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sexta-feira, fevereiro 26, 2010

A VERDADEIRA LEITURA DUM DISCURSO POLÍTICO É DE BAIXO A CIMA*

A metamorfose das promessas dos políticos pode ser seguida neste texto, se lido de cima a baixo e de baixo para cima.

O nosso partido cumpre o que promete.

Só os tolos podem crer que

não lutaremos contra a corrupção.

Porque, se há algo certo para nós, é que

a honestidade e a transparência são fundamentais.

para alcançar os nossos ideais

Mostraremos que é uma grande estupidez crer que

as máfias continuarão no governo, como sempre.

Asseguramos sem dúvida que

a justiça social será o alvo da nossa acção.

Apesar disso, há idiotas que imaginam que

se possa governar com as manchas da velha política.

Quando assumirmos o poder,faremos tudo para que

se termine com os marajás e as negociatas.

Não permitiremos de nenhum modo que

as nossas crianças morram de fome.

Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que

os recursos económicos do país se esgotem.

Exerceremos o poder até que

Compreendam que

Somos a nova política.

*Autor incógnito. O texto circula na net.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

HEADLINES

ANDEBOL
As andebolistas angolanas mostraram no Egipto que a mulher já não anda atrás do homem, mas sim ao lado e em igualdade de circunstâncias. Isso mesmo: ao lado. Os basquetebolistas conquistaram no ano passado o décimo título africano e as andebolistas fizeram o mesmo. Homens e mulheres estão empatados, naquilo em que mais estão bem dotados: o basquetebol sénior masculino e o andebol sénior feminino. As senhoras são recebidas hoje, à tarde, festivamente em Luanda.

GIRABOLA
Começou na sexta-feira última, 19/02/2010. O Libolo empatou com o ASA (0-0), o Petro perdeu frente ao D'Agosto, que está com uma grande cilindrada, (0-1) e dos novatos apenas  o Sagrada venceu. O Inter, que também já foi campeão foi a Cabinda derrotar o Futebol Clube local por 2-1. A segunda jornada trará um outro realinhamento à classificação liderada pelo Sagrada, Inter, D'Agosto, Kabuscorp, Benfica de Luanda e Académica do Soyo, todos com três pontos.

LIGA SAGRES
No campeonato luso, o Porto "trucidou" o Braga (5-1) e colocou o rival Benfica na primeira posição, com mais um ponto do que os bracarenses e seis do que os portistas. estão ainda trinta pontos em disputa.

COMPRA & VENDA
A notícia carece ainda de conformação oficial, mas circula pela porta pequena que um conglomerado de média angolano, sedeado no Talatona, em Luanda, terá comprado uma empresa jornalística com nome semelhante. Entre o nome da empresa compradora e o nome da empresa comprada a diferença está apenas na língua em que os títulos/nomes estão escritos... Alguém confirma?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

NÃO HOUVE GUERRA CIVIL EM MOÇAMBIQUE

Palavras do nacionalista moçambicano, Marcelino dos Santos, em entrevista à TVZimbo.
Para o histórico da FRELIMO, a guerra em Moçambique terminou numa espécie de “empate técnico”, dado que a FRELIMO, no poder desde 1975, estava sem como derrotar militarmente a Renamo (guerrilha) e esta igualmente sem meios para chegar ao poder através das armas. “Apesar da intransigência do aparthaid em não enveredar pela via diplomática, os americanos tiveram que convencê-los a tentar o poder pela via das eleições que entretanto nunca ganharam”, 18 anos depois.

Marcelino do Santos, que continua a sonhar com o triunfo do socialismo, disse também, na entrevista conduzida por Amílcar Xavier, que no seu país nunca houve guerra civil. “O que houve foi uma guerra de um Estado Independente contra o Instrumento do Aparthaid, a Renamo criada por Ian Smith da Rodésia do Sul, que visava somente desestabilizar o país" e impedir a via do Socialismo.

