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quarta-feira, junho 29, 2011

XÉ MOCIANO, JÁ SÃO 14 ANOS?

A 28 de Junho de 1997 tua mãe e eu estavamos, à tarde, de mãos dadas ajudando-a a caminhar. Vivíamos cada um em casa de seus pais.

À noite, um emissário bateu à minha porta: " A Mónica está com dores", disse. Fui ao encontro do meu tio que estava com uns amigos e um deles se prestou em levar a Mónica à maternidadfe Lucrécia Paim (Luanda).

No dia seguinte, quando eu e tua avó materna chegamos ao hospital materno-infantil, a primeira coisa que fiz foi ver as listas dos partos bem realizados e outros infelizes.

Quase dei um pulo. Tua avó estava tão preocupada devido a idade da tua mãe.
- Tia Catarina, ela já deu à luz, um rapaz. Disse-lhe.

A Senhora quase que chorava, mas de alegria, é claro. Eram agradecimentos a Deus e a todos. Com meus amigos da dolescência parti para uma bebedeira. Um manongo-nongo, como dizem os tucokwe.

Hoje, 29 de Junho de 2011, são já passados 14 anos e tu de bebé primogénito chorão passaste a um rapazola. Como o tempo passa rápido!

Parabéns!

quinta-feira, junho 23, 2011

EVAPOROU-SE O "GASOLINA"

No dia 10, quando o Henda ligou para mim a comunicar a morte da tia Santa advertiu-me: Kota, o tio Gasó também está muito mal. Estamos à espera apenas do dia, porque na enfermaria dele só entra já o chefe dele e a esposa".  E disse mais, "a mana Santa é nossa mãe, mas esse aí que está por bazar é mesmo nosso... é nosso sangue". Do outro lado do telefone, fiquei com a sensação de que o jovem terá soltado algo que lhe estava preso há muito tempo na garganta e que, depois do esforço, terá caído em lágrimas. Eu também senti um amargo de boca e uma vontade de chorar. Fiz coragem e fui passando a mensagem da morte da tia Santa e da doença "irreversível" do tio Gasolina, a contar da dureza/franqueza das palavras do Henda.

Dia 23 de Junho, 8 horas, voltou a tocar o meu telefone. Desta vez não foi o Henda. A voz era do Santos, irmão dele mais velho, e a notícia era a que eu menos esperava.
-_ Kota, sabes que temos desde ontem óbito, né?
_ Como assim? Quem morreu? _ Perguntei admirado.
-_ O Ti Gasó. Parou ontem.

Não resisti ao peso da notícia. Perdi força e o telefone escapou-me das mãos, esvaindo-se, aberto, no pavimento. Custou-me recuperar a "coragem de homem" e planificar as acções a tomar: Avisar os que não sabiam da má nova, cuidar da dispensa no serviço, e ... trabalhar, enquanto se espera pelo dia da viagem.

Quem foi o tio Gasolina? Augusto João dos Santos "Kapaio". Filho de um primo do meu avô materno, João dos Santos ou João Kitumbulu. 
Quando nos começamos a relacionar ele era adolescente ou jovem e eu entre os 4 ou 5 anos. Eu vivia, com o Augusto Infeliz (cognome e sobrinho dele, também conhecido por Augusto pequeno), em casa do avô João. O tio "Kapaio", como era tratado carinhosamente na infância, vivia e estudava no Dondo com os irmãos mais velhos. Era normalmente no período de férias escolares que nos visitava e era sempre grande a nossa emoção em ter o tio em casa ou receber notícias dele que o avô João e a avó Emília faziam questão de partilhar com os netinhos todos.

Uma vez, eu ainda com 5 ou 7 anos, fomos à caça de canta-pedras. Arnaldo, Augusto e Zito eram os mais velhos de que me lembro e eu o mais novo. De regresso à casa, cheio de fome, deixei-me dormir numa sombra, junto ao antigo campo de aviação da Fazenda Israel, ao Libolo. O Luciano era praticamente o "carregador" das pacas que o Kapaio matava na adolescência.

Já eu em Luanda, nos anos 84-87 e de 1999 em diante, fomos falando e nos encontrando de forma esparsa. Primeiro ele era militar, depois foi estudar na União Soviética. Quando voltou demorou pouco tempo e começou a trabalhar em embaixadas. Mesmo assim, fomos nos encontrando ou em sua casa ou em encontros familiares, ou num hotel para "conversas só nossas".

Foi-se o tio  com os seus quarenta e tal cacimbos. Evaporou-se o Gasolina!

segunda-feira, junho 20, 2011

ACORDO ORTOGRÁFICO: QUE GANHA ANGOLA COM ADIAMENTO DA SUA ADOPÇÃO?

Fruto de empréstimos, influência de língua locais dos territórios “além-mar” e línguas vizinhas, o português falado em Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Loro Sae diferiu ao longo dos anos em pequena ou mesmo média escala. Basta ver a grafia e a fonética brasileira quando comparada à de Portugal e Angola.

Para tentar uniformizar, sobretudo a grafia da língua portuguesa em todos os “cantos” do mundo, Brasil e Portugal, actores dos acordos anteriores, tomaram a dianteira de rubricar e aplicar a nova forma de escrever. Para já ficam de fora todos os C e P mudos, mas há outras regras como os dias da semana e os nomes dos meses que passam a escrever-se com letras iniciais minúsculas. Ao Brasil e Portugal juntaram-se outros lusófonos, sendo Angola o Estado que “orgulhosamente só” ainda não adoptou a nova grafia (prevista apenas para 2014).

Esse atraso da tomada de posição jurídica também atrasa a nossa relação com a língua que, como se sabe, é dinâmica e irrecusável. Até onde irá o nosso “finca-pé”?

- O país, com essa postura só perde terreno para os outros povos que estarão em 2014 com o novo instrumento consolidado, enquanto nós estaremos ainda a titubear. É, mais uma vez seremos os últimos duma caminhada que já deveria ter começado em simultâneo.

Definição e intervenientes
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é um tratado internacional firmado em 1990 com o objetivo de criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990. Depois de recuperar a sua independência, Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. O processo negocial que resultou no Acordo contou com a presença de uma delegação de observadores da Galiza.[1]

Para a elaboração do Acordo Ortográfico, entre os dias 6 e 12 de outubro de 1990, reuniram-se na Academia das Ciências de Lisboa as seguintes delegações:[12]
• Angola: Filipe Silvino de Pina Zau
• Brasil: Antônio Houaiss e Nélida Piñon
• Cabo Verde: Gabriel Moacyr Rodrigues e Manuel Veiga
• Galiza (observadores): António Gil Hernández e José Luís Fontenla
• Guiné-Bissau: António Soares Lopes Júnior e João Wilson Barbosa
• Moçambique: João Pontífice e Maria Eugénia Cruz
• Portugal: Américo da Costa Ramalho, Aníbal Pinto de Castro, Fernando Cristóvão, Fernando Roldão Dias Agudo, João Malaca Casteleiro, José Tiago de Oliveira, Luís Filipe Lindley Cintra, Manuel Jacinto Nunes, Maria Helena da Rocha Pereira e Vasconcelos Marques
• São Tomé e Príncipe: Albertino dos Santos Bragança e João Hermínio Pontífice

Para além destes, no Anteprojeto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa,[13] de 1988, e no Encontro de Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, realizado na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, entre 6 e 12 de maio de 1986,[14] intervieram ainda: Maria Luísa Dolbeth e Costa (Angola); Abgar Renault, Adriano da Gama.

