Faltavam poucos dias e tive um entrave técnico por causa de uma despesa que eu considerava desnecessária. Recebeste uma reclamação e me convocaste com "nervo de pai". Compareci. O almoço foi em um restaurante que ficava à meia distância entre o teu e o meu local de trabalho.
_ Ó cidadão, quantas vezes pensas voltar a casar? _ Perguntaste.
_ Se depender de mim, essa será a última. _ Respondi.
_ Então, que dificuldades tens de pagar ao fotógrafo? Realiza a vontade da tua mulher e não há cá mais conversas.
Fiquei a pensar no que te dizer, mas cortaste-me a linha de pensamento.
_ Percebeste ou preciso de desenhar?
_ Não, padrinho. Está percebido.
E assim foi...
Há coisas que só tu sabias dizer. Com dureza ou candura. Eras o meu padrinho Ismael Mateus com quem eu brincava, resmungava, brigava e aprendia.

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