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quarta-feira, agosto 21, 2013

NUVEM DE POEIRA: UM PERIGO À VISTA?

Nuvem de poeira levantada por britadeiras operadas por chineses, portugueses e alguns angolanos, na Lunda Sul.
A menos de 1km da zona em que se observa a nuvem de poeira há 3 comunidades que podem ter problemas de saúde por respirarem ar poluído por partículas sólidas.
Alguém tem de bater por cima da mesa. Há vidas em risco e toda a magistratura de bons ofícios será útil, já que "quem de direito" tarda em pôr ordem.

quinta-feira, agosto 15, 2013

CHUVA E SAUDADE

Aldeia de Pedra Escrita, comuna da Munenga, Libolo, Kwanza-Sul, Angola. Maria Canhanga, minha mãe, sai da lavra.
 
- "Hoje as pernas já não ajudam muito por causa do reumatismo. Vou uma vez à lavra grande e duas à que fica próxima da aldeia (cerca de meio quilómetro apenas)".
 
Beto Spina, meu amigo e "canino confidente", foi comigo ao Libolo no sábado, 10 de Agosto. 
 
Faltavam ainda 5 dias para o início oficial da época chuvosa. O clima, como se pode ver na imagem, era húmido, de nevoeiro que prenunciava a chegada da chuva, não tarda!
 
Para matar a saudade levamos a anciã para Luanda onde os netos e filhas a aguardavam. Foi a contra gosto e dois foram os motivos: o carro não permitiu levar grande coisa do muito que gosta de carregar para presentear a família na capital. A chegada, próxima, da chuva "é período para preparar a terra".
- "Só vou se for para regressar na segunda ou terça".
 
Partimos, deixando atrás não apenas um rasto de fumo expelido pela viatura Hyundai i20, que se confundia com o nevoeiro que anunciava grãos aquosos que ensopam a terra fértil, mas também um fio de saudades que se amarra a nossas vidas.
 
E, hoje, é o dia do início oficial da nova estação. Bye, bye Cacimbo!
 

segunda-feira, agosto 12, 2013

CHUVA “MADRUGADORA” FAZ ESTRAGOS EM SAURIMO

Oficialmente, estamos ainda há 3 dias do fim do período de cacimbo (período seco que termina a 15 de Agosto), porém, ventos fortes acompanhados de chuva já se fizeram sentir em Saurimo, Lunda Sul, a 10 de Agosto, causando danos à linha de transporte de energia eléctrica da Hidro-eléctrica de Chicapa I à cidade e ainda danos consideráveis na rede de distribuição. Árvores e casas de construção precária não foram poupadas.
Parte da cidade está privada de energia eléctrica, uma situação que se pode prolongar por muitos mais dias, segundo responsáveis do sector da energia em Saurimo.
 
Ainda é só um começo precoce da chuva...
 


