Translate (tradução)

terça-feira, janeiro 28, 2014

A FELICIDADE DE CAMINHAR JUNTOS

Sinto-me feliz quando vejo meus amigos e contemporâneos a ascenderem a cargos de responsabilidade. Ainda são poucos aqueles que sobem ou que tenham já subido por mérito, que olham para baixo e que se recordam das duras jornadas em comum, reconhecendo as potencialidades dos que "ainda" não subiram. Tenho porém certeza que à medida que nos formos forjando académica e profissionalmente esse número crescerá de ano para ano. 
 
Elogio também os eternos amigos, aqueles que estando já no "1º andar", não ajudam com dinheiro ou com simples convites para jantares em chiques restaurantes ou instâncias turísticas, mas que dão ideias e sugerem caminhos... Esses dão os anzóis em vez de peixe a quem tem "fome".
 
Tenho amigos que se encaixam na descrição supra. Só não os nomeio para não coibir outros amigos que, embora não tenham ainda demonstrado este lado positivo duma amizade, podem ser excelentes. Não depuro ninguém. Apenas elogio as qualidades.
 
Os meus últimos dias foram marcados por dois exemplos: um amigo, que é editor-chefe num jornal, sugeriu-me que passe a escrever (melhor, que mande) crónicas e contos ao "seu" jornal, a fim de serem publicados. Embora não me tenha garantido dinheiro, trata-se de isca e anzol. A mim interessa que as minhas criações artísticas sejam conhecidas. Nem todo o ganho se resume em dinheiro. Uma outra amiga (não é minha contemporânea directa. É uma década mais velha), procurou-me, fazendo mais de mil quilómetros, para trocar ideias e sugerir inovações, quer ao meu desempenho profissional, quer à minha auto motivação. Haverá prenda melhor de um amigo do que nos "ensinar" a trabalhar?
 
Os meus amigos de verdade hão de se rever nessas palavras de agradecimento.
 
Estamos juntos!

quinta-feira, janeiro 23, 2014

KWANZA-SUL OU CUANZA-SUL?

Em conversa no chat do face book, o meu amigo Isidoro Natalício colocou-me a questão da grafia dos nomes de origem bantu (topónimos e antropónimos). Referia-se o amigo Isidoro que a TPA tem-nos escrito de forma diferente àquela que eu uso na grafia dos "nossos" nomes.
 
Tendo em conta a importância do assunto, ainda que o debate e as conclusões sejam superficiais, julguei oportuno partilhar as ideias que defendi nesta página que é menos volátil ao tempo.
 
1º - Os topónimos obedecem, para além da atribuição da designação, a um registo. Esse registo é válido até que o topónimo mude de designação ou se corrija a grafia. Para exemplificar, devo dizer que nos cadastros, a província angolana a sul do rio Kwanza está registada "erroneamente" como "Cuanza-Sul" em vez do que seria expectável, Kwanza-Sul. O mesmo se pode aplicar ao meu nome, Canhanga, que devia grafar-se Kanyanga para obedecer ao alfabeto convencionado pelo CICIBA (Centro de Investigação das Civilizações Bantu), combinado com a Resolução 3/87 de 23 de Maio, do Conselho da Revolução. 
 
2º - As regras do CICIBA para a ortografia das línguas bantu diz que a letra C tem o fonema equivalente ao dígrafo Tx e ainda pelos grupos consonânticos TCH e TSH. Exemplos: Cikala-Cyolohanga, Cindjendje, Citembu, Civingiru, Citende Cya Zango, Cipalavela, etc.

Sempre que as vogais I e U estejam  junto de outras, as primeiras devem mudar para Y e W. Exemplo: "muanha" (sol) deve grafar-se correctamente "mwanha); "diniangua" (abóbora) deve grafar-se "dinyangwa"; "kizua"=kizwa, etc. 

Para obtermos o fonema equivalente em Português a "C" devemos grafar "K". Kanhanga, Kambundi-Katembu, Kalulu, Kahála.
 
Não sou telespectador atento da TPA e não sei dizer se grafam de acordo aos registos portugueses ou se de acordo ao alfabeto das língua bantu. De uma coisa, porém, tenho certeza: É preciso corrigir urgentemente os registos dos nossos topónimos (calculo que o MAT- Ministério da Administração do Território-  tenha já um projecto nesse sentido) e passar-se a exigir que haja uma grafia correcta dos topónimos de origem bantu.

Não se pode aceitar que a nossa moeda seja Kwanza e o rio que lhe dá o nome ainda se designe Cuanza. O que se passa hoje é que não há rigor. Cada escreve como bem entende. Eu que sou adepto da grafia segundo a originalidade dos nomes, tenho grafado como será no futuro. Para o presente, pode ser que alguém considere o meu procedimento errado.

Obs: 
A 30.01.2014 tive acesso ao documento "Divisão Política Administrativa e Topínímia de Angola", elaborado pela Direcção Nacional de Organização do Território. O mesmo retoma apenas os "baptismos" coloniais e não propõe alterações à redação dos topónimos de origem bantu.

Vim ainda a saber, de um amigo internauta (comentários ao artigo publicado no Club-K), que o MAT remeteu essa lista aos Órgãos de Comunicação Social, públicos e privados que, de imediato, passaram a grafar os topónimos angolanos segundo os cadastros coloniais.
A título de exemplo, a minha circunscrição natal, Munenga, é condificada como:
      AOCS070602
-Munenga
 

quinta-feira, janeiro 16, 2014

LADRÕES A SOLTA?