Atendendo que Angola e Moçambique tiveram o mesmo percurso de luta de libertação, viveram os efeitos de uma mesma orientação política e conjuntura interna e internacional (Guerra Fria, ingerências externas, invasões sul-africanas e apoio deste país aos grupos armados internos), que diríamos em relação a Angola?

_ Também não houve guerra civil...

Soberno Canhanga

sábado, fevereiro 13, 2010

DE OLHO NA ENGRENAGEM 3

Reflito hoje sobre o poder da electricidade para o desenvolvimento industrial e para a redução dos custos de produção de bens de consumo. É sabido que electrificar o país representa um custo elevado, mas é assumidamente uma imperiosa necessidade. Também é ponto assente que temos recursos hídricos em abundância. Falta mesmo é, dentre as várias prioridades e poucas possibilidades, encontrar coragem para eleger este desafio indispensável ao desenvolvimento do país que não se deve “fazer à escuridão”.

Quem passeia hoje pelos arredores de Luanda a caminho do Bengo vê e com satisfação muitas unidades de produção de tijolos e outros meios de construção. Um passo de encorajar. Porém assiste-se também e com admiração, que o tijolo ainda não substitui o tradicional bloco de areia e cimento, tido como elemento encarecedor da matéria-prima (cimento) que ainda não temos em abundância. Pois é: o problema reside na carência e carestia da electricidade.

A trabalhar com geradores a diesel, que exigem elevados custos de manutenção, combustíveis e lubrificantes, nunca o tijolo e as telhas terão o preço médio esperado pelos angolanos e daí que entre a compra de produtos cerâmicos e a aquisição de blocos a preferência vá, em muitos casos, para o bloco feito de cimento. Conseqüências: construções cada vez mais caras, a começar pelo cimento, cal, mosaico e azulejo, etc.

Se extrapolarmos o poder da energia sobre as demais engrenagens, encontraremos as respostas do porquê da carestia dos bens e serviços produzidos no país em detrimento de outros importados, ou mesmo do porquê que muitos empresários preferem investir no comércio ao invés da indústria. É preciso produzir energia eléctrica em abundância para que a vontade dos que têm dinheiro pra investir se torne em realidade que accionará a engrenagem.

Notícias sobre a reabilitação do Ngove e Mabubas, remodelação e ampliação do Lomaum e Matala e sobre a criação de pequenas mini-hídricas como as anunciadas para o Maquela, Andulo e outras localidades são soluções duradouras que devem ser multiplicadas por todo o país. Aí onde houver água em quantidade e de forma ininterrupta durante o ano e, se esta puder gerar electricidade, que se junte ao útil o agradável. Por outro lado é importante que a implantação destas bem-feitorias seja acompanhada de estudos sobre o crescimento populacional e industrial das regiões e localidades, para que as nossas alegrias não se tornem efêmeras.

Sendo “objectivo do Governo angolano a eliminação da fome e da pobreza extrema nos próximos anos”, segundo o Ministro Manuel N. Júnior, aquando da apresentação do OGE para 2010, é importante que se encontrem fórmulas para baixar os custos de produção industrial para que o produto final chegue barato aos que detêm menor poder de compra. Só assim o pobre será menos pobre.


* lcanhanga@hotmail.com

Publicado pelo Semanário Económico de 05/02/2020

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

GOVERNO DA TERCEIRA REPÚBLICA DEVE MARCAR "NOVO COMEÇO"

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, concedeu posse, hoje 08.02.2010, ao Novo Governo nomeado em função da entrada em vigor da Constituição Angolana.

No seu discurso aos ora empossados, o presidente mostrou alguima convicção em dar um "Basta" aos descaminhos de dinheiro público por parte de governantes. Como quem dá um murro na mesa, JES disse por outras palavras que "basta de gamanços e é chegada a hora de olhar para o povo". De outra forma, o presidente, que é agora o responsável directo pela governação, não terá como "moralizar" o Governo e buscar a simpatia do povo para a sua eleição dentro de dois anos. E foi assim que o Presidente reafirmou a "Tolerância Zero" ou também a caça àqueles que "querem fazer do erário público a sua fonte de enriquecimento ilícito".