quinta-feira, agosto 08, 2013

DOIS MINUTOS NA ENFERMARIA DE MANDELA

Estou enfermo, na África do Sul, acompanhado pelo Beto Spina e Didi Domingos, meus dois amigos desde a adolescência. O Beto é o meu “canino” confidente e o Didi, enquanto piloto aviador, é conhecedor do país do arco-íris.
O Hospital-Hotel em que estamos alojados é o mesmo que dá tratamento ao ícone maior da tolerância africana, Nelson Mandela. É uma pena que neste momento em que escrevo essas linhas não me lembre do nome e tenho de fazer um esforço para sair e ver o letreiro. Mas, confesso, era inimaginável um hospital onde o paciente pudesse ter também alojados os seus acompanhantes. Por isso trato-o por Hospital-Hotel.
Apesar do requinte e serviços de última geração, o Hospital-Hotel é um equipamento construído e mantido por homens falíveis. Na última noite, o meu quarto-enfermaria teve uma pequena fuga de água e, na aflição, refugiei-me na enfermaria seguinte onde estava um idoso com o cabelo todo esbranquiçado. O quarto-enfermaria era simples como o meu. Havia um grande movimento no corredor. Rezas, espetáculos tradicionais que me fugiam do entendimento e muito mais. Havia também um polícia, mas algo distanciado do corredor, a quem as pessoas se dirigiam em caso de anormalidade no quarto do ancião.
- Imagine o meu espanto quando olhei para a foto que ocupava o espaço-topo da banca de cabeceira do idoso acamado?!
Era a foto de Nelson Mandela. Quase cai de susto.
- Nelson Mandela aqui? - Não quis acreditar e refiz a pergunta colocada a mim mesmo.
- Eu no hospital de Nelson Mandela?
O idoso repousava na sua cama de hospital, já sem a respiração assistida mas muito fragilizado pela idade e pela enfermidade. Tinha os olhos fechados e parecia estar no quinto sono. Mesmo assim, ousei em saudá-lo no meu torpe Inglês.
- Grand Father, good morning!
Uma voz vinda do fundo da alma, tão fraca mas cheia de vida quanto podia, respondeu-me.
- Good morning. Are you from Moza?!
Fiquei mais estupidificado ainda ao receber aquela resposta à minha saudação e, sem demora, tentei refinar o meu pobre Inglês:
- No, grand father, I´m came from Angola.
Pois isto, o ancião ergueu os olhos e respondeu-me com uma voz muito mais nítida.
- Oh, well come and not be afraid.
Engasguei-me. A frase seguinte que me saiu da boca foi em Português
- Sim, avó! - Respondi-lhe alegre.
Minha enfermidade  e minhas preocupações com o quarto que tinha infiltração de água tinham meticulosamente passado. Lembrei-me de que quando voltasse a Angola teria de me gabar do facto e peguei no telefone para gravar o resto da conversa, sem que o mais velho desse conta disso.
E, Nelson Mandela pediu-me, num Português melhor do que a minha dicção do seu Inglês, que me sentisse à vontade no seu quarto-enfermaria, indicando-me a cama ao lado que estava vaga.
- Por favor, senta neste cama e deixa mais velho dormir um cabocado.
- Thank you very much, my grand father. – Respondi-lhe felicíssimo.
Momentos depois, lá apareceu o gerente da parte hoteleira da instituição a comunicar-me sobre um novo quarto para onde haviam sido transladados os meus pertences. O homem, alto e calvo, mas de elegância e polimento incontestáveis, começou por desculpar-se pelos transtornos ao que respondi apenas com um “do not worry”.
Já com o Beto, e ao encontro do Didi que estava alojado noutro hotel, o Hill Park, contei o que vivi naquela tarde e fomos espalhando, entre os angolanos com quem cruzávamos, a minha boa nova. Uns estavam crédulos.
- É normal aqui na África do Sul um responsável estar ao lado de gente normal. - Diziam. 

Outros, entretanto, estavam um tanto ou quanto renitentes em acreditar. Foram estes que me fizeram puxar do telefone para reproduzir as últimas palavras que Mandela me dissera no seu quarto-enfermaria, antes do gerente me arranjar outro aposento.
A frase “Por favor, senta neste cama e deixa mais velho dormir um cabocado” ainda ecoava nos meus ouvidos.
Ao procurar pelo arquivo de sons gravados, o meu telefone tocou. Trim, trimmmm, trimmmmm. Era o despertador que me apelava para a hora da higiene matinal.
 

sexta-feira, julho 26, 2013

OS ASSASSINOS MODERNOS DE NELSON MANDELA


São todos aqueles que por capricho não reconhecem os seus feitos políticos e humanistas…


Aqueles que por muito tempo o perseguiram e o colocaram 27 anos em Robe Island de onde veio a padecer de tuberculose…

Aqueles que, estando o mais velho doente e hospitalizado, adiantaram-se no terreno no afã de fazerem festa (directos para suas rádios e televisões) com o óbito de quem deve viver mais tempo, servindo de referência mundial. Uns até já tinham as notícias escritas. Só faltava o kota deixar de respirar e mandarem as peças ao ar para se gabarem de terem sido os primeiros a noticiar. Que diabolice?!

A esses últimos dedico os meus pêsames. Vovô Mandela foi, uma vez mais, muito forte e deitou abaixo os vossos macabros planos de festa com o seu óbito. Vão ter de esperar ou arranjar outro dinheiro para outras passeatas na South.


sexta-feira, julho 19, 2013

RESPONSABILIDADE SOCIAL INDIRECTA

Aí onde o Executivo ainda não traçou vias terciárias, o desenvolvimento também chega de forma indirecta.
 
Empresas que exploram recursos naturais podem abrir vias de acesso, construir pontes e demais infraestruturas que facilitem a vida às populações que se achavam perdidas no interland.
 
Às vezes, custa acreditar que há ainda povos no interland angolano a viver num autêntico período  feudal: cinco famílias ou pouco mais do que isso servem-se de instrumentos rudimentares para sobreviver. A natureza dá-lhes o pão, a saúde e o resto que ainda não têm.
 
E, pior, é que a idiossincrasia de alguns destes povos não os aconselha a se juntarem a outros para constituírem aglomerados de maior dimensão que possam atrair a tenção de quem tem o dever de fazer.
 
Há que ter um compromisso social com os vizinhos, levar a luz àqueles que ainda tropeçam nas trevas... Ainda que de forma indirecta!
 
