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terça-feira, setembro 15, 2026

A DEFESA DO BEM PÚBLICO COMEÇA COM A VIGILÂNCIA DE CADA CIDADÃO

Há uma realidade que se tornou inquietantemente comum nas nossas cidades: a destruição silenciosa do património público perante a indiferença de muitos. Ruas e avenidas equipadas com redes separadoras, concebidas para impedir travessias perigosas e proteger vidas, são recortadas por cidadãos que insistem em atravessar onde e quando lhes convém, ignorando passadeiras e passagens pedonais. O resultado é previsível: acidentes, perdas humanas e a degradação de infra-estruturas construídas com recursos de todos.

O problema, porém, não se limita ao desrespeito pelas regras de trânsito. Cabos eléctricos da iluminação pública são roubados em plena luz do dia. Tampas de sarjetas desaparecem, transformando vias públicas em armadilhas para automobilistas e peões, além de comprometerem o funcionamento da macro-drenagem e agravarem as inundações. Contentores de lixo ficam sem rodas, outros são incendiados. Iluminárias públicas são furtadas. Bancos de jardins são destruídos. Em muitos casos, tais actos ocorrem nas proximidades de esquadras ou de outras instituições públicas, revelando um preocupante défice de vigilância e de responsabilização.

A estes actos junta-se um fenómeno de enorme gravidade para a economia angolana: o açambarcamento e o contrabando de combustíveis. Redes organizadas adquirem grandes quantidades de gasolina e gasóleo, muitas vezes recorrendo a múltiplos abastecimentos ou à utilização de recipientes improvisados, para posteriormente revendê-los ilegalmente ou encaminhá-los para além das nossas fronteiras. Este comportamento provoca escassez artificial nos postos de abastecimento, alimenta a especulação, favorece o mercado paralelo, gera perdas avultadas para o Estado e compromete os benefícios da política de subsidiação dos combustíveis, concebida para servir os cidadãos e impulsionar a actividade económica nacional. Cada litro desviado representa recursos públicos que deixam de cumprir a sua finalidade social e transformam-se em prejuízo para todos os angolanos.

Como advertia Garrett Hardin (1968), na sua reflexão sobre a "tragédia dos bens comuns", quando cada indivíduo procura apenas satisfazer os seus interesses imediatos, ignorando o interesse colectivo, toda a comunidade acaba por sofrer as consequências. O património público e os recursos estratégicos da nação são bens comuns e exigem o compromisso permanente de cada cidadão na sua preservação.

É igualmente oportuno recordar Elinor Ostrom (1990), Prémio Nobel da Economia, que demonstrou que os bens colectivos podem ser protegidos com sucesso quando as comunidades participam activamente na sua gestão, estabelecem mecanismos de vigilância e não toleram comportamentos desviantes. 

A experiência internacional confirma que nenhuma sociedade consegue proteger o património comum apenas através da acção do Estado. A participação dos cidadãos é indispensável.

É por isso que se torna pertinente reflectir sobre o eventual regresso das Brigadas Populares de Vigilância (BPV), adaptadas aos princípios do Estado democrático de direito e respeitando integralmente os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Não como instrumentos de perseguição, mas como expressão organizada da cidadania activa, da vigilância comunitária e da cooperação entre população e autoridades.

A segurança do património público e dos recursos estratégicos da nação não pode continuar a ser entendida como responsabilidade exclusiva da Polícia ou das administrações locais. Cada cidadão deve assumir-se como guardião dos bens que pertencem à colectividade. Quem presencia o roubo de cabos eléctricos, a destruição de um jardim, a vandalização de uma escola ou de um hospital, o furto de tampas de sarjetas ou o açambarcamento ilegal de combustíveis e permanece em silêncio contribui, ainda que involuntariamente, para a continuação desses actos.

