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terça-feira, dezembro 28, 2010

OS CAMINHOS DO DESENVOLVIMENTO RURAL

Angola, apesar de pouco habitada, debate-se com a existência de numerosas "pequenas comunidades rurais" que se defrontam com carências de vária ordem como: crianças fora do sistema de ensino, assistência médica, água potável, entre outras.

Os governantes estão atentos a isso e tudo fazem para inverter a situação, mas a dispersão de pequenas comunidades isoladas umas de outras dificultam a instalação de equipamentos sociais comunitários.
  
"Há aldeias com apenas vinte famílias ou menos e distanciadas das outras por muitos quilómetros. Como construir uma escola numa aldeia com mennos de 30 crianças"? A pergunta de um governante (identificado)triste com o que viu ilustra bem o longo cxaminho que há por trilhar para que o bem-estar social chegue aos confins do território.

Para esta empreitada os sobas (autoridades tradicionais) são chamados a pôr de parte os seus antagonismos e egoísmos, juntando as comunidades de modo a torná-las numerosas e possibilitarem a instalação de escolas, centros ou postos médicos, fontanários, postos policiais, campos para a prática desportiva e outras benfeitorias.

Um dos modelos que está a ser ensaiado, e que pode trazer bastante sucesso na operação de aglutinação de comunidades, é a manutenção dos sobas das anteriores aldeias geminadas.

"Os mais velhos continuam a ostentar o título tradicional, a usufruir dos mesmos direitos perante o seu povo e o Estado, mas abandonando o aldeia e juntando-a à outras(s). Só assim consegui(re)mos ter aglomerados suficientes para a extensão dos serviços básicos de educação, saúde e água para todos. Doutra forma, avança a fonte, continuaremos a ouvir as mesmas reclamações e a prometermos soluções sem nunca as atingirmos" disse o responsável político a que vimos citando.

Províncias como o Kuanza-Sul e Lunda Sul já trabalham neste sentido, apelando as pessoas que vivem em aleias minúsculas a juntarem-se a outras de modo a engrossar o efectivo populacional. Pedra Escrita, no Libolo (Kuanza Sul), é um exemplo bem conseguido de aglutinação de pequenas aldeias anteriormente dispersas e já conta com uma escola de treis salas de aulas, um jango cmunitário e um posto médico em construção, ganhos impensáveis a anos quando as comunidades que constituem a actual aldeia estavam ainda espalhadas pelo sertão.

Na Lunda Sul, nasce na localidade de Muandoji (município de Saurimo) uma nova aldeia geminada com a de Caíta e estão em construção uma nova escola, um posto médico, posto policial, campo para a prática de despostos de salão,  fontanário e outras benfeitorias. As autoridades desdobram-se em apelos às outras populações para se juntarem e constituirem bairros maiores "que permitam o governo trabalhar". É essa a luta que deve ser levada a cabo em todo o interior de Angola e são esses os caminhos, a meu ver, por que deve  passar o Desenvolvimento Rural.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

LUAU: TÃO DISTANTE E TÃO LINDO

Quando o comboio de Benguela chegar ao Luau os seus passageiros já encontrarão um sítio em condições para comer e se albergarem. Trata-se do Hotel que a foto mostra. Tem Tv por satélite e mobília de qualidade.

Apesar de ser o ponto mais distanciado do Atlântico angolano, o Luau cresce a olho nú. Quem por lá tem estado sabe disso. Eu vi e por isso narro neste espaço.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

KAÚIA JÁ VENDE (SONHO)

Aconteceu a 17.12.2010 o lançamento do romance "O Sonho de Kaúia".
A critica foi eficaz. Manuel Muanza, mestre em literaturas africanas e professor universitário, encarregou-se da empreitada.

Em breves palavras e sem querer deturpar “a exposição sintética do conteúdo”, o mestre em Literatura Africana disse que a obra de Soberano Canhanga, pseudónimo do escritor, projecta uma abordagem objectiva da realidade. A mesma, salientou, merece uma melhor investigação para se confirmar, ou não, tratar-se de uma narrativa autobiográfica. “Parece haver similitudes entre os traços do protagonista Kaúia e o autor”, observou, acrescentando que “a escolha feita pelo principal actor, ao prometer que seria jornalista quando adulto, evidência a suspeita de autobiografia”.