- O QUE É QUE ANGOLA GANHA?

sexta-feira, junho 17, 2011

OS MEUS VÁRIOS PSEUDÓNIMOS

Phande-a-Umba, assim gostava de tratar-me a minha mãe, sobretudo, sempre que fosse para manifestar sentimentos de carinho. Era eu, e julgo ainda sê-lo, o seu orgulho de mãe, depois de tempo sem bebé ao colo.

Quando comecei a me sentir homem, optei por outros nomes diferehtes daqueles que os meus pais me atribuíram. Primeiro, fui ao mapa geográfico para escolher um nome: Zurik, assim me trataram por uns dois ou três anos alguns amigos e colegas da pré-adolescência no Libolo.

Posto definitivamente em Luanda, no início da década de noventa do sec. XX, os meus resultados académicos resultaram em uma outra alcunha. Uns tentaram tratar-me por “Barra”, mas preferi "Star" (estrela). Deve ainda haver por aí quem se lembre do aluno que no Ngola Mbandi, ano lectivo 1991/92, deu conta de um exercício de matemática que no então manual da 8ª classe estava mal resolvido. Até no Ensino médio feito no IMEL o Luciano António Canhanga era o "Star ou LCanhanga".

No bairro e aqueles que não eram meus colegas de escola tratavam-me por "Nza Kutimbe". A adolescência estava no auge e ninguém mais respondia pelo seu nome original.

Já como jornalista a alguns anos decidi dar corpo a um Pseudónimo ligado ao meu passado e ao meu avô de quem ganhei o sobrenome Canhanga. Ele era chefe de um potentado (Kuteca) e os seus tratavam-no por rei. Decidi assinar alguns textos com o pseudónimo Soberano Canhanga e fi-lo também no livro de ficção que escrevi.

segunda-feira, junho 13, 2011

ANGOLANOS "ESCRAVIZADOS" POR CHINESES

São fáceis de localizar. Jovens e adolescentes angolanos levados do interior do país, sem contrato de trabalho e pagos “a preço de banana”.

Estão nas empreitadas de construção, nos estaleiros, nas fábricas de blocos de cimento, em tudo onde há chineses. E os novos esclavagistas não poupam à língua quando se referem às suas “peças”. “ Angolano de Luanda não gosta trabalhar. Toda a hora dinheiro, dinheiro, doente, bêbado, candongueiro… A obra pára muito”, palavras de Tony (deduz-se que seja To Him mas assim se identifica para facilitar a comunicação) que se assume como mestre numa fábrica de blocos à estrada de Kamama, próximo do Projecto Morar, em Viana.

Os rapazes dizem que são forçados a trabalhar durante todo o dia sem descanso, nem mesmo quando adoentados. “O mano aqui o trabalho é hora a hora. Pessoa pode ficar doente os chineses não aceitam” contou Sandombe oriundo do “Kuando Kuvango”.

Na sua maioria os jovens desconhecem a cidade de Luanda e nem têm familiares que os possam albergar em caso de desistência. Desconhecem também o caminho para a terra de origem e sentem-se forçados a viver nos acampamentos chineses, sujeitando-se à infra-vida.

O mano já sabe: Chinês vive junto e dorme na mesma cama, um de dia outro à noite. Nós já num se fala mais você pode ter ferida nos dedos o Ginguba manda descarregar blocos (referia-se a um outro chinês).

Quando questionado sobre a comida Sandombe não gaguejou: “Comida que nos dão é só mesmo arroz com óleo e lataria (conservas), para comer outra coisa a pessoa tem que tirar no dinheiro”.

E a frase do jovem de aproximadamente 16 anos levantou outra curiosidade: E Quanto é que vos pagam por mês?

- Vinte mil. - Respondeu.

- Chega para comer, vestir e mandar para a família no Kuando Kubango?

- Oh mano, é só mesmo se “arrascar” (desenrascar). Quero só completar dinheiro duma mota e da passagem para voltar na embala (aldeia).

Fica aqui o reconhecimento do autor destas linhas de que faltou ouvir o Ministério do Trabalho (MAPESS) a quem se apela para uma fiscalização do que se passa nas obras e estaleiros chineses. Há crianças e adultos a ser explorados e submetidos à infra-vida. Há muitos abaixo de cão.

sexta-feira, junho 10, 2011

A SANTA DE KATETE!

Entre as muitas ideias preconcebidas que ouvi durante a infância, houve uma que encontrou eco na minha imaginação e demorou anos a ser desmontada da minha concepção do mundo: a de que "não havia sequer um katetense de bom coração".

Era uma crença repetida quase como verdade absoluta entre malanjinos, lubolenses e tantos outros povos que afluíram para Luanda nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Dizia-se que os naturais de Katete, na região de Icolo e Bengo, alimentavam um sentimento de superioridade em relação aos demais povos, que consideravam menores ou menos importantes. Por essa razão, os mais velhos chegavam mesmo a desaconselhar qualquer enlace matrimonial com pessoas daquela região.

Lembro-me igualmente de certas provocações que, embora ditas em tom jocoso, revelavam preconceitos recíprocos. Uma vizinha oriunda de Icolo e Bengo costumava gracejar com a expressão: "Akwa Lubolu adya jinyoka" (os lubolenses comem cobras). A minha mãe, sem perder a serenidade nem o sentido de humor, respondia prontamente: "Makutu, kadyé jinyoka. Adya ngó jimoma" (é mentira, não comem cobras; comem apenas jibóias). Entre risos e trocas de palavras, reproduziam-se estereótipos que passavam de geração em geração como se fossem retratos fiéis da realidade.

Mas a vida, essa grande mestra das verdades, encarregou-se de desfazer perante os meus olhos aquilo que os preconceitos insistiam em construir.

Ainda menino, conheci uma mulher proveniente de Katete que, através dos seus gestos, da sua bondade e da sua capacidade de servir os outros, demonstrou que tudo quanto se dizia não passava de mera insinuação preconceituosa. Era a minha querida Tia Santa, esposa do meu finado tio António Infeliz dos Santos.

A sua generosidade era tão natural e tão abundante que dispensava proclamações. Fazia o bem sem esperar reconhecimento; ajudava sem medir sacrifícios; acolhia sem distinguir pessoas. A sua conduta era de tal forma exemplar que muitas religiosas poderiam encontrar nela uma referência de dedicação ao próximo. O nome assentava-lhe com rara perfeição: Santa.

Foi ela quem, sem discursos nem debates, derrubou uma das primeiras muralhas de preconceito que encontrei na vida. Ensinou-me, pela força do exemplo, que a bondade não tem origem geográfica, nem pertença étnica, nem fronteiras culturais. Os bons e os maus, os generosos e os egoístas, encontram-se em todos os povos.

