Não se lhe conhece outro nome senão Nanana. Era meu primo, nascido na década de 50 do séc. XX. Seu pai, também do Lubolu, veio cedo a Lwanda, acompanhado pelo filho primeiro, ainda infante, tendo a graça, embora iletrado, de ser tornar jardineiro de primeira classe do Banco Nacional de Angola. Nos anos 80, jardinava na casa do Governador do BNA e, quando pudesse, dava uma perna nos aposentos lwandenses de Sam Nujoma, a caminho do Palácio, onde recebia em troca alguma gorjeta e roupa de fardo que dividia com os familiares.
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sexta-feira, abril 21, 2023
NANANAS DESSE TEMPO
sábado, abril 08, 2023
KWITU KWANAVALE E O MEU REPRESENTANTE
Lembrei-me, mais uma vez, do meu primo Zito ou Sabalu Kambota. Era o mais intrépido do seu tempo, na minha família. Foi à tropa aos 18 ou 19 anos, participando de encarniçados combates no Munyangu, rota Vye-Moxiku, ao longo da ferrovia que, ao tempo (anos 80) era o ex-libris da Unita.
sábado, abril 01, 2023
O MOMENTO FILANTRÓPICO DO KOTA KALAMAVU
segunda-feira, março 27, 2023
O CARNAVAL DE KALULU - ANOS 80 A 90
Já tinha assistido ao desfile do cinganji, na antiga Fazenda Israel, sem saber por que razão apareciam aqueles fantasiados que punham medo à miudagem e que os mais velhos diziam, "não podiam ser alcançados nem tocados". Todavia, o meu 1º Carnaval foi em Luanda. Tendo chegado ao Rangel em 1984, calculo que no final do ano comecei a ouvir e a ver os ensaios dos grupos Atuzemba e União Estrela que ficavam a poucos metros de casa (Kaputu). Depois, entre finais de Fevereiro e início de Março, começavam as aparições nas ruas, o chamado Carnaval de Rua. Uns chegavam a descer á Marginal Antiga para o desfile provincial. Outros ficavam-se pelas ruas do Rangel, tocando e dançando para a população que fazia vênia com oferta do que houvesse: bens alimentares e ou moedas.
Regressado ao Lubolu, desta a Kalulu, em 1987, encontrei outro Carnaval, melhor do que os cingaji da Fazenda Israel e de menor expressão do que o Carnaval do Rangel.
Em Kalulu, dos anos 80 a 90 (século XX), quem, grosso modo, fazia o Carnaval eram os alunos das escolas e os funcionários públicos ligados à educação, à saúde e à cafeicultura (Libolo I, II e II). À data, as escolas primárias contavam-se aos dedos de uma mão: a Escola nº 1 (Agostinho Neto) fica(va) na Vila. A nº 2 era a da Missão Católica, ao Musafu. A nº 3 era a da Banza de Kalulu. A estas se juntava a da Kakula e a "Escola Técnica", Kwame Nkrumah, que era a maior, atendendo o II e III níveis de ensino.
Fora dos grupos carnavalescos escolares, todos compostos por crianças e adolescentes, um ou dois grupos da classe de adultos participavam (quando calhasse) do Carnaval. O do "Gabriel"1 era o mais frequente e mais bem estruturado. Era o único que já levava alguma alegoria e que nos fazia ver além dos habituais cartazes dos Camaradas Presidentes.
As canções, estas eram vezeiras. A mesma melodia que, ano após ano, recebia ligeiras emendas à letra, quando não fosse a mesma letra do ano passado.No ano de 1989 fui ao Jardim de Kalulu assistir ao Carnaval. A escadaria da Fortaleza (ao lado o "palácio" do comissário municipal) acolhia a tribuna.
O primeiro grupo a desfilar cantava aos presentes, dentre eles o comissário Keka Ngó que havia substituído o comissário Toni:
"Nosso rei vai entrara na tribunapara saudá (bis 3 vezes)
para saudá o camarada comissário!"
Primeiro desfilavam os grupos escolares e depois o(s) de adulto, quando houvesse.
Era tempos de Kitotas nas rotas Munenga-Kalulu, Kalulu-Lwati e, sobretudo no Kisongo, aonde o batalhão LCB das FAPLA não ia. Mas, o povo pretendia "dar sangue" ao novo comissário, ele um militar com patentes, vindo do Sumbe, e incentivá-lo a desalojar os kwachas do Kisongo. Por isso o grupo cantava:
"Keka Ngó sabe lutar (bis)
Olha que a Unita já está no Kisongo
A Unita quer nos acabar..."