Eduardo dos Santos referiu-se à "PROBIDADE" e anunciou "Um Novo Ponto de Partida com Novos Métodos de Trabalho e Uma Nova Disciplina", parecendo também estar determinado em ver os larápios da coisa pública cercados de gradeamentos prisionais, pois disse no seu discurso que "A responsabilização por graves danos cometidos no passado será tratada pelas autoridades competentes"

"Estabelecer uma data de corte, marcar um novo ponto de partida e um novo perfil do servidor público adequado as tarfeas e funções" foram também palavras de Eduardo dos Santos que pediu igualmente "Moralidade, imparcialidade e honestidade" dos Novos Governantes.

O Novo Governo é composto de trinta ministros, dezanove Secretários de Estado, trinta e quatro Vice-Ministros e secretário do Conselho de Ministros, para além do Presidente e Vice-Presidente da República, Fernando da Piedade dos Santos "Nandó", também hoje empossado.

sábado, fevereiro 06, 2010

HOMENAGEM AO LIF: O "CAGADO DO PAPÁ"

Esta foto foi tirada no dia 11.01.10, aquando da minha estada em Luanda, e serviria para mostrar o meu amor pelo novo inquilino (bicho de estimação) baptizado com o nome de LIF (Luciano, Irlanda e Filhos). Pensava assim enquadrá-lo na família humana e sentir-se bem-tratado. Infelizmente, o LIF morreu (no dia 15.01.10) de causa desconhecida.

O LIF (cágado) que a minha filha Cesa chamava carinhosamente  por  "CAGADO DO PAPÁ"  foi adquerido em virtude dela ser alérgica a pêlos de animas, nomeadamente cães.

Sem cão e sem o cágado  e com a Cesa já crescidinha, será substituído, cedo ou tarde. Enquanto isso, mantenho o meu amor por cães e um dia ainda terei um, só para mim, para me acompanhar no caminho do mato que me lavará à lavra e na perseguição às corsas e pacas... O dia chegará".

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

JES ANUNCIA ELEIÇÕES GERAIS PARA 2012

O Presidente de Angola promulgou hoje, 05.02.2010, a Constituição da Rapública. Eduardo dos Santos disse "estarem reunidas as condições para que, com base na Constituição que põe fim a um período de transição, se realizarem as eleições gerais em 2012.

Para Eduardo dos Santos, "À luz dos conceitos e princípios, (da Constituição) temos agora de promover reformas na administração central e local do Estado, na administração fiscal, no sistema fiscal e na justiça fiscal como meios para reforçar a capacidade institucional do país".

O presidente disse também que o "Estado vai continuar a criar condições para que a imprensa seja cada vez mais forte, isenta, plural, responsável e independente, dando expressão a realidade multicultural do país e contribuindo para a unidade da nação e incentivando o surgimento e desenvolvimento da iniciativa privada nacional nos diferentes dominios da comunicação social"...

Para a próxima corrida eleitoral (em voto único para a escolha do presidente e do parlamento), JES será cabeça de lista do seu partido, o MPLA, secundado por Fernando da Piedade- Nandó- como candidato a Vice-Presidente.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

OPERADORA MÓVEL VENDE BANHA DE COBRA

A operadora angolana de telefonia móvel do "próximo mais próximo" está a uma semana a fazer o oposto da sua máquina propagandista.

Muitas províncias, incluindo a Lunda Sul, estão sem sinal de rede, "distanciando", para muito longe, os nossos próximos e os nossos negócios.

_ Por ventura ela, a operadora cuja sócia maioritária é a primogénita do presidente angolano, Eduardo dos Santos, tem noção dos prejuízos que nos está a causar?
É isso o que se chama de "vendedora de banha de cobra".

terça-feira, fevereiro 02, 2010

JES NOMEIA NOVO GOVERNO PARA ANGOLA

Mesmo com a "questão Constituição" ainda por arrumar (falta a correcção de dois aspectos citados pelo Tribunal Constitucional e ractificação pelo PR), José Eduardo dos Santos acabou por fazer remodelações profundas no Executivo, adaptando-o à Nova Carta Magna aprovada pelo Parlamento.