Deus chamou-a na madrugada de hoje.

Partiu a minha Tia Santa de Katete, sem que eu pudesse retribuir plenamente o muito que fez por mim e por tantos outros. É uma das ingratidões da vida: por vezes, aqueles a quem mais devemos partem antes que tenhamos oportunidade de lhes expressar toda a nossa gratidão.

Fica, por isso, esta singela homenagem à mulher que honrou o seu nome e que, com a simplicidade dos justos, deixou marcas profundas na vida daqueles que tiveram o privilégio de a conhecer.

E se a morte é, de facto, o descanso dos que cumpriram dignamente a sua missão neste mundo, então descansa em paz merecida, minha Tia Santa.

Que Deus a receba em Sua glória.

quinta-feira, junho 09, 2011

DUAS NOITES EM CASA DE SONHOS

 
A casa dos sonhos ainda é um sonho em realização. Levará mais um ano no mínimo. Porém, a parte de baixo já está habitável. E para lá se mudou a família no pretérito domingo (05.06).

O meu primeiro sono na casa dos sonhos foi na segunda-feira (06.06). Foi uma pena ter ficado apenas 24 horas em Luanda, mas foi diferente ter passado a noite sem ter de pensar em "quando vai terminar a renda".

Agora falta o carro, porque a casa é quase um facto!

segunda-feira, junho 06, 2011

UMA CASA COM VISTA PARA O LAGO

Da parte de cima da minha casa vê-se um "lago" sazonal que acumula milhares de hectolitros durante o tempo chuvoso. A vala que carrega as águas pluviais de quase toda a cidade de Viana passa a 3 metros do muro do  meu quintal, tendo me provocado, ainda no ínicio das obras, um dissabor: a terra tinha sido arrastada e os pilares suspensos. Felizmente pude, com jeito e dinheiro, minimizar a situação que levou ao desalojamento de muitos ex-vizinhos.

Mas o motivo desta prosa é a solução para estancar ou erradicar o "lago" que não fica distante da estrada principal Viana/Luanda (Deolinda Rodrigues), entre as ditas "bombas dos mutilados" e a Comarca de Viana. Dizia eu que do piso superior da minha casa vejo um lago por onde se acumulam todas as águas e algum lixo também. Sorte ou azar, a vala, junto a minha casa, que possuia uns três metros de profundidade está agora razante devido a acumulação de sedimentos arrastados ao longo do  curso de água, o que pode, com o decorrer dos anos, meter as casas mais próximas e, quiçá, também a minha dentro do "lago". 

Uma tarde dessas, de sol intenso, apareceram seis homens da administração municipal de Viana e da EDURB (empresa provincial de Luanda que responde pelas infra-estruturas básicas) para ensaiar soluções. Os homens percorreram o "lago" lado a lado, tomaram anotações, fizeram fotografias e foram embora, sem nunca voltarem ou ao mínimo dizer aos expectantes moradores o que seria daquele espaço. E, vão brotando boatos: uns dizem que o "lago" será enterrado e no espaço nascerá um condomínio milionário. Outros "sabulam" que vão fazer canais de drenagem que levarão quelas águas à vala do Kalemba II. Outros ainda cépticos como sempre, vão apregoando a célebre frase de São Tomás de Aquino " Ver para crer". É nesse grupo me coloco.

Qualquer uma das soluções implicará tecnologia, ciência e dinheiro. Algumas casas serão sacrificadas, para além das que já deixaram de existir, e os seus donos terão o Zango como poiso.

Enquanto não vier a solução definitiva para as águas pluviais de Viana que desaguam no "lago" do meu bairro, vou contemplando, do cimo do meu cubículo, o "lago" a a almofada de areia que anima os kandengues em apetitosas "fimbas" quando não improvisam uma carcaça de arca frigorífica para brincar de canoa. E os sapos e as rãs vão também multiplicando as suas populações que inundam com daquele desagradável quachar todas as noites escuras.

quarta-feira, junho 01, 2011

ALGUÉM (OU)VIU POR AÍ A SENHORA NGWITYUKA JOSEFA MATIAS?

A notícia sobre a existência de uma suposta filha do Presidente (Angola) fez furor nos media privados e no espaço público de Luanda e doutras cidades. Ao Semanário Folha 8 coube o privilégio de a avançar em primeira mão, envolvendo a associação de assitência jurídica "Mãos Livres".

Na altura, Ngwityuka Josefa Matias, de 46 anos de idade, apresentava-se  como primeira filha do presidente angolano resultante de uma suposta relação  com Elisabeth Kaenje, ao tempo que o antigo diplomata do MPLA andou  no Congo Belga (Leopoldoville). A senhora afirmava, com todas as letras, ser "filha do pai Edú", tendo dito ainda que os contactos entre os progenitores (a mãe já falecida) cessaram com a ida do "pai" à URSS para estudos superiores.

Ngwityuka não ficou por aqui e, entre outros ditos na entrevista publicada pelo Folha 8, afirmou igualmente que ela e seu filho mantinham contactos com o irmão mais velho do pai e muitos dos primos, faltando-lhe apenas "apertar o ombro do pai", sonho que esperava e reclamava realizar.

As afirmações da senhora tiveram inclusive a reacção do Chefe de Estado que na ocasião negou, em entrevista a TPA, a paternidade da senhora, apelando à reclamante a provar que era de facto sua filha mediante um teste de DNA. " Pelo Congo terão passado muitos Edú´s e a senhora tem de ter paciênia e continuar a procurar pelo seu pai biológico", disse a certo momento da entrevista o Presidente Eduardo dos Santos.

Adocicados os ouvidos, passa o tempo e nem água vai, nem água vem da parte da reclamante e do "ofendido". Um teste de DNA, fácil de fazer nos tempos que correm (me parece que até Angola já os realiza), seria o exame final para ver de que lado pende a razão.

De um caso,embora familiar, de que se esperava mais debate e acompanhamento por parte da media que o trouxe a público, caiu-se num autêntico sistema polar (tudo gélido).


Afinal de contas quem faltou com a verdade? 

É que nem a família do cidadão Eduardo dos Santos veio a público informar os passos jurídicos efectuados para levar a burladora a fazer contas com a justiça, nem Ngwityuka reapareceu para dizer que já está em família. E o tempo passa!

segunda-feira, maio 30, 2011

NA "VILA NOVA" LIXO SUBSTITUI PARQUES INFANTIS

Vivo próximo de um espaço baldio onde, na ausência de contentores, a população deposita de forma indevida e desrespeitosa para com os vizinhos os restos da sua acção diária. Refiro-me ao bairro Vila Nova do municipio de Viana, Luanda. Para precisar é próximo à padaria CAMEHA.

O que noto todos os dias é devereas preocupante: Criancas de ainda tenra idade fazem da lixeira o seu parque para diversões. Vão catando sei lá o quê e correndo atrás de passarinhos que aproveitam o campinzal para "colorirem" com seus chilreios o que ainda resta de bom.

Os menisnos, rapazes e algumas raparigas também, e ainda alguns adultos que se parecem a dementes embora não o sejam (apenas são pobres e sem nada para comer) povoam a lixeira todo o dia o que desperta a atenção de qualquer adulto com algum sentimento.

