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terça-feira, abril 10, 2007

MEMÓRIAS DO LUENA E DA PAZ

No Moxico após a Morte de Savimbi
Tarde de 22 de Fevereiro de 2002. Trabalho à tarde na LAC e peço a Editora Paula Simons que me dispense para resolver um assunto doméstico a partir das 17 horas. Assim acontece. Rumo ao Rangel e depois ao bairro da Cuca com o João Manuel. Deslocamo-nos à casa do Aires, sobrinho dele e agora meu afilhado. Não o tendo encontrado decidimos procurar o Zé Ndonga que tinha ido ver a namorada no Tala Hadi.

Pelo caminho recitamos uma antiga propaganda radiofónica cantada em Umbundo. “Ove a Savimbi etaly tua ku kuata…” continuando com o “Agarra Savimbi, Kuata… agarra…” Era tão alto o sentimento de insatisfação pela guerra que o homem levava a cabo com queima de comboio à mistura.

De repente ouvem-se tiros vindos de todos os lados. Tentamos procurar refúgio e não havia. Multidões invadiam os candongueiros no Zamba I para se esconder dos tiros. Era hora do Angola no Coração, programa da RNA que sucedeu ao Angola Combatente. Não tardou a notícia e o delírio. É Savimbi… O Savimbi morreu! Festa total em Luanda.

O percurso ao Tala Hadi e depois ao Rangel foram feitos em táxis mas sob fortes disparos anárquicos que foram travados com apelos na rádio. Festa sim, mas aos tiros não. O povo estava eufórico e mesmo assim pouquíssimos foram à cadeia.
Ida ao Luena
Uma semana mais tarde sou apontado pelo Editor-Chefe da LAC, Ismael Mateus e pela Editora da Manhã, Paula Simons, para ir ao Luena, capital do Moxico, ver como estava a situação humanitária das centenas de milhares de pessoas que vinham das matas. Homens, mulheres e crianças que viveram à sobra da UNITA e de Savimbi e que voltavam à cidade, muitos pela primeira vez, desprovidos de tudo. Em Luanda havia uma outra UNITA, a Renovada que lutava pelo controlo efectivo do partido mas sem arcaboiço, já que a praxis dita que a paz militar faz-se com os feitores da guerra.

Ao Luena chegavam todos os dias mais de mil indivíduos desprovidos de tudo. Piolhentos, (até Lukamba Gato, secretário-geral da UNITA de então, estava igualmente roto e desnutrido), esfarrapados, diarreicos, enfim. Clima desolador e constrangedor para um ser humano. Foram estas as imagens que reportei, alojado em casa de uns amigos do PAM que arranjei no local. Aliás a boleia ao Moxico foi num avião ligeiro do PAM.

Nas matas, e com Savimbi morto, decorriam os contactos exploratórios entre as FAA que tinham um Estado-Maior avançado no Luena e os sobreviventes militares das colunas rebeldes em que despontavam Abreu Kamorteiro e Gato. Nessa altura a TPA mostra imagens do primeiro encontro entre oficiais superiores da Forças armadas angolanas e Kamorteiro, chefe de estado-maior das forças militares da Unita, a que se seguiu um outro encontro com participação de Lukamba Gato. Um Gato cabeludo e piolhento que falava a um telefone IRIDIUM que lhe tinha sido emprestado por uma alta patente das FAA.

As imagens sonoras emitidas, a partir do Luena, proporcionaram-me conhecimentos sobre a situação dos que vinham das matas, a quantidade de pessoas que viviam à sombra do líder rebelde, como também me conferiram alguma respeitabilidade entre os colegas de redacção, chefias e outros jornalistas. Não eram tantos os jornalistas que tinham tido a minha experiência recente.

