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quinta-feira, abril 01, 2010

LIBOL'AVANTE

AVANTE LIBOLO! Assim se canta no municipio do Kuanza-Sul que fica, desde o dia 01.03.2010, a 35 minutos de Luanda. Tudo porque  a municipalidade, que já dispõe de renovadas infraestruturas rodoviárias, conseguiu inaugurar o seu aeródromo, "novo em folha".

O empreendimento reveste-se "de capital importância para o desenvolvimento da região que fica assimmais perto de Luanda", a capital do país.

A nova pista aeroportuária de Calulo recebeu, pela primeira vez, duas aeronaves transportando a equipa de futebol do APR do Rwanda. Infelizmente, o jogo saldou-se em vitória para os forasteiros que transitaram para a eliminatória seguinte na liga dos campeões africanos.

De recordar que o antigo "campo de aviação" ficava no local em que foi erguido o estádio de Calulo, propriedade do Clube Recreativo do Libolo, equipa que faz sucesso no GIRABOLA.

terça-feira, março 30, 2010

DE OLHO NA ENGRENAGEM (5)

Passei por Catumbela. Os bosques de eucaliptos dispostos ao longo da ferrovia que liga o litoral ao Luau estão quase desertos. Os madeireiros fazem razias no corte desenfreado e ninguém pensou ainda no replantio de novos eucaliptos para, na eventualidade de se recuperar a fábrica de celuloses, haver matéria-prima juvenil (apenas eucaliptos com até 10 anos servem para o fabrico de pasta de papel). O governo de Benguela proibiu o corte mas várias vozes se levantam em constestação, alegando o carácter predatorial dos eucaliptos em relação à fauna e flora nativas.

De regresso a Luanda, decidi viajar pelas antigas indústrias cuja fama, no meu tempo de menino, fazia "eco escolar", e fui à Mabor General: de fábrica de pneus passou a parque de estacionamento de viaturas particulares, tudo para encontrar alguma mamneira de compensar financeiramente os seus trabalhadores há décadas sem salários, devido à falência do antigo gigante da nossa indústria.

As TEXTANG’s (1 e 2), nomeadamente à Boavista e ao Kikolo, estão também há décadas paralizadas e transformadas em armazéns. Há notícias de que correm a bom ritmo o cultivos de algodão no Kuanza Sul. Qual será o destino desta matéria prima com a África Téxtil inoperante, a Satec às moscas e os textang’s transformadas em armazéns grossistas?

Kuito e Keve são nomes que aos miúdos de hojea remetem apenas à geografia do país. Num tempo não muito distante Kuito foi também o nome da fábrica de montagem de autocarros e Keve se reportava igualmente à marca dos autocarros Scania montados em Luanda, à estrada da petrangol, junto a TUDOR, fábrica de bateriais que também faliu.

SUCANOR era um complemento à indústria metalúrgica. A sucanor era a empresa de recolha de sucatas do norte e ajudava na limpesa das ruas de Luanda de ferro velho, num altura em que até chegavam poucos carros ao país. A Sucanor desapareceu do mapa industrial e a siderúrgica nacional perdeu, com isso, uma fonte de matéria-prima que com a estagnação de Cassinga passou a importar material ferroso.

Bolama e Combal eram fábricas de biscoitos e reboçados. A primeira ficava ao sambizanga junto à estrada da Cuca. Era o principal local das visitas guidadas dos “pioneiros” em tempo de férias escolartes. A Combal passou de fábrica de bolachas à fábrica de colchões de espuma. Fica na área do Grafanil.

Condel para uns era apenas o término do autocarro 34 com partida no largo do “Baleizão”. Para os industriais era uma importante engrenagem que se dedicava ao fabrico de cabos e outros materiais eléctricos. Fica(va) na zona industrial do Cazenga e pela aus6encia da sua produção no mercado também receio que terá conhecido o destino de outras tanteas engrenagens: a sua transformação em armazéns de produtos importados. Aliás é também este o destino que se deu à fábrica de CURTUMES, de que apenas nos resta o nome atribuído ao bairro que nasceu à sua volta, à Makanda que produzia calçados e à IFA (indústria fosforeira de Angola) todas elas na zona do Cazenga.

No Libolo, para onde me dirigi em descanso, questionei aos adolescentes deste tempo se sabiam onde ficavam as empresas Libolo I, II e III que se dedicavam à exploração de grandes cafezais... Apenas colhi silêncio... Nem mesmo do Kota Angelino tinham ouvido falar...

Publicado no Semanário Económico de 11.03.2010
* lcanhanga@hotmail.com

sábado, março 27, 2010

COM O PÉ NA ESTRADA

Choveu em Luanda no dia 14.03.2010. Para além das quatorze mortes anunciadas e das destruições e obstruções, as consequências mais visíveis têm sido os congestionamentos e as marchas. Por que será?

