmão Cafussa que é um dos precursores do "retorno ao Kwale". 

Ajamos como os pássaros que voam durante o dia, mas que nunca se esquecem do seu ninho!

Sendo que a tarefa de promover o desenvolvimento das nossas terras de "uvalukilu" pede cooperação e imitação de boas práticas, aproveitei mandar umas mensagens à camarada Fátima, administradora do novel município da Munenga [região do Lubolu repartido em três], informando-a que a colega do Kwale estava perto de Lwanda a mobilizar sinergias para erguer a sua jurisdição, ao que ela, a administradora da Munenga, acolheu o apontamento, transmitindo "saudações calorosas" à colega edil e aos kwalenses reunidos.

_ O que tens feito para desenvolver a terra em que nasceste?

Os kwalenses residentes em Lwanda e Ikolu nyi Mbengu transmitiram-nos um exemplo que merece ser aplaudido em pé e ruidosamente!