Translate (tradução)

quarta-feira, abril 29, 2026

RECUO NO TEMPO, AVANÇO NA CONSCIÊNCIA

Estive em Pequim, na segunda semana de abril de 2026. Caminhei por ruas largas, atravessei pontes discretas e observei, quase sem dar por isso, canais urbanos por onde a água escorria com ordem e disciplina. Só mais tarde compreendi plenamente que aqueles rios artificiais — aparentemente silenciosos — eram, afinal, um dos pilares invisíveis da normalidade urbana que ali se vive.


Em Pequim, os rios urbanos funcionam como uma rede de escoamento controlado: recolhem as águas pluviais, encaminham-nas para destinos adequados e evitam inundações repentinas, sobrecarga dos sistemas de esgoto e perturbações crónicas à mobilidade. Na prática, esses canais impedem que a cidade fique paralisada após cada tempestade. Traduzem-se em vidas poupadas, vias desobstruídas e actividade económica contínua. A água cai, é absorvida, conduzida e devolvida à natureza sem drama — como se assim devesse ser em qualquer grande cidade.

Coincidentemente, era nesse mesmo período que Luanda e Benguela enfrentavam chuvas intensas, com enchentes devastadoras que implantaram luto e provocaram perdas económicas avultadas a inúmeras famílias. Enquanto eu observava, do outro lado do mundo, a serenidade de uma cidade preparada, chegavam notícias de bairros alagados, casas destruídas, crianças impedidas de ir à escola e famílias obrigadas a recomeçar do nada. O contraste não poderia ser mais cruel — nem mais pedagógico.

Em Luanda, a ausência de uma drenagem estruturada, composta por rios artificiais e corredores hidráulicos planeados, produz exactamente o oposto do que vi em Pequim. Sem uma infraestrutura capaz de dar vazão às águas pluviais, cada chuva forte transforma ruas em torrentes, bairros inteiros em lagoas improvisadas e esgotos em fontes abertas de contaminação. A cidade deixa de funcionar, a dignidade humana fica suspensa e o prejuízo acumula-se como lama depois da enxurrada.

As consequências são diretas e dolorosas.

Para as pessoas, traduzem-se no aumento de doenças de veiculação hídrica, como a cólera e a febre tifóide; em desalojamentos recorrentes; na perda de bens arduamente conquistados; no risco permanente de afogamentos; e na interrupção do acesso a serviços essenciais como escolas, hospitais e mercados.

Para a economia, revelam-se na paralisação do comércio formal e informal, na destruição acelerada das infraestruturas viárias, em custos elevados com reparações sempre emergenciais e nunca estruturais, na queda da produtividade devido às faltas ao trabalho e no aumento dos custos logísticos para a distribuição de bens.

O mais inquietante é que nada disto é surpresa. O caos hidrológico repete-se ano após ano, estação chuvosa após estação chuvosa, como se fosse um destino inevitável e não o resultado directo de opções — ou da ausência delas.


Por isso, depois do que vi em Pequim e do que sabemos que aconteceu, mais uma vez, em Luanda e Benguela, a pergunta que se impõe já não é se Luanda precisa de uma drenagem urbana composta, que inclua rios artificiais planeados e integrados à cidade. A verdadeira questão é por quanto mais tempo continuaremos a pagar, em vidas humanas e em recursos financeiros, o preço devastador da sua ausência.

E cada chuva que cai sem encontrar caminho é, no fundo, um lembrete de que a água segue sempre o seu curso — cabe às cidades decidir se esse curso será a favor ou contra elas.

quarta-feira, abril 22, 2026

P’RA QUE SÓ MANGODINHO? ESSA TUA MORTE É ILEGAL

[Réquiem a Mangodinho]

Não podias, Mangodinho. Você não presta, morrer até podes — a carne é tua — mas, assim também, não.  