A construção de vias estruturantes na capitaldesde 2007 trouxe aluguma fluidez ao transito automóvel em vias como a da Samba, Pedro de Castro Loy, Ngola Kiluanje (até à cervejeira Cuca), Benfica-Viana-Cacuaco, Praia do Bispo, entre outros trechos. Porém, muito há ainda por fazer, pois a precariedade da drenagem de muitas estradas (novas e velhas) e a falta de manutenção podem levar ao desmoronamento do “império em construção”.

Se tivermos que reflectir sobre o serviço de transporte público e a circulação automóvel em Luanda há, dentre vários factores a ter em conta alguns se tornam importante reter:

1- O Governo Central fez avultados investimentos em termos de aquisição de autocarros para o serviço público de transporte de passageiros, cujas viaturas foram distribuídas à empresa pública TCUL e outras privadas, muitas criadas no calor do CAN.

2- Muitas rotas indicadas aos operadores deste serviço de transporte público têm as estradas muito degradadas o que acelera a obsolesc6encia dos meios e o baixo rendimento dos mesmos.

3- A não conclusão, até agora, de muitas das obras em curso provoca grandes congestionamentos ao transito automóvel , consequentemente diminui a rentabilidade dos autocarros e o recurso à marcha.

4- Há em Luanda apenas uma via ferroviária e com um único sentido, o que o torna incapaz de atender a população de Viana ao longo do percurso.

5- Nas vias expresso já concluídas ou em fase conclusiva faltam portais de ligação às demais estradas em bom estado, faltando também a distribuição de transportes públicos pelo interior dos bairros.

6- Nota-se a ineficácia dos transportes públicos chegarem o mais próximo possível do utente pelas razões combinadas acimas descritas.

Em resumo: enquanto se mantiverem os constrangimentos conhecidos continuaremos a ver gente a andar a pé, autocarros vazios ou com um serviço de faz-de-contas, o aumento do número de viaturas particulares que em nada contribuem para o descongestionamento do transito e a ver por um binóculo a comodidade que há muito se apregoa nas nossas estradas.

Quanto ao transporte interprovincial e intermunicipal nas demais provincias, já está bom mas pode ser melhor se todas as estradass estiverem reparadas e se a manutenção das vias reparadas que automáticamente entraram em degradação for adequada e oportuna, o que infelizmente ainda não acontece.

Enquanto assim for, teremos que engolir por mais algum tempo frases como: os transtornos passam, os benefícios ficam!

Publicado no Semanário Económico de 18.03.2010
lcanhanga@hotmail.com

terça-feira, março 23, 2010

JUNTO AO TÚMULO DUM REI 10CONHECIDO

A foto foi tirada junto a duas sepulturas construídas de pedras, próprio dos povos que habitam o Kuanza-Sul, para eternizar a memória dos seus valentes soberanos.

Estes monumentos históricos encontram-se em quantidade na região da Quibala e sul do Libolo, mas o norte do Uako-Kungo também os possui, e foi, exactamente, a caminho da comuna da Sanga que encontrei, junto à picada, duas sepulturas feitas à base de pedras talhadas. Deduz-se que tenha havido por aquela área um potentado forte (chamados agora regedorias ou sobados gerais). A tradição dos povos da região manda que Rei e Rainha sejam sepultados  lado a outro. Aliás, assim também aconteceu com os meus avós Canhanga ou "Ñana Ñunji" (Senhor do Suporte/Sustentáculo)  e Maluvu Ndonga "Tembo".
Ao lado destes Reis que desconheço, eis-me para a merecida homenagem... Um dia voltarei ao local para buscar um pouco da sua História.

sexta-feira, março 19, 2010

CHUVA EM LUANDA FAZ QUATORZE MORTOS

Estão contabilizados até ao momento 14 mortos resultantes da última chuva sobre Luanda (14.03.2010), a que se juntam casas destruídas, muros desabados, deslizamento de terras, inundações, encharcamentos, etc. Outra das consequências visíveis por qualquer um: o recurso à marcha, os "engarrafamentos" e stress.

A título de exemplo: No dia 14.03.2010 fiz uma viagem de Luanda à Quibala (350km) em 4 horas. Dois dias depois, isso é, depois da chuva, fiz 35 Km em quatro horas, partindo de Viana ao Talatona.

Contribuem para tal, as vias em obras que não terminam, os buracos nas vias já reparadas, o elevado estado de degradação da maioria das ruas de Luanda, a falta de vias alternativas, a ausência de pontos de ligação entre as principais ruas que dividem os aglomerados, periurbanos e suburbanos de Luanda, etc...
E ainda surgem falácias como: "Os transtornos ficam os benefícios permanecem"...