Cada texto tinha o seu contexto. Era assim e continua a ser no Carnaval de Kalulu que cresceu e continuará a crescer.
1 - Chamámo-lo naquele ano de "grupo do Gabriel", mas, na verdade haviam feito uma homenagem ao Gabriel.
Texto publicado no Jornal O Litoral de 03 de maio de 2023
terça-feira, março 14, 2023
FILOSOFANDO "COM" O ESPANTALHO
Por que as camponesas mantêm o espantalho permanente nas
plantações de milho?
Numa resposta ao pé da letra, é para evitar desgraça na lavra. Aves, símios, javalis, etc.
No sentido filosófico e buscando a analogia do espantalho, "a educação dos filhos e a capacitação/apelos
e aconselhamentos aos funcionários devem ser permanentes como o espantalho em
uma plantação de milho". Aves são como as falhas. Estão sempre à espreita!
quinta-feira, março 02, 2023
"MANGODINHO" - NOVELA DE SOBERANO KANYANGA
O Jovem escritor Alberto Baião “Bebeckson”, com dois poemários e um ensaio filosófico publicados, natural e residente em Kafunfu, Lunda Norte, antecipa-se a "Mangodinho”, no prelo, e conduz-nos numa viagem a
MANGODINHO" - NOVELA DE SOBERANO KANYANGA
Da contemplação, criação, inspiração e reflexão, concebe-se a visão filosófica e antropológica da realidade angolana voltada numa novela sempre actual e actuante. "Mangodinho"
Como enfrentar um desafio social e readaptar-se a um novo meio?
Será que é apenas uma cruz para o Mangodinho ou para homo socialis?
Num universo de idas e voltas na actualidade do real, Mangondinho aparece dramaticamente para despertar ao leitor uma nova era da vida social e dos fecundos frutos da polis (cidade).
A vida humana, é vista literalmente como uma novela, porque na sua narrativa pode-se repartir os momentos em capítulos detalhados em contos. É neste diapasão que se manifesta o Soberano Kanyanga, na conceição de contos que transcendem a imaginação, tornam lúcida e explicativa a vida hodierna.
Quem será então o Mangodinho?
Profeta, assim se traduz o nome bantu Ngunza, na língua Kimbundu. Escreve Raúl David em Colonos e Colonizadores, p.15, GRECIMA, Luanda-2014 «é sabido que o nome dos nativos tem origem, geralmente no acontecimento do dia, em ocorrência ou facto importante na época do nascimento da criança, no desejo de manifestação de gratidão a alguém». E este é o nome do progenitor de José Pequeno "Mangodino", africano que deu origem ao título desta cintilante novela apresentada por Soberano Kanyanga.
Em toda a parte do mundo, a cidade capital dum país, inspira sempre em cada cidadão um sonho por se realizar. Por ser a mais linda do País e por congregar as figuras emblemáticas da nação. E este sonho, também norteou o Zequeno ou então Mangodinho, conhecer a capital de Angola, Lwanda uma urbe com encantos e atracções.
Terá Mangodinho realizado este sonho num clima tranquilo?
Não. Responde claramente o autor em: (MANGODINHO NA NGWIMBI, p.6) «Sonho dele, de muito tempo, Mangodinho, era conhecer Lwanda e fê-lo por uma razão de tristeza. [..]. Óbito na família chegada. Menina crescida desapareceu tragicamente numa sexta de praia na Ilha. Luto anunciado ao telefone da tia, no Lubolu, Mangodinho veio junto. Calças: um par. Camisa, idem. Um casaco e um par de sapatos. Relógio, já sem ponteiros, no pulso,».
Uma viagem fora da expectativa do Mangodinho, mas o que fazer, se esse sonho, sempre que fosse tentado para se realizar, um obstáculo surgia na vida do Zequeno "Mangodinho"? Como narra o Soberano, que também por nós é conhecido por Canhanga, «as vezes em que podia vir passear, respirar ar fresco da brisa do mar, visitar largos com jardins e repuxos, essas vezes lhe passaram. Ora era falta de passagem, ora era a ferida no pé, ora era sei-lá-o-quê».
A figura do Mangodinho, concebe epistemologicamente uma ideia da Alegoria da Caverna, apresentada em a República por Platão. Onde o filósofo descreve o quadro homem privado do conhecimento por falta da luz da verdade, Mangodinho na esperança de quebrar esta prisão da luz da verdade na caverna, acaba de conhecer Lwanda e abre-se ao mundo do espanto. Como podemos ler em: CONTEMPLANDO A PISCINA, p.9. «- Epá! - falava Mangodinho em Kimbundu - Viste aquela lagoa lá dentro? Parece mesmo lagoa de rio com peixe, jacaré e tudo. A água está a ferver!».