NB: Esta crónica foi escrita no interior da Lunda Sul a 12.07.2013. No local será erguida uma ponte ligando o rio Lwele.
 

quinta-feira, julho 11, 2013

A ELISAL, SUAS PRESTADORAS E OS CARROS ALHEIOS

Gostaria de entender melhor  que se passa com os condutores e as viaturas das empresas de limpeza de Luanda. O meu compadre BS já sofreu dois acidentes em que estiveram envolvidas viaturas da Elisal ou de prestadoras de serviços a essa empresas de limpeza e saneamento de Luanda.
O meu carro também sofreu, no início da semana finda, um empurrão dum carro da Elisal. Feita a peritagem, o condutor do pesado estava alcoolizado. Até aqui, conferida a razão do acidente, a coisa parecia bem encaminhada se não fosse o “vai e vem” a que nos impõem para ressarcir os danos causados.
 
Tendo quebrado uma das portas laterais, o mais sensato é substituí-la, pois é conhecida a fraqueza da chaparia dos carros coreanos.  Por que andam com rodeios em pedir facturas de oficinas?
Porque não pegam no carro afectado, cobrindo, como é obvio, o lucro cessante e mandam reparar?

quarta-feira, julho 03, 2013

BENGUELA À PRIMEIRA VISTA

Meus colegas: Nuno, eu, Hugo e Zola(?)

Pela segunda vez, e com um intervalo de 2 anos, estive em Benguela (cidade) para uma actividade laboral, de 17 a 19 de Junho de 2013.
Benguela pareceu-me à primeira vista (aquilo que chama a atenção do visitante no primeiro contacto visual), uma cidade com:
- Ruas limpas, sem contentores apinhados de lixo;
-Jardins verdes, com regadio permanente e bem cuidados;
- Árvores que não cheiram urina nem acolhem lixo;
- Valas de drenagem sem lixo nem capim;
- Continuidade estética: onde termina o asfalto não é inicio da confusão ou desordem;
- Casas não muito gradeadas e com crescimento do vidro;
- Um Super (que já foi Nosso) a reclamar por clientes;
- Um aeroporto a reclamar por mais aviões;
- Moto-taxis até à madrugada, todos ordeiros e cumpridores das regras de trânsito;
- Mulheres e homens “da vida” como em todas as urbes angolanas do litoral;
 
Por tudo isso que foi um regalo para mim, endereço as minhas felicitações aos benguelenses que têm sabido cuidar do seu património.
Que Luanda e demais cidades  com estruturas decadentes lhe sigam o exemplo!

segunda-feira, junho 10, 2013

A CARGA PROPAGANDÍSTICA E A RESPOSTA PSICO-MOTORA

Tenho observado, com alguma preocupação, o elevado altruísmo dos nossos jornalistas quando abordam os momentos que antecedem os jogos da selecção angolana, ou se preferir, a elevação da exigência aos nossos representantes, pensando-se que no futebol tudo podemos contra quem quer que seja.
A meu ver, esse tem sido um erro crasso da nossa media audiovisual que no calor do momento e servindo-se de vozes menos avisadas da população, mais emotivas do que racionais, vão pedindo aos jogadores aquilo que as aptidões psico-motoras e técnicas não são capazes de proporcionar.
Assim foi no CAN  organizado pelo nosso país, voltamos a fazê-lo nos CAN que se lhe seguiram e agora no jogo contra o Senegal. A povo mal orientado é uma arma muito perigosa, pois deixa de raciocinar e guia-se pela emoção.
Ao pedir-se uma goleada sobre o Senegal que é de longe superior a Angola, tendo em conta o seu posicionamento no Ranking da CAF e FIFA e atendendo ainda ao nível e desenvoltura atlética dos seus executantes, caímos  mais uma vez no populismo, acabando por pedir aos futebolistas nacionais aquilo que à partida sabíamos que não era possível.
Tal atitude, repito, populista cria nos jogadores um excesso responsabilidade e nervosismo que  impossibilitam a realização de um jogo alegre e despreocupado.
No jogo contra  o Senegal, pontuável para o mundial do Brasil de 2014, Angola não jogou contra uma equipa qualquer e, embora tenha empatado em território alheio,  tal sorte não conferia à selecção nacional um hipervalor agregado para que saísse do estádio 11 de Novembro, em Luanda, com uma goleada, como se vaticinava ou se procurava insinuar através da “colocação do discurso vitorioso na boca do povo”, como o fez a rádio e a televisão públicas angolanas.
“Sonhar não é proibido", corroboro. Porém, há que impor limites ou racionalidade aos sonhos, pois nem todos os sonhos se materializam a nosso contento.