Cobertura das negociações FAA/FMUnita
Um mês depois da morte de Savimbi as “negociações” passaram das matas para a cidade do Luena. Algumas roupas usadas (de fardo) foram oferecidas de emergência aos líderes da UNITA provenientes do “Maquis” como Marcial Dachala, Alcides Sakala Simões, Lukamba Gato (secretário-geral), os generais Wambo Kalunga, Samuel Chiwale, Black Power (João Baptista Tchindadi), entre outros, todos rotos e desnutridos. Bem nutrido estava apenas o general Apolo que comandara a frente norte (Bengo, Uige) e tido como o autor do ataque ao Comboio no Zenza do Itombe.

Foi este o clima que encontrei. Uma carta de recomendação do Director de Informação José Rodrigues ao general Nunda, Chefe de Estado-Maior adjunto das FAA para que me fosse dado “apoio informativo”, enquanto fonte. As conferências de imprensa aconteciam na sede do Governo Provincial, porém as “negociações” entre as partes aconteciam no Estado-Maior avançado das FAA, onde ninguém da imprensa tinha acesso, embora se passassem a imagens de que era tudo no governo.
A entrevista com Generais da UNITA
Meio vestidos e meio calçados ou seja, Farda gasta pelas lavagens e caminhadas e calçando chinelos num quarto fortemente guarnecido por uma tropa esfarrapada e desabituada ao tratamento cortês citadino, e sob elevados níveis de alcoolémia, foi neste ambiente que conheci o general Kamorteiro, na pensão Horizonte (?) e outros chefes militares da UNITA como Samuel Chiwale, Wambo Kalunga, entre outros a quem pedi uma entrevista que me foi dada no dia seguinte.

O clima parecia ameno, não fossem aqueles miseráveis deslocados que chegavam todos os dias das matas rebentando até às costuras uma cidade de si já empobrecida.
Naqueles dias de fome para milhares já Kamorteiro se fazia passear num Jeep Hiunday Santa fé entregando-se apaixonadamente ao Wisky e sempre com um filho menor ao lado. Dias depois, numa hora seis da manhã, viria a partir o carro, embatendo contra uma árvore duma rua larguíssima do Luena. Quanto ao consumo desesperado de álcool, os seus subordinados, também generais, não se deixavam ficar atrás. Ao gargalo e muito Wisky. Foi nesse ambiente que fui recebido num dos quartos da pensão pelos generais Chiwale e Wambo para a primeira entrevista à LAC, dos sobreviventes da coluna. Foi um sucesso em Luanda.

Conselho Nacional da Família
Depois da assinatura do memorando de entendimento entre as partes militares, que já estavam em trégua ordenada pelo governo, inicialmente no Luena e depois, a 4 de Abril na Assembleia nacional em Luanda, Luena tornou-se o centro das atenções dos políticos. Em Maio de 2002 o Ministério da família e Promoção da Mulher decide realizar no Luena o seu Conselho Nacional da família em que participaram representantes de todas as franjas da sociedade. Foi a minha terceira estada, por uma semana, na capital do Moxico, aproveitada para outras reportagens sobre a situação humanitária que continuava preocupante.

As “amizades”
Todo o que se seguiu foi apenas um conhecimento sobre a vida política de então, a UNITA e seus dirigentes bem como os contornos que se seguiram à paz. Assistiu-se à luta pelo poder civil na UNITA entre os partidários de Gato (os da mata) e Manuvakola (os da cidade ou Renovada) com vitória dos da mata e depois a batalha pelo controlo da bancada parlamentar que resultou no afastamento “compulsivo” de Filipe Chimpolo e sua substituição por Gerónimo Wanga, bem como o polémico desvio de milhões de dólares por parte de Lukamba Gato já nas vestes de coordenador da comissão de gestão do partido do galo negro que desembocou numa sindicância.

Os desenvolvimentos seguintes foram os congressos, primeiro da UNITA, depois o do MPLA e mais tarde o da FNLA (o dito da reconciliação, mas marcado por cenas de pancadaria entre partidários de Holden e Ngonda).