Dá para acreditar?

terça-feira, março 16, 2010

DESENVOLVIMENTO E SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA

Sábado, 13.03.2010. Partida em Luanda e destino uma aldeia interior da Sanga, passando pela EN120 que nos leva ao Huambo. O local é muito próximo de Kalussinga (Andulo), o que me permitiu ouvir notícias divertidas da Rádio Bié contadas em Umbundu.

A estrada está completamente asfaltada e também com novos buracos que já reclamam por uma manutenção oportuna. Os incidentes e acidentes estão sempre presentes em toda a extensão da rodovia  EN120 (perto de 400Km).

Desta vez decidi registar apenas os acidentes que mais chamaram à atenção, ou seja, aqueles que pela sua imprevisibilidade e "chocabilidade" tornaram-se dignos de reportagem fotográfica.

A casa verde que se vê no topo foi uma instalação da Junta de Estradas (no tempo colonial), usada depois pelos serviços de manutenção de estradas do MCH (Ministério da Construção e Habitação) e foi transformada agora em restaurante pelo antigo governante Higino Carneiro. O Local chama-se Bica d'água (pinga d'água no linguajar dos nativos) e fica entre as aldeias de Katoto e Pedra Escrita. A descida é de declive acentuado (10%) e tida historicamente como de grande perigosidade. O estacionamento no local para quem desce é dificil, senão mesmo impossível, e a falta de precaução dos automobilistas no local tem resultado  em muitas mortes.
Em baixo vemos várias viaturas acidentadas, duas delas (brancas basculantes) pertencentes a uma empresa de construção. Um camião carregado de ginguba (amendoim), feijão e outros produtos agrícolas tinha cidentado de véspera e para além de ter derramado óleo sobre o pavimento, o pisotear de outros carros sobre a ginguba e feijão fez provocou um lodaçal que deslizava sobre o asfalto também molhado pela chuva vespertina daquele dia. Resultado: outros acidentes em cadeia como o que a imagem regista.

No território do Wako-Kungo um outro "fantástico" registado na picada que liga a Aldeia 5 do Projecto Aldeia Nova à Comuna da Sanga.  O local fica entre 10 a 15 quilómetros de picada adentro, num ponteco precário o camião que a foto mostra acabou por "encalhar". Era tão estreita a passagem que a terra cedeu à passagem do VOLVO carregado de carvão vegetal. Resultado: ninguém mais pôde passar, a menos que fosse com muito jeito e arrojo (foi o meu caso com uma Hilux).

Um outro facto devia ter merecido a captação da correspondente imagem: a venda de "kupapatas" (motorizadas) em pleno interland. Facto curioso é que para além das 5 motorizadas expostas à beira da picada nenhum outro produto industrial ou agrícola estava à venda naquela aldeia do interior do Wako-Kungo, a caminho da comuna da Sanga.

De regresso a Luanda, bem próximo, ao quilómetro 30, dois ligeiros colidiram. Resulatdo: cinco mortos, um deles marido de minha sobrinha...    

sábado, março 13, 2010

O NJANDU E O SÉTIMO DIA

O primeiro é nome dum programa da VORGAN, aliás, da Rádio Despertar. O segundo é denominação de uma congregação adventista protestante (cristã) amplamente representada em Angola.

Têm em comum o facto de o primeiro estar no ár ao Sábado das 8 às 11 horas e o segundo o facto de realizar os seus cultos ao sábado, segundo recomenda o antigo testamento das escrituras sagradas.

Diz-se por aí que os membros da igreja têm levado telefones com auriculares para acompanharem o Njandu, deixando para segundo plano o culto sabatino e a pregação pastoral...

_ É verdade ou “mbandalho”?

terça-feira, março 09, 2010

ESTÁ DIFÍCIL ABASTECER GERADORES EM LUANDA

É noite em Luanda. Em cada esquina, em cada quintal ou terraço há uma máquina barulhenta que deita consideráveis quantidades de CO2 à atmosfera. São os geradores que há muito substituiram, na zona periurbana e até mesmo urbana de Luanda, a distribuidora de electricidade, enquanto fonte primária deste serviço.


Hoje por hoje, usando uma máxima desportista, "o atirar da toalha ao tapete", por parte de quem de direito, no que diz respeito à distribuição da energia electrica, ilustra de forma bem clara a tendência das coisas para o pior. É daí que temperados para enfrentar grandes sacrifícios, mesmo em tempo de carência financeira, os luandenses e angolanos em geral haviam consentido em iluminar as suas residências, conservar os seus bens de consumo perecíveis e informar-se graças à ajuda dos “fofandós”.