Será que era mesmo a lagoa, como imagina Mangodinho? outra vez descobrimos Zequeno ou então Mangodinho na contemplação das sombras, ou seja, no mundo das aparências que Platão na alegoria da caverna apresenta como sombra. Zequeno ou Mangodinho como carinhosamente era chamado, teve que conhecer a luz da verdade das coisas por intermédio de Mbondondo, seu amigo de infância que, no decorrer da conversa, o iluminou dizendo «Ó Zequeno, acorda. Piscina é só para tomar banho e a rede é para ninguém cair dentro dela. Acorda Zequeno, não fica burro, estás em Luanda!».
Era mais um dia de Mangodinho em Lwanda e um dia também de muitos que pela primeira vez na capital do país, vão se assemelhando a este personagem anunciado em letras douradas numa novela de Soberano Kanyanga, "Mangodinho", uma obra que homenageia aquele que levou pela primeira vez a Lwanda o personagem que dá o título ao livro.
Generosos, seremos se conservarmos o silêncio sagrado, antes de devorarmos estas cintilantes páginas. Porque nasceram num clima de inesperada morte da jovem crescida. É notória a grandeza da dor, como preludia o autor na epígrafe «Estávamos atentos à sólida formação intelectual e social da jovem de quem nos viemos despedir e esperávamos que cumprisse, depois, com o seu dever[..]. Infelizmente, estamos aqui. Maldito mar... Maldito destino...
Desafiando a dor e amando a arte, Soberano Kanyanga, numa veia totalmente antropológica, sociológica e filosófica, concebe o Mangodinho, numa época de bastante coragem e concentração. Pois o clima de luto ainda o norteia, perder uma bem-amada, sobrinha que seria médica. Mas na verdade devemos nós reconhecer a realidade de que o tudo quanto respira perece.
Mangodinho enfrentou vários desafios dentro da maior urbe de Angola, Lwanda. Mas apesar de ter partido numa fase não católica, Zequeno aprendeu muito na sua admiração das coisas. E a ele estendemos o nosso eterno e perene reconhecimento, por ter conhecido Lwanda, motivo que inspirou o autor desta novela em nossa posse.
Onde encontrar Mangodinho?
Ao autor, desejo eternos sucessos e aproveito o ensejo para agradecer profundamente a leitura que me proporcionou em primeira mão desta pomposa novela "Mangodinho"
Um abraço da alma de:
quarta-feira, fevereiro 15, 2023
OS AC E OUTRAS ESTÓRIAS DE KASONGE E SELES
O acolhimento e a despedida, na "vila ainda com características rurais", mas que se esforça em ser urbe, tinham sido excelentes.
De
Kasonge ao desvio de S. António são perto de 30 quilómetro em estrada
terraplenada e com betonilha à espera de asfalto. Os pontecos aguardam pelas
pontes definitivas.
Do
Santo António ao Uku, as aldeias, vilarejos e a obra da natureza oferecem um
regalo infinito e inenarrável. Só vendo e vivendo!
Cerca
de 40 ou 45 quilómetros a oeste de Kasonge, numa comunidade com muitas casas
"coloniais"[1]
destruídas, um casarão moderno e amarelo se destaca. Abrandei.
-
Bom dia, jovem. O quê aquilo? É escola ou casa de alguém?
-
É casa do tio Santos.
-
Kenhê ele?
-
É o chefe daqui.
Pensei
que pudesse ser a residência do administrador, mas era impensável o responsável
comunal habitar uma casa de tamanho e qualidade sem iguais na sede municipal.
Curioso
avancei, rodando pela EN 245, até encontrar alguém que me retirasse "o
pico da garganta".
-
Mano, bom dia! Que aldeia é essa?
-
É a sede da comuna de Ndumbi.
-
E aquela casa?
-
É de um empresário.
-
Bom que alguém, eventualmente natural, tenha feito fortuna na cidade grande e a
tenha vindo "enterrar" na sua comunidade de origem. - Falei à mulher
que me acompanhava. Era já a segunda abordagem sobre o investimento na terra
natal. Na primeira, falei-lhe sobre a necessidade de se fazer plano de negócio
antes de ir construir loja na aldeia. Se não houver poder de compra e um business continuous plan será jogar água
ralo abaixo. Para o campo é preciso fazer aquilo que o campo está habituado e a
cidade pronta a comparar: agropecuária e comércio de apoio à actividade
empresarial.