"Quem tem coisas de que não precisa é um ladrão” (Mahatma Ghandi).
 
À semelhança do que escreveu o meu amigo Nguimba Ngola, na sua página de face book, também já me disseram que:
- Não devo mais andar de candongueiro,
- Não devo andar nos mercados a comprar material de construção,
- Nem devo andar de i20 pois não é carro para gente do meus "estatuto",
- Não devo continuar a viver no "bairro", etc.
Algumas vez eu disse que quero viver uma vida que não é minha? De ondem vim e para aonde vamos todos, depois de todas as "coisas alheias" não mais nos servirem?
 
A minha luta é para ter o necessário e viver uma vida que não precise de guardas.
 
Obrigado a todos quantos respeitam o meu estilo de vida e desculpo-me daqueles que me julgam a olhar para seus próprios estilos de "roubo" e desperdício.
 

quarta-feira, janeiro 08, 2014

PERGUNTAS PERTINENTES NO DIA DA CULTURA NACIONAL

NO DIA DA CULTURA NACIONAL

EIS ALGUMAS QUESTÕES QUE HÁ MUITO ME PERSEGUEM:
Entendendo a cultura nacional como: hábitos, tradições, crenças e pertences" colectivos, nos quais se revêm um determinado povo (no caso concreto os angolanos),
 
1 - O QUE É "CULTURA NACIONAL" (COMUM AOS ANGOLANOS) E O QUE É CULTURA
LOCAL/REGIONAL?
2 - QUAIS OS ACTOS, PEÇAS E VALORES QUE SIMBOLIZAM/REPRESENTAM A CULTURA?
3 - TUDO O QUE EXISTE/SE FAZ, SE PENSA, POR ANGOLA (NAS REGIÕES) É NACIONAL?
4 - HÁ POLÍTICA DE ESTUDO, RESGATE, VALORIZAÇÃO E DIFUSÃO DO QUE É/REPRESENTA A CULTURA NACIONAL?
5 - QUEM SÃO OS FAZEDORES DE CULTURA NACIONAL?
6 - ONDE ESTÃO E QUE É FEITO DELES?
 
Há quatro anos, fui convidado a apresentar o meu livro de estreia literária na Lunda Sul, num acto que representou a comemoração da data na província nordestina de Angola. De lá para cá, já com três livros publicados, vou ainda reflectindo: sou também um fazedor de cultura? Sou agente cultural? Sou tido ou achado para questões que não envolvam aparição política de determinadas "figuras sanguessugas" que se aproveitam da inspiração e transpiração (arte) alheia para brilhar diante da TV?
 
Sou/somos mais um/uns... 

terça-feira, dezembro 31, 2013

A DIFICIL SITUAÇÃO DE JOGAR AMARELADO

Gostaria de escrever sobre a difícil sensação de jogar amarelado. Sempre que me fiz ao campo, jogando futebol, não tive jogos oficiais, dignos desse nome, em que a atitude em campo ou em relação oao juiz pudesse redundar em advertência intermédia (cartão amarelo).

Imagino que jogar amarelado seja no campo desportivo ou profissional muito difícil para o executante que se vê invadido por três sentimentos/situações:

1-      O orgulho próprio de fazer segundo a sua consciência, compleição física e táctica ou profissional.

2-      O perigo de tentar fazer as coisas mais para agradar o treinador e/ou o árbitro, pois ambos estão de olho nele, do que executá-las com o profissionalismo que lhe é devido.

3-      A possibilidade de ser julgado não pelo que sempre fez mas por pesar sobre ele uma admoestação.

Nunca tendo estado em campo desportivo como actor, repasso aos meus amigos a ingrata missão de tecer os seus comentários e ou experiências quanto ao que já terão sentido em situação análoga.

Que 2014 seja, em todos os sentidos, um ano com poucos cartões amarelos nem vermelhos!

segunda-feira, dezembro 23, 2013

DIA-A-DIA DO PROFESSOR NO FIM D´ANO LECTIVO

- Alô
- Alô, com quem falo?
- Aqui é teu/tua aluno/a fulano/a de tal.
- Ok. então, estudante, qual é o teu problema?
- Professor, liguei só para o professor me ajudar. Estou mal.
- Estudante, queres apoio financeiro ou boleia para ir ao médico?
- Não doutor, estou mal na tua cadeira.
- Estudante, já começaste mal. Mas, vamos lá ver a tua turma......
- Sou da turma X.
- Sabes, quanto tiveste nas três avaliações?
- Sim professor sei.
- Então faz a soma e divide por três. Apenas isso.
- Sim professor, já fiz e estou mesmo mal.
- Não estudaste o suficiente. Vais repetir a cadeira ou solicita exame extraordinário...
- Professor me ajuda só. O Professor não pode me dar uns pontos para chegar à média dez?
- Estudante, isso não é negócio. Não é venda de tomate em que podemos dar alguns de quebra (esquebra). É ciência e com ciência não se brinca...
- Mas professor?
- Estudante, agradeço a chamada, agora o professor vaio ter de trabalhar. Liga-me mais tarde se for para outra conversa.
- Pim, pimmmm, Pimmm.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

PEDOFILIA, VIOLAÇÕES DE NOVIÇAS E ACÓLITOS E OUTRAS "POUCAS VERGONHAS" DA CATÓLICA

Papa Francisco quer moral na igreja
Man-Chico, o papa argentino que está a marcar o Vaticano, quer combater os delitos sexuais e os desvios à norma de padres e madres que se entregam perdidamente ao deleite sexual.
Hoje, sobretudo em Angola, poucos terão dúvida de que "debaixo dos hábitos (vestes) habita um fogo sexual desmesurado".
Muitos padres e madres sexuam de forma aberta. Têm filhos e constituíram famílias.
Virão eventualmente uns falsos puritanos jogarem-me pedras a desmentir sem argumentos…

Madres e padres têm uma brincadeira que se chama sexuar. Conheço madres e padres que sexuam desavergonhadamente dentro (entre eles) e fora da igreja (com outros homens e mulheres, servos ou não da corporação).