Segundo Manuel Muanza, sem seguir a ordem da história, o texto mostra ser um instrumento de denúncia social e de crítica a práticas que se tornaram preceito na sociedade angolana, isto é, a invasão do campo para cidade. Salientou que os problemas do quotidiano narrados no texto lembram a estética realista do século XIX, a qual transforma a linguagem culta do romantismo em fala formal.

In: JOrnal de Angola, 18.12.2010

O Sonho De Kaúia tem alguns indícios de história e comportamento social da Luanda actual dando a conhecer muitos factos reais e que poucos conhecem e despertar as pessoas para aquilo que se vive actualmente de anormal. Editada pela Mayamba, a obra teve uma tiragem de mil exemplares e está a ser vendida ao preço de Kz.2000 nas livrarias de Luanda.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

CONVITE LITERÁRIO

A Mayamba Editora anuncia o lançamento, na próxima Sexta-feira, dia 17 de Dezembro, no CEFOJOR – Centro de Formação de Jornalistas, do romance O Sonho de Kaúia, de Soberano Canhanga.

A apresentação estará a cargo do mestre em literaturas africanas e docente do ISCED Manuel Muanza.

Sobre o livro

O Sonho de Kaúia é a história de um jovem de origem humilde que promete ao pai iletrado, antes deste falecer, que seria jornalista. Depois de duro bregar, consegue materializar o sonho. Cumpre-se aqui o velho adágio: querer é poder! Nas sociedades em transição, como a nossa, quando um filho termina os estudos e consegue um emprego, significa ascensão social para toda a família. Kaúia, que também prometera à mãe voltar ao campo para ser caçador, não cumpre a promessa, mas, com os proventos do seu trabalho de jornalista apreciado pela chefia e respeitado pelos colegas de redacção, confere-lhe uma casa condigna para passar a sua velhice. Ao longo das 112 páginas, o personagem Kaúia assume-se como uma voz que verbera os desatinos da sociedade em que vivemos. A sua composição que serve de teste de admissão para a carreira de jornalista é bem revelador da sua capacidade de captar a realidade.

Sobre o Autor

Soberano Canhanga é pseudónimo de Luciano António Canhanga, jornalista, nascido no Libolo, Kwanza-Sul, há 34 anos. O seu sonho era o de se tornar engenheiro mineiro ou agrónomo, mas estudou jornalismo no Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL).

Estudando mais tardem Ensino da História pelo Instituto Superior de Cièncias da Educação (ISCED-Luanda) e em Ciências da Comunicação na Universidade Privada de Angola (UPRA), também de Luanda.

Trabalhou como jornalista na Luanda Antena Comercial – LAC, onde foi editor, e leccionou no ensino geral público, ao mesmo tempo que colaborava, publicando artigos e informações para vários medias angolanos e estrangeiros, com destque para RDP-África e Correio da Manhã, ambos de Portugal, Seminário Económico, Cruzeiro do Sul e Jornal dos Desportos de Angola.

É, desde há cinco anos, respons´vael pela comunicação institucional da Sociedade Mineira de Catoca, Lda.

Contacto do autor telemóvel: 923 55 86 51 Email: ; / contacto da Mayamba: 924 07 90 30.

Um excerto do livro:

Kaúia termina a sua composição, não sabendo ainda qual seria o parecer dos directores do jornal. É que o uso do português, segundo a receita encontrada na gramática de José Maria Relvas, está difícil, mesmo para jornalistas com já muita tarimba.
E esperou, ansioso, no sofá da sala de espera, até que o vi­gilante, Man-Xaxo, que fora transferido pela Njovoli para aquela empresa jornalística o convidou:
–Sr. Kaúia, o chefe ainda está a chamar. Parece que você vai ficar.
– Sério? – Questionou, num misto de alegria e descon­fiança.
– Sim senhor jornalista. Ouvi lá dentro. Discutiram muito. O director-geral Francisco Kitembo a dizer que vale a pena aceitá-lo e o Dr. Adão a negar… Mas a menina Isabel Antonina que fica ali na frente (apontava para o lugar da chefe de redacção) foi chamada a votar e desempatou…

Kaúia levantou-se e, endireitando a gola da camisa que mostrava um pouco de sujidade, provocada por suores mais internos do que externos, apresentou-se ao director Fran­cisco Kitembo que o recebeu com um abraço.