Uma nota lida às 21h30 na Rádio Nacional indica que o Presidente da República, JES, ouvido o Bureau Político do MPLA, nomeou Fernando da Piedade Dias dos Santos "Nandó", actual presidente do Parlamento para Vice-presidente da República ao passo que o actual Primeiro-Ministro, Paulo Cassoma, vai ocupar a vaga que Nandó deixa no Parlamento.

No Executivo houve várias mudanças, fusões, inovações e também continuidades. Na educação, Burity da Silva é substituído por Mpinda Simão. Carlos Feijó é indicado para Ministro da Casa Civil do Presidente dá República, Carolina Cerqueira substitui Manuel Rebelais na Comunicação Social e Kuata Kanawa é agora Ministro para os assuntos parlamentares. Kundi Paihama deixa a defesa onde é substituido por Cândido Van-Dúnem e é agora o titular dos Antigos Combatentes e Veterenos da Pátria.

A indústria foi casada com Geologia e  Minas que ficam sob tutela de Joaquim David, passando Makenda Ambroise a Secretário de Estado.  

Aguentaram-se nos postos: Pitra Neto no MAPESS, Helder Vieira Dias Kopelipa na Casa Militar,  José Van-Dúnem na Saúde, Gonçalves Muandumba na Juventude e Desportos, Genoveva Lino na Família e Promoção da Mulher, João Baptista Kussumua na Assistência e Reinserção Social, José da Rocha nas Telecomunicações e tecnologias de Informação, Augusto Tomás nos Transportes,  Fátima Jardim no Ambiente, Gulhermina Prata na Justiça, Assunção dos Anjos nas Relações Exteriores, Rosa Cruz e Silva na Cultura e Emanuela Vieira Lopes na Energia e Água.

Maria Cândida Teixeira é agora Ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia ao passo que Idalina Valente rege agora o Comércio e Turismo com Pedro Mutindi como secretário de Estado do Turismo.

O Ministério do Interior continua com Leal Monteiro Ngongo, Bornito de Sousa substitui Fontes Pereira na Administração do Território, ao passo que Ana Dias Lourenço continua no Planeamento. Manuel Júnior é agora Ministro da Coordenação Económica ao paso que as Finanças ficam sob tutela de Carlos Lopes.

A Agricultura casa com as Pescas e são coordenadas por Pedro Kanga, mantendo-se nos Petróleos Botelho de Vasconcelos. O Urbanismo fica aglutinado com a Construção e ficam "nas mãos" de José Ferreira.  Bento Bembe conserva a pasta de Secretário de Estado para os Direitos Humanos com equivalência ministerial em termos de reportabilidade.

No total, o novo Executivo tem 30 Ministros, 52 Secretários de Estado e Vice-Ministros, para além do Presidente e do Vice-Presidente, algo que contrasta com o anúncio prévio de JES segundo o qual "o Governo a nomear seria mais enxuto".

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

DE VOLTA A ANGOLA DEPOIS DO CAN

DEPOIS DO VOO O POISO. Terminou a "cegueira" provocada pela euforia do CAN que organizamos. Vivemos durante 21 dias num país diferente e muito maravilhoso, com "novos" aeroportos, novas centralidades, extra-ordinária organização e outras excentricidades, apenas nossas. Os visitantes partem hoje para os seus destinos, deixando-nos com as nossas "makas" de sempre.

Como quem dormiu ébrio e acordou sério e cônscio dos problemas de cuja solução apenas adiou, voltamos às culpas de quem não se precaveu o suficiente para que o CAN fosse disputado por 16 equipas... 

Voltamos aos nomes dos que andam/andaram a roubar o dinheiro que a todos pertence e que andam por aí a viver a grande e à francesa, sem que alguém os veja na Kionga.
Voltamos ao Projecto de Constituição que aguarda ainda pelo parecer do Tribunal Constitucional e consequente assinatura do Presidente da República.