Há Bispos que têm filhos e muitas namoradas. Há padres que desfloram noviças e crentes. Madres que de dia usam hábito e de noite “txuna baby”... Basta ver como algumas se comportam em gozo de férias, piores do que vadias profissionais.
É óbvio que no meio de tanto joio ainda resta algum trigo. Mas será que o  Papa Francisco vai conseguir pôr ordem no “prostíbulo”?
Para mim, por aquilo que vejo, leio e oiço, a moralidade na católica recuou aos tempos da Idade Media, quando o clero estava todo entregue à luxúria, a acumulação de riquezas, aos concubinatos e aos mais diversos escândalos, o que levou um dos papas daquele tempo a dar um basta, “proibir” os casamentos, a fim de se dedicarem mais à igreja do que aos prazeres terrestres e carnais.
Vai, por isso, a minha sugestão ao Man-Chico, o Papa:
- O melhor caminho, para que deixe de haver tanto despudor na igreja de Paulo, é mesmo abrir a loja. Adoptem a mesma postura que tomaram os vossos "revus" protestantes. Sigam o conselho de Paulo, o apóstolo.
"Era bom que fossem como eu (celibatário) porém, caso vossa carne seja fraquíssima, será sempre melhor se casarem do que fornicarem". Casem-se. Verão que o trigo, aqueles que mantêm a pureza, deixará de ser confundido com o joio que inunda as sacristias.

terça-feira, dezembro 10, 2013

O MAIOR NEGRO QUE JÁ VIVEU

De Klerk e Mandela
Njinga Mbandi, Mandume ya Ndemufayo, Mohamed Ali (Egipto), Leopoldo Senglor, Nkwame Nkrumah são alguns nomes de africanos que se debateram pelas lutas e independências de seus povos e do continente.

África teve, ao longo do seu percurso histórico, homens notáveis, homens corajosos que abdicaram de suas vidas, que não se acomodaram com o que tinham e lutaram pelos que nada tinham. Que não se acomodaram com as migalhas de liberdades condicionadas e se entregaram à luta para a liberdade das maiorias, o seu povo. Essas lutas árduas foram feitas num tempo em que as tecnologias de informação e as vias de comunicação não estavam tão desenvolvidos e universalizados como hoje. Esses homens conhecidos e incógnitos merecem a nossa honra e respeito.

Atrevo-me, entretanto, a elevar Nelson Mandela, o adolescente que frequentou uma Missão da Igreja Metodista na África do Sul, como o Maior Negro da Nossa História. Vejamos:
KING
Mandela era 11 anos mais velho do que Martin Luther King Jr.
A forma de luta, a  Não Violência, era a mesma. Mandela passou da "Nao Violência" a luta violenta quando notou que os êxitos eram ténues. Saído da prisão, 27 anos depois, em 1990, negociou a paz com os seus carcereiros, assumiu o poder e sempre defendeu a harmonia quando até tinha tudo para se vingar. Na presidência da África do Sul, cumpriu um mandato e abandonou quando tinha tudo para lá continuar para pelo menos mais um mandato.

Quanto ao Sonho de King e ideal pelo qual lutou Mandela têm o mesmo fim.
Vejamos outro dados.
- Mandela foi julgado entre 1962 a 1963 (por isso completou 27 anos na prisão) e  durante o julgamento disse: "Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer.

- King fez o célebre discurso “I have a Dream” em 1963 em que prenunciava uma América justa e igualitária onde meninas negras e meninos brancos pudessem caminhar de mãos dadas...
 
Outra coisa é certa: Nelson Mandela, Matin Luther King e Mahatma Ghandi foram da mesma escola (luta pacifica).

Mandela viveu mais tempo do que KING (nasceu antes e morreu depois). Passou por mais etapas, privações e provações, tendo resistido a tudo e todos sem nunca abdicar do seu ideal.
O renomado escritor sul-africano André Brink num artigo publicado logo ao fim do mandato seu mandato, coloca Mandela como o maior nome do século XX, comparando-o a outros expoentes - como Gandhi ou Martin Luther King e acentua que esses morreram sem que tivessem ocasião de experimentar o exercício do poder. Outros como Eisenhower ou Churchill, que se destacaram em momentos de guerra, não o fizeram durante a paz...

sábado, dezembro 07, 2013

INVADE-ME UM PRAZER MAIOR DO QUE O CANSAÇO

Eis-me exausto mas feliz por ter realizado uma actividade beneficente. Aliás, quem corre por gosto não se cansa. Eu e meus colegas de Catoca passamos o dia em Saurimo, capital da Lunda Sul (Angola) prestando um serviço social. Depois de termos convidado os artesãos portadores de deficiências, tutelados pela  Direcção de Assistência e Reinserção Social, para exporem e venderem as suas produções em Catoca, fomos hoje (07.12.2013) pintar o espaço em que laboram.
À nossa iniciativa juntaram-se trabalhadores de outras empresas: os da Cimianto forneceram as os pincéis, os do grupo 7Cunhas as tintas e a Rádio e TPA levaram as imagens e os discursos a quem esteve em casa.
É preciso “abrirmos as mãos”. Por mais apertadas que estejam as nossas contas há sempre alguém precisando mais do que nós. Ali onde o dinheiro não exista, a nossa força e nossas ideias podem fazer a diferença. E fizemo-lo.
Pintamos a parte exterior de todo o edifício anexo e o interior da sala em que se fazem os instrumentos de cestaria. Um gesto que serve como anzol e isca entregues a quem tem fome.
Eu sou o que aparenta ser "o mais alto"
 