A denúncia responsável dos prevaricadores não constitui delação.  É um acto puro de cidadania. O silêncio, por sua vez, protege o infractor e penaliza toda a sociedade. Cada banco destruído, cada candeeiro furtado, cada tampa de sarjeta roubada e cada litro de combustível desviado representam dinheiro público desperdiçado. É o dinheiro dos nossos impostos e dos recursos nacionais que terá de ser novamente mobilizado para reparar danos, reforçar a fiscalização ou compensar perdas. Cada kwanza gasto para repor o que foi destruído ou recuperar o que foi desviado deixa de ser investido em novas escolas, hospitais, estradas, sistemas de abastecimento de água, iluminação pública ou outras infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento.

Como defendia Robert Putnam (1993), sociedades que cultivam confiança, cooperação e participação cívica desenvolvem maior capacidade de proteger o interesse público e de promover o desenvolvimento sustentável. 

Não basta exigir mais do Estado. É necessário que os cidadãos façam a sua parte. A defesa do património público começa na consciência de que ele não pertence ao Governo, nem às administrações municipais e comunais, nem às empresas públicas. Pertence ao povo. É nosso. Cada poste de iluminação, cada contentor de lixo, cada jardim, cada estrada, cada escola, cada hospital e cada litro de combustível subsidiado foram financiados pelo esforço colectivo da Nação.

Se queremos cidades e vilas mais organizadas, mais seguras e um país economicamente mais forte, precisamos de transformar a vigilância cívica numa cultura permanente. É urgente denunciar quem destrói, quem rouba, quem vandaliza e quem enriquece à custa do património comum. É urgente rejeitar a indiferença. O futuro de Angola depende da capacidade de construir, mas também da maturidade de preservar aquilo que já foi construído e de proteger os recursos estratégicos que sustentam o nosso desenvolvimento.

Uma nação forte mede-se tanto pelas obras que inaugura e também pela forma como os seus cidadãos cuidam, defendem e vigiam o património que pertence a todos.

sexta-feira, setembro 11, 2026

ENTRE COLINAS E MEMÓRIAS NA ROTA WIZI–MAKELA

Viajar pela estrada que liga Wizi a Makela ma Zombo é mergulhar numa paisagem que mistura tradição e um aceno à "modernidade. O percurso mostra aldeias rurais que se alinham com harmonia, algumas lembrando as construções massivas das centralidades urbanas. Nsoso, Zulu, Damba, Kibokolo, Bwanga, Kisolongo, Kayndu Antigo, Kasaka, Kipaka, Kilanda e Bungu são exemplos vivos dessa arquitectura que se impõe ao longo da rota.

Logo pela manhã, com o sol ainda preguiçoso e o nevoeiro cerrado, homens e mulheres caminham com enxadas e catanas nas mãos, muitas vezes com crianças às costas e outras correndo em passo miúdo. “Vamos para as lavras”, dizem, enquanto seguem em silêncio ritmado, compondo um quadro humano que se repete diariamente.

As casas de adobes queimados emprestam cor de tijolo à paisagem. Quando rebocadas e pintadas, lembram as chamadas “casas dos colonos”, construções definitivas que marcam a memória arquitectónica da região. A rodovia, traçada em localidades montanhosas, corta colinas ou se ergue no topo delas, oferecendo curvas impressionantes e perigosas. “Aqui é preciso prudência, senão a estrada cobra caro”, alerta um morador, referindo‑se às curvas herdadas do antigo traçado das caravanas de carregadores, a famosa “estrada do cavalo”.

Há mérito no trabalho de eliminação das ravinas que afectavam a rodovia Negaje–Makela. Embora algumas ainda se avistem, de elevada profundidade e complexidade, são hoje poucas. “Já não temos medo de ver a estrada a desaparecer com as chuvas”, comenta um agricultor satisfeito.

A relação entre vivos e defuntos é intensa. As campas erguem‑se junto às residências, como forma de reverência. “Eles estão sempre connosco”, explica uma anciã, mostrando que a memória dos que partiram permanece no quotidiano dos vivos.