Que tal se fosse colocado naquele terreno baldio de aproximadamente 400m2 um parque ou uma escola?
 - Desapareceria o lixo e ganhariam algo de bom as crianças da Vila Nova de Viana.

domingo, maio 08, 2011

UMA ESCOLA CHAMADA STP

SÃO TOMÉ, com os seus pouco menos de 200 mil habitantes e poucas centenas de quilómetros quadrados quando comparados com Angola é uma gota. Um município ou muito menos do que isso, mas ao nível do direito internacional, os Estados Soberanos não são medidos pela população nem pela extensão territorial. São iguais à luz do direito, independentemente desses factores. E embora pequenas nações, nelas se podem colher grandes experiências.

Vi Fradique de Menezes, presidente Santomense, a reclamar de uma decisão judicial que não lhe deu razão numa contenda sobre propriedade de um terreno em que foi requerente um cidadão santomense, aparentemente sem os mesmos poderes económicos e políticos que o presidente. E lá ganhou a causa o pobre velho, remetendo aos lamentos o presidente da República. Esse é um exemplo que muitos governantes deveriam seguir. Deixar que os tribunais fizessem o seu trabalho, que não houvesse sobreposição de poderes, do executivo ao jurisdicional. Isso sim é que é uma República ideal. Onde a lei é feita no interesse de todos e aplicada a todos. Fradique falou como um cidadão qualquer. Como se nunca tivesse exercido a mais alta magistratura do país. Alguém viu isso em Angola?! Que me lembre o nome e a data.

terça-feira, maio 03, 2011

OS ESTRANGEIROS E EU EM TERRA ALHEIA

É domingo, estou na Igreja e assisto a uma discussão, com nervos à flor da pele. Um dos irmãos que é responsável distrital pelo canto (música religiosa) fez, há uma semana,  correcções que caíram mal a um grupo doutros irmãos locais (naturais daqui). O homem que fez a sugestão para a mudança de alguns procedimentos, que na sua visão não se encaixam no Manual da Doutrina Metodistas, tem outras experiências, outros conhecimentos e práticas do Metodismo vindo da América com William Taylor (18.03.1885)... Mas os outros não o perceberam e fizeram outras analogias com países que ficam a Leste de ANGOLA onde os cultos se parecem a shows musicais...

- "É a nossa cultura em evidência. Os do Leste festejam, cantam e dançam... mexem o corpo. Alegram-se. Os cultos são demorados. Sempre fomos assim. Etc. Etc..." Só faltou dizer que a "Igreja é nossa" ou que "aqui mandamos nós" e os nossos hábitos...

Pior de tudo foi que o homem julgado em plena junta estava ausente, sem se poder defender das inúmeras acusações que lhe eram feitas... Olhando para os que não se expressam em português, a língua deixada pelo colono em Angola para fazer do país nascente uma Nação, fica-se sempre com a falsa ideia de se estar perante estrangeiros, mas a coisa pode não ser bem assim. Em território "Leste", pude ver que estrangeiro sou eu. Eu que também pensei um dia, tal como o meu irmão malanjino, na uniformização da doutrina e rituais de culto dos Metodistas Unidos, ignorando os hábitos e diferenças culturais dos povos do leste/nordeste de Angola onde a falta de bibliografia devia apenas levar à tradução de livros, mantendo-se tudo como é em Luanda, no Huambo, no Namibe, em Catete, e noutros pontos onde se olha para a pauta antes de se entoar o hino…

Notei que muitos se sentem (re)colonizados pelos ambundu e estão dispostos a salvar a honra com tungos e tufos, se for possível... Outro chegou mesmo a sugerir que o pastor dirigisse dois cultos: um para os do Leste (locais) e outra para os vindos doutras paragens (ambundus e ovimbundu) que defendem o Metodismo segundo a doutrina.

E quem fala abertamente em tungos fala (pensa) em surdina em muito mais. Senti que apesar de uns estarem a favor desta ou daquela forma de cantar todos são um corpo etnico que se expressa na mesma língua para que outros fiquem a "ouvir navios"… Porquê se em português todos nos entendemos?
... E, mais uma vez se provou que é mais estranho o ambundu do que o Zairense com quem se partilha a língua local, ou seja; a língua local é mais unificadora do que a portuguesa, mesmo que sejam pessoas de países diferentes (Angola e RDC).

Vamos procurar um metodismo à medida das ovelha!
Que haja muitos Miguéis.
Que vivamos unidos na diversidade, com nossas diferenças...
Que Deus nos ilumine!

AMEN!

sexta-feira, abril 29, 2011

PISCAR À DIREITA E VIRAR À ESQUERDA

Piscar à direita e virar à esquerda é um truque que os gatunos de carros, para não usar termos doutras latitude, usam para ludibriar a polícia.

A frase surge aqui a propósito do que se tem vindo a asisstir nos dias que correm. O executivo apregoa a necessiadde de se pouparem recursos para acções de carácter social e emergencial enquanto enterrea dinehiro em "coisinhas". Quem abre o jornal vê numa de suas páginas diárias uma campamnha publicitária em que se anuncia pelo CNJ e Governo de Angola que '" É (de todo útil) desmascarar os oportunistas, intriguistas e demagogos" (alusão às redes sociais e outros utilizadores de net), como se fossem estes os culpados dos casos desconseguidos da governação.

Inventem outra e poupem o dinheiro para dar de comer os milhares de miseráveis que andam a catar nos contentores de lixo. Embrebnhem-se pala Angola profunda que não fica sequer a dez quilómetros da estrada asfaltada e logo se verá gente despida de tudo. Esses sim, mereciam amplas campanhas de angariação de meios. Poupem a juventude, se fazem favor!

Há mais terra do que este simples quintal... 

sábado, abril 23, 2011

GEORGE BATE UNITA COM CHICOTY E TIRA ANINHAS DO PARLAMENTO

A notícia foi avançada em primeira mão pelo Klub-K que entrevistou a ex-mulher de Jonas Savimbi a partir da África do Sul, onde se encontra em Tratamento. Alda Sachiambo ou simplesmente aninhas escreveu ao parlamento e à UNITa solicitando a suspensão do seu mandato como deputada eleita pela UNITA, cuja bancada liderou desde 2008.
Segundo a entrevista transcrita letra a letra, Aninhas estaria enamorada pelo Ministro das relações Exteriores de Angola, George Rebelo Chicoty, um seu irmão espiritual e com quem mantém uma cumplicidade de a longa data como se pode ler no extracto:

"... Como figura pública, a vossa vida privada é sempre motivo de conversa. É inevitável. O que se tem dito é que a vossa decisão, a de deixar o parlamento teria sido influenciada pela vontade de seguir outro caminho na relação afectiva. A pergunta que coloco, tem alguma relação com o ministro Chicoty?