Tinham-se também habituado a ignorar o barulho de muitas máquinas ligadas em simultâneo, resistir à acção nefasta do CO2 e submeter-se ao elevado custo da gasolina, do óleo lubrificante e das manutenções preventivas e correctivas dos geradores, até que um “chico-esperto” decidiu lavrar uma engenhosa proibição da venda de gasolina, em recipientes, em todos os postos instalados no casco urbano (excepção seja feita à Viana onde a ordem não teve acolhimento), mesmo que sejam singulares, transpostados em viaturas e com o fito único de alimentar os depósitos das agora transformadas em “fontes primárias de electricidadede” no país.

Com esta proibição, fecham-se serviços e pequeas indústrias que funcionem à base de geradores eléctricos de pequeno e médio porte. Priva-se também os cidadãos do pleno usufruto do direito a uma vida urbana e sadia (com direito à informação e lazer).

Sugerir que se levem os geradores de energia eléctrica aos postos de abastecimento de combustíveis ou que se desmontem os seus depósitos para serem enchidos nas "bombas" é, a meu ver, o cúmulo do absurdo. E é o que acontece pela cidade capital, quando que andando pelas ruas, cuzamos com centenas e centenas de carrinhas e ciclomototores carregados de comustível para a revenda na candionga realizada nas barbas dos agentes da ordem económica e das demais autoridades.

Que se indiquem os locais onde os moradores da cidade possam bastecer os seus recipientes ou que se dê energia eléctrica de qualidade e quantidade, cuja limitação seja apenas pelo poder aquisitivo, e que nos façam esquecer o incómodo barulho dos geradores nos terraços e outras dependências dos edifícios urbanos... Ou então um dia veremos nas ruas da Marginal, Direita de Luanda, Ho-Chi-Mim e outras nascerem pontos clandestinos de revenda de combustível, à semelhança do que acontece pelos musseques, o que seria muito mau para a imagem dum país que se publicita como dos melhores, aos quatro ventos.

sexta-feira, março 05, 2010

O SOFRÍVEL SERVIÇO EMERGENCIAL DUMA CLINICA PRIVADA DO ALVALADE

É noite de terça-feira em Luanda. A Princesa de um casal de profissionais da media arde febril, acometida de uma doeça que ainda não sabem e precisam do sábio disgóstico dum médico e duma eficaz receita em termos de profilaxia.

O casal decide deixar Viana, onde ainda não há clínicas na rede das seguradoras, e rumar para uma certa Privada ao Alvalade, na zona urbana da cidade. Tal como esse casal que busca pela saúde da filha, uma trintena de outros (im)pacientes aí se dirigiram em emergência, saídos de outros locais próximos e distantes. Grande parte dos que esperavam ser recebidos de forma emergencial, dadas as debilidades apresentadas viram a sua paciência esgotar num tratamento pior do que aquele dispensado numa consulta de rotina em hospital público.

O ambiemte tornava-se cacada vez mais pesado. Várias crianças respiravam por um fio. Havia feridos em acidentes de estrada e outros casos de relativa prioridade.

Para atendê-los apenas uma médica, dois auxiliares enfermeiros, uma analista, um maqueiro e nada mais. Embora os (im)pacientes e familiares tivessem pago as consultas ao valor emergencial (USD 100), a pachorra era enorme e nada de célere se passava. Muitos dos que chegavam pelos proprios pés, e mais atrasados do que outros trazidos às costas, eram chamados de imediato e sem que se explicasse o porquê. Eurodescendentes e uns "bem-parecidos" eram priorizados ao passo que à maioria nem uma palavra de compaixão recebiam, na ausência duma aspirina que lhes acalmasse a febre ou dum outro analgésico que fizesse frente à febre. E foi nesse clima que a recepcionista em serviço, tal qual guardiã duma profissão autosuficiente, ainda teve tempo para desabafar à reclamação duma senhora aflita com o filho ao colo: “Dona não vale apena só se irritar com a demora. Vais voltar sempre aqui...”.

Perante a situação dois foram os caminhos: uns abandonaram a Clínica e se desconhece o desfecho, enquanto outros aguardaram das dezanove a uma da manhã, ou mais tarde, para lhes ser passada uma receita médica cujos remédios seriam adquiridos algures na cidade escura, já que a farmácia da Clínica nem sequer metade dos remédios passados pela médica possuia.

segunda-feira, março 01, 2010

DE OLHO NA ENGRENAGEM (4)

O processo de destruição dos ecossistemas naturais em larga escala tem uma série de consequências socio ambientais negativas.

