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quinta-feira, outubro 08, 2009

EXPULSÃO COMPULSIVA DE ANGOLANOS:TRUNGUNGUISMO OU RECIPROCIDADE?

Ponto prévio: Continuam a chegar aos nossos ouvidos notícias sobre a expulsão compulsiva de angolanos da RDC. Até ao momento contam-se já milhares que entraram através dos postos fronteiriços de Luvu e Sanza Pombo. Outros estão a caminho. Os relatos são preocupantes. Porém, é preciso amainar os ânimos e resolver o problema com ponderação, diplomacia e sabedoria. Estamos condenados a viver juntos, (ou pelo menos em paz) dados os laços consanguíneos, culturais, religiosos, etc.

Os dois Congos e a Zâmbia foram dos países que ao longo das guerras angolanas mais receberam refugiados angolanos. Terminada a guerra em 2002, cadastrados pelas entidades competentes e com o estatuto de refugiado, muitos decidiravm voltar ao país, às expensas próprias, uns foram repatriados pelo HCR e outros por via das convenções internacionais decidiram por lá ficar, dado o tempo de permanência, convivência e as alianças matrimoniais seladas.

Como preço da fragilidade no controlo das suas fronteiras e normes riquesas minerais à vista, Angola vive uma invasão silenciosa de congoleses democráticos, congoleses de Brazza e de imigrantes doutros países, com realce para os centro e oeste africanos, que tudo fazem para transpor, de forma ilegal, as nossas fronteiras. A última semana foi marcadas por expatriamentos que levaram a clivagens fronteiriças com o Congo Brazza, em Massabi (norte de Cabinda), a que se seguiram difíceis contactos diplomáticos e outros dissabores com a RDC.

Angola tinha, na véspera, mandado para o outro lado da fronteira, cidadãos congoleses de Brazza que viviam ilegalmente em Cabinda. Outros tantos da RDC e doutras proveniências tinham conhecido a mesma sorte. Os congoleses de Brazza, descontentes com a acçao das autoridades angolanas, decidiram, unilateralmente, fechar a sua fronteira em Massabi, impossibilitando a saída dos angolanos que para lá se tinham dirigido em compras, como também não deixavam a saída de viatutras com mercadorias e materiais de construção, escoados a partir do porto do Point Noire.

Acto contínuo, a Cruz Vermelha Angolana deslocou-se à fronteira e (segundo a media) foi travada pelas autoridades locais que alegavam que tais bens emergenciais, para acudir os angolanos retidos, deviam ser canalizados à congénere congolesa da CVA. "A curta abertura vigorou somente o escasso tempo de fazer passar trabalhadores da empresa chinesa engajados nas obras de construção para o Campeonato Africano de Futebol das Nações, CAN-2010, na região... As pessoas estão ao relento. Não há nada para consumir nesta altura, para higiene normal, e muita gente já não tem dinheiro para comprar uma coisa para comer ou outro auto sustento. E isto é que está a começar a criar alguma inquietação seio da população", narrou o correspondente da Ecclésia. O jornalista disse ainda que “Os congoleses estão zangados porque, dizem, foram repatriados para o seu país muitos cidadãos oriundos da República Democrática do Congo (RDC)”.

Da parte da RDC veio também, na mesma semana, o ultimato para que os angolanos residentes do outro lado da fronteira (através das províncias do Zaire e Uige) abandonassem aquele território em 24 horas contados a partir de 04/10/09. Milhares de angolanos, muitos em situação legal, segundo a nossa imprensa e governantes,  foram corrigos à força e alguns violentados físicamente, tendo deixado para trás todos os pertences.


Embora com o Congo Brazza a situaçao tenha sido ultrapassada, depois de três dias de conversações em Cabinda entre governantes angolanos e homólogos do Congo algumas perguntas aguardam resposta:
> Acontabilização de congoleses democráticos supostamente enviados erradamente a Ponta Negra foi motivo que bastasse para a retenção de angolanos na República do Congo ou estivemos perante um simples acto de “trungunguismo” (casmurrice) do Congo Brazza?
> Quanto a RDC,  terá sido accionado o principio da reciprocidade ou este país está apenas a fazer retaliação?

Luciano Canhanga

5 comentários:

Alma inquieta disse...

Olá Luciano!

Esta situação é tão revoltante que deixa-me completamente fora de mim!
Realmente o ser humano não aprendeu nada com os erros do passado!
As autoridades congolesas travam a entrada da Cruz Vermelha Angolana, mas abrem as fronteiras de par em par para deixar entrar os chineses para a construção dos estádios de futebol!
Enquanto isso, as pessoas estão ao relento, sem alimentos nem condições mínimas de higiene!
É a total inversão dos valores!
Que vergonha!
Vale mais um campeonato de futebol do que uma Vida Humana!
A minha indignação é tanta que não resisto a deixar um recado para os governantes congoleses.
SENHORES governantes DO CONGO COLOQUEM-SE NO LUGAR DOS CIDADÃOS ANGOLANOS E DEÊM EXEMPLOS DE CIDADANIA E NÃO DE TIRANIA!


Nota: este comentário é da minha inteira e exclusiva responsabilidade.

Amélia Costa.

Um beijo.

Anónimo disse...

Realmente o SER HUMANO deixou de ter qualquer valor, Haja paciência.
É assim que se comtroem as guerras.
O meu Pedido às autoridades Angolanas vai no sentido da PAZ!
Senhores Governantes ANGOLANOS, Por favor Tentem ajudar todos os Angolanos nestas condições. Os Angolanos estão cansados de sofrer.
Por Favor!
Um Abraço
São Sabugueiro

Pedro Cardoso disse...

Concordo plenamente com os comentaristas. Mas lembro um ponto prévio: na onda maciça de expulsões, há também cidadãos legais a serem levados. Prova disso é a queixa de 14 gambianos à Comissão Africana de Direitos Humanos, que Angola nunca rebateu. E os que expulsamos, fazemo-lo em condições altamente degradantes. Isto não desculpa nenhum comportamento das autoridades da RDC e Congo Brazzaville, como é mais que óbvio. Mas em matéria de tratamento digno dos imigrantes, não podemos atirar muitas pedras, porque os nossos telhados são de vidro. Infelizmente. Porque quem apanha por tabela é quem não tem nada a ver com esta falta de humanismo dos nossos governantes, que se divertem a atirar boomerangs de violência e brutalidade que, mais dia menos dias, retornam às mãos que os lançaram.

carmen disse...

Luciano,
Encontro-o aqui...
Vejo todo sofrimento do teu povo, como vejo do meu, também tão sofrido.
Teremos uma copa do mundo em 2014; como vocês também, resolveremos todos os problemas sociais assim!
Beijo

Anónimo disse...

Lanço aqui uma pergunta: Conhecendo os congoleses como os conheço, quem me garanta que não haja entre os "angolanos" corridos da RDC alguns congoleses infiltrados que terão cidadania angolana e residência fixa?
Não maltratem aqueles que já vêm maltratados e volipendiados pela fúria Kabilística mas é preciso estar atento. Muita palha pode passar...