Proporcionamos mercado para os produtos (exposição e vendas em Catoca) e melhoramos as condições do local de trabalho dos artesãos deficientes físicos. Também fizemos amizades entre os participantes e com os portadores de deficiências.
Depois do lanche, a foto de família e  o sentimento de dever cumprido.

domingo, dezembro 01, 2013

OS LAMENTOS E ANSEIOS DO POVO E A MÚSICA DE HANDANGA


Muito longe do bambolear de corpos frescos e umas simples gritarias que enchem hoje os espaços musicais, uma boa música mede-se pela letra e, sobretudo, pelo conteúdo/mensagem que retrata/transmite.
Ouvi demoradamente, durante o último fim de semana as músicas de Justino Handanga. Notei que o músico continua no seu estilo peculiar e que o tempo se encarregará de perpetuar. São reproduções de falas das populações. Lamentos, gritos de euforia, descrições situacionais e recontar de estórias e História.
Foi bom ouvir a nova roupagem do “mbalaum eyi ya ndonga”;  o “Abílio” que virou caenche sendo para ele “pequena coisa: Ó velho eu vou te chapar”; as viagens ao Musende (Kwanza-Sul; o “ Carlitos” que levou a mulher ao Huambo tendo-a abandonado depois de reencontrar os parentes e as conterrâneas, etc. São músicas que nada têm a ver com as gritarias de muita mizangala de hoje que, com certeza, nada legará para a posteridade com o seu “mana me deixa, me deixa e outras (des)coisas).
 

segunda-feira, novembro 25, 2013

ELISAL "ESTORVA" OU NÂO O GOVERNO DE LUANDA?

Gostaria de entender por que razão algumas empresas públicas andam em rota de colisão contra os esforços de congéneres e do próprio Governo.
Homens ao serviço da Elisal que (des)cuidam da limpeza no bairro Vila Nova, Viana, começaram por levar o lancil da recém-asfaltada rua que conduz as águas pluviais à "Lagoa da Comarca". Como se não bastasse, agora é a camada betuminosa que começaram por raspar.
Isso não é agir contra o próprio Governo de Luanda?

quarta-feira, novembro 20, 2013

"PEIXE PREGUIÇOSO" EM PORTO ALEXANDRE

Vi, em tempos,  numa reportagem televisiva imagens de instalações abandonadas e inundadas de areia, sem alma humana naquelas paragens ricas em recursos piscatórios e que em tempos idos proporcionou avultadas somas de dinheiro ao governo colonial português e alimento para muitos lares.
Lembro-me ainda das caixas de peixe seco procedentes do Porto Alexandre, bem como da farinha de peixe e enlatados…
As imagens que pude ver são sombrias e aqueles que conhecem e ou se deslocam àquele lugar, contam episódios inimagináveis sobre o abandono em que as infra-estruturas foram votadas pelo deixa andar de quem governa.
Oiço frequentemente na media relatos sobre saltimbancos, assassinos cruéis, pilha-galinhas incorrigíveis e outros que passam a vida a evadir-se de cadeias. Na ausência de voluntários, por que não levar estes anti-sociais ao Porto Alexandre para reabilitar e habitar as instalações piscatórias, fazendo da actividade o seu castigo e ganha-pão?
Já assim foi na época doutra senhora.
A China que é o país com a maior população prisional não os tem aí a engordar sem nada fazer. Alguns dos nossos malfeitores preferem a cadeia ao trabalho livre e assalariado, porque as instalações penitenciarias converteram-se em campos de retiro. Sem trabalho, sem punição pelas faltas cometidas, tirando uma surra aqui e outra acolá que vêm escapando pela net.
Há polícias e militares também mal comportados. Esses seriam os guardas dos civis em cumprimento de pena.
Alguém dá corpo à ideia?
Senhores empresários! Será que a pesca não rende?
Invistam cá vosso/nosso dinheiro e permitamos que o prato angolano seja mais barato para além de poder corrigir os lúmpenos, dando-lhes trabalho e profissões. Vamos ajudar pessoas a sair da pobreza extrema.

segunda-feira, novembro 11, 2013

RUAS PERIFÉRICAS DE SAURIMO RECEBEM ASFALTO

 Andei um pouco pela periferia de Saurimo e vi, com agrado, que algumas ruas foram ou estão a ser asfaltadas.
O asfalto é incentivo ao investimento e este (investimento) traz consigo o desenvolvimento.

Não tarda, aqueles casebres com quintais de chapas e aduelas serão trocados por construções em betão. Surgirão grandes casas, lojas, cantinas, serviços, etc. Assim se fizeram muitas das nossas actuais cidades.
Viva o asfalto.

Espero que os beneficiários saibam cuidar das ruas alcatroadas, não deitando água nem objectos que as danifiquem, e que a administração não permita que as areias invadam o asfalto. É preciso também uma fiscalização eficaz, pois há trechos onde já se notam poças d´água, o que no meu ver de leigo indicia ausência de escoamento.
 