Risos... Olha, eu fui baptizada pelos pais dele. A minha mãe, baptizou a ele. Nós temos uma relação muito próxima. Não tem nada haver com política. Eh... somos da mesma família... Eh... e claro, nós cultivamos uma certa amizade, uma certa cumplicidade que não data de agora! É por isso que não... não vejo como é que se pode fazer tanta confusão a volta de uma decisão política, com uma questão puramente pessoal, né!? Este linkage que se faz, a mim me deixa bastante interrogada. Como é possível misturar alhos com bugalhos!...

Mana Aninhas não respondeu a minha pergunta! Há alguma relação com o Dr. Chicoty... para além dos laços familiares... Ou pelo menos há um casamento á vista (?) Fala-se disso entre vós?

Risos... Eu não digo nem sim, nem não!

Mas pode acontecer a qualquer altura? O casamento...não é...?

Epa... quem sabe, não é? Eu acho também que sou livre, não é (?) de decidir sobre a minha vida, sobre o meu futuro... Eh ... e também não vejo se, ele, tal, como é que pode ser letal, numa condição destas! Eu acho muito natural!

Não terá sido ele a influenciar determinantemente a decisão da mana Aninhas... Não foi?

Não. Não tem nada haver uma coisa com a outra! Não tem nada haver uma coisa com a outra. Eu, é por isso que eu digo talvez tenha aguçado demasiado o meu ego. Mas eu... eu sei, eu sinto, eu conheço a minha própria convicção política. E preciso de parar, de repousar, preciso de reparar algumas sequelas, algumas mazelas que me persseguem..."




NOTA: Antes de Aderir ao MPLA do qual e membro do comité central, George Chicoty fundou, nos anos 90 do sec. XX, o Fórum Democrático angolano, partido que viria extinguir já nos 2000. A sua juventude foi toda vivida na UNITA onde se fez diplomata às ordens de Jonas Savimbi.





quarta-feira, abril 20, 2011

MOMENTOS DE UNDENGE (MENINICE)

Nasci no Libolo, aldeia de Bango de Kuteka, mas lá vivi muito pouco. Sem recordações de monta. Lá aprendi a caçar animais de pequeno porte em armadilhas e a pescar nos riachos à volta. Os grandes tarrafeiros (pescadores) eram mesmo aqueles kotas que tinham pés de íman que podiam atravessar o rio Longa nos locais de grande correnteza sem ceder. Mesmo na década de noventa, quando para lá regressei em gozo de ferias forçadas, (tinha sido corrido pela UNITA em Calulo onde estudava) não consegui nada mais do que uns katimbas (peixe miúdo) no rio Longa e os pinos na lagoa do Kambiongo.

Kambiongo: Que saudades!
Na verdade não se trata de uma lagoa. É uma pequena represa natural no riacho que passava tangencialmente junto à antiga adeia de Bango de Kuteca. Alí, os miúdos todos aprendiam a nadar antes de enfrentarem as caudalosas águas do gigante Longa. E como a "lagoa" de Kambiongo era funda, os mais velhos da aldeia tinham colocado uma estaca a assinalar o lugar mais profundo, como chamada de atenção. Ninguém se afogava: todos os miúdos e miúdas  da aldeia sabiam nadar. Iniciavam-se pelas ladeiras e só depois é que enfrentavam a profundidade e largura da "lagoa". E faziam-se os desafios... 

Os estagiários, como eu, tinham antes de mostrar que estavam aptos ao desafio. Jogávamos algo ao meio da lagoa que tinha de ser resgatado por alguém, dentre o grupo, ou fazíamos desafio colectivo: Quem o apanhasse primeiro era o vencedor da partida.

Prémios: Nenhum. Apenas a satisfação de ter ganho a partida.
As mamãs (todas da aldeia) que lavavam a roupas a juzante colocavam-se em atenção permanente a um suposto grito de socorro dos banhistas. Mas como nunca acontecia mostravam-se descansadas. Os meninos mais hábeis no nado tornavam-se nos bombeiros salvadores.

Praiadas e jogadas
Foi em Luanda, na década de oitenta, que se desenrolou a minha undengice. A praia era o nosso hobbie, apenas disputado pelas partidas de futebol de rua. Havia vezes em qeu íamos jogar na escola 530 também conhecida como do MPLA. Havia ainda muitos largos e a estacção dos caminhos-de-ferro dos musseques era um grande quintalão, sem muros, onde íamos catar gafanhotos. Só para brincar. Amarrá-los a uma linha e pô-los a voar. Ganhava quem o seu "gaffa" voasse mais alto… Outras vezes eram os papagaios de papel. Que lindos tempos de undenge! Muitos putos se perdiam, ao seguir ou procurar por papagaios cujos fios se tinham desprendido. Outros ainda seguindo o Mam-Braz, aquele demente que executava a ngoma como ninguém, ou seguido grupos carnavalescos... E bastava às mamãs, solidárias como sempre, tocar latas e gritando: "nañy wa ngi bongela kamona ka dyaleééé"?!

Mas voltando à vaca fria, às praias. Essas eram motivos de muit porrada às mãos de nossas zelosas mamãs. Salva-vidas eram impensáveis naqueles tempos em que toda as atenções dos makulos estavam virados para a situação politico-militar. Para a vida-kwemba. E nós éramos uns campeões do atrevimento. Fingíamos que íamos ao futebol, depois era só apanhar o comboio do Bungo até à praia, aí junto ao navio encalhado. Outras vezes íamos a pé, atravessando o Sambizanga e descendo as barrocas da lixeira, alí onde até há bem pouco tempo ficava o mercado do Roque Santeiro. Outras vezes acompanhavamos a lonjura do caminho-de-ferro até à predilecta Praia do Bungo. De boa nada tinha, confesso. Era um cheirar a peixe podre, lixo que nós mesmos deixávamos na praia e roubos frequentes de roupas. Tínhamos sempre de enterrar a roupa em algum lugar e sinalizar com um pau ou uma lata. Já uma vez fiquei sem os meus calções.

O azar acontecia quando alguém desse conta do “tesouro” guardado ou por descuido retirava a lata ou o pau que sinalizava o lugar. Acabávamos voltando à casa apenas de cuecas ou vestidos de sacos. E a mão carinhosa da mãe, mas sempre pesada na hora do castigo, lá estava à espera do prevaricador.

A praça das Corridas ou do Tunga-Ngós, como a chamam agora, é mesmo aí na paragem do comboio. Muitas vizinhas que íam às compras viam-nos ou a ir ao Bungo ou a voltar e a notícia chegava mais cedo à casa do que nós esperavamos. E o curioso era que arranjavamos sempre uma maneira de iludir as mamãs. Depois da praiada ou íamos às obras da cidadela apanhar um bom banho de água doce ou finjiamos um trumuno (futebol) para chegarmos sujos à casa… mas elas tinham sempre as conversas em dia. Também não faziam nada mais senão falar sobre as nossas trambiquices e sobre as desgraças dos seus manos e maridos que iam à vida-militar ou que de lá regressavam estropiados. Naqueles tempos poucas eram as senhoras do Ranmgel que trabalhavam na baixa. As senhoras (brancas que em tempos contravam lavadeiras) já se tinham ido embora no Puto e o comunismo nascente ou decadente não motivava essas mordomias. Eram mais os papás que "jardinavam" ou cozinhavam. E, lembro-me agora do senhor chouriço que era cozinheiro do BNA. O nome dele verdadeiro era senhor Maurício. Desconheço com que artimanhas conseguia sempre trazer chouriços para vender em rodelas "pequeninas" à porta de casa. Era o único que fazia tal negócio. E os seis filhos eram “os putos do senhor chouriço”.