sexta-feira, junho 07, 2013

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA ELEVAÇÃO ACADÉMICA E CULTURAL DO ESTUDANTE

SUA EXCELÊNCIA…
DIGNISSIMOS ...
CAROS MEMBROS DO CORPO DOCENTE E DISCENTE
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES
É com elevada honra que saúdo suas Excelências ...
José Caetano, Fidel Manassa e Luciano Canhanga
A vossa presença, nesta cerimónia, traduz não só a importância que é dada por vós à formação das novas gerações mas também a vontade e empenho em contribuir para a resposta aos grandes desafios que se nos colocam na luta pelo desenvolvimento, quer na vertente técnica quer na vertente cultural.
Com a permissão dos digníssimos membros da mesa de honra, gostaria que me autorizassem a endereçar os meus agradecimentos a todos os presentes a esta augusta assembleia.
Dirijo uma palavra de especial reconhecimento à direcção da Escola Superior Politécnica da Lunda Sul pelo convite que me foi endereçado, e também pela oportunidade singular,  de pronunciar algumas palavras, ainda que modestas,  neste acto que assinala a constituição formal do Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura desta província.
Os meus parabéns, e uma salva de palmas, a todos os autores desta feliz iniciativa.
Agradeço ainda à Sociedade mineira da Catoca que tornou possível a minha presença e em especial o meu ilustre amigo, o professor e escritor Luciano Canhanga.
Por tudo o que a Lunda-Sul e a sua riqueza cultural representam para Angola, para África e para o mundo, sinto-me orgulhoso e satisfeito por estar entre vós e ser testemunha deste vosso compromisso para com o desenvolvimento  multiforme dos seres humanos.
Luciano Canhanga: Coordenador do Núcleo
Confesso que o tema escolhido para comemorar a constituição formal do Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura da Lunda Sul, deixou-me um pouco embaraçado.
Embaraçado, porque falar da importância da leitura na elevação do nível académico de um estudante, pode parecer uma tarefa fácil, mas acaba por ser complexo por tudo aquilo que somos chamados a dizer para corresponder às expectativas de uma audiência tão distinta  e com tanto interesse, como é precisamente a áurea de convidados aqui presentes.
Se, por exemplo, invertessemos as palavras e perguntássemos qual é o nível académico dos nossos estudantes, em termos de qualidade, e conhecimentos, comparativamente a outras épocas, ou a outros países, penso que perceberíamos melhor a complexidade do nosso tema. Ou, então, se perguntássemos aos vossos professores que respondessem, ainda que em segredo, se estão ou não satisfeitos com o vosso desempenho académico?
A maioria está satisfeita? Não está satisfeita?
E quais as principais fraquezas ou pontos fortes que os estudantes apresentam?
Não quero que respondam directamente. Gostaria apenas que dissessem se mais hábitos de leitura podem contribuir, ou não, para a busca de soluções para estes desafios.
Estou certo de que fazendo este pequeno exercício, será mais fácil mostrar as inúmeros vantagens que uma leitura metódica e sistemática para trazer para a nossa formação integral, o que equivale a defender, a sua importância para o aumento dos nossos conhecimentos académicos.
Plateia na ESPL-ULAN
Acredito que falar-vos do papel que a leitura desempenha no aumento constante do nível académico de um estudante, é falar também  da importância do estudo em duas perspectivas distintas, as quais considero ser:
Por um lado, o estudo metodológico das disciplinas curriculares e;
por outro, uma segunda espécie de leitura, que chamaremos de “Paralela”, e que consiste em cultivar mais conhecimentos, por acréscimo ao currículo da nossa formação específica. 
No primeiro caso, enquadramos o aluno num grupo avançado, mas médio, e diremos que ele será  tanto mais aplicado quanto mais ler e investigar sobre os conhecimentos que o professor transmitir para a aprendizagem de um curso específico;
No segundo caso, teremos  uma aluno que ultrapassa a média geral e não se preocupa apenas em ESTUDAR PARA TRANSITAR DE CLASSE , mas que, antes pelo contrário, aumenta o seu nível de conhecimento e se preocupa em alargar a sua cultura geral a outros horizontes.
Acho que estes dois exemplos são o que nos interessa trazer em debate, hoje.  
A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, no seu Vol. 10, nas páginas 36 e 37, define o Estudante como “aquele que estuda e é aplicado”, com interesse em áreas sociais e associativas. E mostra ainda que ao lado do estudante existe o ESTUDANTECO que se define como o aluno ordinário com fraco rendimento escolar.
Quando falei pela primeira vez em estudantes,  realcei o exemplo particular dos que dedicam uma percentagem das horas livres e dos momentos de lazer para investigar e aumentar conhecimentos noutras áreas da vida económica, social, cultural ou literária, através da leitura.
Antes de continuar, queria que olhássemos um pouco para o interior, a realidade, do nosso país e para aquilo que nós somos, como a principal riqueza de Angola.
Somos um país em crescimento, mas ainda pertencemos à categoria dos países subdesenvolvimentos ou em vias de desenvolvimento. Em termos de tecnologias, transformação da matéria prima, exploração e  distribuição dos recursos naturais e qualificação profissional dependemos, largamente da cooperação e da assistência estrangeira.
Somos um país soberano e politicamente independente, mas do ponto de vista do desenvolvimento científico não podemos dizer que temos hegemonia! Numa classificação de 100 países, ocupamos a 80º posição mundial, segundo o relatório das Nações Unidas sobre o desenvolvimento humano. Temos problemas básicos como o acesso e distribuição da água potável e da energia. Também temos problemas de organização social e administrativa.