Ao contrário de outras bwalas, aqui não se vêem casas cobertas de capim. A rota Wizi–Makela distingue‑se por aldeias de alvenaria, ladeadas por abacateiros, safueiros e palmeiras. Contudo, as últimas árvores estão descuidadas: sem poda, sem colheita de dendém, acumulando ramos secos. “Se alguém acender fogo, a palmeira morre e leva os bichos que nela vivem”, lamenta um jovem, referindo‑se à “malavueira” que já não recebe os cuidados de outrora.

Entre curvas e colinas, casas alinhadas e memórias vivas, lavras crescentes e palmeiras esquecidas, a estrada Wizi–Makela permite ao viajante um retrato da vida que pulsa no interior do Wizi, onde cada detalhe revela a convivência entre o passado, o presente e o futuro que se desenha com o trabalho e suor de todos os dias.


Publicado pelo Jornal de Angola a 06.09.2026

terça-feira, setembro 08, 2026

PONTE SOBRE O ZAMBEZE: MEMÓRIA DE ÁGUAS

Atravessei o Zambeze nos dias 29 de Junho e 1 de Julho, quando o sol se inclinava sobre as margens de Kazombo e o vento trazia o cheiro das flores de buganvílias meleiras. A ponte nova, de ferro e betão, ergue‑se como um gesto de permanência sobre águas que não se detêm. Dizem que o Zambeze “entrou, não gostou e saiu” de Angola, mas quem o observa percebe que ele deixou raízes invisíveis, como quem planta lembranças antes de partir.

A velha ponte de pedra, Ponte Marechal Craveiro Lopes, construída entre o final da década de 1940 e o início da década de 1950, guarda apenas retalhos da sua serventia. Foi construída num tempo em que o rio era caminho de gente andrajosa, pescadores de misoji e de sonhos coloniais, tendo resistido até que a guerra lhe roubasse o corpo. Hoje, jaz como um verso esquecido, mas ainda murmura histórias nas margens. A nova, mais larga e firme, é símbolo de reconstrução, como escreveu Luandino Vieira, “há caminhos que se refazem quando o homem decide voltar a ser rio”.

O Zambeze, com sua correnteza paciente, parece carregar a memória de todos os que o cruzaram. António Jacinto diria que “há rios que não se cansam de correr, mesmo quando o homem lhes corta o caminho”, e é isso que se sente ao olhar suas águas: uma persistência que desafia fronteiras. O Kasay, seu vizinho inquieto, corre paralelo, precipitando‑se no Zaire, que desagua junto ao Soyo, dois rios que se despedem de Angola por rumos diferentes, mas com o mesmo destino de eternidade líquida.

A ponte de Kazombo, para além de uma obra de engenharia, é sinónimo de resistência. O gesto de atravessar é também o de recordar. Cada passo sobre o cimento é um reencontro com o passado, uma conversa silenciosa entre o viajante e o rio. O Zambeze, que toca Angola apenas de passagem, deixa no coração de quem o vê a certeza de que há águas que não se vão. Apenas mudam de nome.

Assim, entre Lwaw e Makondo, entre o rumor das águas e o pó da estrada, compreende‑se que o rio é também memória. A ponte nova é o testemunho de que o tempo pode reconstruir o que a guerra desfez e que o homem, ao cruzar o Zambeze, não atravessa apenas um curso de água. Atravessa a própria história.
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In: Viagem ao Muxiko Leste

sábado, setembro 05, 2026

"MALUQUICES” E ACTOS DE INCIVILIDADE

Hoje* chamei “nervo” a um "maluco". Sim, maluco. Foi a palavra que me ocorreu naquele instante. As vestes sujas, o aspecto desleixado e a maneira como se comportava diante de um contentor de lixo davam-lhe, aos olhos de quem passava, a aparência de alguém perdido de si mesmo.