– Estás entre os nossos. Lemos a tua prosa e o teu esforço nos convenceu. Tens três meses de estágio remunerado e já podes assi­nar. – Sentenciou o director.

– Obrigado, Sô ‘tor101. Obrigado mesmo. Foi sempre o meu sonho. – Agradeceu.

Kaúia conseguiu ter, mesmo sem os processos transitados na Direcção de Recursos Humanos, um assento na redac­ção, ambiente que lhe parecia meio estranho com homens e mulheres mantendo conversas sem tabus. Parecia-lhe que as senhoras eram todas sem pudor e sem vergonha, abor­dando assuntos sem filtro. Todos tratando-se por tu…

Os primeiros seis meses de jornalismo deram-lhe as fer­ramentas práticas que não possuía. Depois foi só deslizar como as águas calmas do Kuanza à jusante. Kaúia tinha uma grande queda para as crónicas e artigos que alegravam os directores Kitembo e Carlitos Adão.

– Uma boa aposta. – Reconheciam, sempre que passassem a pente fino o crescimento de uns e a estagnação de outros jornalistas mais antigos na casa.

– Esse rapaz tem futuro! – Desabafavam vezes sem conta.

Kitembo e Carlitos, amigos desde a infância no Sete e Meio, viam em Kaúia o irmão e companheiro que lhes fal­tava. Sempre que se recordassem da adolescência notavam a ausência de alguém para preencher o puzzle. Era Kezito, por sinal também amigo de infância de Kaúia, desapareci­do nas curvas e contracurvas da vida. E Kaúia, que muito cedo se encaixou naquela dupla de exímios profissionais de imprensa, preencheu a vaga de Kezito, sendo-lhe con­fiada a página “REGIÕES”, tão logo completou um ano de casa.

Ser repórter e editor da página que fala sobre o esta­do das províncias e das localidades proporciona-lhe muitas viagens ao interior que aproveita com mestria, fugindo da prisão em que se tornou Luanda, onde as torres engolem todos os dias os campos do trumunu, os parques infantis e os jardins que ainda resistem aos maus-tratos da população. Até os namoros da miudagem perderam a graça doutros tempos. No que se constrói à volta, amplamente difundi­do como Centralidades, não passa de outras prisões mais apertadas ainda. Eram quarteirões murados e vida privada amplamente vigiada.

– Então meu! Estão a abrir candidaturas para a Zona Leste. Vais aderir ou preferirás continuar no gueto? – Perguntou-lhe certa manhã o director de informação, Carlitos Adão, que já mora no New Life.

Viver no New Life e nas Centralidades dá um novo esta­tuto social. As camisas normais ganham a companhia dum casaco e gravata, mesmo que conseguidos na zunga. É a nova forma de aparecer e transpirar intelectualidade. Mas Kaúia não é desses complexos.

– Não chefe. Vou remodelar a casa que a velha me deixou no Rangel e investir no campo. Sabe, é lá que ficou o cordão… – Respondeu com convicção.

Mesmo com a vida remendada e frequentando o campo, Kaúia não pôde ir às caçadas e satisfazer a velha promessa feita à mãe na infância, mas conferiu-lhe uma casa em con­dições e uma velhice tranquila.

domingo, dezembro 12, 2010

UM ALBERGUE CHAMADO PONTE

A imagem mostra a passagem superior sobre a estrada Deolinda Rodrigues, à Terra Nova, em Luanda. É dia de chuva, 24 de Novembro. Muitos, como eu, foram surpeendidos pela queda pluviométrica e nem de capas de chuva se faziam transportar. E, como a solidariedade deixou de fazer morada entre nós, nada melhor do que usar a cobertura da ponte para evitar um banho maior, enquanto outros afoitos procuravam por refúgios junto aos alpendres dos edifícios contiguos à estrada.

Afortunados, os zungueiros, faziam a sua candonga, conhecendo as capas de chuva uma procura impressionante. A nossa sorte, Mociano e eu, foi que o Beto Spina, levava consigo duas capas de chuva o que nos permitiu comprar apenas uma. E fomos até ao km 30 do Benfica onde São Pedro tinha decretado umas férias temporárias. O bairro em emergência estava totalmente seco e poeirento.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

SONHO DE KAÚIA JÁ É REALIDADE


Já está editado pela Mayamba editora.
O lançamento acontece no dia 2o de Dezembro de 2010 em Luanda.