A importação de tecnologia obsoleta e altamente poluidora. A instalação de indústrias que funcionam ainda à lenha lançando para a atmosfera consideráveis quantidades de CO2. O abate desenfreado de árvores para a obtenção de lenha e carvão vegetal. O abate de árvores para a exploração de recursos minerais sem a consequente compensação (destruir num sítio e replantar noutro). A contaminação de águas fluviais, subterrâneas e marítimas bem como dos solos agricultávies. A instalação de pedreiras e outras indústrias poluidoras ligadas à construção civil junto a conglomerados humanos, a destruição de árvores para fins múltiplos sem a consequente re-arborização e ou compensação, entre outros, podem constituir-se em acções perniciosas ao futuro da humanidade. Daí que surge no dicionário moderno um novo vocábulo: ecossídio que é o aniquilamento do ecossistema.

Basta olhar para as nossas árvores quase sem pássaros neles a contarolar; as nossas matas sem fauna e os nossos rios e mares quase sem cardumes, para levarmos a mão à consciência ambiental e começarmos a reduzir o que esbanjamos, reaproveitar o máximo possível, reutilizar o máximo possível e repor ou compensar naquelas áreas em que é possivel regenerar.

Antes que o mar comece a rejeitar os detritos que nele todos os dias fazemos desaguar, e estes se voltem contra nós, é preciso rever a nossa conduta e encontrar meios expeditos de tratamento das águas e outros detritos residuais.

Antes que as florestas se tornem desertos, criando-se em todos os cantos ravinas que ameacem as nossas casas, antes que as terras se ressintam do permanente uso inadequado, antes que os rios se ressintam dda contínua poluição das águas pensemos no que herdamos e no que deixaremos como herança dos nossos filhos.

Uma das mais recentes iniciativas dos países industrialmente avançados para minimizar este impacto com a participaçao de todos, tem sido a implementação de políticas públicas que envolvem a participação da comunidade. Esta participação tem trazido resultados no campo social e de construção de processos políticos muito superiores a outros modelos organizacionais de perfil tradicional, como os burocráticos e os paternalistas clientelistas.


Publicado pelo Semanário Económico (Angola) de 11/02/2010
* lcanhanga@hotmail.com

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

A VERDADEIRA LEITURA DUM DISCURSO POLÍTICO É DE BAIXO A CIMA*

A metamorfose das promessas dos políticos pode ser seguida neste texto, se lido de cima a baixo e de baixo para cima.

O nosso partido cumpre o que promete.

Só os tolos podem crer que

não lutaremos contra a corrupção.

Porque, se há algo certo para nós, é que

a honestidade e a transparência são fundamentais.

para alcançar os nossos ideais

Mostraremos que é uma grande estupidez crer que

as máfias continuarão no governo, como sempre.

Asseguramos sem dúvida que

a justiça social será o alvo da nossa acção.

Apesar disso, há idiotas que imaginam que

se possa governar com as manchas da velha política.

Quando assumirmos o poder,faremos tudo para que

se termine com os marajás e as negociatas.

Não permitiremos de nenhum modo que

as nossas crianças morram de fome.

Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que

os recursos económicos do país se esgotem.

Exerceremos o poder até que

Compreendam que

Somos a nova política.

*Autor incógnito. O texto circula na net.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

HEADLINES

ANDEBOL
As andebolistas angolanas mostraram no Egipto que a mulher já não anda atrás do homem, mas sim ao lado e em igualdade de circunstâncias. Isso mesmo: ao lado. Os basquetebolistas conquistaram no ano passado o décimo título africano e as andebolistas fizeram o mesmo. Homens e mulheres estão empatados, naquilo em que mais estão bem dotados: o basquetebol sénior masculino e o andebol sénior feminino. As senhoras são recebidas hoje, à tarde, festivamente em Luanda.

GIRABOLA
Começou na sexta-feira última, 19/02/2010. O Libolo empatou com o ASA (0-0), o Petro perdeu frente ao D'Agosto, que está com uma grande cilindrada, (0-1) e dos novatos apenas  o Sagrada venceu. O Inter, que também já foi campeão foi a Cabinda derrotar o Futebol Clube local por 2-1. A segunda jornada trará um outro realinhamento à classificação liderada pelo Sagrada, Inter, D'Agosto, Kabuscorp, Benfica de Luanda e Académica do Soyo, todos com três pontos.

LIGA SAGRES
No campeonato luso, o Porto "trucidou" o Braga (5-1) e colocou o rival Benfica na primeira posição, com mais um ponto do que os bracarenses e seis do que os portistas. estão ainda trinta pontos em disputa.