Para confirmarem o que já era quase certeza as mamãs passavam-nos todos a uma revista apertada. Qualquer uma das vizinhas podia fazê-lo, independentemente de ser a mãe biológica ou não, família ou não. A educação era comunitária e todas eram responsáveis por todos nós que apenas víamos vantagens naquilo nas boas coisas e nunca na hora da porrada. Com a ponta da língua, procuravam por indícios de sal nos mais impensáveis recantos do corpo. E como os nossos banhos eram sempre apressados ou de faz-de conta, as mamãs encontravam sempre alguém que acabava por descobrir com quem foi. Aló começava a “festa” geral. Mas uma porrada, ainda que bem dada, era apenas só mais uma. No dia seguinte estávemos todos novamente prontos a alinhar. Mais tarde, descobrimos que o Bungo era damasiadamente perigoso devido aos bandidos e a facilidade com que as mamãs descobriam as nossas traquinices. Passamos a ir à Chicala. Alí junto à pionte que liga à Ilha de Luanda. O autocarro 33 que partia do Nzamba 1 (ao Cazenga) ao (largo do) Baleizão facilitava. Pena eram as grandes bichas (filas) que deixavam-nos sempre moídos, dada a força dos dikotas. Mas lá estávamos nós a enfrentar aquele empurra-empurra. Éramos também vacinados em engolir e ripostar às ameaças dos kotas bandiús. Xé kota xtás e ver aquele mano das fapla? É mô’rmão, vou te queixar, seu refractário!!!! Eram palavões que também ouvíamos nos discursos dos mais velhos.

A Praia da Chicala tinha a vantagem de ter o autocarro 33 ou o 34 que se apanhava na Mutamba e os gelados (sorvetes) no Baleizão. Até o cone feito de baumilha era também tragado goela adentro. Mas não era tudo. Dava-nos a possibilidade de tirar um trumuno na escola 14 da(s) Cáritas ou descer na paragem da Cidadela (Estádio da Cidadela que estava em construção), apanhar umas tábuias para o fabrico de trotes (trotinetas) e ainda desfazermo-nos do sal com um banho de chuveiro. Aqui conseguíamos escapar algumas vezes, mas as “velhotas” foram também aperfeiçoando as técnicas de detecção e depois começámos a “mamar” novamente.

Veio, infelizmente, a adolescência. As praias rareavam ou eram planificadas, com ou sem acompanhamento. O medo das mamãs tinha diminuído e nós estávamos cacimbados (baptizados) naquilo. Incrementámos a frequência aos cinemas, começaram os namoricos. “Epá! Ouvi dizer, que o fulano, namora, com a cicrana”!

A degradação dos cines (Ngola, São Domingo, São Paulo, Atlântico, etc.) trouxe as casas de vídeo que exibiam os filmes de "estica cabo" aos menores e adultos de forma indiscriminada. A moral ganhou um lugar de destaque: o lixo!

Depois surgiu a venda de fino (cerveja em copos) que era servido de forma também indiscriminada. Crianças ou adultos o que mais valia era o dinheiro. Moral, Ética, Valores… – Quem os via e quem para eles acenava?- Ninguém!
Aos sábados os jogos de futebol eram quase obrigatórios. E sempre que chovesse o desafio era correr debaixo da chuva do Rangel ao Largo do Baleizão ou ao Nzamba 1, ao Cazenga. Era o teste de resistência que muito agradava as meninas verem-nos partir em grupo compacto e a chegar um por um.

No fim, quase perto do fim… uns metidos na kangonha, outros na bebedice, outros juntando as duas coisas, outros ainda (poucos) aplicados nos estudos. Havia ainda os que tinham mudado de bairro mas que faziam, dada a idade, as mesmas coisas daquele tempo...
E, lá se foram os tempos de undenge...

sábado, abril 16, 2011

O "ÚLTIMO" DISCURSO DO CHEFE

Extractos do Discurso do Presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos

Quando éramos jovens, no tempo do colonialismo, sabíamos que a luta de emancipação dos povos era conduzida através de movimentos sindicais, de partidos políticos ou de movimentos de libertação nacional, que tinham como principais animadores líderes e pessoas de grande prestígio e capacidade, muito conhecidas na sociedade. Esses líderes tinham ideais, programas e estratégias de luta, que divulgavam para conhecimento de todos, os quais definiam claramente o inimigo e determinavam quais eram as forças aliadas… Hoje há uma certa confusão em África e alguns querem trazer essa confusão para Angola. Devemos estar atentos e desmascarar os oportunistas, os intriguistas e os demagogos que querem enganar aqueles que não têm o conhecimento da verdade. Temos que ser mais activos do que eles para vencermos a batalha da comunicação da verdade.

Nas chamadas redes sociais, que são organizadas via Internet, e nalguns outros meios de comunicação social fala-se de revolução, mas não se fala de alternância democrática. Para essa gente, revolução quer dizer juntar pessoas e fazer manifestações, mesmo as não autorizadas, para insultar, denegrir, provocar distúrbios e confusão, com o propósito de obrigar a polícia a agir e poderem dizer que não há liberdade de expressão e não há respeito pelos direitos. É esta via de provocação que estão a escolher para tentar derrubar governos eleitos que estão no cumprimento do seu mandato… O que eles pretendem fazer não é a revolução... Chama-se confusão, subversão da democracia ou da ordem democrática estabelecida na Constituição da República.

Quais são os argumentos que usam? Dizem, por exemplo, que há pobreza no país. Nunca ninguém disse que não há e esta situação não é recente. Quando eu nasci e mesmo quando os meus falecidos pais nasceram já havia muita pobreza na periferia das cidades, nos musseques, no campo, e nas áreas rurais.

Agostinho Neto falou nos seus versos da miséria extrema dos musseques, das casas de lata sem água nem luz eléctrica. António Jacinto, outro poeta proeminente, falou do contratado, cujo pagamento era fuba e peixe seco e ‘porrada’ quando se refilava. Foi no musseque e no campo, nesse mundo de pobreza, que a maior parte de nós nasceu, cresceu e forjou a sua personalidade.

Conhecemos a origem da pobreza em Angola. Não foi o MPLA nem o seu Governo que a criou. Esta é uma pesada herança do colonialismo e uma das causas que levou o MPLA a conduzir a nossa luta pela liberdade e para criar o ambiente político necessário para resolver esse grave problema...

Dizem, por outro lado, que não há liberdades, mas no país surgem cada vez mais partidos políticos, associações cívicas e profissionais, organizações não governamentais (ong’s), jornais privados, rádios comunitárias, etc. Há dezenas de anos que membros de ong’s e jornalistas dizem e escrevem o que bem entendem, chegando alguns a ofender dirigentes e o Presidente da República e membros da sua família e, que eu saiba, nenhum deles está preso!