Sinta-se convidado, ganhe autógrafo e, acima de tudo, uma rica prosa histórico-social.

Cento e vinte páginas ao preço de Akz 1500,00 vale a pena.

Conto consigo.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

KANJALA: QUEM TE OUVIU E QUEM TE VÊ

KANJALA, significa fome, na língua nacional umbundu. Geográficamente é uma localidade da província de Benguela, na estrada que liga o Sumbe ao Lobito.

Kanjala foi uma torradeira de viaturas e de vidas humanas. Um local predilecto da guerrilha levada a cabo pela UNITA  até à paz conseguida em 2002, tornando-se na localidade mais perigosa e temida ao longo das estradas do litoral angolano.

Antes da reconstrução da estrada nacional, as proximidades da localidade de Kanjala eram um amontoado de viaturas abatidas pela guerrilha, fantasmas de almas mal acolhidas e corpos insepultos. Um lugar que metia medo e que levava a questionar quão desumanos tinham sido os homens... Hoje Kanjala é a paragem obrigatória de quem vai ao Lobito/Benguela ou de quem de lá sai em direcçào ao Sumbe/Luanda. É local de venda de produtos do campo e de gente alegre.

- Oh mano, ainda compra só ginguba. É boa!
- E galinhas vais mesmo deixar?
- Compra também mandioca. OLha que na kanjala não tem e em Benguela é ainda mais pior ...

Expressões como essas inundam o ouvido do viajante quandoi se para na localidade de Kanjala que muita fome de paz teve nos dias de fogo.

Hoje a fome é outra: É do crescimento e desenvolvimento. E esta, felizmente, vai sendo saciada.

Kanjala já não tem carros abatidos ao longo da estrada. Foram todos retirados dalí para muito longe. Os que se vêem ao longo da rodovia são d'outra guerra: da pressa, da imprudência e da imperícia ao volante.

Data da Foto: XVIII.XI.MMX

domingo, dezembro 05, 2010

VENDO BEM AS RAZÕES DO GUIA IMORTAL

O jargão "um só povo e uma só nação" encerra em si alguma utopia quando analizados os níveis de coesão implantados pelos movimentos de libertação nacional e os níveis de distensão há muito semeados pela colonização.

Embora se esforçasse em manter um amplo território sob seu domínio a que acabou por designar por Angola, a colonização lusa sempre tratou os autóctones que habitam o que é hoje a República de Angola segundo a sua origem e tribo. Assim é que encontramos na literatura daquele tempo expressões discriminadoras como bailundus, kiocos, kimbundus, kuanyamas, bakongos, etc. para se referir a grupos etnolinguísticos e culturais, dos muitos que há no país.

Neste mar de desprezo apenas as organizações cívicas e os religiosos protestantes se oposeram ao  tratamento xenófobo. Os protestantes e outros iluminados pelos ventos libertadores procuravam tratar os povos angolanos como pertencentes a uma única unidade que é Angola, incutindo neles também o sentido de Nação.

Os movimentos de libertação, cuja emergência data das décadas de cinquenta e sessenta do século vinte, embora tivessem como horizonte um Estado Unitário, debateram-se com sérios problemas relativos às suas bases de apoio, origem dos líderes e zonas de implantação.

A UPA- FNLA surgida no Norte dificilmente atingiu o Centro do território. A UNITA criada no Leste/Centro teve dificuldades em atingir o Norte. O MPLA foi o que mais esteve próximo de aglutinar  simpatias por todos os quadrantes do território, por ser o que mais intelectuais congregava, sobretudo no exterior, conseguindo implantar-se no Litoral, Norte e Leste e com importantes bolsas no Centro (Huambo, Huila, Bié etc).

Conseguida a independência em Novembro de 1975, com o país (República Popular de Angola) mergulhado em guerra civil que opunha os três movimentos de libertação (apoiados por forças externas),  que em teoria representavam em larga escala os ambundu (MPLA), bakongo (FNLA) e ovimbundu (UNITA), uma das soluçções ensaiadas pelo Guia Imortal e comandante das FAPLA foi a de procurar a coabitação entre povos de diferntes procedências, o que criou uma espécie de crioulismo tribal e efectivo sentimento de angolanidade.

Jovens procedentes do Sul foram levados a cumprir o serviço militar obrigatório no Norte, junto de outros idos do Leste e Centro, e vice-versa. Esses cruzamentos criaram amizades e famílias com um sentimento cada vez mais nacional (já que delas brotaram filhos de país com origens diferentes) do que nos dias que antecederam a independência.