Era Man Barras excessivamente inconsolável. Ele soube da notícia sobre a morte de Mangodinho no telejornal, pela voz penetrante do jornalista Ernesto Bartolomeu, filho do Sambila, o mesmo lugar de nascimento de Gelson Caio, o kudurista Nagrelha.  

Em segundos, a notícia se replicou por todos os canais de comunicação pública e privada, assim como nas redes sociais, onde o falecido tinha uma presença de devoção.  

Mangodinho "deu o cardete”.  Mangodinho era uma personalidade que contrastava entre a humildade do campo e a matreirice da cidade. Aquele corpo baixinho e cheio de energia era deveras electrizante. “Sem sintomas notoriamente preocupantes, vens bater as botas assim do nada!”  

Lamentava Man Barras, sentado no cadeirão, enquanto mudava de canais sem se perceber do que realmente procurava. Via-se que estava com alguma carga de nervosismo, possuído de tensões hipertensivas próximas da explosão.  

“Epá, isso até custa a acreditar. Numa altura em que estou a me candidatar para um cargo superior do partido no próximo congresso e, como prometido, contava com a tua incondicional ajuda… você, meu camarada, morres assim do nada?! Já viram? Sinceramente, não foi isso que combinamos.”  

No seu município, tanto o administrador e os seus adjuntos, o pessoal da secreta, os sobas, os padres e pastores religiosos, até os de gado, todos sabiam da sua ligação a figuras importantes de Angola. Falava com os próprios mandachuva, gajos de xixi grosso.  

No leque das amizades influentes de Mangodinho incluía-se o primeiro presidente do país e os seus colaboradores diretos. Isso, segundo ele.  

Conseguiu manter próxima a relação com os coadjuvantes do atual chefe de Estado e circulava bem diante de algumas celebridades, principalmente as do sexo feminino. Diz-se que era o fornecedor da wanga para estas subirem na vida ou, em determinados casos, assegurarem a impossibilidade da perda dos maridos na relação.  

Conta-se que ajudou na formação de muita gente: mandava os filhos dos irmãos, dos primos e até de vizinhos para bolsas de estudo em Cuba, na Jugoslávia ou na URSS. Ele era uma espécie de INAB num único corpo.  

Como podemos ver, diante de tão célebre figura, com níveis de relações humanas ao mais alto padrão social, um pedido deste filho de Caculo era praticamente inegável. Conforme tinha sido acertado, era com essa influência toda de Mangodinho que o seu amigo Man Barras contava para atingir os altos escalões na cúpula do seu partido na próxima campanha eleitoral.  

Eles conheceram-se na tropa, estiveram no mesmo centro de instrução e fizeram juntos a especialidade em artilharia terrestre. Desde então começou uma grande amizade, onde se incluía a partilha de coisas em comum.  

Longe das suas terras de origem, quando Mangodinho “meteu barriga” numa menina que fazia parte da população que a tropa teve de trazer para as proximidades do posto de comando, com o propósito de protegê-las das ações do inimigo, foi Man Barras quem se apresentou como tio da parte de pai.  

Mesmo sendo de províncias diferentes, o contexto político evocava a união entre os cidadãos da mesma pátria. Aliás, essa era uma palavra de ordem.  

No entanto, passada esta fase, com o país já em paz, depois de desmobilizados das forças armadas, Mangodinho voltou para o seu Kalulu, enquanto Man Barras preferiu Luanda, por ter percebido que na capital as suas pretensões políticas teriam sucesso próximo dos órgãos de decisão.  


Isso ajudou, de certa forma, a manter a ligação com o seu amigo, visto que sempre que o primeiro viesse à cidade, tinha como local de hospedagem a residência do seu amigo de tropa — casa de onde partia ou era apanhado para tratar de negócios, visitas, tratamentos e outros.  

Ter ouvido que Mangodinho morreu foi o maior golpe que podia receber. E agora?!  

Como ficam agora as influências para a minha promoção?  