Mas talvez o verdadeiro motivo da minha indignação não tenha sido a aparência daquele homem. Foi o seu comportamento.

No início da "Grande Avenida dos Combatentes", em Luanda, há um contentor onde os moradores depositam diariamente aquilo de que já não precisam. É um recipiente destinado a concentrar o lixo, facilitar a sua recolha e, sobretudo, evitar que a cidade se transforme num imenso depósito a céu aberto.

Aquele homem, porém, parecia ter tomado o contentor como propriedade privada. Sendo meu caminho de todas as manhãs, tenho observado que o vigia como quem guarda um cofre. Não permite que outros se aproximem para procurar entre os descartados qualquer objecto que ainda possa ter alguma utilidade. É uma realidade que se tornou familiar nas nossas cidades: pessoas que sobrevivem do que os outros deitam fora e que, na sua luta diária pela sobrevivência, acabam por disputar o próprio lixo.

Até aqui, há uma questão social que merece reflexão e respeito. Quem procura comida, roupa ou objectos aproveitáveis no lixo está, muitas vezes, a revelar mais sobre a pobreza da sociedade do que sobre a sua própria condição.

O que me revoltou foi outra coisa. O contentor estava ali, ao alcance da mão. Mesmo assim, o homem pegou num saco de lixo e outras coisas fora dele e os atirou para o chão, ao lado do recipiente que ele próprio parecia considerar seu território. Foi então que abrandei a marcha da viatura e o chamei à razão — caso ainda a tivesse.

Há uma contradição difícil de aceitar: alguém pode disputar um contentor para retirar dele aquilo que considera aproveitável e, simultaneamente, contribuir para que a área à sua volta fique mais suja. E mais paradoxal ainda é ver o contentor vazio e a rua apinhada de lixo.

Talvez a pergunta mais importante seja outra: que cidade estamos a construir quando até quem vive do lixo deixa de respeitar o lugar onde o lixo deve ser colocado?

Não se trata apenas daquele homem. Trata-se de nós. Tripulantes de grandes cilindradas, passageiros em autocarros e táxis colectivos ou privativos, pais e encarregados que mandam os filhos descartar o lixo...

Uma cidade limpa não depende exclusivamente dos serviços de recolha. Depende também do comportamento dos cidadãos. O Estado pode instalar contentores, organizar a recolha e limpar as ruas. Mas, se continuarmos a atirar resíduos para o chão, a retirar as tampas dos contentores e das sarjetas, a espalhar o lixo ou a considerar o espaço público como coisa de ninguém, estaremos sempre a limpar hoje aquilo que sujámos ontem, sofrendo as consequências: moscas, mosquitos, ratos, malária e outras doenças devidas à pobre higiene.

Saí daquele episódio com duas conclusões: deitar o lixo no chão, estando o contentor ao lado, é um acto de incivilidade, seja cometido por um cidadão bem vestido ou por alguém que vive na rua; a dignidade humana não se mede pela roupa que vestimos, mas também não pode servir de desculpa para a destruição da dignidade colectiva.O contentor não é propriedade de ninguém. A rua também não. Ambos pertencem à cidade. E a cidade, no fundo, pertence a todos nós e deve ser cuidada por todos.

Por isso, urge maior sensibilização e também punição com coimas aos munícipes que insistem em lançar o lixo na rua, mesmo havendo contentores e horários estipulados para a deposição. Só assim poderemos inverter este ciclo de incivilidade e construir uma cidade verdadeiramente limpa.

* 27.08.26

Publicado pelo Jornal Pungo a Ndongo, a 4.9.2026

terça-feira, setembro 01, 2026

BUGANVÍLIAS COLONIAIS MARCAM PRESENÇA EM NANA KANDUNDU

A viagem de Lwaw a Kazombo e vice-versa, nos dias 29 e 30 de Junho, levou-me a atravessar Nana Kandundu, lugar que se ergue discreto no sertão, mas carregado de memórias. O silêncio quase absoluto da telefonia acompanhava o percurso, como se a própria terra guardasse segredos antigos.