A província do Moxico ocupa uma área de 223.033 quilómetros quadrados, a maior do país. Está localizado no centro leste de Angola, fazendo fronteiras, a Norte com a província da Lunda-Sul, a Sul com Kwando Kubango, a Nordeste com a República Democrática do Congo, a Leste e Sudeste com a Zâmbia e a Oeste com a província do Bié. Moxico tem um clima tropical húmido com duas estações principais (chuvosa e seca). O seu subsolo virgem com os seus recursos minerais, tais como: cobre, carvão, manganês, diamantes, urânio, volfrâmio, ferro, estanho e o molibdénio, o mel, a acera e a pesca artesanal. A agricultura, piscicultura, apicultura e a exploração de madeira são potencialidades económicas. A população do Moxico subdivide-se por várias etnias, nomeadamente Luvale, Cokwe, Bundas, Luchazes, Umbundo e Lunda-Dembos. A sua população estima-se em 800.820 mil habitantes. A província controla dois mil e 643 autoridades tradicionais, exercendo as suas actividades em conformidade com a realidade político-administrativa do país.

Soberano Canhanga

segunda-feira, abril 02, 2007

PERGUNTA D'ABRIL: BODAS DE BRONZE VIDA DE BRONZE?

Com pendentes ainda por resolver entre os antigos contendores, Angola assinala no dia 4 de Abril 5 anos da sua mais prolongada paz militar, depois da independência a 11 de Novembro de 1975.

4 de Abril, dia da assinatura do memorando complementar aos acordos de Lusaka (20 de Nov. 1994) foi consagrado à paz e reconciliação nacional.

-Da paz militar à paz social que distância nos falta?
-Bodas de bronze é já vida de bronze?


Soberano Canhanga

quinta-feira, março 15, 2007

UM ANO

Exactamente hoje. Em Catoca, Lunda-Sul, há hora e meia de voo de Luanda, enfrentando a dureza da saudade e da gestão de famílias à distância.
-O que mudou? perguntou-me um amigo ao telefone.
-O relatório ainda está por ser feito. Se calhar, imediatamente ,nada. Mas se acontecer calamidade já há almofada...
-E o filho já colegia? Outra pergunta.
- ... Ainda não, por opção, não por carência...
-E a construção como vai?
-Possa, esses gajos são chatos. Sempre a farfalhar a vida íntima... A casada já vive em casa própria... as condições de vida e habitabilidade vão melhorando.... Tchau. Também mereço dormir!
De repente outros amigos ao vivo.
-E o brinde, meu?

-Epá, tenho óbito. Sobrinho da minha mulher... abram o demi-sec e façam-no por mim...
-E não sais?
-Não. Hoje vou trancar-me e solver a saudade da "metrópole"!


Soberano Canhanga

terça-feira, março 06, 2007

OUTROS TEMPOS VII


“Sul-africano um dia pagará”. Cantamos na infância este refrão. Naqueles tempos da OPA era questão de orgulho cantar… Hoje crescidos esperamos que a canção se torne acção. É possível?

-Quem passa a factura (pelas agressões da África do sul racista a Angola)?

Na foto: Nelson Mandela. Primeiro presidente negro da África do Sul

Soberano Canhanga

quinta-feira, março 01, 2007

PERGUNTA DE MARÇO: QUEM LIXOU QUEM?


Queixam-se frequentemente os políticos angolanos, quando estão com o pé na lama, de estarem a ser "lixados" por uma alma invisível. O Partido maioritário é a palavra mais pronunciada pelos queixosos na intenção fácil de (re) carrilar os seus comboios.

O mês que se fez ao poente trouxe à luz um caso insólito e ainda inesclarecido pela justiça. Trata-se de um alegado cárcere privado ou ocultação de doente em residência particular… Chamemos-lhe os nomes que permitam comunicar… O envolvido, ou pelo menos indiciado, é Ngola Kabango, homem de História e passado conhecidos pelos angolanos … Em sua defesa e em defesa de sua dama, pessoas ligadas a Kabango e algumas à FNLA, partido de que é vice-presidente, soltaram acusações contra tudo e todos que lhes pareceram fantasmas ou no mínimo interessados em quedar o Kabango ao passo que outros dele se demarcaram como se de merda estivesse borrado.