Diz-se também que no país há corrupção, mas não há país nenhum no mundo em que não há corrupção…

Na Internet, alguém pôs a circular a notícia de que o Presidente de Angola tem uma fortuna de vinte biliões de dólares no estrangeiro. Se essa pessoa fosse honesta e séria, devia indicar imediatamente ao Departamento de Inteligência Financeira do Banco Nacional de Angola (BNA) os nomes dos bancos e os números das contas em que esse dinheiro está depositado, para que o Tesouro Nacional possa transferir esse montante para as suas contas…

Luanda, 15 de Abril de 2011
Fonte: ANGOP:


quinta-feira, abril 14, 2011

IMPORTÂNCIA DA ESTRADA PARA O DESENVOLVIMENTO

"Para acabares com a pobreza construa uma estrada". Assim reza um ditado chinês.
"Para acabares com a pobreza construa ao pé da estrada". Adaptação minha com base no que tem sido a realidade de muitas pessoas que melhoram os seus níveis de vida com a afixação junto à estrada.

Nas décadas de 50, 60, 70 e até mesmo de 80 e 90 do sec. XX muitas eram as comunidades rurais que tinham as suas aldeias distanciadas das principais estradas (asfaltadas ou não). A razões eram váriadíssimas: A construção das estradas pela autoridade colonial deixou-os longe da nova civilização; as opções de vida adoptadas (agricultura e pecuária de subssistência) eram indiferentes em estar perto ou longe das estradas; os cantineiros e fazendeiros coloniais colocavam os produtos no interior, mesmo distante das estradas pois pretendiam prender a mão-de-obra longe da civilização para que melhor servisse os seus intentos exploradores; muitos líderes comunitários preferiam estar longe das estradas para concomitantemente estarem longe dos abusos das autoridades coloniais...

O mercantilismo, porém, veio mostrar que enquanto mais longe dos principais acessos, mais se sofre com a fome e a miséria, mais caro se tornam os produtos industriais, mais longe ficam os mercados, mais longe fica a saúde e a educação, mais longe fica a vida moderna!

Cônscios das desvantagens atrás descritas, muitas das aldeias que se situavam distantes das principais vias de comunicação (estradas, caminhos-de-ferro, portos e aeroportos) começaram a progredir em direcção a estes. São hoje pouquíssimas as aldeias ainda apegadas à terra secular por questões meramente tradicionalistas. A vida faz-se junto à estrada!

As coutadas, as águas ricas em peixes, nalguns casos as terras férteis..., todo este legado histórico acabada sendo deixado para trás e os homens vão encontrando outras formas de fazer face às necessidades prementes: vão aplicando fertilizantes na agricultura, vão incrementando a pecuária para compensar a ausência da caça, vão apostando na piscicultura para substituir a pesca nos rios, lagos e lagoas, vão criando aves, vão apostando na criação de gado de médio e grande porte, vão comercializando e trocando excedentes. Vão comprando cada vez mais e vendendo também cada vez mais... e a vida vai, aos poucos melhorando graças à estrada.

Quem viaja por Angola vê!

domingo, abril 10, 2011

MANIFESTAÇÕES,CONTRA-MANIFESTAÇÕES E BOMBEIROS

Exaltar os ganhos da paz, tema da manifestação dos camaradas do mpla sábado 02.04 em Viana, ou marchar para apelar à preservação da paz, tema da manifestação do mpla de 5 de Março em todo o país, são exercícios salutares que deveriam acontecer sempre e sempre, mas precedidos de uma agenda.

A máquina do meu Partido e a responsabilidade que o seu governo tem para a manutenção da paz, da concórdia e etc. são elementos mais do que suficientes para andarmos em manifestações, pelo menos uma vez por semana. Mas tudo agendado e não em cima do joelho e de forma reactiva. Temos que ser proactivos. Definir: uma manifestação por mês a favor disso, outra a favor daquilo e daquil'outro.

O que vi até agora não foi assim. A de 5 de Março saiu-se em reacção à convocação manifestativa do anónimo Agostinho Jonas Roberto dos Santos para o dia 7 diante do imortal Agostinho Neto, no largo do primeiro de Maio. E, os militantes tiveram de “apagar um incêndio”. Foram convocados de emergência para fazer a contra-manifestação. Aderiram em massa em todo o país mas, a meu ver, este não seria o procedimento mais correcto. Até porque precisamos de ouvir o que os outros pensam e pretendem dizer para que aperfeiçoemos as nossas formas manifestativas e governativa.

A segunda manifestação dos “do abaixo” foi solicitada e aprovada pelo governaador de Luanda para 2 de Abril. Antes deste acontecimento nada nos tinha sido transmitido para que realizássemos uma mega manifestação para exaltar "os ganhos da paz". Exactamente no mesmo dia marcado pelos “do contra, tão logo se soube que o governaador tinha autorizado os “do abaixo” manifestarem-se às treze horas no largo primeiro de Maio, logo logo surgiu a convocação para uma Réplica em Viana. Aliás, antecipar a contra-manifestação, pois começou às 9h00 da manhã. Isso é que não me parece correcto. Estar-se a andar atrás das realizações dos outros.

A mesma postura foi ainda tomada por várias associações criadas de forma "espontânea" que decidiram excursionar com vários jornalistas. Tudo só para desviar as atenções com assuntos periféricos. Com esses actos "bombeirísticos" conseguiu-se fazer com que centenas de  “manifestantes do abaixo” ficassem sem uma cobertura jornalística digna. Só que o povo acabou por tomar conhecimento através do palavra-passa-palavra o que é perigoso, pois contam os papás que andaram na clandestinidade que era assim que as informações circulavam. Palavra-passa-palavra. Não havia net nem leis contra a net, mas os que estavam nos Dembos ou Quibaxe apercebiam-se dos mambos combinados em Luanda e kwambilavam os outros para se organizarem à escondida até que no dia D começaram as fungutas de sessenta e um. Não é isso que nós os militantes queremos. Então, vamos deixá-los falarem e manifestarem-se de forma aberta para que não andem a combinar por aí mambos malaicos.

Outro pecado capital tem sido associar qualquer ideia de manifestação à arruaça e à guerra, um falso pretexto que serve mais para intimidar do que apaziguar. Julgo também que não era necessário desviar os jornalistas para assuntos periféricos. Bastava convocar os directores dos órgão de comunicação e perguntar-lhes:
- Mas ó meus senhores, quem foi que construiu as estradas?
- Foi o governo, camarada chefe!
- Governo de quem?
- O governo mesmo que está a governar o povo que é do mpla e o mpla é o povo!
- Então, saibam que os vossos irresponsáveis jornalistas que gostam de mandar directos sem cortar as más línguas desses gajos do contra não vão poder circular hoje! E se circularem não queremos directos. Se directarem vocês vão se ver connosco, ouviram bem?
- Sim chefe!