Voltamos aos habituais "mujimbos" sobre quem entra e quem sai do Novo Governo, prometido enxuto pelo Presidente da República, e que será nomeado, já, já, depois de arrumado o assunto Constituição.

Voltamos aos "langas" e outros expatriados que sugam as nossas riquezas... Voltaremos a falar de outras operações "cancer" necessárias para mandar embora aqueles que nos "fazem mal".

Voltamos a debicar ideias, umas de nossas próprias cabeças e outras sob encomenda, sobre as nossas estradas, os nossos carros, as nossas chuvas e os seus efeitos num país grande e assimétrico, e etc., e voltamos também ao Nosso Girabola.

Depois da "bebedeira" que por uns dias nos fez viver num país de outra galáxia, voltamos ao "nosso nós" e Fevereiro será um mês rico em assuntos novos e outros retomados do mês e ano findos.

Cá estamos depois do CAN.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

OS GANHOS DO CAN PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL ANGOLANA

Terminou o Campeonato Africano das Nações que Angola teve a elevada honra de bem organizar. Embora tenhamos ficado pelo caminho, com a nossa eliminação da meia-final pela selecção ghanense os ganhos foram enormes.


Os desportistas têm como ganhos garantidos, depois do CAN que Angola realizou as infra-estruturas desportivas e afins e a experiência de terem defrontado, em casa, selecções de outros quilates e com a presença de milhares de angolanos nos campos. Todos os Campeonatos em que tínhamos participado tinham sido fora de casa e por isso mesmo com uma platéia diminuta.


Os comerciantes, hoteleiros, restauradores e outros, que directa ou indirectamente participaram da organização e sucesso do Campeonato, têm também a sua parte conservada. Todas as infraestruturas construídas para dar suporte à organização do campeonato ficam para a posteridade, exigindo-se deles apenas um uso racional e virado para os devidos fins.

Os adeptos viram ressurgir o gosto pelo futebol e pela frequência dos estádios. Há já muito tempo que não se assistia ao magnífico casamento entre os praticantes do futebol e os assistentes em campo e noutros locais de grande concentração. O nosso futebol recebeu essas vitaminas. Houve até apostas entre amigos, entre jogadores, entre políticos, entre dirigentes desportivos, enfim, sobre quem ganharia este ou aquele jogo, o que foi muito bom. Esta euforia, esta paixão pelo futebol, tenho certeza que continuará para muito mais tempo e tenderá a reforçar-se. Os feitos e efeitos do CAN transportar-se-ão agora ao nosso doméstico Girabola que está à porta.


Os jornalistas não ficaram atrás. Ganharam, nos campos, as condições de trabalho neles instaladas, mas ganham algo mais: O conhecimento e a experiência profissional.


Numa organização internacional, como o Campeonato Africano das Nações (de futebol), a mobilização por parte dos Órgãos de Comunicação Social, no que toca aos jornalistas, é tão grande que todos os profissionais da casa se vêem envolvidos de forma indistinta.


Jornalistas que frequentemente se limitavam à cobertura de assuntos políticos, sociais, económicos ou culturais, como especialidades, viram-se “forçados”, no bom sentido, a experimentarem um outro lado da profissão: percorreram os campos principais e de apoio, entrevistaram jogadores e técnicos, falaram com adeptos de vários países participantes e exercitaram as línguas estrangeiras, usadas como recurso apenas nas viagens que efectuavam ao estrangeiro. São ganhos que ficam para a eternidade e que os enobrecem.


As redacções viram assim nascer, num abrir e fechar de olhos, outros expert’s desportivos. Novos comentaristas surgiram também, dada a envergadura da missão e os desdobramentos que se afiguraram necessários ao longo da cobertura noticiosa do campeonato africano das nações em futebol nas quatro cidades sedes.


Mais postos de trabalho, definitivos ou temporários, foram também criados, e muito do que andava oculto entre os homens das redacções e das áreas de apoio fez-se à luz. Despertou a vocação desportista entre os homens que todos os dias partilham as redações e as empresas jornalísticas. Mas não é tudo: Foi também a nossa voz, a nossa imagem e a nossa prosa que chegaram muito mais distante, onde nunca elas tinham sido tão valorizadas como nestes dias do CAN e nos dias que se seguem. Nós, os angolanos, escribas e analistas, estamos agora mais potenciados e estaremos sempre na linha da frente, quer em termos de organização como de narração de eventos desportivos.


