Publicado pelo jornal Nova Gazeta a 01.06.2017
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segunda-feira, maio 29, 2017
ALFARRABISMO E KISALU DAS LETRAS: UM RESGATE NECESSÁRIO
Publicado pelo jornal Nova Gazeta a 01.06.2017
quinta-feira, maio 25, 2017
PESQUIZANDO MINHAS ORIGENS
segunda-feira, maio 22, 2017
MALAVU OU LUNGILA?
- Então, vai uma bebida?
- Sim. Sirva Lungila!
Kipala kya Samba (rosto de Samba), Kwanza-Sul.
Kambambi (friozinho), Kwanza-Norte
Pedra Escrita (anúncio publicitário feito em pedra deu nome à aldeia) no Libolo), etc.
Por isso, política é política. Entre os do Uije nem todos são bakongu!
Texto publicado pelo jornal Nova Gazeta, 11.05.2017
segunda-feira, maio 15, 2017
UMA “CARTA” AO FUNCIONÁRIO PÚBLICO
Para Taylor, a primazia recaía na tarefa. Homem-tarefa-ferramenta. Cada um procurava executar, com o máximo de destreza, a tarefa única que lhe era incumbida, chegando a executá-la de olhos fechados; a produção industrial ganhava corpo. Charles Chaplin satirizou essa época.
Já Max Webber, considerado um dos fundadores do estudo sociológico moderno, foi mais além, afirmando: “O homem formado, capacitado, motivado e remunerado à medida do seu desempenho é factor de produção e criação de lucro que proporciona o crescimento das organizações e das sociedades”. Porém, que tal se os procedimentos para a execução da tarefa fossem descritos em uma pauta, de tal sorte que qualquer que venha contratado possa executar a mesma tarefa sem desperdício de tempo para a aprendizagem e sem margem para grandes erros na execução da actividade que estava acometida a uma outra pessoa? A pauta ou a sistematização de Webber constitui-se num avanço à ciência da administração.
Olhando para esse percurso histórico de mais de três séculos, notamos, entretanto, que todas as teorias não se anulam entre si. Antes, se complementam.
O pensamento moderno leva-nos a valorizar a equipa ou o grupo. Tanto mais que em muitas organizações fazem-se contratos de trabalho em grupo, criam-se organizações que velam pelo grupo, e mesmo na realização de tarefas a primazia vai para o trabalho colectivo, cujo resultado deve ser mais do que a soma de todas as partes (cada uma tem tarefas específicas, interage com outros integrantes da equipa, comparticipa noutras tarefas, sugere, etc.).
Mesmo assim, o foco na tarefa, de Taylor, não ficou ultrapassado, pois, nos dias que correm, escasseiam pessoas que executem tarefas no tempo certo, com o resultado ansiado e sem inundar o líder de exigências e questionamentos prévios.
Essa reflexão induz-nos a revisitar o livro de Elbert Hubbard “Uma carta para Garcia”, que é somente um dos cinco livros mais vendidos em todo o mundo:
“Estava-se em finais do século XIX, e desenvolvia-se a luta pela emancipação de Cuba. Os Estados Unidos estavam em guerra com a Espanha (potência colonizadora de Cuba). Garcia era o general cubano revoltoso contra Espanha, suposto aliado dos EUA que também guerreavam Espanha por uma outra causa. Com a Espanha sufocada, os EUA pretendiam encontrar Garcia que se encontrava incerto nas montanhas interiores da ilha. Que fazer? O Presidente dos EUA precisava de um emissário que levasse a carta a Garcia que se achava em sítio incógnito. O homem que lhe foi apresentado, simplesmente pegou a carta, a impermeou, pegou numa canoa e, onde não pôde navegar, meteu-se no sertão até encontrar Garcia”.
Homens assim, que “levam a carta ao Garcia”, são ou não imprescindíveis à organização?
domingo, maio 07, 2017
O PRATO DO VELHO LUMINGU
— Minhas irmãs, meus irmãos… hoje vou-vos contar a história de Wazedywa e do velho Lumingu. Isto não é invenção. Isto é vida a falar. É Cristo que manda informar!
Kapitia levantou o dedo:
— O velho Lumingu já não tinha mão firme. Por força da idade, tremia como folha de mulemba ao vento. À mesa, caía prato, caía copo, caía talher… só não caía ele porque o Altíssimo o sustentava!
— Aleluia! — disparou o Irmão Pirigo, mais rápido que o pensamento.
Kapitia prosseguiu:
— Mas quem não sustentava era a nora dele, Kimone. Bastava o velho deixar cair uma colher, e ela já começava: “O meu enxoval está a desaparecer mais rápido que salário em casa de endividado!”
— Essa mulher precisa de jejum de três dias…
O irmão Pirigo, sentindo oportunidade de parecer sábio, exclamou:
— Cada um come conforme o destino que plantou!
Kapitia olhou para ele com firmeza:
— Irmão Pirigo, deixa Cristo falar primeiro.
E continuou:
— O velho Lumingu nada dizia. Nem força tinha para reclamar. Comia devagar, bebia resignado… e só olhava para quem o entendia: o neto Mesu‑a‑Yadi.
Quando Wazedywa e Kimone foram ver o que ele tramava, encontraram-no cercado de talheres, pratos e copos de madeira, tudo tão bem trabalhado que parecia obra de artesão.
— Filho… para quê isso tudo? — perguntou Wazedywa, a voz trémula.
E Mesu‑a‑Yadi respondeu, sério como profeta:
— É para vocês. Para quando tiverem a idade do vovô. Quero adiantar, não vá eu já não ter mãos firmes nessa altura.
— Estão a ver, meus irmãos? A colheita já começou!
A congregação murmurou um “amém” desconfiado, porque conselho vindo do irmão Pirigo sempre precisava de sal e discernimento.
Kapitia fechou a história, mas abriu o coração:
— Meus filhos na fé, aprendam o que a vida está a gritar aqui! Hoje é o velho Lumingu… amanhã seremos nós. Hoje é ele que treme… amanhã serão as vossas mãos a falhar. Não desprezem quem vos deu mundo, porque o mundo devolve tudo o que recebe.
Levantou a Bíblia:
E acrescentou, com voz firme:
Olhou para o rebanho e concluiu:
Ergueu a mão e finalizou:
— Que Deus abençoe a Sua Palavra!
