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sexta-feira, janeiro 23, 2009

A INDÚSTRIA RURAL DOS AMBUNDU DO K-SUL


Texto em Construção

Ù-XILA (fabricar) utensílios de pesca, de cozinha, de caça, de canto e dança, de uso quotidiano é uma das actividades complementares para os Ambundu do Kuanza Sul.

Produzem-se para a caça arcos e flechas, cacetes, armadilhas diversas; para a pesca anzóis, redes, armadilhas diversas, nassas entre outros; para a casa e cozinha, xisa1, (esteira), Musalu (peneira), kinda (balaio), kualo (cesto), produtos de olaria como panelas e moringues à base de argila, almofariz e pilão; batuques e guitarras, chocalhos, dikanzas, entre outros instrumentos para o canto e a dança; para a agricultura charruas e arados puxados por bois; e ainda a destilação do makiakia (kaporroto) que aquecer as noites frias e "alegra os tristonhos".

A matéria-prima vem geralmente da natureza no seu estado mais puro, como árvores, fibras, junco e argila. O ferro e outros metais, retirado essencialmente de carros acidentados e restos de obras industriais, alimenta os foles dos ferreiros e a perícia dos funileiros que dão a forma desejada a pedaços de cada metal recolhido.

A destilação (kualula) complementa o rol desta actividade. A banana, a cana, a batata, o milho, a mandioca, o maluvo (vinho de palma), o ananás e outros frutos são as matérias primas para a destilação de bebidas alcoólicas, uma prática que vai perdendo peso na economia rural, tendo em conta a facilidade de obtenção de bebidas industriais através da compra ou da permuta por produtos campestres.

Nos anos recuados (década de oitenta e noventa do sec. XX) era comum cada família possuir o seu alambique (destilaria) que era igualmente uma unidade económica familiar na medida em que o makiakia não só era usado para oferendas em óbitos e outros eventos comunitários, mas também vendido ou permutado por outros produtos e serviços campestres. Estávamos perante comunidades com índices de monetarização extremamente baixos, sendo a permuta a principal actividade mercantil. Hoje o cenário é diferente e o que se vive é um meio termo entre o moderno e o tradicional.


1- na grafia ambundu e de acordo às regras do CICIBA a fonética do s, mesmo quando entre duas vogais, equivale a ss ou ç.

Luciano Canhanga

1 comentário:

Angola Debates e Ideias. Gociante Patissa disse...

Haveria alguma forma de levar ao conhecimento (cada vez maior, presumo) dos teus ensaios especialmente aos estudantes da região? Fica bem!
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Por ourta... Oi Macedo, essa reflexão sobre o outro lado do eventual mérito em "Mamã Coragem"(ou apenas questão de marketing?) está desde há pouco retomada no meu Blog. Copiei também o comentário do parceiro Canhanga.
Abraços!