Essa é a pergunta, ponto de partida, para o "mahezu" de hoje.
A comuna do Kwale (os portugas e angotugas decidiram escrever Cuale) foi elevada a município, com efeito a 01 de Janeiro de 2025. Na condição do Kwale, novo município de Malanji, cuja vila sede completa este ano cem anos, estão várias localidades, a exemplo da minha Munenga, perfazendo perto de 150 novos municípios.
Por causa das guerras que o país viveu, não se tendo poupado sequer uma localidade, muitos dos novos municípios possuem "diáspora" numerosa e que cria desenvolvimento em terras de acolhimento.
_ O que tens feito pela terra que te viu nascer ou que viu teus pais nascerem?
Bem, os filhos e descendentes do Kwale residentes em Lwanda e Ikolu nyi Mbengu (nova província de Icolo e Bengo) reuniram, este domingo, 30 de Março, no Zango Zero. A razão congregadora foi "discutir as contas da Cooperativa Kudisagesa [sociedade], rever os estatutos e eleger os órgãos sociais".
Todavia, quem mais se beneficiou fui eu. Pude "aprender" com os kwalenses o dever de cada um olhar para a terra que guarda o seu cordão umbilical, a necessidade de todos os que, por razões diversas, deixaram a sua terra umbilical pensarem naquilo que foi o seu ponto de partida e pensarem no seu crescimento e desenvolvimento.
Voltemos ao Kwale, cuja administradora, nova no cargo e na idade, fez-se presente no "Encontro do Zango", acompanhado de autoridades do poder tradicional e religiosos que propagam a fé cristã no município. Calculadamente bem assessorada, a jovem administradora Cidalina Chamassango [na casa de seus trinta a quarenta anos, se tanto] meteu-se à estrada, percorrendo mais de 400 quilómetros, consciente de que para erguer o Kwale, enquanto município, deverá ir ao encontro daqueles que possuem conhecimentos científicos e técnicos e, sobretudo, daqueles que, amando a sua terra umbilical, pensem em lá investir as suas moedas conseguidas por via de trabalho árduo [por décadas] em outras localidades de Angola.
Os kwalenses reuniram-se para abordar o presente e o futuro da cooperativa Kudisangesa, entretanto, o momento serviu para reflectirem sobre o retorno das pessoas e de investimentos ao ponto de partida, assim como matar saudades.
"Cada povo tem a sua Canaã", sua origem e [que deve ser] destino [terra prometida]. E foi bom vê-los e ouví-los, sempre moderados pelo meu amigo-como-irmão Cafussa que é um dos precursores do "retorno ao Kwale".
Ajamos como os pássaros que voam durante o dia, mas que nunca se esquecem do seu ninho!
_ O que tens feito para desenvolver a terra em que nasceste?
Os kwalenses residentes em Lwanda e Ikolu nyi Mbengu transmitiram-nos um exemplo que merece ser aplaudido em pé e ruidosamente!