Como fica a minha nomeação a deputado ou a governador provincial?  

Os carros de luxo e a secretária executiva de salto alto?  

Como ficam os guarda-costas e o motorista protocolar e da residência?  

Como fica o futuro cargo de embaixador, quando entrar para a reforma?  

Como fica a possibilidade de ter um quarto privativo no melhor hotel do país?  

As viagens em executiva e o passaporte diplomático, com acesso à sala VIP, é como?  

“Ó meu Deus… me leva também, Mangodinho.” Chorava desamparado durante todo o velório, tendo mesmo desmaiado na altura da descida da urna à última morada.  


Lauriano Tchoia (de mui feliz memória)

sábado, abril 18, 2026

AS MÁQUINAS DE DACTILOGRAFIA: MEMÓRIA MECANOGRAFADA

A máquina de dactilografia foi um instrumento seminal que materializou o pensamento em texto tangível, dominando escritórios, redacções e lares durante mais de um século. A sua história, da aparição à obsolescência, entrelaça-se com a evolução tecnológica e com as memórias íntimas de quem, como eu, aprendeu a dar vida às suas teclas.

A sua aparição remonta ao século XIX, mas foi no século XX que se consolidou como símbolo de modernidade administrativa. Em Portugal e nas suas então colónias, como Angola, adoptou um layout distintivo: o teclado português, uma variante do AZERTY. Este padrão, presente em máquinas icónicas como as Olivetti, definiu a experiência de gerações de utilizadores. Foi numa dessas Olivetti que eu própria aprendi a teclar, apoiado por um manual de dactilografia que a minha amiga Ilda Branda me ofereceu, depois de ela ter frequentado um curso numa igreja perto do Triângulo do Rangel, paredes-meias com o Centro de Saúde da mesma área. Dominar a sua lógica [o posicionamento das teclas e a distribuição pelos dedos] tornou-se uma arte valorizada, uma nova habilidade profissional conhecida como dactilografia.

Quem possuía essa destreza levava uma vantagem considerável. Ter uma máquina própria e o empenho para "ensaiar velocidade", como foi o meu caso, concedia uma superioridade palpável. O resultado era que, nas palavras do linguajar angolano, "ninguém torrava farinha comigo". Sim, poucos igualavam a minha velocidade e habilidade ao teclar. Esta competência distinguia os seus possuidores no mercado de trabalho, sendo um trunfo inegável, por exemplo, nas redacções de jornais e rádios angolanos ou nos comissariados comunais e municipais, onde as máquinas de escrever eram dominantes em relação à tímida aparição dos primeiros computadores até finais dos anos 90.

A transição para o digital não foi imediata, nem isenta de hábitos arraigados. Levei para o teclado digital a força que se impunha no teclado mecânico e, ainda hoje, sinto a falta do feedback táctil e sonoro da máquina de escrever. Gosto de ouvir o tic-tic-tic do teclado pressionado, um som que é, em si mesmo, uma viagem no tempo.

A desaparição destas máquinas foi gradual, acelerada pela massificação do computador pessoal. Hoje, são artefactos que contam uma história material do trabalho intelectual. Para a geração que as usou, são ícones de uma competência distintiva e provocam uma imediata "viagem no tempo". Para as gerações mais jovens, são relíquias de um tempo em que escrever era um acto físico e irrevogável. A sua preservação é, portanto, crucial, convertendo os antigos meios de trabalho em memória histórica viva de um tempo mecanografado que já não volta.

segunda-feira, abril 13, 2026

FOGO, SAL E ALGO REFRESCANTE

Apossado de fome, às vezes combinada com a sede, já comi carne assada sem sal, depois de caçadas colectivas. Sabia bem. O suco da carne quente e meio assada cumpria o papel de desidratante em dias solarentos, em jornadas sob fogo e calor intenso. Carne totalmente crua, nunca!  