Ainda sobre circulação nas ruas da capital da Lunda Sul, sugiro que se coloque uma linha contínua no trecho entre a rotunda do Cikumina às bombas da Pumangol, visto que os automobilistas saídos da cidade (em direcção ao `Cikumina-Dundo) não se dão ao trabalho de ir contornar a rotunda para abastecer as suas viaturas, provocando, com as suas manobras, congestionamento no trecho, que já é estreito, e  eminente perigo. Acho que não custará nada.
 

 VIVA O ASFALTO, A SEGURANÇA E O DESENVOLVIMENTO!

segunda-feira, novembro 04, 2013

"DIVAGANDO" SOBRE EDUCAÇÃO EM ANGOLA

Quando estudei a 5ª e 6ª classes, na escola preparatória Kwame Nkrumah, em Kalulo, os meus professores do II nível tinham apenas a 8ªclasse mas eram bons. Sabiam o que transmitiam e faziam-no com convicção. Sentíamos que nos transmitiam coisas novas e as retínhamos como úteis ao nosso desenvolvimento intelectual. Fazíamos desafios entre colegas e assim alguns se destacavam entre os demais…
Com esse mesmo espírito e vocação, já a fazer a 7ª classe, na escola Ngola Mbandi, em Luanda, eu dava aulas de superação às minhas sobrinhas Marisa Raquel e Claudeth F. Bandeira. Dizem que minhas aulas eram tão boas que as vizinhas e amigas da minha prima Teresinha (Mª de F. Ferreira Bandeira ) decidiram também levar seus filhos à explicação. Tempo depois, o quintal dela, na rua 10 da Comissão do Rangel, tornou-se pequeno.
Com o andar do tempo, , abri um pequeno negócio no meu quintal (Comité Njinga. Rangel). Os meus sobrinhos (juntou-se o Ary às duas meninas), todos sao hoje senhores, não pagavam e tinham o estatuto de "bolseiros". Os demais faziam pagamentos simbólicos no final do mês, o que me permitia comprar o giz e o meu material escolar.
É triste que hoje um individuo com o ensino médio concluído tenha metade ou mesmo um quarto dos conhecimentos científicos e cultura geral que alguns de nos tínhamos com a sexta classe em 1988.
Onde reside o problema?
Eis o que dizem os meus amigos do face book sobre o assunto:
Eduardo Cussendala: No sistema de ensino, eu até hoje não entendo como é que um indivíduo que escreve casa com Z chegou à faculdade. E, pior, é finalista.
Conheço pessoas que não sabem quanto é 10% de 100, mas têm o médio concluído…
Sebastião Neto: O nosso sistema de ensino deixa muito a desejar. Queremos erradicar o analfabetismo às pressas.
Gustavo Silva: Conheço licenciados que redigem textos medíocres. Têm uma caligrafia sofrível. Falam num “linguajar” que atropela as normas básicas da língua veicular. Mal sabem redigir uma carta a solicitar candidatura para um emprego. Para eles, não interessa que se saiba ou não, que haja conhecimento, ciência. O importante é que os familiares, amigos e arredores fiquem a saber que há diploma na área.
Sebastião António Santos: Eu conheço alguém que se diz licenciado e ainda escreve cabeça com dois SS (cabessa). Em vez do Ç na palavra Gonçalves, escreve Gonsalves. E há muito ainda sobre gramática ou ortografia.
Victorino Tchikunda: Caro Luciano, sabes que andamos nestas coisas de docência há já largos anos. Tendo em conta a tua “divagação” pela educação, apraz-me escrever o seguinte: no tempo em que estudávamos e os nossos professores tinham pouco nível académico, mas eram sábios e dedicados, não existia muita alienação, muita televisão e muita diversão. Hoje por hoje, “paga-se para passar e não estudam para aprender". O resultado esta aí à vista de todos. Alunos universitários com dificuldades em escrever e falar correctamente, dificuldade em abordar com propriedade assuntos estudados na universidade... Junta-se a isto a falta de leitura. Gosta-se mais de novela e outras coisas imediatas.
Emilio José Victoriano: Ausência da trindade: pais, aluno e professor! Hoje, os pais já não se preocupam com o aproveitamento e o comportamento dos filhos, indo de quando em vez à escola onde o filho estuda e conversar com seus professores. Normalmente, só vão à escola no final de cada trimestre para verem os resultados. Outros ainda ligam para os professores ou vão ao encontro desses para negociarem as notas dos filhos. Desse modo, o que se espera dos futuros ' quadros''?
 Octávia Rosa Linda:  Lembro-me, com saudades, que também dei aulas no quintal da avo Filipa e tinha muitos alunos. Pagavam cada Kz 50 e ganhei muito respeito dos miúdos que hoje são jovens, adulto e uns até já pais de família que às vezes pedem que volte a dar aulas. Acho que a reforma (educativa) não está a ajuda em nada. Há crianças na quarta classe que não sabem ler.
Carlos Canda:  A valorização do estudo, na sua verdadeira essência, está ser ofuscada pelo fenómeno “dar gasosa para transitar de classe”, porque o mais importante hoje é mostrar o diploma. Há doutores sem que os mesmos tenham dado “o litro” para tal graduação. As consequências do fenómeno corrupção no ensino estão à vista. Ai, que saudades dos anos 80?!
Irlanda Salongue: É que há professores actuais que só dão aulas por dinheiro. Leccionam cadeiras ou disciplinas para as quais não possuem habilidades e conhecimentos. O quê que se espera?
Francisco Jacucha: Eu lembro aqui declarações de um padre dizendo que “desde que se fez o acordo com o governo as escolas católicas começaram a fechar as portas”. É triste mas é real. É aí onde devemos reflectir sobre o ensino hoje. Estou preocupado porque tenho filhos que estão a estudar nesse tempo, todos sabem, todos dizem que o ensino está mal, mas disso não passamos. Ainda tive a felicidade de aprender com esses professores, sobretudo vocacionados para o ensino. É um prazer ensinar...
Victoria Ferreira: Cultivar o hábito de leitura desde a base é muito importante e isso começa na família, em casa! Luciano Canhanga, desde pequena a minha mãe comprava livros com gravuras bonitas e muito coloridas. Depois comecei a frequentar a feira do livro, aí onde é hoje o Parque Heróis de Chaves, na cidade alta. Comprava os livros da Heidi e outras colecções de livros infantis. As revistas aos quadradinhos ajudaram-me muito: o tio Patinhas, a Mónica e outros. É claro que nem sempre havia dinheiro para comprá-los, por isso fazia troca com os meus colegas da escola. Nos livros de aventura, policiais e dramas vivi grandes emoções, às vezes, mesmo na escuridão, quando não havia energia, fingia que estava a ler a matéria da escola… tão interessante e emocionante estava a leitura. Tive uma colega que fugia da escola para ir à Miruí, uma livraria localizada no Kinaxixi. Por outro lado, acho que os livros de leitura, naquela altura, traziam lições que despertavam um grande interesse aos alunos, assim como a forma em que o professor fazia a leitura. Os alunos mal chegavam à casa e já queriam exercitar o novo texto. Quem não tem saudades dos Textos Africanos de Expressão Portuguesa que eram destinados aos alunos da 7ª e 8ª classes? A leitura, sobretudo, ajuda na formação intelectual das pessoas, por isso deve ser cultivada ao longo das nossas vidas!

