Foi no bairro Boa Morte, a caminho de Mesquita, que ouvi o som de uma buzina. Por instantes, temi presságios: seria pelo nome do bairro? Haveria morte boa e morte má? Mas logo percebi que não havia mistério, apenas o aviso prudente de um automobilista a prevenir outros na curva. A vida, aqui, é feita de gestos simples que se confundem com poesia.
No dia 4 de Maio, a busca era por mudas de coqueiro. A zona escolhida foi Mesquita, onde se ergue a BECAF — Base Experimental de Culturas Alimentares e Frutícolas. Entre viveiros e ensaios agrícolas, encontrei a promessa de levar comigo não apenas uma planta, mas um pedaço vivo da ilha.
São Tomé revelava-se assim: buzinas que não anunciam tragédias, mas prudência; bairros de nomes fortes, aldeias onde termina o asfalto; despedida e permanência. O coqueiro, escolhido como lembrança, tornou-se metáfora de raiz e de retorno, lembrando que cada viagem é também um reencontro futuro.

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