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sábado, fevereiro 29, 2020
O NJANGO DOS "PECADORES"
sábado, fevereiro 22, 2020
LALAMA: TÃO PRÓXIMO E TÃO DISTANTE
Zona agrícola, próxima de Luanda, onde imperam casotas feitas de chapas.
- Eme ngangw'Epala-kya-Samba, Kotofe katundu (sou da Kibala vim de Katofe).
- Ame nda kitiwila ko Vye (nasci no Bié)
- A ngivalela ku Kaxikane, ngeza mu sota wengi (nasci em Kaxikane e vim procurar negócio)
- Yami nguli kacokwe. Cihunda ca Nuryeji (Sou procedente de Muryeji, sou kacokwe)
Tão próximo, mas também tão distante (para quem não anda)!
sábado, fevereiro 15, 2020
UM ÓPIO CONTRA A FEROCIDADE LIBERAL CAPITALISTA
No "capitalismo liberal", segundo politólogos, impera a soberania do mercado e do eleitor.
Por outras palavras, há liberdade e sem intervenção política na economia que é "governada pela lei do mercado de bens e serviços. Quem escolhe os políticos é o cidadão eleitor.
Quando o político não intervém, prosseguem os pensadores políticos modernos, é um "laissez fair" que "obriga" o político a pensar no legado para a próxima geração em vez de pensar na próxima reeleição.
sábado, fevereiro 08, 2020
UM XIXI QUE ME ATRASOU 6 ANOS
A viagem daquele ano, iniciada no Lussusso, tinha já perto de 30 quilómetros feitos, a caminho de Luanda. Estávamos já na pousada do alemão Walter Kruk, também conhecido por Ngana Mbundu. Nunca tinha visto, de uma só vez, tantos carros, autocarros, pessoas com ares de importantes, camaradas chefes e brancos que não tinham sido colonos.
De repente, aquele ambiente, primeiríssimo na minha vida, encheu-me a bexiga, ao ponto de me aliviar nos calções, ante a incontinência momentânea e, eventualmente, algum mutismo.
- Falo Kimbundu num ambiente em que todos falavam português e outras línguas estranhas (eventualmente alemão)?
Passaram mais seis anos, até que, forçados pela Unita, em 1984, fui "contemplado" com a viagem que me fez conhecer Luanda, sendo as minhas irmãs mais novas quem sempre acompanhavam a mãe à capital, gozando comigo, em cada regresso, entoando a célebre expressão: ewô, mu Lwanda úwabe!
- (Quão linda é Luanda!)
Se seis anos depois do "fatídico" mijo cheguei à capital, ainda creio que com empenho e boa governação, em menos de sessenta anos poderemos aproximar Luanda à sua congênere sul-africana, em termos de benfeitorias sociais e serviços turísticos, fazendo com que quando os nossos responsáveis provinciais forem questionados por seus superiores, os governantes, sobre os serviços e produtos turísticos em cada região, deixem de confundir o turismo "indústria da paz" com os carros para turismo, como respondeu um certo responsável provincial ao seu ministro.
- Então, senhor delegado provincial, como está o turismo?
- Chefe, ainda estou mesmo a andar com aquele camião que está a ver aí à frente. O turismo avariou!
sábado, fevereiro 01, 2020
CAMINHANDO POR "ANGOLA EM PAZ"
- Mas, Mangodinho, Angola já está em paz e ainda estamos a patinar para chegarmos a esse patamar. - Ripostou Niva, jovem reguila nos debates de não deixar conversa adiada.
- Patamar. Patamar de quê Niva? Patos no mar se calhar eles têm. Patamar que é de estar acima dos outros, nada. Nada que se vê. Já que achas que não é Angola em Paz, então fica só Angola sem maribondos-sanguessugas-do-erário. Quando limparmos a casa com o exemplo da Singapura que partiu sem dó nem piedade contra os larápios, garlas e peculadores vamos, sem demora, atingir o degrau deles e lhes espetarmos de rajada, uma cinco voltas de avanço!