COMPRA & VENDA
A notícia carece ainda de conformação oficial, mas circula pela porta pequena que um conglomerado de média angolano, sedeado no Talatona, em Luanda, terá comprado uma empresa jornalística com nome semelhante. Entre o nome da empresa compradora e o nome da empresa comprada a diferença está apenas na língua em que os títulos/nomes estão escritos... Alguém confirma?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

NÃO HOUVE GUERRA CIVIL EM MOÇAMBIQUE

Palavras do nacionalista moçambicano, Marcelino dos Santos, em entrevista à TVZimbo.
Para o histórico da FRELIMO, a guerra em Moçambique terminou numa espécie de “empate técnico”, dado que a FRELIMO, no poder desde 1975, estava sem como derrotar militarmente a Renamo (guerrilha) e esta igualmente sem meios para chegar ao poder através das armas. “Apesar da intransigência do aparthaid em não enveredar pela via diplomática, os americanos tiveram que convencê-los a tentar o poder pela via das eleições que entretanto nunca ganharam”, 18 anos depois.

Marcelino do Santos, que continua a sonhar com o triunfo do socialismo, disse também, na entrevista conduzida por Amílcar Xavier, que no seu país nunca houve guerra civil. “O que houve foi uma guerra de um Estado Independente contra o Instrumento do Aparthaid, a Renamo criada por Ian Smith da Rodésia do Sul, que visava somente desestabilizar o país" e impedir a via do Socialismo.

Atendendo que Angola e Moçambique tiveram o mesmo percurso de luta de libertação, viveram os efeitos de uma mesma orientação política e conjuntura interna e internacional (Guerra Fria, ingerências externas, invasões sul-africanas e apoio deste país aos grupos armados internos), que diríamos em relação a Angola?

_ Também não houve guerra civil...

Soberno Canhanga

sábado, fevereiro 13, 2010

DE OLHO NA ENGRENAGEM 3

Reflito hoje sobre o poder da electricidade para o desenvolvimento industrial e para a redução dos custos de produção de bens de consumo. É sabido que electrificar o país representa um custo elevado, mas é assumidamente uma imperiosa necessidade. Também é ponto assente que temos recursos hídricos em abundância. Falta mesmo é, dentre as várias prioridades e poucas possibilidades, encontrar coragem para eleger este desafio indispensável ao desenvolvimento do país que não se deve “fazer à escuridão”.

Quem passeia hoje pelos arredores de Luanda a caminho do Bengo vê e com satisfação muitas unidades de produção de tijolos e outros meios de construção. Um passo de encorajar. Porém assiste-se também e com admiração, que o tijolo ainda não substitui o tradicional bloco de areia e cimento, tido como elemento encarecedor da matéria-prima (cimento) que ainda não temos em abundância. Pois é: o problema reside na carência e carestia da electricidade.

A trabalhar com geradores a diesel, que exigem elevados custos de manutenção, combustíveis e lubrificantes, nunca o tijolo e as telhas terão o preço médio esperado pelos angolanos e daí que entre a compra de produtos cerâmicos e a aquisição de blocos a preferência vá, em muitos casos, para o bloco feito de cimento. Conseqüências: construções cada vez mais caras, a começar pelo cimento, cal, mosaico e azulejo, etc.

Se extrapolarmos o poder da energia sobre as demais engrenagens, encontraremos as respostas do porquê da carestia dos bens e serviços produzidos no país em detrimento de outros importados, ou mesmo do porquê que muitos empresários preferem investir no comércio ao invés da indústria. É preciso produzir energia eléctrica em abundância para que a vontade dos que têm dinheiro pra investir se torne em realidade que accionará a engrenagem.

Notícias sobre a reabilitação do Ngove e Mabubas, remodelação e ampliação do Lomaum e Matala e sobre a criação de pequenas mini-hídricas como as anunciadas para o Maquela, Andulo e outras localidades são soluções duradouras que devem ser multiplicadas por todo o país. Aí onde houver água em quantidade e de forma ininterrupta durante o ano e, se esta puder gerar electricidade, que se junte ao útil o agradável. Por outro lado é importante que a implantação destas bem-feitorias seja acompanhada de estudos sobre o crescimento populacional e industrial das regiões e localidades, para que as nossas alegrias não se tornem efêmeras.

Sendo “objectivo do Governo angolano a eliminação da fome e da pobreza extrema nos próximos anos”, segundo o Ministro Manuel N. Júnior, aquando da apresentação do OGE para 2010, é importante que se encontrem fórmulas para baixar os custos de produção industrial para que o produto final chegue barato aos que detêm menor poder de compra. Só assim o pobre será menos pobre.


* lcanhanga@hotmail.com

Publicado pelo Semanário Económico de 05/02/2020

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

GOVERNO DA TERCEIRA REPÚBLICA DEVE MARCAR "NOVO COMEÇO"

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, concedeu posse, hoje 08.02.2010, ao Novo Governo nomeado em função da entrada em vigor da Constituição Angolana.