Hoje, apesar da tendência para a (re)valorização das origens e culturas locais, o angolano sente-se mais nacional e menos tribal, fruto da materialização do slogam lançado pelo Guia Imortal.
Cumprido este desiderato, já nos sentimos em condições de realizar o outro sonho de Neto manifestado no seu poema "Havemos de Voltar".

quinta-feira, dezembro 02, 2010

UMA NOVA SEDE ADMINISTRATIVA PARA MURIEGE

Esta é a nova instalação da administração comunal de "Yenue nuri eje" (vocês são gatunos), expressão mal entendida pelos primeiros tugas que por aí "aportaram" tendo baptizado a circunscrição com a denominação de Muriege.

A administração comunal não só se instalou em "nova casa" como também recebeu um novo imobiliário.

Para trás ficam os dias em que o administrador e a sua equipa tiveram de prestar serviço público em condições de acomodação menos dignas.

O ministro da defesa, Cândido Van-Dúnem, acompanhado do seu homólogo da agricultura e governantes da Lunda Sul e Moxico.

Muriege é comuna do municipio de Muconda, província da Lunda Sul.
Reportagem: 09.11.2010

terça-feira, novembro 30, 2010

ALÔ PAPÁ, HÁ CHUVA EM LUANDA!

- Papá, a caminho da escola molhei-me. Sorte é que estava prevenido com outra roupa.
A mensagem enviada por sms carregava alguma preocupação do pai distante no nordeste.

- Filho, coragem - disse-lhe a amansar a dor- o papá também andava à pé do rangel ao IMEL e muitas vezes à chuva. - Concluiu encorajando o rapaz.

- Ok papá. - voltou a teclar o rapaz, treze anos às costas e frequentando a oitava classe.
- Filho, tenho orgulho de ti. Estás no bom caminho e precisas te fazer um homem.
- Ok papoite. Olha papá, dia 30 de Novembro há uma festa. Para entrar serão necessários Kz 700.
O pai liga preocupado com a chuva e a festa. Tudo a fazer-lhe confusão na cabeça. 
- Alô Mociano!
- Sim papá.
- Quem organiza a festa?
- São os meus colegas e amigos do bairro.
- Mas que tipo de festa é essa?- Perguntou algo aborrecido pelas respostas secas que ouvia.
- Não papá. Não é REIV.
O pai acalma-se um pouco, suspira, sorve ar puro, mas não fica por ai.
- Qual é a idade?
- De 14 anos para baixo, papá.
- Mas tu ainda só tens 13...
- Oh papá, falta pouco para 2011...

Seguiu-se um silêncio e o pim-pim-pim. As operadoras de telefonia móvel estavam sem cobertura de rede.

A curta conversa e as sm's anunciando a chuva, que por quase inundou a capital angolana a 17 de Novembro, tinham sido registadas às 11h41minutos. Daí em diante nada mais houve de comunicação entre pai e filho. Na memória do pai surgiam agora as más recordações de casas sem tectos, ruas completamente inundadas e um trânsito automóvel insuportável. Pior ainda porque o colégio ficava longe de casa e não se sabia se o menor teria formas de sair da escola para casa.

Em viagem para Luanda, o pai aeroportou pelas 17 horas transportado numa aeronave da Palanca. Os 15 quilómetros de carro foram realizados em 5 horas até Viana. Num percurso de pára-anda-pára e sem contacto com o filho que ao proteger-se da chuva desprotegeu o telefone que encharcou.

Apenas no dia seguinte trocaram novidades.

domingo, novembro 28, 2010

PONTE SOBRE CASSAI: FRONTEIRA ENTRE ANGOLA E RDC

Adicionar legenda
Na imagem a ponte ferroviária sobre o afluente do Cassai que permite o cruzamento da fronteira entre Angola e o Congo Democrático aguarda pelo apito das composições do CFB.

A empreitada de reabilitação está em curso e o comboio já apita no Huambo. Até aqui (Luau) levará algum tempo mas, tarde ou cedo, cá estará para a alegria das populações da antiga vila Teixeira de Sousa.
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terça-feira, novembro 23, 2010

CRUZANDO A FRONTEIRA COM A RDC

Aqui, neste local em que foi feito o retrato, estava no lado do Congo Democrático, passando pelo posto fronteiriço do Luau.

