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domingo, abril 10, 2011

MANIFESTAÇÕES,CONTRA-MANIFESTAÇÕES E BOMBEIROS

Exaltar os ganhos da paz, tema da manifestação dos camaradas do mpla sábado 02.04 em Viana, ou marchar para apelar à preservação da paz, tema da manifestação do mpla de 5 de Março em todo o país, são exercícios salutares que deveriam acontecer sempre e sempre, mas precedidos de uma agenda.

A máquina do meu Partido e a responsabilidade que o seu governo tem para a manutenção da paz, da concórdia e etc. são elementos mais do que suficientes para andarmos em manifestações, pelo menos uma vez por semana. Mas tudo agendado e não em cima do joelho e de forma reactiva. Temos que ser proactivos. Definir: uma manifestação por mês a favor disso, outra a favor daquilo e daquil'outro.

O que vi até agora não foi assim. A de 5 de Março saiu-se em reacção à convocação manifestativa do anónimo Agostinho Jonas Roberto dos Santos para o dia 7 diante do imortal Agostinho Neto, no largo do primeiro de Maio. E, os militantes tiveram de “apagar um incêndio”. Foram convocados de emergência para fazer a contra-manifestação. Aderiram em massa em todo o país mas, a meu ver, este não seria o procedimento mais correcto. Até porque precisamos de ouvir o que os outros pensam e pretendem dizer para que aperfeiçoemos as nossas formas manifestativas e governativa.

A segunda manifestação dos “do abaixo” foi solicitada e aprovada pelo governaador de Luanda para 2 de Abril. Antes deste acontecimento nada nos tinha sido transmitido para que realizássemos uma mega manifestação para exaltar "os ganhos da paz". Exactamente no mesmo dia marcado pelos “do contra, tão logo se soube que o governaador tinha autorizado os “do abaixo” manifestarem-se às treze horas no largo primeiro de Maio, logo logo surgiu a convocação para uma Réplica em Viana. Aliás, antecipar a contra-manifestação, pois começou às 9h00 da manhã. Isso é que não me parece correcto. Estar-se a andar atrás das realizações dos outros.

A mesma postura foi ainda tomada por várias associações criadas de forma "espontânea" que decidiram excursionar com vários jornalistas. Tudo só para desviar as atenções com assuntos periféricos. Com esses actos "bombeirísticos" conseguiu-se fazer com que centenas de  “manifestantes do abaixo” ficassem sem uma cobertura jornalística digna. Só que o povo acabou por tomar conhecimento através do palavra-passa-palavra o que é perigoso, pois contam os papás que andaram na clandestinidade que era assim que as informações circulavam. Palavra-passa-palavra. Não havia net nem leis contra a net, mas os que estavam nos Dembos ou Quibaxe apercebiam-se dos mambos combinados em Luanda e kwambilavam os outros para se organizarem à escondida até que no dia D começaram as fungutas de sessenta e um. Não é isso que nós os militantes queremos. Então, vamos deixá-los falarem e manifestarem-se de forma aberta para que não andem a combinar por aí mambos malaicos.

Outro pecado capital tem sido associar qualquer ideia de manifestação à arruaça e à guerra, um falso pretexto que serve mais para intimidar do que apaziguar. Julgo também que não era necessário desviar os jornalistas para assuntos periféricos. Bastava convocar os directores dos órgão de comunicação e perguntar-lhes:
- Mas ó meus senhores, quem foi que construiu as estradas?
- Foi o governo, camarada chefe!
- Governo de quem?
- O governo mesmo que está a governar o povo que é do mpla e o mpla é o povo!
- Então, saibam que os vossos irresponsáveis jornalistas que gostam de mandar directos sem cortar as más línguas desses gajos do contra não vão poder circular hoje! E se circularem não queremos directos. Se directarem vocês vão se ver connosco, ouviram bem?
- Sim chefe!

Bastava.
E essa de se procurar agora (re) estratificar a nossa sociedade em: 1- cidadãos do viva (esses com todos os direitos manifestativos e sem obrigação de escreverem ao governador); 2- cidadãos do abaixo (estes sem direitos manifestativos e quando excepcionalmente autorizados sempre replicados com uma contra-manifetação e outros acontecimentos periféricos para desviar as atenções); 3- agnósticos (aqueles que não alinham ou ficam sempre em cima do muro, esperando para que lado pende o fiel da balança), isso é perigoso. O país, Angola, é muito mais do que o mero exercício de louva-a-deus, lambebotismo ou o exarcerbado abaixismo de alguns camaradas. Angola é muito mais que isso. Há muito mais terreno do que essa simples quinta.

Espero que ninguém me leve a mal, por causa deste aviso, mas tive mesmo de desabafar aqui nos meus cantos dos mesumajikuka (olhosabertos).

1 comentário:

Soberano Canhanga disse...

O amigo de estimação caiu. Foi triste ver a figura de Gbagbou. Já assistimos cenas semelhantes com Foday Sanko da Serra Leoa, Nino Vieira da G.Bissau, Sadan Hussein (morto pelos americanos) e vários outros ditadores... Havia saída, mas mal aconselhado, lá se foi entretendo com as possíveis promessas de apoio, até que o sonho se tornou pesadelo...
A História começa a ser contada agora: Era uma vez Lourent Gbagbou...