-Mas afinal, quem lixou quem?

-O Kabango ao Benedito ou o fantasma ao Kabango?

-Sairá Kabango limpo desta borrada?

Soberano Canhanga

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

QUARTA-FEIRA SEM CINZAS


Choveu na marginal e as cinzas foram todas levadas de véspera pela chuva vespertina. A marginal do Carnaval foi varrida. Cacuaco novamente isolada de Luanda. Isolada está também a zona sul de Luanda através do bairro da Samba cuja estrada está novamente cortada...

Ai como dói ver casas dançantes ao som da água… E desta vez, pela prima vez, o Carnaval será dançado no Sábado para ser concluído na mesma marginal.

Vamos estender a indumentária e voltar à rua…

Na foto: Ravina causada pela chuva em Saurimo

Soberano Canhanga

sábado, fevereiro 17, 2007

SE ELES PUDESSEM VER E AGIR


QUANTA DOR me provocam as ravinas que comem Saurimo todos os dias a olho nu. Sou forasteiro e novato ainda nesta urbe, mas sinto como se ela fosse já minha.

Sei que bons trabalhos foram, em tempos, efectuados em parte da cidade, mas o mal ainda persiste noutras. À saída para Lucapa a estrada pode ser definitivamente cortada pela fúria da água da chuva. A imagem fala por si. E não fica muito longe da Cidade. São poucos metros do Txicumina, a primeira rotunda que d à cidade.

Entre a cidade e o rio Muangueji as manilhas que escoam as águas duma nascente próxima estão entorpecidas e a corrente passa por cima do já desaparecido asfalto, roendo a plataforma (estrada).

Contam-se estórias de trabalhadores de Catoca que ficaram dois dias sem trabalhar porque no mesmo sitio a chuva tinha sido mais forte do que a reacção dos homens do e com poder.

É certo que a natureza já foi, em tempos, mais forte do que os homens. Hoje, porém, o homem contorna quando quer. Se querer é poder que a canção se torne acção.

Soberano Canhanga

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

OUTROS TEMPOS VI


Cresci recitando slogans como “Ao imperialismo nem um palmo da nossa terra” ou ainda “Reagan tira as mãos de Angola”. Era naquele tempo sinónimo de orgulho gritar aos ventos tais sentimentos e anseios que afinal de contas tomavam conta de muita gente levada pelo “tufão” revolucionário.

Meu espanto foi ver, anos depois, Gente Graúda do Partido/Governo (o mesmo de sempre) a jorrar rios de lágrimas para rogar o nosso reconhecimento (Angola) pelos compatriotas do mesmo “Reagan” amaldiçoado.

E hoje ("Reagan" tira as mãos ou põe o corpo todo a "nosso" convite)?

Soberano Canhanga

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

DE CHORO EM CHORO

Mais de dezasseis mil famílias desabrigadas pela chuva, no leste de Angola, Moxico.

Desta vez foi o rio Zambeze que não aguentou o volume da água, transbordando e afectando as populações ribeirinhas nos municípios do Alto Zambeze e Cazombo.

Milhares de lavras foram arrasadas ou estão submersas. Os especialistas calculam em dois anos o período de fome no Alto Zambeze e Cazombo. A Zâmbia voltou a ser o nosso refúgio numa atura em que os refugiados da guerra ainda estão por voltar...

Em Luanda os governantes calculam os prejuízos provocados pelas últimas enxurradas (apenas 17 e 22 de Janeiro) em 85 milhões de dólares (cerca de sete biliões de kwanzas).

Com particular relevância nas províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Bié, Huambo, Huíla, Kwanzas-Norte e Sul, Moxico, Kuando-Kubango, Lunda-Sul e Zaire, a chuva provocou até ao dia 3 de Fevereiro a destruição de 10.353 casas, o desalojamento de 28.531 famílias, o desaparecimento de 10 pessoas, a morte de outras 114 e o desabamento de 38 pontes.