Rumámos,
tendo o sol a seguir-nos, em direcção ao mar.
Em
Kapolo, chama a atenção do "explorador" forasteiro um complexo de
naves. Parei. Não dava para ver apenas de soslaio e passar sem saber.
-
Bom dia, mano! - Saudei um senhor, entre os 40 e 50, que se prestava para
montar à sua motorizada.
-
Bom dia. - Respondeu lacônico.
-Bom
dia, mano! Pode dizer se aqui é aonde e aquilo é o quê?
O
adulto que se preparava para montar sobre a motorizada coçou a barba e
respondeu meio tímido.
-
Bom dia, mano. Ndizem é ngalhinhero.
O
outro que se achava ao lado corrigiu.
-
Ó coiso, no é ngalhinhero. É aviário.
Agradeci,
seguindo a marcha que se repletava de regalo até Amboiva (comuna do Uku-Seles,
onde encontrei o General sem Pasta (apresentou-se assim).
Quando
lhe perguntei que aldeia era aquela, foi diligente, num bom português em
explicar que eu estava na melhor das duas comunas do município. Depois
descreveu-as: Amboiva e Botera, explicando também as distâncias entre a sua
comuna e a sede municipal, assim como a saída da sede para Botera e respectiva
distância. Simpático, o General sem Pasta não me deixou partir sem antes pedir
o meu business card[2] ao que dei sem
titubear.
Tomara
que tivéssemos mais cidadãos assim, orgulhosos de suas terras, conhecedores
delas e aptos a situar o viandante.
Ao logo de 170 quilómetros discutimos,
intercaladamente, o que tínhamos visto em Kasonge: AC numa estrutura em campo
aberto. Por perto, estava uma casota que possuía uma minúscula antena
parabólica (recepção de sinal de TV). A estrutura suportante parecia um outdoor
e estava ligada à casota por um condutor de ar ou de energia eléctrica.
E, íamos
cogitando:
- Ar
condicionado para refrescar o descodificador? Para refrescar a rua é que não
pode ser.
Entre a vila de
Kasonge e a irmã urbe do Seles, a conversa ia e voltava. Até que, na capital do
Uku, nos deparamos com um equipamento semelhante. Estavam uns adolescentes no
largo.
- Meninos, boa
tarde. Vivem aqui?
- Não, pai,
vivo no bairro. Só vim brincar. - Respondeu o mais espevitado.
- Sabes o quê
isso?
Apontei para a
estrutura, alta, que possuía um aparelho de AC montado na parte traseira.
- É fiRmi que andam apresentá. - Respondeu o teeneger[3].
Posicionei-me à
frente do equipamento e verifiquei que era um dispositivo electrónico para a
exibição de conteúdos fílmicos.
Corri à mulher,
que estava no carro, de olhos mirados ao que fora o Hotel Cota, para
explicar-lhe quão inglória tinha sido a nossa discussão. Se calhar, tivesse ela
já uma crónica (jucosa) na calha e um título do jeito "qualê a coisa qualê
ela, em Kasonge montaram AC na rua para diminuir o calor!"
Kasonge tem
também a IECA que constrói escolas, farmácias e centros de artes e ofícios,
ajudando e aperfeiçoando crianças, jovens e adultos. A IECA é como a Metodista
Unida:
- Uma igreja
sem escola é como um casal sem filhos! - Li num dos cinco tomos "Agostinho
Neto e a luta pela independência" e voltei a ouvir numa visita ao Nâmbwa,
baluarte da luta pela autodeterminação de Angola e terra do Metodismo.
Aliás, Kasongue
Seles e Konda são os três municípios Kwanza-Sulinos aonde a Metodista ainda não
chegou, sendo, entre outras, a IECA que mais se desdobra em acções sociais.
Chegámos à Vila
Nova de Seles numa altura em que tínhamos o sol por
cima de nós, o que tornava tudo visível. Os religiosos domingueiros já tinham
voltado a suas casas e actividades pós-culto/missa.
A
urbe é que continuava com a vida de sempre: poucos andando pelas ruas da vila,
poucos no parque/jardim, poucos carros circulando, muita gente nas kitandas e
casas de venda de kapuka e muito poucos turistas forasteiros.