No seu discurso aos ora empossados, o presidente mostrou alguima convicção em dar um "Basta" aos descaminhos de dinheiro público por parte de governantes. Como quem dá um murro na mesa, JES disse por outras palavras que "basta de gamanços e é chegada a hora de olhar para o povo". De outra forma, o presidente, que é agora o responsável directo pela governação, não terá como "moralizar" o Governo e buscar a simpatia do povo para a sua eleição dentro de dois anos. E foi assim que o Presidente reafirmou a "Tolerância Zero" ou também a caça àqueles que "querem fazer do erário público a sua fonte de enriquecimento ilícito".

Eduardo dos Santos referiu-se à "PROBIDADE" e anunciou "Um Novo Ponto de Partida com Novos Métodos de Trabalho e Uma Nova Disciplina", parecendo também estar determinado em ver os larápios da coisa pública cercados de gradeamentos prisionais, pois disse no seu discurso que "A responsabilização por graves danos cometidos no passado será tratada pelas autoridades competentes"

"Estabelecer uma data de corte, marcar um novo ponto de partida e um novo perfil do servidor público adequado as tarfeas e funções" foram também palavras de Eduardo dos Santos que pediu igualmente "Moralidade, imparcialidade e honestidade" dos Novos Governantes.

O Novo Governo é composto de trinta ministros, dezanove Secretários de Estado, trinta e quatro Vice-Ministros e secretário do Conselho de Ministros, para além do Presidente e Vice-Presidente da República, Fernando da Piedade dos Santos "Nandó", também hoje empossado.

sábado, fevereiro 06, 2010

HOMENAGEM AO LIF: O "CAGADO DO PAPÁ"

Esta foto foi tirada no dia 11.01.10, aquando da minha estada em Luanda, e serviria para mostrar o meu amor pelo novo inquilino (bicho de estimação) baptizado com o nome de LIF (Luciano, Irlanda e Filhos). Pensava assim enquadrá-lo na família humana e sentir-se bem-tratado. Infelizmente, o LIF morreu (no dia 15.01.10) de causa desconhecida.

O LIF (cágado) que a minha filha Cesa chamava carinhosamente  por  "CAGADO DO PAPÁ"  foi adquerido em virtude dela ser alérgica a pêlos de animas, nomeadamente cães.

Sem cão e sem o cágado  e com a Cesa já crescidinha, será substituído, cedo ou tarde. Enquanto isso, mantenho o meu amor por cães e um dia ainda terei um, só para mim, para me acompanhar no caminho do mato que me lavará à lavra e na perseguição às corsas e pacas... O dia chegará".

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

JES ANUNCIA ELEIÇÕES GERAIS PARA 2012

O Presidente de Angola promulgou hoje, 05.02.2010, a Constituição da Rapública. Eduardo dos Santos disse "estarem reunidas as condições para que, com base na Constituição que põe fim a um período de transição, se realizarem as eleições gerais em 2012.

Para Eduardo dos Santos, "À luz dos conceitos e princípios, (da Constituição) temos agora de promover reformas na administração central e local do Estado, na administração fiscal, no sistema fiscal e na justiça fiscal como meios para reforçar a capacidade institucional do país".

O presidente disse também que o "Estado vai continuar a criar condições para que a imprensa seja cada vez mais forte, isenta, plural, responsável e independente, dando expressão a realidade multicultural do país e contribuindo para a unidade da nação e incentivando o surgimento e desenvolvimento da iniciativa privada nacional nos diferentes dominios da comunicação social"...

Para a próxima corrida eleitoral (em voto único para a escolha do presidente e do parlamento), JES será cabeça de lista do seu partido, o MPLA, secundado por Fernando da Piedade- Nandó- como candidato a Vice-Presidente.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

OPERADORA MÓVEL VENDE BANHA DE COBRA

A operadora angolana de telefonia móvel do "próximo mais próximo" está a uma semana a fazer o oposto da sua máquina propagandista.

Muitas províncias, incluindo a Lunda Sul, estão sem sinal de rede, "distanciando", para muito longe, os nossos próximos e os nossos negócios.

_ Por ventura ela, a operadora cuja sócia maioritária é a primogénita do presidente angolano, Eduardo dos Santos, tem noção dos prejuízos que nos está a causar?
É isso o que se chama de "vendedora de banha de cobra".

terça-feira, fevereiro 02, 2010

JES NOMEIA NOVO GOVERNO PARA ANGOLA

Mesmo com a "questão Constituição" ainda por arrumar (falta a correcção de dois aspectos citados pelo Tribunal Constitucional e ractificação pelo PR), José Eduardo dos Santos acabou por fazer remodelações profundas no Executivo, adaptando-o à Nova Carta Magna aprovada pelo Parlamento.