Niva preferiu puxar a cara para outro lado e soltar um pouco do sorriso que forçava os lábios com vontade de sair.
- Oh, Mangodinho! Achas mesmo que em dez, vinte anos chegarmos a ter ruas limpas e sem buracos, árvores saudáveis e não atropeladas pelos carros, carros limpos e sem deitar fumo, prédios pintados e sem esgotos a transbordar, comboios superficiais e undergrounds, ciclovias e postos de carregamento eléctrico, nas ruas poucos jovens, muitos velhos e poucas crianças e grávidas?
- Vendo bem, Niva. Tocaste num bom ponto. Só cavavós a andar sôfregos pelas ruas, tipo aqui, não precisamos. O resto é questão de luta-contra-bandidos. Mas o ponto afiado da tua colocação é mesmo a ausência de grávidas. Porra! Quê quêsses mizangala todos saudáveis e a mostrarem músculos nas caminhadas andam a fazer às noites? Só futebol, birra e tabaco? Têm de ir aprender connosco. Isso sim. Vamos propor no relatório...
quarta-feira, janeiro 29, 2020
PODE PASSAR!
quarta-feira, janeiro 22, 2020
O "RAPTO" DA MULHER
- Quenhêle? Me mostrêle, o homem a quem o padre negou a hóstia na cerimónia religiosa. - Pediam aos primeiros a chegar ou aos que tivessem assistido à cena.
- Tal é aquele. - Apontavam, com ou sem gestos.
Mangodinho, cada vez mais Bangão, como quem diz, "aqui, nem mesmo o tio que é comissário de três estrelas, é mais famoso do que eu", continuou, fanfarrão, o seu desfile pelo salão. Ora com o copo carregado na mão, passando de mesa em mesa, ora de palito na boca se espalhando pela pista de dança. Mangodinho, era só ele.
Às três da manhã, quando boa parte dos convivas mais velhos já se tinha retirado e a festa entregue aos jovens e adolescentes que entornavam doses de álcool sem receio de um "Xê miúdo(a) não bebe assim, tipo te estão a dar corrida", Mangodinho já não era pessoa.
Saído do urinol, perdeu o sentido de orientação e não conseguiu localizar a mulher que continuava a fazer companhia às garrafas vazias e pratos de bolos e outras guloseimas por comer.
- Isabel? Isabelêê?! - Gritou sem resposta.
Tentou umas voltas, mas as pernas deixaram de obedecer.
- Tio, faxavor. Temos uma situação grave aqui no salão.
O tio que se despedia de um colega da corporação, pousou o copo de água e virou-se para ele.
- Que se passa Mangodinho?
- Tio, faxavor, aciona só o patrulheiro. É mesmo verdade que estou a falar.
Já quase a perder paciência, o tio pegou-lhe pelo braço, como quem dirige uma criança, e rematou:
- Ou te explicas ou mando te levar à casa. Vamos, diz lá seu sacana. O que se passa, pá?
- Tio, é mesmo verdade. Raptaram a minha mulher!
- Mas ela é raptável? - Indagou o tio, levando os olhos à mesa onde se encontrava a senhora, já sem o brilho da mocidade.
- Seguranças, por favor, chamem o patrulheiro. - Solicitou o tio.
Mangodinho pensando que os polícias haviam sido chamados para atender a sua preocupação, foi carregado até à arrecadação, onde dormiu como pedra até ao meio dia seguinte. Quando acordou, nem a mulher, nem o tio, nem os parentes, nem os convivas. Era apenas ele no meio de tralhas.
segunda-feira, janeiro 20, 2020
20.01.2020 - Estou a imaginar o veado que lhe mandaram entregar a carta ao leão faminto. Chegou em uma banda e encontrou o coelho.
_ Puto coelho, você que corre bué, leva só essa carta àquele kota que fica mau à toa. Vou te mixar, jurumemu!