J.Caetano: numa turma de Dto. Inst. Sup. Lusíada da L. Sul
O ensino em Angola está em desenvolvimento, nascem novas universidades e cresce o interesse dos jovens em adquirir uma licenciatura, mas falta-nos a excelência da qualidade, da pesquisa e da investigação.
A pergunta que eu quis fazer com esta pequena análise é a seguinte:
O que se espera e qual o perfil que um estudante deve ter, para que Angola possa reduzir esta dependência, em termos de uma maior qualificação académica dos quadros, num futuro próximo? Quais devem ser as nossas prioridades, metas e exigências no domínio do conhecimento geral?
Voltamos ao nosso tema sobre a importância, decisiva, da leitura na elevação do nível académico dos nossos estudantes.
Dissemos explicitamente que cada estudante que não lê e não se aplica no estudo, está a contribuir indirectamente para que Angola aumente a sua dependência exterior; se atrase em relação ao exterior e perca a corrida para o desenvolvimento;
Afirmamos sem receio de errar que cada estudante sem rendimento escolar, é uma pedra a menos na nossa luta contra a fome e a pobreza; é um peso contra a nossa capacidade de maior raciocínio e compreensão das politicas de desenvolvimento. Em resumo, quero dizer que uma população sem hábitos de leitura é uma população mais exposta á ignorância, à doença, às convulsões sociais , ao comportamento bizarro e a toda a esta tragédia e violência que testemunhamos através da rádio, da televisão e dos jornais.
Concluímos com as vantagens da leitura, como fonte de solução dos nossos problemas. Considero que através da leitura aprendemos novos conhecimentos e tornamos mais fácil a compreensão da nossa realidade, por mais complexa que ela seja. A leitura, como pesquisa, é meio caminho andado para  a busca de qualquer solução.  Quem tem hábitos de leitura, aprende a argumentar, corrige as suas fraquezas e melhora o seu raciocínio.
 
Muito Obrigado
José Soares caetano,
Saurimo, 06.06.2013 

sábado, junho 01, 2013

AS MISS E A DEFESA DO INDEFENSÁVEL

Estou envolvido, há já cinco anos, na organização de concursos de beleza, nomeadamente Miss municipal e provincial. Tudo o que venho assistindo nestas andanças é que se tornou prática recorrente a assistência contestar a decisão do júri quando se trate de concursos de beleza ou similares. A priori, a decisão do júri, embora não agrade a todos, é inapelável. É ao júri que cabe julgar, de forma desapaixonada e equidistante, a postura das candidatas, de acordo ao regulamento e requisitos exigidos para o efeito.
O público, embora detentor do seu juízo de valor e capacidade analítica, nem sempre está por dentro dos instrumentos reguladores e requisitos exigidos, procedendo uma análise superficial. Até porque não convive com as candidatas durante a fase de treino.
Para quem está por dentro, e saibam-no aqueles que apenas têm acesso ao momento final, é que:
1-      Trabalha-se, muitas vezes, com jovens de tudo inexperientes a quem se ensina até sentar-se á mesa e manipular os talheres (etiqueta), coisas que a Miss eleita terá de utilizar todos os dias do seu mandato e pós-mandato, mas que não são julgadas na gala de eleição.
2-      O valor intelectual/cultural é medido pelo à vontade, expressão oral e facilidade de comunicação e não apenas pelo nível académico. A classe que frequenta, por si só, não define a intelectualidade da candidata. Esse aspecto é medido pelo júri durante o contacto antes da Gala.
3-      As perguntas que as candidatas a miss respondem durante a gala de eleição são estudadas e decoradas por todas durante semanas. Logo, não e a resposta mais complexa que determina a intelectualidade.
4-      Os concursos de beleza, sejam eles municipais, provinciais, nacionais ou internacionais, não são concursos de cultura geral ou testes de aptidão académica. Por isso, nem sempre a mais escolarizada está mais à vontade ou mais habilitada a exercer o papel de miss. Os conhecimentos de cultura geral e etiqueta são para ser aplicados durante o consulado, em contactos sociais que a miss eleita vier a manter.
5-      Ter boa postura na passarelle, não se incomodar com calçado de salto alto, demonstrar simpatia permanente (sorriso sempre presente), ser cordata e bem-educada, possuir modos correctos, simplicidade e clareza na comunicação, são aspectos fundamentais para quem se candidata a figura pública. Esses aspectos não são medidos durante a gala de eleição, mas sim durante a fase de preparação e entrevistas com o júri.
6-      Para concursos de MISS, possuir 1,70m ou mais é outra das exigências a que se acresce não possuir cicatrizes e ou tatuagens em partes do corpo visíveis.
Todos esses elementos acima descritos e outros subjectivos é que servem de base para o julgamento do júri, sendo normalmente desconhecidos pela plateia/assistência que, regra geral, procede a uma avaliação parcial e emocional.
Para a assistência, um papel que qualquer um de nós já exerceu, o voto vai para a a que atestar maior escolaridade, que nem sempre é proporcional ao conhecimento e expressão oral; a que responder  a pergunta aparentemente mais complexa; a que tiver usado um vestido ou roupa interior mais ousado;  a que tiver a maquilhagem mais aprumada; a que melhor dançar em palco, etc. Logo, entre o júri, a quem se confia a missão “ingrata” de julgar, e o público assistente há sempre quem, no final do concurso, defenda o indefensável.