Uma nota lida às 21h30 na Rádio Nacional indica que o Presidente da República, JES, ouvido o Bureau Político do MPLA, nomeou Fernando da Piedade Dias dos Santos "Nandó", actual presidente do Parlamento para Vice-presidente da República ao passo que o actual Primeiro-Ministro, Paulo Cassoma, vai ocupar a vaga que Nandó deixa no Parlamento.

No Executivo houve várias mudanças, fusões, inovações e também continuidades. Na educação, Burity da Silva é substituído por Mpinda Simão. Carlos Feijó é indicado para Ministro da Casa Civil do Presidente dá República, Carolina Cerqueira substitui Manuel Rebelais na Comunicação Social e Kuata Kanawa é agora Ministro para os assuntos parlamentares. Kundi Paihama deixa a defesa onde é substituido por Cândido Van-Dúnem e é agora o titular dos Antigos Combatentes e Veterenos da Pátria.

A indústria foi casada com Geologia e  Minas que ficam sob tutela de Joaquim David, passando Makenda Ambroise a Secretário de Estado.  

Aguentaram-se nos postos: Pitra Neto no MAPESS, Helder Vieira Dias Kopelipa na Casa Militar,  José Van-Dúnem na Saúde, Gonçalves Muandumba na Juventude e Desportos, Genoveva Lino na Família e Promoção da Mulher, João Baptista Kussumua na Assistência e Reinserção Social, José da Rocha nas Telecomunicações e tecnologias de Informação, Augusto Tomás nos Transportes,  Fátima Jardim no Ambiente, Gulhermina Prata na Justiça, Assunção dos Anjos nas Relações Exteriores, Rosa Cruz e Silva na Cultura e Emanuela Vieira Lopes na Energia e Água.

Maria Cândida Teixeira é agora Ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia ao passo que Idalina Valente rege agora o Comércio e Turismo com Pedro Mutindi como secretário de Estado do Turismo.

O Ministério do Interior continua com Leal Monteiro Ngongo, Bornito de Sousa substitui Fontes Pereira na Administração do Território, ao passo que Ana Dias Lourenço continua no Planeamento. Manuel Júnior é agora Ministro da Coordenação Económica ao paso que as Finanças ficam sob tutela de Carlos Lopes.

A Agricultura casa com as Pescas e são coordenadas por Pedro Kanga, mantendo-se nos Petróleos Botelho de Vasconcelos. O Urbanismo fica aglutinado com a Construção e ficam "nas mãos" de José Ferreira.  Bento Bembe conserva a pasta de Secretário de Estado para os Direitos Humanos com equivalência ministerial em termos de reportabilidade.

No total, o novo Executivo tem 30 Ministros, 52 Secretários de Estado e Vice-Ministros, para além do Presidente e do Vice-Presidente, algo que contrasta com o anúncio prévio de JES segundo o qual "o Governo a nomear seria mais enxuto".

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

DE VOLTA A ANGOLA DEPOIS DO CAN

DEPOIS DO VOO O POISO. Terminou a "cegueira" provocada pela euforia do CAN que organizamos. Vivemos durante 21 dias num país diferente e muito maravilhoso, com "novos" aeroportos, novas centralidades, extra-ordinária organização e outras excentricidades, apenas nossas. Os visitantes partem hoje para os seus destinos, deixando-nos com as nossas "makas" de sempre.

Como quem dormiu ébrio e acordou sério e cônscio dos problemas de cuja solução apenas adiou, voltamos às culpas de quem não se precaveu o suficiente para que o CAN fosse disputado por 16 equipas... 

Voltamos aos nomes dos que andam/andaram a roubar o dinheiro que a todos pertence e que andam por aí a viver a grande e à francesa, sem que alguém os veja na Kionga.
Voltamos ao Projecto de Constituição que aguarda ainda pelo parecer do Tribunal Constitucional e consequente assinatura do Presidente da República.

Voltamos aos habituais "mujimbos" sobre quem entra e quem sai do Novo Governo, prometido enxuto pelo Presidente da República, e que será nomeado, já, já, depois de arrumado o assunto Constituição.

Voltamos aos "langas" e outros expatriados que sugam as nossas riquezas... Voltaremos a falar de outras operações "cancer" necessárias para mandar embora aqueles que nos "fazem mal".

Voltamos a debicar ideias, umas de nossas próprias cabeças e outras sob encomenda, sobre as nossas estradas, os nossos carros, as nossas chuvas e os seus efeitos num país grande e assimétrico, e etc., e voltamos também ao Nosso Girabola.

Depois da "bebedeira" que por uns dias nos fez viver num país de outra galáxia, voltamos ao "nosso nós" e Fevereiro será um mês rico em assuntos novos e outros retomados do mês e ano findos.

Cá estamos depois do CAN.