Bastava.
E essa de se procurar agora (re) estratificar a nossa sociedade em: 1- cidadãos do viva (esses com todos os direitos manifestativos e sem obrigação de escreverem ao governador); 2- cidadãos do abaixo (estes sem direitos manifestativos e quando excepcionalmente autorizados sempre replicados com uma contra-manifetação e outros acontecimentos periféricos para desviar as atenções); 3- agnósticos (aqueles que não alinham ou ficam sempre em cima do muro, esperando para que lado pende o fiel da balança), isso é perigoso. O país, Angola, é muito mais do que o mero exercício de louva-a-deus, lambebotismo ou o exarcerbado abaixismo de alguns camaradas. Angola é muito mais que isso. Há muito mais terreno do que essa simples quinta.

Espero que ninguém me leve a mal, por causa deste aviso, mas tive mesmo de desabafar aqui nos meus cantos dos mesumajikuka (olhosabertos).

quarta-feira, abril 06, 2011

TUGAS AOS TUNGOS


Sede do parlame
nto Tuga

Ponto Prévio: Quando os tugas, alguns como aquele com quem tive uma rija rixa na Universidade Católica de Lisboa em 2005, falam de Angola referem-se aos "corruptos" dos detentores de cargos políticos, à miséria sem limite e a outros males que a Tuga até os vive e em demasia, nalguns casos. A debruçar-me sobre a Tuga, falarei do geral. Daquilo que a própri a Tuga me tras à casa via TV e jornais online.

Tungos. Isso mesmo. Porrada! É o que assisto nos discursos, ora mansos ora inflamados, dos polítcos tugas. Os mwadyés estão fodidos de massa. Sim, pensei mesmo massa, kumbú, mola (como se diz em Moza).

Estando sem bufunfa (dinheiro), os tugas entraram naquilo que deixaram por cá: casa sem pão todos se arreliam e nunguém tem razão. E vejo agora um Pedro a Passos de Coelho e um Zé (que vê) Só Crate(ra)s por onde passa. E, os niggas passam a vida e se bifarem sobre quem é melhor e quem é pior nas ideias e nas promessas "vazias". Os tugueses entraram em banca rota. Estão piores que um nosso vizinho que quando vem cá visitar o Ti-Zé, dizem que manda esvaziar o Banco Central e traz consigo a massa toda no avião, para que em caso de destituição pelas costas, o novo inquilino fique sem dinheiro para (des)governar. E já se ouve na Tuga que "queremos mentiras novas"

Mas é sobre os nossos kambas figadais que me refiro. Agora é o Zé-Dú de lá também já se biffa com o boss das finanças sobre quem vai fazer o kilapi. O mwadyé das finanças jé disse: "por abuso de nos chumbarem o PEC não vamos mais governar e estando apenas à espera de quem se vai sentar nas cadeiras que vamos deixar  também não vamos nos kilapar, porque o kilapi ainda pode servir de bode espiatório".

Mas na verdade os tugas precisam é dum bom bode respiatório.Um bom bode com bué de tomates que leve para lá alguma respiração monetária, senão ficam todos "fodidos"!

sábado, abril 02, 2011

VICENTE OU FEIJÓ: QUALQUER DELES É BEM-VINDO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Escreveu o Novo Jornal, na sua edição de 01 de Abril, que Manuel Vicente, o ainda PCA da Sonangol, seria o candidato do MPLA à eleição presidencial de 2012. Embora a matéria tenha saído a público no conhecido dia das mentiras, é uma peça a ter em conta.

É sabido as fontes oficiais em Angola nunca são abertas e fiáveis obrigando os jornalistas a um exercício de “alfaiataria”, ou seja, juntar retalhos e constituir aquilo que se pode considerar a “manta da notícia”. E, a contar pelos últimos desenvolvimentos da nossa home politics tudo para lá nos leva. Vejamos: da boca do próprio Manuel Vicente se soube que 2011 seria o seu último ano à frente da tout puissant Sonangol. Não porque estivesse cansado de tanto “petroliferar”, mas porque “alguém” (no caso o chefe) o tinha indicado para novas funções (políticas) que dise não poder negar. Para começar, Manuel Vicente que sempre esteve à margem da alta política foi introduzido no Comité Central e Bureau Político do partido governante, o que indicia alguma coisa de grande monta por acontecer.

Na mesma corrida, à presidência da República, através do encabeceamento da lista do MPLA, os analistas colocam também Carlos Feijó, chefe da casa civil do Presidente da República que viu igualmente aberta a porta do BP do CC do M.
Sobre Feijo recai o mérito pela grande tecnicidade demonstrada ao longo dos anos e conhecimentos vastos  das leis angolanas e internacionais, sendo também um inquilino do Futungo e Cidade Alta desde ainda “jovem imberbe” (entre 26 e 28 anos).

Sobre M. Vicente recai o mérito de ser homem de visão e grande tecnocrata que fez da Sonangol uma companhia extra-nacional e com negócios em vários “cores” como a banca, imobiliária, etc. Vicente tem também a seu favor o facto de ter uma ficha quase imaculada, os olhos da grande maioria dos angolanos, por ter agido quase sempre na sombra ou na penumbra das grandes decisões e escândalos políticos. Não se lhe conhecem escândalos de riqueza por rapina (excepto a questão do 1% do capital da Sonangol Holding, que diz não usufruir, e agora as notícias que o indiciam num negócio milionário de arrendamento de um condomínio habitacional a uma empresa petrolífera que opera em Angola, matérias entretanto do desconhecimento da grande maioria dos angolanos).

Ao ser verdade, aquilo que as movimentações nos dão a ver, MV pode ter mais vivas do que teria um outro candidato do MPLA de maior visibilidade. E os angolanos podem ganhar do facto de MV ser alguém que já tem o seu pé-de-meia feita e que vai encontrar um país com leis viradas para o “anti-corrupção”, com destaque para a Lei da probidade administrativa e a obrigatoriedade de os titulares de cargos públicos passarem a declarar os seus pertences à entrada no “circuito”. A meu ver, é esta a visão mais correcta para quem nos deve governar nos anos que se seguem e calculo ser também esta a visão de José Eduardo dos Santos que pretende ficar na história d país como o precursor da paz e da boa governação, pós-consulado.

Outro aspecto a ter em conta na escolha de JES é o facto de o pacote legislativo aprovado depois das eleições de 2008 poder ser exequível apenas com homens doutra doutrina moral, aqueles que estiveram fora dos holofotes e, sobretudo, aqueles que embora tivessem enriquecido o fizeram sem grandes espoliações, encontrando-se em condições morais de impedir que mais governantes tenham o bolso como meta da acção ao invés da satisfação dos “mais elevados ideais do povo”. Com este cenário, JES que não estará desatento aos "ventos do norte" poderia manter num posto de destaque na vida política angolana, como consultor e/ou conselheiro do novo Presidente por ele "formado" e indicado para substituto, mantendo ingualmente intactos os seus bens e dos seus familiares.

À luz da Constituição de Angola, é eleito Presidente da República o cabeça de lista do partido mais votado nas eleições legislativas, também humoristicamente designado por “sistema paga um e lava dois” que dará a Vicente, Feijó ou outro indicado de Eduardo dos Santos a garantia para a ascensão à mais alta magistratura do país, a contar pelo capital político do MPLA que dificilmente perderá as eleições de 2012.