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quarta-feira, setembro 10, 2008

OS PARTIDOS E A (DES)INFORMAÇÃO DA MEDIA

Escândalos, sangue, saque, acção, enfim. Tudo o que rompe a fronteira da normalidade faz manchete nos jornais e nos noticiários audiovisuais. Porém, recomendam os cânones que “só a verdade deve ser divulgada”, quanto mais se aconselha que ”todo o cuidado é pouco” no apuramento da veracidade dos factos.

Entre nós, se os escândalos, os saques e o sangue apetecem e aquecem à nossa comunicação social, atrás não fica a inverdade. E vou ater-me apenas a um facto que é o surgimento das “Renovadas” entre as nossas formações políticas. As facções e as suas lideranças trouxeram ao nosso discurso jornalístico uma grande confusão, pois a procura do escândalo, do anormal e do “politicamente correcto” acabam por confundir muito mais as populações, já quase despidas de informação credível, séria e rigorosa. Vejamos o que se tem passado:

Partidos como a Unita (felizmente já sem renovada, mas com muitos “fundadores”), Fnla, Prs, Pajoca-Pp, Padepa, entre outros de pouca expressão, trouxeram à esfera pública a ideia de uma bicefalia para uma mesma bandeira, mesmo existindo casos em que o Tribunal Supremo e ou o Tribunal Constitucional vieram ao público esclarecer quem era legal e quem era o impostor. Nestes casos, a media angolana tem sido pouco inteligente no uso da função formativa (da opinião publica) e da sua missão de informar com verdade, pois todos eram/são tidos como presidentes, em função do interesse, do momento ou das circunstâncias.

O caso mais sintomático terá sido o de Ngonda e Holden e depois Ngonda /Kabango da Fnla. Alexandre André (Pajoca) e Tetêmbua (ilegalizado) travam outro duelo na media, quanto à presidência do partido. No Prs, Kuangana e Muachikungo (ilegalizado) travam outro protagonismos mediático, com alguma media a atribuir o título de presidente a quem foi expulso do partido, há já dez anos e que viu a sua suposta ala negada pelo Tribunal Constitucional. No Padepa, depois do acórdão do Tribunal Supremo que dava razão a Carlos Leitão (então presidente) no diferendo que travava com Silva Cardoso e pares que o acusavam de ter rasurado os Estatutos do partido depositados naquele órgão de justiça, o novel Tribunal Constitucional acabou por legalizar a candidatura, às eleições legislativas, a facção de Silva Cardoso, empurrando para a ilegalidade aquele que era o presidente de jure, Carlos Leitão. E mais uma vez, a media não tem sabido dar as cabíveis explicações aos seus públicos, nem separar as coisas, ou melhor, dando “nomes aos bois”. Carlos Leitão é citado como presidente, tratamento semelhante reservado a Silva Cardoso. E o público pergunta:

_ É possível que um partido tenha dois presidentes? ou quem é o presidente de quem?

Perante um povo que perdeu o interesse pela política, devido aos efeitos da política em tempo de guerra e suas consequências, precisando por isso de uma repolitização, desinformações como essas acabam por criar, ainda mais, uma antipatia pelos fazedores de política, vistos como pessoas confusionistas, pouco sérias e oportunistas. Aqui, até mesmo os que incentivam as bicefalias ou os tratamentos dúbios, pela comunicação social, acabam por levar por tabela.

O realinhamento político-partidário, fruto das aceitações e negações de candidaturas às eleições legislativas, fazia antever, para a nossa media, uma definição quanto aos nomes e aos cargos mas, pelos discursos, parece tudo estar na mesma. O que se adivinhava claro escurece cada vez mais, sendo importante e urgente que alguém ouse em “pôr ordem no circo” e definir para a media e para sempre quem é quem.