O coelho recebeu sem refilar, mas sem saber como a entregar. Meteu a mukanda na algibeira e amarrou-se um cinturão, para não perder a missiva. Foi ter com o macaco.
_ Mano macaco, faxavor! O mano veado me deu essa carta para o ti leão. Ele estava a teketar e me obrigou a levar a carta, mas eu também tenho 'mbora a minha kagunfa. Ele disse que se entregar vai me mixar. Me faz lá só favor! Se a carta chegar, vamos se dividir a mixa. Se eu ainda soubesse trepar... Kota, como o ti leão está debaixo daquela árvore (estás a ver ali, nê?), o kota sobe nessa árvore que tem bué de galhos, apanha a outra e vai, de galho em galho, até chegar lá. Quando estiver bem em cima dele, eu vou gritar para lhe distrair e o mano deixa cair a carta. O pagamento que mano veado me prometeu, você fica com 60 milhões e eu fico com 40. Faxavor, mesmo mô kota!
E assim procederam, razão pela qual, a carta do ex-PR chegou muito amarrotada (sem conteúdo).
quarta-feira, janeiro 15, 2020
MANGODINHO PRA CÁ - MANGODINHO PRA LÁ
quarta-feira, janeiro 08, 2020
BALANÇO? SÓ NO FIM!
A causa é a mesma: continua.
O Projecto (Kam&mesa) também continua.
Balanço só em 2022 e 2027, respectivamente!
quinta-feira, janeiro 02, 2020
AO TRABALHO: DEPOIS DO BOM-ANO
- Entrar mesmo, kota... - Miúdo Russo ficou engasgado, pois, em vez da resposta costumeira "entrei bem", seguida de um apertado kandandu, Mangodinho respondeu com disparo.
- Hei, cuidado. Os mais velhos , as vezes inauguram o ano entrando e saindo, podendo resultar em aumento populacional, em Outubro. Por isso quando pergunta tem de perguntar bem. Entrar no novo ano ou entrar aonde?
- Pronto já, kota Mangodinho. Aprendi mais uma coisa. Já agora, como foi a transição do Mangodinho para 2020?
- Ah, assim é que se pergunta, miúdo Chico. Transitei bem. Bem acordado para que ninguém me contasse. Não chupei e comi à hora. Felizmente, a vida agora está nos carris. Os fazedores de barulho, pensando que exibir posse de aparelhagem chinesa é barulhar, estão a deixar o mau hábito. As ruas estão limpas. parece que as pessoas deixaram de comprar caixas e latas, ou a deixarem já as caixas e as latas nas lojas. A Elisal está como menos trabalho. Os bebedores sem escrúpulos também diminuíram lá um coxito. ou estão a beber e esconder os carros ou estão a conduzir sem beber. Afinal, o país tem carris. Possas, pá!
- E, assim, o Mangodinho vai trabalhar?
- Eu não vou ao trabalho. Já estou a trabalhar. Passar casa em casa, saudar, orar, perguntar se há saúde, aconselhar se deixaram um pouco de dinheiro para matricular as crianças na escola e comprar a roupa do dia de estreia, ver se dinheiro dos comprimidos não foi metido na cápsula de kapuka, tudo isso é trabalho. E você, miúdo Chico, está com essa cara de kimbonzado porquê? Conselho na tua cabeça não se fixa? Fidacaxa, pa!
- Não, Mangodinho. É só mesmo cara de sono. Desde ano passado que se cortei mô inimigo com katula mbinza. Já não estamos a se entender e lhe falei: você na minha goela já não passa. Assim, mesmo, Mangodinho, confiança com álcool é só mesmo já na ferida.
- Ainda bem, miúdo Russo. Árvore cresce com as os ramos e as folhas. Pessoa cresce com juízo. Se teu patrão te dispensou hoje, ajuda o tio a visitar as casas. Eu dou conselho nos mais velhos e você dá nos jovens iguais.


