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domingo, fevereiro 06, 2011

ACOLHIMENTO DE MENINAS: UM EXEMPLO QUE VEM DE SAURIMO

Nos dias que correm em que o apego material nos remete a pensar mais no EU do que nos outros, com gestos de solidariedade muito escassos, acolher em casa crianças desconhecidas é obra cada vez mais rara.

Mas há quem ainda conserve os "velhos" sentimentos de amor e sencibilidade em relação a dor e sofrimento do próximo. Uns apoiando as instituições vocacionadas para acolher os desfavorecidos, uns tomando, eles mesmos, as rédeas, fazendo de suas casas familiares autênticos lares de acolhimento de menores e outros lançando apelos e divulgando os bons exemplos para que outras pessoas os sigam.

Em Luanda, por exemplo, tornaram-se conhecidos os exemplos do Padre Horácio ao Palanca, o Centro de Acolhimento da Praia do Bispo, o CAMEHA- Centro de Acolhimento de Meninas Horizonte Azual, em Viana, entre outros que acolhiam/acolhem/ meninos de rua/na rua. Mas nas provincias do interior,  onde a guerra e os seus efeitos foram mais devastadores, onde as oportunidades financeiras das famílias são cada vez manores e insignificantes as possibilidades das autoridades governamentais e afins fazem face à demanda, quem cuida do apoio, sobretudo, as meninas desprotegidas e sem familias?

Da Lunda Sul (Saurimo) trazemos um exemplo que por ser pouco ou nunca divulgado pela media achamo-lo merecedor desta prosa. Natália Ikulo é uma senhora comprometida com o assistencialismo social. Trabalha na representação do MINARS e fez da sua residência privada um centro de acolhimento de meninas e meninos desprotegidos e renegados que sem a sua mão estariam ou sem vida ou em condições de vida deploráveis.

Conta que "existiu um ensaio de 'casa de meninas' em Saurimo (iniciativa da igreja Católica que possuia uma residência num dos bairros) que albergava cerca de trinta de meninas. A coisa evoluia com a inter-ajuda entre o MINARS e a Igreja", disse, mas um dia a madre responsável entendeu constituir família e depois adoeceu a senhora que cuidava das meninas. "Sem a madre e sem a velha que cuidava delas,  temendo-se que acontecesse o pior com as meninas,  a casa foi encerrada,". Aflita, a directora da Assistência e reinserção Social, só teve uma solução: levá-las (cerca de trinta) para a sua residência particular.

"Atendendo que o lugar da criança é na família, com o tempo fui me informando de quais delas tinham familiares próximos com possibilidades financeiras e de acolhimento e iniciei a reunificação familiar daquelas que era possível. Mesmo assim fiquei com umas dez e o número se vai mantendo, atendendo as que se casam e as novas crianças que entram", explicou e vimos no terreno.

"A menina mais nova tem uns 4 anos e foi-lhe entregue com dias, estando o rapaz 'caçula', negado pelo pai depois da morte prematura da mãe, com já sete anos", contou orgulhosa.

Exemplos como esse, o da dona Natália Ikulo, merecem elogios, incentivos e divulgação. Para que mais pessoas sigam o seu caminho e se possa dar um sorriso a crianças que dele necessitam.

Façamos a nossa parte, apoiando instituições e famílias que albergam crianças em situação difícial, recolhendo, pelo menos, uma criança em nossa casa e contribuindo com o "nosso pouco".

Lembre-se que gestos simples produzem grandes obras: A comida que todos os dias deita ao lixo pode sustentar mais uma boca. A roupa que deita fora porque está fora de moda pode vestir uma criança carenciada... Há sempre uma formas de ajudar a tornar este mundo mais feliz.  

1 comentário:

Sergio Paiva disse...

Gosto muito de teu trabalho e da forma como tu escreves. Parabéns e prossiga!