sexta-feira, maio 31, 2013

EM DEBATE: "A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA ELEVAÇÃO ACADÉMICA E CULTURAL DO ESTUDANTE".

O escritor e jornalista Tazuari Nkeita, José Caetano de nome próprio, aceitou o convite que lhe foi formulado para no dia 05 de Junho dissertar aos estudantes da Escola Superior Politécnica da Lunda Sul e outros convidados sobre "A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA ELEVAÇÃO ACADÉMICA E CULTURAL DO ESTUDANTE".
 
A palestra marcará a constituição formal do Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura da Lunda Sul que conta com o apadrinhamento da Escola Superior Politécnica, afecta à Universidade Lweji A Nkonde.
 
- Se está a residir na Lunda Sul ou estiver nesta província, no dia 05 de Junho, sinta-se convidado e passe a palavra a demais interessados.
Pretendemos casa cheia.
 
Data: 06/06/2013
Local: Anfiteatro da ESPLS
Hora: 10h00
 
Contamos consigo e com seus convidados.

sábado, maio 25, 2013

LEITURA NA HORA H

  • Trinta e nove anos depois do meu nascimento, alegria maior não teria sentido.
     Primeiro as felicitações antecipadas dos meus amigos factuais e virtuais. Depois a materialização de um sonho que era oferecer livros a uma biblioteca infantil comunitária da Lunda Sul.
    Escrevi o livro "Manongo-Nongo" com a pretensão de angariar um patrocínio e oferecer toda a tiragem a bibliotecas infantis. Não obtive patrocínio mas custeei a produção de 1000 exemplares e metade foram vendidos, estando a outra metade em ofertas sucessivas.
     
  • Ontem, 24 de Maio, fiz a primeira oferta em média escala. Mais de cinquenta livros oferecidos à Biblioteca Infantil Comunitária que catoca (meu patrão do momento) inaugurou na aldeia de Caxita-Mwandonji, município de Saurimo. Foi o realizar de um sonho.
    Quem me dera ter algo para ler na minha primeira infância!

sexta-feira, maio 24, 2013

MOMENTO PRÉ-NATAL

Já é órfã de mãe, há dois anos, e perdeu o pai há uma semana. Está grávida e sente dores tortas. Maria Canhanga nem chorar consegue (a tradição exige que as lágrimas sejam visíveis e mantidos os caminhos no rosto por elas traçados).
 
Minha mãe, Maria Canhanga,  não sabe se chora a perda do pai, Soba “Ngana Ngunji”, regedor do Kuteka, ou se procura por um lugar mais calmo a fim de preparar o nascimento do seu primeiro filho. As atenções da aldeia de Bango de Kuteka estão viradas nela.
Aconteceu há 39 anos, num dia como hoje.

quarta-feira, maio 15, 2013

UM CANTO À ESTAÇÃO SECA




Kasimbu nosso do cieiro, do frio, do vento seco.
Venha!
Aguardamos por ti com nossas samarras, nossos panos e kapulanas, nossos casacos e mbirikitis.
Não está aqui quem te desdenha!
Kasimbu nosso, traz fartura nas caçadas, nas pescas nas chanas, nos rio sem água, nos lagos límpidos e nos mares agitados de ventos longos.
Para afugentar frio guardamos lenha!