Sem
pressa, percorremos a vila de Seles (que tinha de tudo para ser cidade) pelas
quatro extremidades (pontos cardeais). A rua asfaltada (recente) que vai para
sul foi transformada em kitanda, dificultando a circulação automóvel. Pior do
que isso, é a acumulação de montes de lixo no eixo da via. Para mim foi a nódoa
em pano branco e vigem.
Notei
também que, a par da Kibala, Seles terá sido a vila mais destruída pelos
ataques da guerrilha nos anos que se seguiram à nossa independência (1975). As
marcas estão visíveis nos edifícios dinamitados, alguns tombados e outros
suspensos pelas ferraduras, e que reclamam por implosão, para que não continuem
a se constituir em perigo permanente aos transeuntes e aos que buscam por
sombra, quando acossados pelo sol intenso na região.
As
ruas da parte urbana apresentam-se limpas e estendem-se longas e largas,
denunciando um projecto de cidade na sua génese.
Seles
fica a 75 quilómetros do Sumbe e 29 da Konda. A comuna ukwense de Amboiva
acha-se a 58 quilómetros, na EN 145.
Saindo
para o Sumbe ou Konda, a circulação faz-se por estradas implantadas sobre
serras com grandes declives e curvas apertadíssimas que demandam destreza,
atenção e experiência ao volante. Sem esses acidentes naturais está a EN 245
que junta Seles a Kasonge, sentido sul. Reza a História que Seles, capital do
município do Uku, província do Kwanza-Sul, foi elevada à categoria de vila em
1914.
[1] O senso comum designa todas as habitações de
construção definitiva existentes até 1975 por "casas de colonos".
[2] Cartão de negócios também conhecido como cartão de visita.
3- Adolescente
=
Texto publicado no Jornal de Angola de 22.01.2023
quarta-feira, fevereiro 08, 2023
A AGONIA DO FIM-DE-MANDATO
Agonia é "o momento que antecede o fim". É sofrimento.
Tal agonia invade alguns "políticos" em fim de mandato, sobretudo, quando se cumprem períodos irrenováveis, pois colocam-se em uma situação em que não sabem o que lhes vai acontecer:
- Se seu partido ganha ou perde;
- Se, ganhando, será repescado pelo novo chefe (já que o anterior findou o último mandato);
- Se o seu partido perde (pior cenário);
- Se pode ser compulsivamente levado às "boxes" ou à cadeia;
- Se entra em estado de indigência, etc.
Esse estado de agonia leva muitos detentores de cargos políticos e ou de gestão (organizações empresariais) a meterem a mão no que é alheio (por via directa ou de estrategemas e expedientes impróbeis).
Consequência: tornam-se candidatos à prisão e/ou a epítetos correspondentes, antes e ou depois do fim de mandato.
Quem, porém, tem as mãos-limpas não teme e dorme seu sono tranquilo!
quarta-feira, fevereiro 01, 2023
O 1° ENSAIO
Tinham nos dado pão e mais nada. A água era mesmo bruta da torneira. Os mais velhos é que tinham bebido um pouco de maluvu doce para que o Camarada comissário não os encontrasse 'akodiwa'.
domingo, janeiro 29, 2023
TOPONÍMIA ANGOLANA
A meu ver, não devíamos perder a oportunidade do reencontro com a História, agora que está em debate a aprovação da nova Divisão Política Administrativa de Angola.
1- Muriege: yenwe Nuryeji (vocês são aldrabões);
2- Babaera: ovava ayela (água límpida);
3- Massangano: masa, ngana! (é milho, que estamos a moer, senhor!)
4- Ngonguembo: ngonga ya wembu (balaio/bandeja mágico/a);
5- Muxialuando: muxi wa lwandu (árvore em cuja sombra se confeccionam esteiras);
6- Quibala: kipala kya Samba (rosto de Samba);
7- Cuando-Cubango: Kwandu nyi Kuvangu (rios do sudeste angolano);
8- Calulo, Libolo: Kalulu, Lubolu
9- Caculo-Cabaça: Kakulu nyi Kabasa (gêmeos)
10- Bié: olongombe Vye (que venham os bois)!
Obs: vamos continuar a escrever "Cuito" que não é Português nem Umbundu (Kwitu)?
domingo, janeiro 22, 2023
IDEIAS QUE REVOLUCIONAM ALDEIAS RURAIS
A noite tinha sido chuvosa. Chuva grande com vento e trovoadas. Parecia que as montanhas mais próximas se iam encontrar e ensardinhar todas aquelas aldeias que se achavam no perímetro de Tumba Grande.