A ponte sobre o afluente do Casai que serve de marco fronteiriço entre os dois países tem duas cores e é feita de materiais diferentes.

Na parte angolana foi pintada em vermelho e amarelo e é metálica até ao meio do rio. Na parte congolesa (a que a foto mostra) é de betão e pintada de cor azul.

Aqui, o movimento transfronteiriço é intenso, bastando um salvo-conduto (laissé passé) para as populações ribeirinhas. Dos dois lados compra-se e vende-se tudo o que no oposto não haja.

Ainda a fazer falta está a ligação ferroviária. Informações recolhidas no local apontam para um "dia sim e dia talvez" da parte do comboio congolês até à fronteira, enquanto que da nossa parte (Angola) os trabalhos de reabilitação da ferrovia iniciada no Lobito ainda não atingiram o seu epílogo.

No posto fronteiriço existem já infraestruturas novas como posto da polícia fronteiriça, centro médico, unidade da polícia fiscal e uma escola. O último troço da via (cerca de cinco quilómetros entre a vila do Luau e a fronteira, está em reparação e alargamento).

O comboio do Lobito também está a caminho...

quinta-feira, novembro 18, 2010

UM OUTRO ROSTO PARA CASSAI SUL

Cassai Sul é a sede da comuna com o mesmo nome, do Município de Muconda, Lunda Sul, na margem do rio Cassai fronteiriço com a província do Moxico, através do município do Luau.

Aqui, no tempo Tuga, "havia (segundo relatos de quem lá nasceu), um aeródromo militar e um grande quartel" que serviam para manter a fronteira e conter o avanço dos independentistas do MPLA também tratados pelos tugas por "turras".

A guerra e o isolamento levaram a localidade  ver quase tudo a desabar, embora persistam ainda alguns edifícios antigos como a escola, a igreja em reconstrução, o hospital local, o tanque de elevação de água, o ex-posto (onde os sobas levavam palmatoadas dos sipaios bufos), etc.

Foi bom ter viajado com um homem na casa dos quarenta e nasceu na localidade que no dia 09.11.2010 viu ser inaugurado um fontanário para minimizar a procura de água.

A poucos metros da saída para o Moxico, foi reerguida a grande travessia de betão sobre o Cassai, ligando Cassai Sul ao município do Luau.

Governantes do Poder Central,  províncias da Lunda Sul e Moxico, público local e convidados testemunharam estas realizações que conferem dignidade de vida a mais angolanos do interior.

Testada a Ponte, seguimos ao Luau, onde as velhas carruagens, gastas pelo tempo e danificação humana, guardam ainda lembranças do tempo que foi bom: a ligação ferroviária entre o Lobito e Luau, seguindo para o Ex-Congo Belga. 

sábado, novembro 13, 2010

O INTERIOR INVERTENDO A PARAGEM E DESTRUIÇÃO

SEDE COMUNAL DE MURIEGE, MUNICIPIO DE MUCONDA, LUNDA SUL.

Para os habitantes do pequeno vilarejo a água corrente já é realidade.

Em tempo foi um posto comercial e militar dos Tugas...

Hoje, na Angola Independente, é uma comuna que procura sair da letargia, deixando para trás os longos anos em que não houve investimentos públicos e privados acompanhado de um cerco cerrado nos anos de guerra.

quarta-feira, novembro 10, 2010

ANDANDO E CRESCENDO COM O LESTE DE ANGOLA

SAURIMO-MURIEGE-MUCONDA- CASSAI SUL- LUAU- RDC

A estrada reabilitada convida para o baixar do pedal do acelerador. Mais de 300 km de percurso.

Na comitiva seguem os ministros da defesa, agricultura, secretário de Estado das obras públicas, governadora da Lunda Sul, vice-governador do Moxico, outros intregrantes governamentais empresariais e eu.

A data é 09.11.2010.

Ao longo do troço, mais de dez pontes reabilitadas, com destaque para as de Tamba, Luachi, Luachimo, Mombo,  Tchiumbe, Lufige e Cassai.

domingo, novembro 07, 2010

COMO AJUIZAR SEM TER SIDO PRATICANTE?

Nesta semana que finda recebi, com agrado e preocupação, um convite da direcção provincial da cultura para presidir ao juri do concurso de danças tradicionais.