Não sei se entre o fogo e o sal qual terá sido a primeira descoberta do homem primitivo. Imagino a alegria do meu ancestral quando, pela primeira vez, viu doseados sal e fogo sobre carne tenra, acabada de caçar. Talvez tenha sido nesse mesmo dia que pensou em extrair a seiva da palmeira (maluvu). A primeira lhe soube doce, gaseificada e refrescante. Mas a do dia seguinte, colectada numa cabasa (casco seco de fruto) foi diferente. O homem teve então um almoço inédito: carne salgada, assada e acompanhada de maluvu doce e entorpecente.  

Aprecio Moët & Chandon, mas J.C. Le Roux talvez se tenha inspirado nesse homem primitivo que descobriu o prazer da combinação entre fogo, sal e bebida doce e fermentada.  

O gesto ancestral de assar carne e temperá-la com sal pode ser visto como o primeiro acto de cultura gastronómica, uma vitória sobre a natureza bruta. Como escreveu Lévi-Strauss, “o cru e o cozido” marcam a passagem do natural ao cultural. O fogo não apenas cozinhou a carne, mas também iluminou o espírito humano. O sal, por sua vez, tornou-se símbolo de aliança e permanência. “Vós sois o sal da terra”, diria mais tarde o Evangelho cristão.  

Assim, entre fogo, sal e seiva fermentada, nasceu o alimento e a comunhão. A festa e a memória. Cada gole de espumante moderno, cada taça de vinho, carrega em si esse eco longínquo: a celebração da vida que começou à volta da fogueira.


Publicado no Jornal Pungo a Ndongo a 24.04.2026

domingo, abril 05, 2026

DA INUNDAÇÃO À COMUNHÃO

No sábado, 4 de Abril, choveu torrencialmente em muitas partes de Luanda. No bairro Vila Nova, em Viana, as consequências foram pesadas: prejuízos materiais, financeiros e morais. O volume da água que invadiu as casas chegou a um metro de altura, com força suficiente para pressionar portões e portas. As tampas das sargetas desprenderam-se, vencidas pela pressão da macro-drenagem. Quintais e 


cómodos ficaram irreconhecíveis, cobertos de lama.

Alguns vizinhos, mais atentos, pensaram: 

“É preciso reparar os estragos de hoje e prevenir repetições no futuro.” 

A maioria, porém, preferiu procurar por um culpado.  

— É culpa do vizinho Mona-a-Chico, último a chegar, que ergueu a sua casa onde a água passava — acusavam, sem nexo.

Na manhã seguinte, domingo de Páscoa, Maria, conhecida vizinha simpática de há muitos anos, bateu à porta:  

— Com licença, vizinho Mona-a-Chico! Hoje não dormi. Vivo aqui há vinte e cinco anos e a minha casa nunca inundou. Os vizinhos têm de partir o vosso muro para deixar a água passar. Vou à igreja, mas os demais virão falar convosco.  

Transtornada pelos prejuízos, lia-se-lhe nos olhos que a mulher precisava de atenção e compreensão. Não adiantava falar-lhe de aquecimento global, ciclos pluviais ou qualquer outra catequese.  

— Está bem, mana Maria. Estaremos aqui até às onze horas e falaremos com os vizinhos — respondeu o acusado Mona-a-Chico.

Não chegou a hora marcada. Ao redor do portão juntaram-se meia dúzia, uma dezena e outros que foram chegando depois.  

— Vizinho, viemos para conversar. O volume de água, ontem, foi intenso e os prejuízos enormes. Só juntos poderemos minimizar os efeitos futuros. O vizinho aceita fazer parte da solução? — perguntou o mais velho, com voz firme.  

— Aceito, desde que envolva a todos. Qual é a proposta? — indagou Mona-a-Chico. Já tinha percorrido a cercania da casa e observado a quota de transbordo da lagoa de Terembembe, os bancos de areia escavada e o lamaçal nas ruas e quintais. O dele, apesar de alicerces altos e porta de escape para água excedente, estava entre os afectados.  

