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quarta-feira, abril 27, 2016
PARABÉNS MINEIROS ANGOLANOS
segunda-feira, abril 25, 2016
10GRAÇA NO COME CENOURA
segunda-feira, abril 18, 2016
A REVOLUÇAO COM PEIXE E FUBA
Aos sábados, dia de honga, caminhávamos a pé. Rangel, Karyangu, Palanca, Sanatório, Kapolo, e chegávamos ao campo agrícola, também campo militar.
Já ajudei a apanhar katatu (lagartas) em folhas de ditumbate. Também já escalei peixe e cuidei dele para que secasse e fosse enviado ao Libolo para troca com macroeira
Era ainda minha missão ir à loja do povo (os supermercados daquele tempo) ir à padaria, ao talho, loja do gás e peixaria onde as filas eram enormes, os empurrões e kisendes que não escolhiam nem poupavam idosos, grávidas e crianças, confundindo-se homens e pedras que representavam homens. Depois das compras, transportadas à cabeça ou carro-de-mão quando vizinho houvesse para emprestar, o tio mandava dar uma porção lá para casa.
segunda-feira, abril 11, 2016
DIALOGAR MAIS E DE FORMA DIRECTA!
segunda-feira, abril 04, 2016
A PAZ QUE "ESTAMOS COM ELA"
Os tugas que nos legaram a língua de que me sirvo para teclar e falar têm um marco em Abril chamado "abrilada". Está ligado à sublevação miguelista no período da monarquia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Abrilada).
Para nós angolanos, Abril nos leva à paz que perseguíamos havia séculos. Primeiro registamos lutas entre povos que habitavam o mesmo território, depois a colonização, expropriação, tráfico de escravos e os pseudo contratos que foi escravatura interna, seguiram-se a luta de resistência à ocupação colonial, a luta pela independência (14 anos), guerra civil pós-independência (17 anos) e finalmente a guerra pós-eleitoral (10 anos). Porém, pelo método menos esperado, a paz chegou e já leva 14 anos.
quinta-feira, março 31, 2016
GRANDEZAS DE PARTE E ARREGAÇAR AS MANGAS
segunda-feira, março 21, 2016
AMORES DE MEL´AÇO
segunda-feira, março 14, 2016
O SAPO E O SALALÉ
segunda-feira, março 07, 2016
BIFAGRANDO: UM BIFE DE BAGRE
Olhem!
terça-feira, março 01, 2016
A VALORIZAÇAO DO SERVIDOR PÚBLICO
domingo, fevereiro 28, 2016
MATEUS 5:25
Na IPM, onde as pessoas se entregavam a granel e depositavam os seus poucos proventos na esperança da repetição do milagre dos “peixitos e pãezitos”, vivia‑se a melhor época de colheitas. A alta hierarquia, à semelhança dos agentes comerciais mais ousados, publicitava a fé nas rádios, nos jornais, nos outdoors e inundava as artérias das cidades com panfletos em busca de fiéis.
Os aflitos ocupavam as primeiras fileiras; os mais ou menos iam hesitantes; e os ricaços só apareciam para lav(r)ar o dinheiro.
Naquele domingo de chuva e sol, era do alto do púlpito que o eloquente pregador Kabwiza soltava a voz, como nunca antes, fazendo lembrar os anjos celestes com as suas arpas melodiosas.
E todos entoavam, radiantes:
“Tempos de colheitas…”
O piano soluçava as pausas e empurrava os tons altos. Até os mudos pareciam cantar no íntimo; os surdos balançavam na mesma cadência, jurando ouvir “messes abundantes havemos de trazer”.
Os balaios passavam sem descanso. Era o espremer das carteiras e o sacudir das algibeiras até ao último centil. Cantou‑se para a acção de graças. Depois para o fundo de construção. Depois para a oferta dominical. Depois para o dízimo.
Kabwiza ergueu a voz:
— Roubará o homem ao seu Senhor a décima parte que lhe é devida?
