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quarta-feira, abril 01, 2020

COMPORTEM-SE AGORA QUE REGRESSARAM AO "CEMITÉRIO"

Alguns compatriotas lembravam-se de Angola apenas para o descanso "post morten", levando toda a sua vida, preferencialmente, na Europa ou América, para os de gostos mais rebuscados.
A Portugal, diziam, vão os de "costumes moderados".
O covid-19 fez-nos todos (amantes da terra mãe, pródigos ou fugitivos e maldizentes) filhos duma mesma pátria.
Porém, àqueles que Angola era apenas país útil para o sepultamento de restos cadavéricos importa uma chamada de atenção. Quem saiba oiçam e a experiência do regresso forçado pelo Covid-19 lhes faça pensar em possíveis pragas mais severas e numa estada mais demorada em Angola.
Alguns levaram daqui tudo quanto não ganharam por via do suor. Longe da terra usurpada, fizeram suas vidas e morada (formação, trabalho, constituição de empresas, depósito de fortunas, aplicações financeiras, consultas médicas, festas de aniversário, "affairs", etc.).
Voltaram agora que a temperatura angolana ficou provada mais favorável à luta contra o covid-19 ou que a eminencia da morte vos trouxe para um funeral com carpideiras, caldos e komba-ditôkwa que jamais algum angolano teria na Europa ou nos Estados Unidos do Tramp.
Peço-vos:
Comportem-se. Pensem. Tragam o dinheiro. Não importa se vosso, ganho com suor, ou se suados a rouba-lo (vezes há em que o gatuno também se considera dono do acaparado e reclamar se alguém dele botar mão). Invistam em cemitérios (o que mais vos anima em Angola). Agora que estais aqui, pensem em melhorar a saúde, pois se ela melhorar a vossa ida ao Alto das Cruzes pode ser postergada. Pensem na melhoria das escolas para os vossos filhos corridos da estranja pelo Covid-19. Invistam aqui o dinheiro que levastes, mesmo que seja para acudir vossos parentes pobres e carpideiras que vos hão de chorar lágrimas verdadeiras. Aprendam com a crise e o "tunda-mambundu" causado pelo Covid-19.
Aproveitem também interiorizar as nossas vivências solidárias com a dor alheia e abstenham-se de plantar o pânico, o medo e a incerteza.
Para nós, que temos um único pais e uma única pátria, tudo se vai recompor e todos sairemos sãos dessa fúria do coronavírus.

Se não poderem se conter na fabricação e difusão de fake news, ao menos deixem-nos viver as nossas vidas de pobres miseráveis e gente honesta comprometida com a verdade e um futuro melhor.

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