segunda-feira, outubro 28, 2013

ANGOCITIES

A feira das cidades, realizada em Luanda, de 3 a 6 de Outubro 2013, teve muito movimento.
Houve muita gente curiosa que visitou e procurou por informações específicas sobre as cidades e vilas de Angola.


- O que é que há no município Xis e que não há em mais nenhum lugar?
- Que objectivos económicos podem atrair potenciais investidores ou mesmo emigrantes (internos e externos)?

Essas e muitas outras perguntas não encontraram respostas cabais em muitos stands que em vez de mostrarem as cidades e vilas (maquetes) levaram apenas produtos agro-pecuários, piscatórios e peças de artesanato que nas áreas de origem muitas vezes apenas enfeitam os museus.
A próxima feira das vilas e cidades pode ser melhor explorada se as administrações contactarem agências de comunicação e saberem definir o que pretendem mostrar, dando-lhes um retorno do investimento a realizar.
Doutra forma, as feiras serão apenas sorvedores de dinheiro, com vantagem apenas para os organizadores do evento.
E, como aprendemos todos os dias, espero que os próximos eventos sejam melhores.


terça-feira, outubro 22, 2013

TIROS VOLTAM A MOÇAMBIQUE

Depois de 21 anos de paz precária (sem a completa desmobilização e integração das forças da Renamo no exercito e polícia nacional) entre O Governo e o maior partido oposicionista, RENAMO, a guerra civil pode voltar ao país lusófono do Índico africano onde as forças armadas tiveram de atacar e ocupar a base militar de Afonso Dlakama, o líder guerrilheiro que já havia excluído, numa entrevista, um fim semelhante ao que teve o ex-guerrilheiro angolano Jonas Savimbi.
Dlakama que há 21 anos vem mantendo um discurso de “semi-paz e sem-guerra”, com ataques a viaturas e esquadras policiais por si reivindicados, foi forçado a se pôr a monte pelas forças governamentais de Moçambique, segundo relatos da imprensa internacional.
Está a monte e renunciou à paz de Roma 1992
Só espero que depois de ter iniciado uma empreitada para a qual julgo NÃO ter apoios internacionais, nem força física e psicológica, consiga rapidamente atirar a “toalha ao tapete” e pedir clemência para que não vá à terra mais cedo e fazer companhia ao “Jaguar Negro”.
Seja de grande ou de pequena intensidade, uma guerra é guerra. É destruição e morte. É o povo, capim entre dois elefantes, quem mais sofre. São os agitadores, os fabricantes e vendedores de armas, que se alegram a custo de quem padece ad eternun.
Lamento profundamente pelos moçambicanos que não merecem outra guerra injusta, depois dos desastrosos anos de guerrilha patrocinada pelos racistas sul-africanos entre 1975-1992 (acordo de paz de Roma a que Afonso Dlakama acabou de renunciar).
Por fim, espero ainda que, embora seja legal um pedido de apoio militar entre os dois governos democraticamente eleitos, não viagem angolanos para o Índico como aconteceu nos Kongos, em anos de memória recente. Há sempre quem volte incompleto ou quem não volte vivo…   

segunda-feira, outubro 21, 2013

KANA KUDIBETA

A língua que se fala nas duas margens do Kwanza (do Médio ao Baixo) é de mesma raiz, ambundu.
Kana kudibeta significa, em português, não lutem.
 
Pedra Escrita: Munenga, Libolo, K-Sul, Angola
Soube que na partida pontuável para os 8ºs de final da Taça de Angola, houve rixa entre adeptos, depois do jogo entre o Porcelana do Kwanza- Norte e Recreativo do Libolo do Kwanza-Sul. Igual comportamento dos adeptos do Porcelana já tinha sido notificado no jogo da 1ª volta do Girabola, realizado no Estádio dos Dinizes (Ndalatando).
 