O NÃO massivo veio como trovão:
— NÃÃÃOOO!
— Cantemos então o “Madibesa kala nvula”.
O cântico — roubado do hinário da velha congregação Centenária — era a versão em kimbundu do primeiro hino que haviam entoado em português. Para os membros da Centenária, a IPM era “roubadora de hinos alheios”, e quase sempre mal cantados: serviam apenas para encaminhar o povo ao balaio.
Mas Madibesa kala nvula era um trunfo. Cantavam-no todos, até os que não entendiam a letra, ou não sabiam que era o mesmo “Tempos de colheita” ali gatunado da Centenária, de maioria ambundu.
Cantou‑se “Twabingi nvula kokwê”, e tombaram dízimos, vinténs e outras partes emotivas.
No fim da cerimónia, pastor e tesoureiro seguiram pesados numa viatura que os rapazes do bairro chamavam de “agarra esse bebé”: um Suzuki Alto já roçado nos quatro cantos, graças à inexperiência de quem ganhara o primeiro carro sem ter estrada nos olhos.
Iam cinco no minúsculo “bebé”, apertados, suados e sedentos.
Na curva derradeira antes de casa, lembraram‑se de parar para comprar água. Os homens da farda — encarregados de garantir a segurança e regularidade do tráfego — também banzelavam nos feriados que se aproximavam. Mas foram as mazelas do carrinho, já a perder a brancura original, que lhes chamaram a atenção.
— Quem vai à loja tem dinheiro, murmurou um deles.
Posicionaram‑se estrategicamente num largo de pouco movimento, onde quem transitasse teria de abrandar. E, quando o Suzuki se aproximou, mandaram encostar.
— Bom dia, senhores! — saudou o agente, pedindo de imediato os documentos da viatura e os do condutor, que guardou no bolso sem sequer olhar.
— Cinco pessoas nesse carro é muita gente. De onde vêm e para onde vão, mais‑velhos? — perguntou.
— Vimos da igreja e vamos para casa, chefe — respondeu o pastor Kabwiza.
O agente secundário, mais afastado, quis saber:
— Alguém aqui é pastor?
— Sim, chefe. Eu mesmo. Por isso peço que veja os documentos e nos deixe seguir. O céu está a escurecer, e com este carro não dá jeito andar no bairro — disse Kabwiza, quase suplicante.
O terceiro agente apontou para o saco no banco traseiro:
— E esse embrulho? O que tem aí?
— É oferta, irmão. Dinheiro sagrado de Deus — apressou-se a explicar o tesoureiro.
O chefe dos fardados avançou:
— Então, irmãos… vocês são cinco, e nós também somos cinco. Tenho uma dúvida que vem na Bíblia. O pastor pode ajudar-me? Depois disso devolvo os documentos.
— Está bem, filho. Qual é o capítulo? — perguntou Kabwiza, já percebendo o enredo.
— Mateus 5:25 — recitou o agente, firme.
Kabwiza abriu o sacro-livro e leu:
“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele;para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda,e sejas lançado na prisão.Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dalienquanto não pagares o último ceitil.”
Não foi preciso explicar nada. Os fardados tinham feito o trabalho de casa. O pastor compreendeu a mensagem, fechou o livro, saiu do carro e, num gesto sereno, transferiu discretamente os seus últimos centis da algibeira para a mão vazia do agente de caqui — a mesma que ocultava os seus documentos.
domingo, fevereiro 21, 2016
D0 ALTO DA CELA E TUNDAVALA
Quem
visita Luvangu e não vai à Leba é como ir a Roma e não chegar ao Vaticano.
Dizem. A estrada que desafia a escarpada serra
da Leba é uma "serpente" enrolada sobre a montanha vertical. A
natureza fez a sua parte e o homem engenhoso complementou com a escada sobre o
"edifício" de dezenas de andares. Que maravilha! 