A estes números acrescentam-se ainda 147 escolas destruídas e cinco postos de saúde em escombros, ainda quatro mil hectares de terrenos arrasados e mais de cinco mil lavras submersas. E o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica promete mais chuva nos próximos dias… Assim vamos de choro em choro.

Soberano Canhanga

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

4 DE FEVEREIRO 46 ANOS: QUE SENTIMENTO?


Contra ventos e marés nossos pais e ou avós bateram-se para começar o protesto violento que levou Angola à Independência em 1975. Não interessam as cores defendidas no caminhar da luta contra a presença colonial portuguesa... Valores, atitudes e esperanças foram alimentados... sobretudo, um futuro risonho para seus filhos e netos... E o mais importante tornou-se, pelo menos foi dito, que seria resolver os problemas do povo.

_Que sentimento estará agora a rodear grande parte dos valorosos combatentes de primeira hora para a libertação de Angola?
_Satisfeitos ou insatisfeitos pelo rumo das coisas?

Na foto: ministros Boaventura Cardoso, Desidério Costa e J.B.Kussúmua, na Lunda Sul 04.01.07

Soberano Canhanga

quinta-feira, janeiro 25, 2007

E TUDO A CHUVA LEVOU...


Cansado de trabalhar, quase morto...mas não deixo de postar para a posteridade palavras de apreço aos abalados pela fúria da chuva do dia 22/01/2007. Mais de 80 mortos contabilizados, número que se diz ainda provisório. Hoje, 25/01, mais 5 cadáveres já sem "cara" foram localizados no Mussulo, em Luanda.

Mais de duzentas famílias estão ao relento. E as imagens não mentem. Entre os carros danificados pela fúria da água um deles era usado por um deputado do MPLA que reside(ia) no complexo do CEFOPESCAS.


Todos foram tocados até deputados e políticos de rua. Um polícia que pretendia salvar um dos cinco filhos acabou arrastado com os cinco rebentos. famílias inteiras estão desaparecidas... dizimadas. Circulação automóvel cortada para o Bengo e mesmo dentro da cidade de Luanda. Dum lado os políticos buscam votos aproveitando a visibilidade que dá apoiar pobres desgraçados... O INAMET anuncia mais chuvas, entretanto.

No dia 22 de Janeiro também fiquei sem poder apanhar um avião e se o chefe não fosse bom teria perdido o pão, embora o investimento na casa a tenha conservado da chuva... Assuntos que não me deixam cómodo, como muitos. Vamos rezar, orar e construir bem as casas.

Quem de direito tem de ajudar. Localizar boas áreas para construir de forma organizada, com meios bonificados. Pôr o dinheiro da emergência naquilo a que foi destinado. Retirar das zonas críticas os que podem ser chorados em próximas horas. Enfim.

Vou dormir, mas com lágrimas nos olhos.


Soberano canhanga

terça-feira, janeiro 23, 2007

PERGUNTA DE JANEIRO


Por que precisam alguns homens de duas ou mais mulheres se uma delas bem bastaria para a vida?

Soberano Canhanga

sexta-feira, janeiro 05, 2007

OUTROS TEMPOS V


“Angola é e será, por vontade própria, trincheira firme da revolução em África” (A.Neto).

Assim foi a nossa diplomacia e há quem diga que continuamos a sê-lo.

Na foto: A.Neto, Rosa Coutinho e Savimbi em 1975

Soberano Canhanga

quarta-feira, janeiro 03, 2007

2007: QUE VENHAM OS DESAFIOS


Escrevo esta crónica para selar 2006 e abrir um novo “pacote” que se chama 2007.

Na hora de balanço urge olhar atrás e ver (se é que há algo) que se fez.