As informações que tenho apontam que os adeptos do Porcelana terão digerido mal, ainda dentro do campo, o resultado do jogo da taça em que os donos-de-casa foram eliminados por 0-1, daí terem partido para insultos e actos de violência gratuita contra os libolenses.
 
Os kwanza-nortenhos terão dito que "os libolenses (súbditos de Ngola como eles) eram "escravos", pois não eram ambundu nem ovimbundu"...  Isso levou, segundo o correspondente da Rádio Cinco, no Sumbe, Neto Makandumba, a ajuste de contas no jogo da 28ª jornada do Girabola.
 
Os adeptos do Recreativo do Libolo, segundo ainda Neto Makandumba, não lutaram dentro do recinto de jogos mas protagonizaram "actos de desforra" ao apedrejar o autocarro do Porcelana e impedindo que se fizesse à estrada de regresso a Ndalatando.
 
"Bloquearam as estradas da Munenga e da Kabuta e o autocarro só pôde sair de Kalulo às 18 horas, sob escolta da polícia e pela estrada de terra batida Luati-Lussusso-Munenga-Dondo. Tiveram de dar volta à revolta".
 
Contados os factos, esses "bilos" entre os adeptos do Porcelana e do Rec.  Libolo  estremeceram comigo.  Essas gentes precisam de mais informação e formação. Os media devem cumprir o seu papel educativo. As rádios de Ndalatando, Kambambe e Sumbe têm de educar os amantes do futebol, os adeptos que fazem bem ao futebol, quando bem comportados e educados.

Sei que  o Recreativo não está no Girabola de passagem e, pelo que me parece, o Porcelana renova a estada no campeonato maior de futebol angolano. Essas equipas hão-de cruzar mais vezes em 2014. É preciso pôr termo a essas rixas e explicar que as lutas entre claques em nada dignificam os nomes dos emblemas que defendem, muito menos solidifica o Projecto de Nação em curso no país. 
Que o futebol seja elemento aglutinador entre angolanos e não dissuasor.
 
Aproveitando o momento: para mim fazia mais sentido o Libolo ter uma rádio das supostas "comunitárias" do que Viana, Cacuaco e Cazenga, em Luanda.
Para além do Café e agora do vinho made in Libolo, o município tem Futebol e Basquetebol de primeira divisão que tornam a circunscrição um roteiro obrigatório.
 
Teremos de esperar que Higino Carneiro seja Ministro da Comunicação ou da Propaganda?
 
 

terça-feira, outubro 15, 2013

O HOMEM E A PROVÍNCIA DE QUEM SE FALA


Começou a ganhar visibilidade ainda nos tempos da senhora guerra, quando ainda coronel, manteve encontro, algures no Moxico, com a chefia militar da rebelião. Daí em diante, fez três coisas: Diplomacia (enquanto negociador), política e negócios )enquanto empresário).
Depois de Vice-Ministro sem Pasta passou a Vice-Ministro da Administração do Território, tendo-lhe sido, posteriormente, confiado o governo de sua província natal, o Kwanza-Sul. Começou com os Festi-Sumbe e outras realizações. Na Kabuta, comuna do Libolo,  ergueu uma grande fazenda que já produz vinho tinto, completamente made in Angola.
Ao tempo de Ministro das Obras Publicas foi apelidado de “Todo-o-Terreno”, dadas as suas qualidades frontais em encarar os problemas. Com ele o país se tornou pequeno e a circulação rodoviária um facto.
Teve passagem por Luanda, onde dirigiu a Comissão de Gestão, naquele que terá sido o seu consulado menos brilhante, fazendo-lhe companhia Tony Van-Dúnem e Job Capapinha.
No Parlamento falou pouco (ele é homem de obras e de poucas palavras, dizia-se). Foi agora, ao que se dizia, despachado para as “Terras do Fim do Mundo”, onde se pensava que seria o desterro do veterano combatente. Ledo engano.
Higino, à frente.
Higino Carneiro está a fazer do Kwando-Kubango a província de que mais se fala no presente e para onde estão viradas as antenas do Executivo Nacional que pretende diminuir as assimetrias entre as províncias do litoral e aquelas mais afastadas da costa atlântica.
Aos poucos, o KK vai mudando. O dinheiro do Estado e dos empresários vai afluindo ao KK e as pessoas vão descobrindo que nem tudo é mato. Há também oportunidades de fazer dinheiro, vida e riqueza. Agricultura e pecuária, as infraestruturas, a educação, a saúde e a reinserção social, a indústria mineira, o turismo com realce para o projecto KAZA – Área de Conservação Transfronteiriço Okavango – Zambeze são as grandes apostas do "sempre em frente" Higino Carneiro. E é isso que o homem que nasceu no Libolo vai fazendo no seu novo consulado.
E, por mais incrível que pareça, Libolo e Kwando-Kubango possuem rios homónimos, o Longa. No Longa do Libolo, Higino e parceiros ergueram uma fábrica de processamento de água “Vale do Longa”. No Longa do Kwando-Kubango, Higino Carneiro viu inaugurado, no seu mandato, o projecto agrícola “arroz do Longa”.
Sem desprimor pelos seus antecessores, o KK do pós Higino será diferente e melhor daquele que encontrou, a contar com o seu dinamismo e confiança que granjeou ao nível dos centros de decisão do país. É a quem trabalha que se conferem poderes.
Higino e o KK são o homem e a província de quem se fala.