Ao entrar na vila, os escombros de casas coloniais, ainda ornados por buganvílias que resistem ao tempo, revelavam a marca de um passado em que ali se desenvolveu uma vida intensa, centro de decisões administrativas, de trocas comerciais e de convivência humana.
Nana Kandundu já foi Capitania-Mor em 1909, passou ao regime militar em 1912, transformou-se em posto civil em 1919 e, em 1922, chegou a ser sede da Circunscrição do Alto Zambeze, antes de perder esse estatuto em 1927, quando Kazombo retomou a centralidade. Cada mudança deixou cicatrizes e memórias que ainda hoje se percebem nas ruínas, nas velhas construções e na atmosfera melancólica da localidade.

Após a independência nacional, e sobretudo durante os longos anos da guerra civil, a região foi progressivamente mergulhada no isolamento. A distância dos principais centros urbanos, a destruição de infraestruturas e a precariedade das vias terrestres transformaram a região do Alto Zambeze num dos territórios mais esquecidos de Angola. Em muitas épocas do ano, chegar a Nana Kandundu equivalia a uma autêntica expedição, sujeita às condições das picadas e à imprevisibilidade das chuvas. O abandono forçado pela guerra interrompeu dinâmicas económicas, travou o crescimento populacional e contribuiu para a degradação de patrimónios que testemunhavam a importância histórica da localidade.

Essa condição de isolamento continua a ser um dos maiores desafios da região. Contudo, já se observam sinais de mudança. A asfaltagem da Estrada Nacional 250, no troço Lwaw–Kazombo, está em curso e constitui uma das mais importantes apostas para a integração territorial do Muxiko Leste, encurtando distâncias e facilitando a circulação de pessoas, bens e serviços.

Neste novo contexto administrativo, a escolha de Kazombo como capital da província do Muxiko Leste representa uma oportunidade histórica para todo o corredor territorial que liga Lwaw a Kazombo. Situada entre estas duas localidades, Nana Kandundu poderá beneficiar da sua posição geográfica estratégica, deixando de ser apenas um ponto de passagem para se afirmar como um polo intermédio de serviços, comércio e valorização cultural. O próprio Governo Provincial tem destacado Nana Kandundu como um território de elevado potencial histórico, turístico, agrícola e cultural, sublinhando o seu papel na nova configuração administrativa da província.

Nana Kandundu possui um peso simbólico muito superior à sua dimensão demográfica. O município é reconhecido como um importante centro da cultura luvale, acolhendo referências tradicionais de grande prestígio, entre as quais a Rainha Nyakatolo, considerada uma das mais altas autoridades tradicionais dos povos Luvale

Hoje, a vila é pequena, mas não desprovida de sinais de esperança. Um pouco adiante das ruínas coloniais surgem escolas, postos médicos e outros equipamentos sociais, fruto do esforço do Estado, das autoridades locais e de cidadãos que continuam a investir na terra onde nasceram ou à qual regressaram. São sinais discretos, mas firmes, de crescimento e persistência.

O lema provincial “União, Trabalho e Desenvolvimento” encontra eco em Nana Kandundu. A localidade, elevada recentemente à categoria de município da província do Muxiko Leste, simboliza simultaneamente memória e futuro. Entre buganvílias que florescem sobre paredes em ruínas e novas infraestruturas que despontam no horizonte, o visitante percebe que a história não terminou. Pelo contrário: depois de décadas de esquecimento, Nana Kandundu parece reencontrar o seu lugar no mapa do desenvolvimento regional, alimentando a esperança de que as estradas, os investimentos e a nova dinâmica provincial lhe devolvam parte da importância que outrora conheceu.
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In: Viagem a Muxiko Leste. Texto publicado pelo Jornal de Angola de 19 de Julho de 2026.