Kasimbu nosso de cada ano, trás noites estreladas para nossos serões de ana-a-ndenge.
Que todos dias se empenham!


sábado, maio 04, 2013

LIBOLO: DE CHACOTA GERAL A ORGULHO NACIONAL

  • Depois de um longo silêncio, traço hoje algumas linhas sobre o Recreativo do Libolo, equipa da minha circunscrição natal.
  •  - No Girabola, à décima jornada,  embora com 2 jogos em atraso, fruto da nossa participação nas Afro-Taças, estamos entre as piores equipas. Com 8 jogos disputados o Libolo, bi-campeão angolano de futebol, soma apenas 5 pontos e ocupa a última posição da tabela classificativa, numa competição em que o líder, com 10 jogos, já soma 26 pontos.
  • - Na Liga dos Campeões Africanos estamos entre as melhores. O Recreativo do Libolo apurou-se, a 04 de Maio de 2013, à fase de grupos, depois de ultrapassar o Enugu Rangers da Nigéria por um agregado de 3-1.
  • De motivo para chacota geral, o Libolo passou a orgulho nacional.  Para mim, terminou a hibernação.
  • O LIBOLO NÃO MORREU. ESTÁ A CAMINHO!

quinta-feira, maio 02, 2013

RESPONSABILIDADE SOBRE TEXTOS NÃO ASSINADOS NOS SITES

A quem recai a responsabilidade material e civil por um texto/artigo divulgado num site público ou institucional, em que a matéria (artigo), não assinada pelo autor, belisque o campo do alheio?
Essa questão colocada a um jurista sénior da nossa praça (Luanda) surge a propósito de muitos textos de opinião, cujo conteúdo se dirige a pessoas (singulares ou colectivas), aparecerem em sites institucionais sem que os seus autores sejam identificados. Veja o que nos diz o jurisconsulto Nguvulo Makatuca: "não havendo assinatura, a responsabilidade seria da publicação. No caso, do órgão que haja publicado a matéria. Caberia a este órgão fazer a prova de que a responsabilidade seja de terceiro. Daí o facto de os órgãos deverem sempre identificar o autor da matéria, mesmo nos casos em que este opte por agir sob anonimato”.
O jurista prossegue ainda que,  neste caso, estaríamos perante uma responsabilidade objectiva (independente de culpa) devido os benefícios obtidos pelo órgão com a publicação da matéria. Caso o autor estivesse identificado, haveria responsabilidade solidária de ambos.
 A parte lesada pode, segundo NM, demandar qualquer um deles (em regra a parte com melhores condições para reparar o dano), podendo esta, a demandada,  exercer o direito de regresso sobre a outra parte, caso prove que o dano tenha sido causado por culpa exclusiva da outra parte. A responsabilidade do meio que publica um texto de opinião que lese interesses de terceiros legalmente salvaguardados fica sempre difícil excluir, a menos que o tenha feito com a menção expressa de que não assumia qualquer responsabilidade sobre o conteúdo dos textos assinados.

Caro colega (jornalista), ilustre gestor de Site/media, fica então o conselho e preste atenção ao que é publicado sem assinatura. À partida, todo o texto não assinado é da estrita responsabilidade do órgão que o veicula, sendo demandado, no caso, o director/responsável da publicação.
 

segunda-feira, abril 29, 2013

DEVIOS na RÁDIO FAZEM RECLAMAR PROVEDOR dos OUVINTES

Quem não tem conhecimentos sobre a ciência jornalística/radiofónica e que oiça a rádio que se faz hoje em Luanda pode  vir a pensar que aquilo que se faz se constitui no auge do bom radialismo.
Programas interactivos com ouvintes, informação sobre o transito automóvel fornecida na hora pelos ouvintes (lado positivo), deficiente componente formação e ausência de informação rigorosa, fracas reportagens (quase todas eles de circunstância) e, às vezes, linguagem menos cordata para com os ouvintes…
Nalguns casos, os radialistas chegam mesmo a ofender os seus ouvintes, tratando-os de acéfalos ou mentecaptos e outros epítetos,  a meu ver, agindo em contra-mão daquela que deve ser a linguagem urbana e cordata na rádio.
Infelizmente, é isso o que a juventude ouve. São esses os elementos de referência para quem queira seguir radialismo.
Se alguém hoje perguntar a uma criança que queira ser jornalista “tu queres ser como Maria Luisa, Rui Carvalho ou como o ´fulano da nova vaga´, com certeza que a resposta será: quero ser como o fulano da nova vaga.
Se por um lado as inovações na rádio são úteis e a tornam dinâmica, trazendo o ouvinte como actor do processo de radiodifusão, é também de mister utilidade urbanizar a linguagem, apostar na formação através da rádio e não deixar perder a vertente informação rigorosa, porque a rádio não é apenas entretenimento.
Também entendo que devia haver, no nosso caso, uma entidade ou instituição que velasse por corrigir os desvios, ainda que sob a forma de apelos: uma provedoria dos ouvintes, se calhar.

segunda-feira, abril 22, 2013

NOSTALGIA DA DECÊNCIA, SOLIDARIEDADE E DISCIPLINA*


NOTA: O texto que se segue é da autoria de Graça Campos, exímio artista das letras. Por o ter considerado monumental e "GRANDE AULA DE HISTÓRIA E MORAL", acabei por roubá-lo da sua página do face book, transplantando-o aqui a fim de O partilhAR com os meus leitores mais fieis.
 