Em 2006 fiz um curso de cobertura eleitoral que não sei se o porei em prática. Dei continuidade à minha licenciatura em Comunicação Social. Abandonei a LAC e arranjei novo emprego que dista há duas horas de voo de Luanda. Conheci novas terras e novas pessoas que resultaram em novas "relações". Dei avanços numa construção e… também fiz 10coisas que resultarão no aumento da prole em 2007. Fruto disso surgiram novos encargos e "equações" para resolver…

Dividi o mês de Dezembro entre Catoca e Luanda. Em Catoca o Natal foi a trabalhar ao passo que em Luanda a passagem d'ano foi com a família que não deixou de colocar inquietações… É a vida e com os seus milionésimos problemas.

Se um novo ano constitui novos desafios, então que venham eles!

Soberano Canhanga

sexta-feira, dezembro 15, 2006

REENCONTRO


Nove meses depois, eis-me na LAC - Luanda Antena Comercial- onde dei nove anos de sangue, para tratar de negócios da nova Empresa e aproveitar manter um dedo de conversa com colegas e amigos de caminhada. "Escribas".

Da esquerda para a direita:
Raul Bias Van-Dúnem (LAC e colega de faculdade)
Paulo Fuete Duda ( LAC, proveniente da Rádio Comercial de Cabinda)
Norberto Abias ( LAC, proveniente da Rádio 2000 do Lubango)
Manuel Vieira ( Eclésia, proveniente da Rádio 2000 do Lubango)
Luciano António Canhanga (Ex-editor da LAC)

Como doi a saudade dos dias de Rádio, apesar do bolso furado...

Soberano Canhanga

terça-feira, dezembro 12, 2006

OUTROS TEMPOS IV


Naqueles tempos em que consentir qualquer sacrifício era considerado o mínimo que os cidadãos ( povo) deviam fazer, era comum dizer-se: - Cada cidadão é e deve sentir-se necessariamente um soldado".
E hoje?

Soberano Canhanga

terça-feira, dezembro 05, 2006

PERGUNTA DE DEZEMBRO


No Domingo, dia 04, assisti à missa católica na TPA. Depois do sermão, terminava o padre com o seguinte anúncio: "Queridos irmãos e irmãs, estamos a distribuir envelopes para a colecta de contribuições para a construção de um alpendre no quintal da igreja. Apelamos que o valor mínimo é de mil kwanzas, porém aqueles que tiverem mais podem dar o quanto podem".

Anúncios como estes noutras igrejas e denominações religiosas são frequentes e comuns, parecendo-se algumas delas mais vocacionadas para o dinheiro do que para a propagação da fé.

Tendo em conta o carácter voluntário que deve(via) nortear as ofertas religiosas,
_É cómodo (lícito) que igrejas e ou confissões religiosas estabeleçam valores mínimos para as oferendas?
_ Tais tectos mínimos Criam ou não constrangimentos aos que gostariam de dar, porém impossibilitados pela renda?
Dê a sua opinião.

Soberano Canhanga

quarta-feira, novembro 29, 2006

OUTROS TEMPOS III


Naqueles tempos (até decada de noventa) era comum escrever-se em paredes de edifícios públicos e ou privados (?) expressões que caracterizavam o estado anímico, psicológico e político.
E dizia Neto que : "É preciso organizar uma economia que apoie a guerra e fazer a guerra para a defesa da economia".

Soberano Canhanga

quinta-feira, novembro 23, 2006

OUTROS TEMPOS II


Num período caracterizado pela euforia Revolucionária e pela religião marxista-leninista, com o seu comunismo, tudo o que é hoje anormal era de esperar. Vejamos o que se disse na altura por um Cda. que hoje até gosta de dinheiro ( na altura apenas a burguesia era detentora?).

-"... É preciso partir os dentes à pequena burguesia..."

Soberano Canhanga

segunda-feira, novembro 20, 2006

OUTROS TEMPOS


Começo hoje a rubrica outros tempos que visa rememorar slogan's políticos que já fizeram eco. Em "Outros tempos" você poderá ler e comentar o significado que tinham os slogan's naqueles tempos e o significado que teriam hoje.
E comecemos com este.


- "Nós somos milhões e contra milhões ninguém combate. Quem tentar será vencido" A. Neto.