Agradado porque o convite surgiu como reconhecimento às minhas reflexões sobre a cultura local. Um dos textos que terá estado na origem do convite foi publicado na Revista Lusango editada pelo Governo da Lunda Sul.

Preocupado porque nunca fui bom dançarino (nem mesmo de kizomba) e nem sou natural do leste/nordeste de Angola, região em que trabalho há já cinco anos e com uma grande interação com as comunidades e sua cultura.

E tal como me mostrei inquieto, perguntando-me, sem negar ao convite, por que teria de ser logo eu a preisidir ao juri, muitos também se terão questionado: por que razão um mukuakuiza com tantos peritos que há por cá?

Após reflexão, achei por bem usar uma postura de liderança. Os líderes não têm de ser necessáriamente peritos em tudo. Têm é de estar bem ladeados e bem aconselhados. E foi o que fiz.

Documentei-me o suficiente sobre as indumentárias que acompanham as danças tradicionais locais (com realce para a Cianda, Cisela, Makopo, Kafundeji e Mukixi ), os instrumentos musicais (tipos de ngomas), os movimentos e sua descrição, sendo o resto ciência: entoação, harmonia, coreografia, enquadramento, movimentos, tempo de exibição, etc.

E foi uma bela experiência. Tudo o que o corpo de juri (seis integrantes) e a assistência poderam ver foi que nenhum dos grupos fugiu à modernidade, inovando aqui ou alí nalgum pequeno detalhe. Vimo-lo nas indumentárias, nas coreaografias, nas entoações musicais, etc.

Uns, os grupos dos municipios do interior (Dala e Muconda), conservando a ainda a matriz identitária das danças tradicionais e outros, os grupos do municipio sede (Saurimo), com uma grande propensão para a fusão de vários elementos culturais (empréstimos com outras danças contemporâneas), o que, na verdade, tornou difícial a missão de escolher quem representará a província no concurso nacional a acontecer no Huambo.

Um dos elementos a ter em conta é que sendo danças tradicionais a matriz deve ser no máximo protegida (mesmo sabendoo-se que nenhuma cultura é estanque e que os empréstimos são inevitáveis). A indumentária (incluindo as coberturas ou chapéus) deve ser rigorosa: Ou toda a tender para o modernismo ou toda ela confeccionada com materiais tradicionais o que lhe confere um aspecto mais rústico e indentitário com o passado; os toques devem ser originais

A transmissão nas escolas deve obedecer ao tradicional para que não se mate o passado. Aprendido o original, deve partir-se para as inovações que se acharem pertinentes, já que a cultura é um bem comercial e turístico.

Assistido ao concurso em que despontaram grupos formados por pessoas adultas e experientes, e jovens e adolescentes com potencial, um dos questionamentos que me coloquei foi: Quem devia ir representar a Lunda Sul, visto que escolhendo “o aluno” poder-se-ia desencorajar “o professor”, sendo válido o posto?

A votação individual em todas as categorias, obedecendo-se ao estipulado no regulamento do concurso e ao principio de que “ganha quem mais pontos somar” resolveu a questão.

A título individual, e neste espaço sou porém a recomendar: O representante da província deve ser rigosoro na observância da indumentária (conforme acima exposto), no comando do grupo e acatamento das ordens dadas pelos executantes dos instrumentos, no cumprimento dos tempo para exibição, na execução ordenada dos passos (entrada e saída do palco) e noutros quesitos. Se assim for, o grupo escolhido pelo juri pode trazer uma medalha do Huambo.

segunda-feira, novembro 01, 2010

O MEU CAMPEÃO DO GIR'A BOLA 2010

Depois da vergonha do Angola-Argélia no CAN organizado por nós, até aqui somente comparado ao Portugal-Brasil (Mundial da África do sul), eis que fomos brindados com um anti-jogo que fabricou um campeão, perante a passividade do arbitro escalado para julgar a partida.

Inter e Santos F.C. um aflito para ser campeão e outro aflito para se manter na primeira divisão acabaram por protaginizar uma brincadeira de péssimo gosto para quem gosta de futebil jogado com entrega.

Com o Recreativo da Caála (Huambo) a vencer em Luanda o Petro Atlético por um/zero, o Inter começou a perder, ao intervalo, vendo a taça quase na montra dos caalenses. No segundoi tempo os políccias tiveram de se aplicar para alcançarem o empate que os colocaria em igualdade pontual com a equipa planáltica, entretanto em vantagem, dado o saldo de golos que possuiam os polícias.