Indecências

Sinto profunda nostalgia de alguns aspectos da "ditadura do proletariado" que nos governou até aos 90. Daqueles tempos, guardo algumas boas lembranças da disciplina, da solidariedade, da decência e outros.
Naqueles tempos, ninguém ficava indiferente a um óbito em casa do vizinho; ninguém assobiava para o lado à passagem de um cortejo fúnebre. E, claro, mulher alguma ia ao funeral para mostrar as pernas ou as mamas.
Naqueles tempos, a ODP reprimia, adequadamente, as afrontas à moral pública. Cidadãos surpreendidos em actos merecedores de algum recato, como sejam namorar ou, mesmo, ir um pouco mais além, eram apropriadamente açoitadas com catanas. Fossem eles quem fossem. Aliás, naquela altura, todos éramos, apenas, angolanos. Ser filhinho de papai é invenção dos dias hoje. Naqueles tempos, o que orgulhava as famílias era ter um membro nas FAPLA. Hoje, como se sabe, os motivos de orgulho são outros: cifrões e sobrenomes.
As pessoas que estão abaixo da minha geração acreditam que corrupção em Angola é chaga que vem do passado. Não é nada. No "meu tempo" corrupção ...só nos livros.
Quando olham para as fortunas de algumas famílias, as gerações mais novas podem ser induzidas a pensar que esse processo de acumulação vem do passado. Nada mais falso! Há 20 e poucos anos, todos, ou quase todos, estávamos no mesmo patamar. Sem fortunas, mais felizes da vida.
Naqueles tempos todos éramos todos os tais " ana mbuiji tu dila xinji dimixi", cantados pelo inesquecível David Zé.
Mas do que tenho mesmo muita saudade do passado é da decência. Naqueles belos tempos era de todo inconcebível que um cidadão angolano se apresentasse aos balcões da TAAG para fazer check in de calções e camisola sem manga, os chamados parte os cornos. Aliás, pessoas assim vestidas seriam travadas a vários metros da entrada do aeroporto.
Hoje, faz-me imensa confusão que a um matulão de 20 ou mais anos seja permitido viajar nos aviões da TAAG de tangas e parte os cornos. Onde é que já se viu isso? Por causa desses liberalismos, até mesmo os vôos internacionais da TAAG estão transformados em quitandas de mau cheiro porque se permite que matulões viagem de camisolas sem manga, expondo os seus sovacos a outros passageiros. Ua, meu Deus, quanto dibuzo sai daqueles sovacos...
Por tudo isso quero deixar aqui uma sugestão: que a TAAG, a Alfândega, SME e outras autoridades que operam nos nossos aeroportos internacionais travem a indecência. Calções são para crianças. Adulto que se apresente num aeroporto para uma viagem indecentemente vestido deve receber ordem para fazer QRF imediato.
Aliás, como podem mãe, esposa ou namorada que se prezem permitir que o seu ente saia de casa de "cuecas" e bibe para uma viagem?
Eu não acredito que o mundo ache graça alguma ao facto de alguns angolanos preferirem viajar mal vestidos. Pelo contrário.
Se dependesse exclusivamente de mim autorizaria a TAAG o exercício do direito de preferência.
Todas as discotecas de Luanda vedam o acesso a pessoas inapropriadamente vestidas. A TAAG, um dos principais símbolos do país, deveria, no mínimo, ser autorizada a adotar procedimento similar.
Em homens adultos, calções, chinelos e parte os cornos são trajes de quintal e praia e nunca para viajar em avião público.

 
* Título do autor do Blog.
- Texto de Graça Campos com o título "Indecências".

segunda-feira, abril 15, 2013

ENTRE O BAIRRO E O 5º ANDAR

Quando essa bananeira (foto)saiu de Catoca, Lunda Sul, era um "botão" com poucos centímetros. Hoje já tem um rebento e o primeiro cacho está para breve.
Agricultura é paciência. É "correr por gosto".
Aos meus amigos que me dizem para "deixar o bairro (Viana) e ir ao Nova Vida", digo que É isso que me retém no bairro.
Gosto de seguir o crescimento das minhas plantas, colher as primeiras frutas e ouvir o chilrear dos passarinhos logo pela manhã. São os meus despertadores, algo que jamais terei no quinto andar do edificio público e com espaço limitado.