— Notamos que, se colocarmos uma barreira transversal e altearmos as três ruelas, poderemos conter a entrada da água e lidar apenas com o que cai das coberturas das nossas casas. Para isso, temos de nos unir e contribuir.  

Concordámos. Fizemos uma ronda colectiva, criámos um grupo de WhatsApp, medimos a largura das ruelas e avaliámos a quantidade de material necessária. Dois vizinhos ofereceram blocos de cimento e malhassol. As contribuições financeiras seriam definidas após cálculo dos valores. Vizinhos que nunca se viram, ou que se vendo nunca se cumprimentaram, juntaram-se para a mesma causa.

Enquanto o grupo procurava consenso, surgiu o camarada Cipriano, Presidente da Comissão de Moradores do bairro Vila Nova, homem de mais de sessenta anos, que exerce o cargo há mais de uma década.  

— Bom dia, senhores e camaradas! Sou o Presidente da Comissão do Bairro Vila Nova. Estou a percorrer as ruas para aferir os estragos. Peço que me remetam imagens para que eu as faça chegar à Administração — apresentou-se, com voz segura, anunciando de seguida que tem o mandato a terminar e que a escolha do seu substituto seria na semana seguinte.  

Conhecido por poucos e reconhecido por um, Cipriano identificou, antes de se retirar, o camarada Mona-a-Chico, que em tempos propusera uma acção solidária para abrigar uma idosa vizinha, cuja casota sofria constantemente com a passagem da água da chuva. Infelizmente, a iniciativa morreu por falta de consentimento do dono do terreno, mas ficou conhecida pela vizinhança como exemplo de solidariedade.

É que da inundação nasceu a comunhão.

quarta-feira, abril 01, 2026

CONTRA-CAPA: O" GAJO DO PASTOR"


Onze crónicas. Um país inteiro.

Uma igreja que é rua, e uma rua que é igreja.

Em “O Gajo do Pastor”, Soberano Kanyanga conduz-nos ao coração da religiosidade popular angolana — um espaço onde o sagrado e o mundano se abraçam como velhos conhecidos. Aqui, a fé não é passagem isolada de domingo: é rumor de bairro, é conversa de autocarro, é filosofia de quintal, é música de culto misturada com gargalhada, é memória trazida das aldeias e adaptada aos becos de Luanda.

Nesta colectânea, desfilam personagens inesquecíveis:
Kitembu, que interpreta a Bíblia com mais fé do que método;
Kanhanga e Kilole, mestres da provocação saudável;
Kapitia, teólogo de banco de praça;
Kaxikana, filósofo etílico de grande profundidade e pouca sobriedade;
Tt, Aida e Henriqueta, vozes femininas que carregam o peso, o riso e a memória das comunidades;
— e os pastores — humanos, falíveis, às vezes santos, às vezes apenas… pastores.

Entre velórios animados, cultos superlotados, escândalos de corredor, sermões interrompidos, discussões bíblicas de esquina e pequenas teologias domésticas, estas crónicas revelam uma Angola onde a fé é sobretudo vivida — não idealizada.

São histórias que se leem com o encanto de quem escuta as tias mais velhas à porta do quintal, ouve os kotas no banco corrido do mercado, ou acompanha os jovens nos coros e nas conversas que antecedem o culto.

“O Gajo do Pastor” é uma celebração do povo angolano: das suas fragilidades, das suas resiliências, dos seus pecados confessados e dos inconfessáveis, das suas piadas ancestrais e da sabedoria que só a vida sabe ensinar.
No cruzamento entre a fé e o riso, a moral e a sobrevivência, estas crónicas lembram-nos que Deus escreve direito… mas o povo angolano lê sempre com humor.

Porque, nesta Angola viva e contraditória, a graça divina também se manifesta pelas gargalhadas.