Ao entrarmos para a Nova Angola, seria bom que não houvesse mais duas cabeças para uma mesma bandeira. E se os politiqueiros assim não o entenderem, nós, os da comunicação social, que soubéssemos distinguir quem é “o patrão e quem é o gavião”, valorizando os valorizados pelo Tribunal Constitucional e remetendo aos seus verdadeiros lugares aqueles que apenas apregoam confusão. Se assim procedermos, estaremos apenas perante um exercício favorável a uma informação limpa, verdadeira e pedagógica.


Luciano Canhanga

6 comentários:

ELCAlmeida disse...

De facto a quantidade de “fundadores” que apareceram nesta altura na UNITA é por demais. Até Jorge Valentim, que só surgiu na UNITA em meados de 1975, já surge como fundador.
Talvez como fundador do fim da UNITA no Lobito. Será que Jorge Valentim se recorda como a UNITA perdeu a cidade em Agosto de 1975 para o MPLA e como teve de fugir para não ser linchado por aqueles que acreditavam – e muitos ainda acreditam – na UNITA, independentemente da cor facial.
Vamos esperar que os partidos se recomponham e os seus Congressos – por certo irão ter de os convocar para explicarem onde falharam – sejam o ponto de viragem na “nova” democracia angolana que se espera não seja uma democracia mexicana.
Cumprimentos
Eugénio Almeida

KimdaMagna disse...

...instalar a confusão é o ideal/meta da classe política( se considerarmos que muitos jornalistas são peças integrantes e integradas do processo político tal como o vemos à escala do planeta) e existem já paradigmas políticos enraizados por todo o lado... na confusão nós os seres humanos somos uns experts da manipulação.
Contra isto uma única "contra-acção se revela.Ensinar as pessoas a pensar. Este sim o verdadeiro "Ensino".

Xaxuaxo

Carol Vicente disse...

Tenho que discordar de vc quando se refere ao seu povo como um que perdeu o interesse pela política... bem se vê pelos comentários deixados acima. Se ainda é capaz de comentar e observar a situação do país em que se vive, pode-se dizer que esse povo interessa-se, sim meu amigo, por política. Nem tudo está perdido, acredite!
Beijo grande,
Carol

Anónimo disse...

O que se passa é que nisso de sofrer tanto o angolanos agem como mulheres/esposas de homem violento: aguentam a surra e não o trocam, porq é o pai das crianças, porq já se conhece o cheiro do corpo dele e não têm coragem de mostrar o corpo flácido ao desconhecido. Era bom q um dia desses focasse tb o fenómeno comité de quadros do MPLA q, ninguém poderá negar, dividiu a classe. Então qdo essa classe é a de jornalistas... O cão morreu!
Haemos de voltar
Cândido Kinanga

Anónimo disse...

Estamos na idade do ferro, como tal tudo está com ferrugem. Nem todos somos capazes de abraçar a politica porque nem todos pensamos com o cerebro, mas sim com o coração. Por um lado seria um mar de rosas os politicos governarem um Pais com o sentimento, por outro meus amigos seria um desastre financeiro. O Jornalista serve apenas para informar, se informar de forma incorrecta, mentirosa, ou até se tentar desinformar está a cometer um crime, isto porque pode desencadear protestos graves, podem levar os que se sentem lesados a cometer erros graves. O Jornalista tem de ser imparcial e contar toda a verdade na hora certa sem deixar margem para dúvidas, para poder sentir-se útil ao POVO e à Nação.
Este comentário serve para te dar os Parabens, serve para te agradecer a informação e para te pedir um favor.
" Meu filho, meu Amigo, meu conterrâneo não páres, vai com força, esse é o teu caminho!"
Obrigado
São

Canhanga disse...

Obrigado a todos que depositaram e depositarão, aqui, nest "post"os seus comentários. MUITO OBRIGADO à São Sabugueiro, pelo encorajamento que todos os dias me transmite.
OBS: Este artigo foi publicado no Semanário Cruzeiro do Sul na sua edição de 17 de Setembro.