Por seu turno, o Santos que apenas precisava de um empate, apercebendo-se da derrota em cabinda de outro afoito, O Desportivo da Huila (que precisava de empatar para se manter na primeira divisão) abrandou a marcha, tal qual o inter. Um jogo de amigos que se arrastou por uns trinta minutos, sem que alguém ousasse transpor o meio campo contrário foi o que nos brindaram os "campeões" do anti-jogo.
  
Por tudo quanto fez, derrotando na penúltima jornada o até então também candidato ao ceptro, Recreativo do Libolo, e vencendo em pleno estádio 11 de Novembro, em Luanda, o então campeão em título, Petro de Luanda, o Recreativo da Caála merecia mais do que um segundo lugar em ex aequo pontual com o Inter. É por isso o meu campeão.

sexta-feira, outubro 29, 2010

FATO E GRAVATA É INTELECTUALIDADE?

Começo a falar de mim. Sinto-me intelectual apenas uma vez por dia. Às primeiras horas da manhã, quando me sento no vaso sanitário. Aí sim. Navego no espaço, produzo ideias e, algumas são transmitidas aos mais diversos públicos. Boas ou más, submeto-as a julgamento neste espaço.
Frequentei universidades, mas isso não me dá ao direito de roubar um título que é de meritocracia.

Quanto aos outros:
Consultando o dicionário, define intelectual como sendo "aquele que  produz pensamento".
Noto muitos vestidos de fato e gravata fingindo que são gente pensante. Vejo também muitos, ainda sem o fato, debicando ideias de reter. Outros, formados em universidades de renome, gabando-se de tal facto, mas ficando pelo fato e gravata e pela universidade. Pensamento próprio nada!

E em que ficamos?

sexta-feira, outubro 22, 2010

RELOJOEIRO: UMA PROFISSÃO EM EXTINÇÃO?

Alguém viu por aí um relojoeiro de esquina?

Nos anos oitenta (séc. XX) quando comecei a me reconhecer como homem via na baixa e nos musseques de Luanda inúmeras casas com a inscrição "Relojoaria" ou "consertam-se relógios". Espreitando nelas encontrava homens aparentemente muito sérios e concentrados que usavam candeeiros auxiliares, chaves muito finas e bancadas com "buracos" onde se conservavam os pequeninos parafusos dos relógios mecânicos que consertavam.

Em finais da década de oitenta e princípios da de noventa popularizaram-se os relógios electrónicos e os relojoeiros foram tendo menos trabalho. Mesmo assim, havia ainda a coabitação dos velhos medidores de tempo, à corda, e os novos, movidos à pilha. Os relógios popularizaram-se tanto que a sua compra se tornou  acessível a qualquer bolso, chegando a perigar a vida dos que viviam do conserto dos aparelhos mecânicos.

Hoje, é raro, mesmo nas próvíncias do interior, encontrar uma bancada com um relojoeiro a consertar os "mede tempo". E nem mesmo por hobbie se exerce o ofício.

Será que inexistem pessoas com relógios muito queridos por revitalizar?
E onde andam os funileiros e outros que tanta saudade e falta fazem?

segunda-feira, outubro 18, 2010

KANDONGUEIROS SOBEM PREÇO DA CORRIDA EM LUANDA

O termo KANDONGUEIRO vem do kimbundu kandonga, o mesmo que especular. Estes fazedores do serviço de taxi colectivo vão, a partir desta manhã, subir o preço da corrida (viagem) para Akz 100,00 que equivalem a cerca de Usd 1,1, como reflexo da subida do gasóleo e da gasolina verificada há dois meses.
E se aparentemente nos tínhamos equivocado ao escrevermos que todos os demais preços de bens e serviços subiriam em cadeia, com a alteração do custo dos combustíveis, eis que, para a nossa tristeza, "a segunda pode ser de vez".

O Kandongueiro é o principal meio de transporte em Luanda e noutras cidades capitais de províncias, razão pela qual, a subida da corrida de Akz para Akz 100,00 influeirá directamente no custo de vida das populações que procurarão a compensação nos serviços que prestam e ou nos bens que produzem/vendem.

Para o bem dos que pouco ou nada têm para levar à boca, espero que a economia real não reaja conforme se prognostica.