quinta-feira, outubro 10, 2013

NO RASTO NA "NGWIMBI"

Na "Ngwimbi", se andas com muita "bufunfa",  podes ser "fungutado".
O rico e sempre inovador calão de Luanda levou a atribuir, nos anos 70 ou 80 do séc. XX à capital angolana o designativo de "Ngwimbi/Nguimbi". Um nome que nada tem a ver (no meu fraco entendimento) com as demais designações oficiais que Luanda já teve.
- A que se deveu tal nome que até "colocou" e perdura no tempo?
- E a que se deveu o termo "funguta" que significa confusão/guerra/luta/agressão?

sábado, outubro 05, 2013

COMUNIDADES SOB REGIME FEUDAL NO SECULO XXI

 
COMUNIDADES SOB REGIME FEUDAL NO SECULO XXI

Nasci numa aldeia recôndita. Das mais recônditas do Libolo e da comuna da Munenga. Mbango-de-Kuteka fica na margem libolense do rio Longa. Para se lá chegar, tem de se atingir a aldeia de Pedra Escrita, no troço entre desvio da Munenga/Kalulu e Lususu (EN120), embrenhando-se pelo sertão, à direita até próximo do Rio Longa, numa distância entre 25 a 30 quilómetros.

Mbango-de-Kuteka tem uma aldeia satélite, Kabombo, onde ficava a fazenda duma senhora alemã, apelidada pelos nativos por “Senhora Kasenda”. Desconheço o seu nome de registo. A mesma foi raptada em 1984 pela UNITA, com outro alemão, seu parente, Walter Kruk, tb apelidado pelos nativos por “Ngana Mbundu”. Ambos nunca mais foram vistos.

A uns 5 ou 10 km da aldeia de Mbango, fica a capital de Kuteka, Mbanze-yo-Teka (Banza de Kuteka). Antes de se atingir a aldeia de Mbangu, encontramos o desvio para Hombo, aldeia também circunscrita à regedoria de Kuteka e depois de Hombo, atingimos a Kipela.

Embora muita gente dessas aldeias tenha migrado para junto da estrada asfaltada (Pedra Escrita), ainda restam alguns parentes da minha mãe. Há gente que não se aparta do rio Longa que é/foi fonte de vida para muitos. Na minha última viagem, efectuada há dois anos (2011) na companhia de um amigo Engº Geofísico Tiago Duarte, entristeceu-me não ter encontrado escola, nem posto de socorro médico. Vi crianças anémicas e desnudadas. Um autêntico período feudal em pleno séc. XXI.

Nos anos 70 e 80 do séc. passado, a região teve professores como Faustino Kissanga Bocado, Jorge Kakonda, entre outros que me escapam à memória. Alberto Garcia, terá sido dos melhores alunos de Mbango-yo-Teka, chegando, anos depois, já sem um ensino oficial, a ajudar os petizes com aulas particulares. Hoje nem Garcia, nem o Estado ensinam as crianças da minha aldeia natal.

Atravessando o Rio Longa, à distância de 30 a 35 Km, fica a aldeia de Mbwexi, comuna de Ndala Kaxibu (município da Kibala). Mbango-de-Kuteka, segundo a minha mãe, também fica próxima de Thumbu e Kilenda ou ainda da Kisama (se descer com o rio no sentido oeste). Ela conta que em tempos recuados iam à Kisama, a pé, vender tabaco. A ligação do Bango-de-Kuteka com as aldeias citadas é feita ainda a pé.

Pude identificar, instrumentos rudimentares como armadilhas de ferro, designados genericamente por “otuela”, do português ratoeira, embora sejam para apanhar animais de médio e grande porte; facas e flechas forjadas no fole pelo ferreiro; panelas e moringues de barro; pontes feitas a base de cordas e paus, designados por “ulalo”; redes piscatórias e anzóis artesanais; circuncisão ainda a sangue frio; cura de doenças baseada apenas em raízes e plantas medicinais; crença no feiticismo e na intervenção dos antepassados na vida, etc., situações já “enterradas e esquecidas", faz tempo, em outras comunidades mais avançadas.

A Medicina, a formação e a informação, comércio e estradas devem lá chegar para que haja um salto para a luz. Também se pode promover a aglutinação das aldeolas para permitir que investimentos em termos de infra-estruturas sociais básicas acima citadas e permitir que o sol os ilumine o mais cedo possível. Bastará as autoridades administrativas indicarem um espaço intermédio entre diversas aldeolas, lotear os terrenos (fazer arruamentos) para a construção dirigida, distribuir chapas de zinco, indicar o tipo de material a usar na construção (ideal que seja o adobe queimado como se faz no norte de Angola) e fornecer uma planta arquitectónica tipo. A própria comunidade ergue as residências, cabendo ao Estado construir o posto médico, a escola, o Jango com TV comunitária, as casas para professores e enfermeiros, posto de polícia, construir picadas em condições, instalar água e energia foto voltaica, etc. O comércio irá a reboque. Isso pode e deve ser levado a todos os pontos do pais onde ainda se verifique uma vida do tipo feudal em pleno séc. XXI.

Os governantes habituaram-nos, nos seus discursos a remeter todas as realizações infra-estruturais ao Presidente da República, com “Graças à orientação de Sua Excelência”. Sabendo que o chefe do Executivo não pode percorrer todas as aldeias do país, onde aqueles que o representam nada fazem sem que o chefe os mande, ofereço-me para “radiografar” desapaixonadamente a Angola desconhecida , a começar pela aldeia do meu cordão umbilical.