Nos campos e fora deles jamais será a mesma coisa. O salto foi enorme e continuará a sê-lo porque terminado o CAN os angolanos estão motivados para vôos bem maiores!


quarta-feira, janeiro 27, 2010

AID 4 HAITI

Haiti
Tão proximo de nós, quanto a possibilidade de sofrermos uma catástrofe.


Ajudemos... Cada um usando os meios "mais à mão".

segunda-feira, janeiro 25, 2010

"FALIDEIRO" MATA E ARRASTA MULHER POLÍCIA POR 1KM

O anúncio é da corporação policial através da televisão pública. Um Toyota Hiace, azul-e-branco, em "falida", matou, na última sexta-feira, uma mulher polícia afecta à Brigada Especial de Trânsito, nas imediações do quartel daquela corporação, ao Palanca.

O jovem ao volante da viatura não era o condutor habitual da viatura e estava sem licença de condução.

 Depois da mulher polícia, em serviço, ter verificado que o motorista falava ao telefone, o que está proibido por lei, deu ordem para que este parasse a viatura ao que fingiu obedecer, atropelando, entretanto, de imediato a agente da polícia, tendo-a arrastado por mais de 1Km de distância.

O proprietário da viatura, segundo ainda a polícia, não sabia que o carro estava em "mãos alheias".

Tal como havíamos escrito nesta página, no dia 20.01.10, é  preciso evitar andar em candongueiros que estejam em "Falida".

quinta-feira, janeiro 21, 2010

ANGOLA: HABEMUS CONSTITUIÇÃO


Independente desde 11.11.1975 apenas hoje Angola tem uma Constituição. Foi um caminho longo e árduo. A Lei Constitucional que entrou em vigor em 1975 sofreu várias emendas e reajustes com maior destaque para a instituição do multipartidarismo na revisão de 1990 que propiciou as primeiras eleições no país. A primeira tentativa de se elaborar uma Constituição aconteceu em 2004/05, quando uma Comissão Constituinte, criada pelo parlamento eleito em 1992, redundou em fracasso por desistência da UNITA e falta de uma maioria de 2/3 por parte do MPLA.

Desta vez, com uma maioria que supera os  80%, o MPLA pôde trabalhar a seu gosto e contento. A UNITA participou dos trabalhos na Comissão Constitucional, mas voltou a retirar-se da sala nos dois derradeiros dias de votação por discordância com alguns articulados da Constituição coptados da Proposta C e dos quais os deputados do maioritário não cederam. Porém, a maioria do MPLA que contou ainda com os votos favoráveis da Nova Democracia e PRS permitiu levar a empreitada até ao fim. Quem se absteve na votação final foi a FNLA.

Chamado ao discurso político, o líder da Nova Democracia, Quintino de Moreira, disse comprender as inquietações levantadas pela UNITA, mas criticou o "voto de cadeira vazia" exercido pelo maior partido da oposição, uma vez que a mesma "UNITA já se fez ausente do acto de proclamação da independência em 1975".

Ngola Kabango, líder parlamentar da FNLA, parco em palavras, disse que o seu partido reconhece a Constituição que é "a partir de hoje a Constituição de todos os Angolanos".

Para Sapalo António líder da bancada parlamentar do PRS, "a evolução da sociedade torna a política mais dinâmica", dai que o seu partido vai "continuar a luta democrática para a evolução da consciência dos angolanos" a quem agradeceu pelo empenho na feitura da Constituição.

A UNITA optou pela bancada vazia.

Pelo MPLA falou Kuata Kanawa, vice-presidente da bancada, já que o titular Bornito de Sousa presidiu igualmente à Comissão Constituinte. Exaustivo no discurso, K. Kanawa avançou os anseios do Partido/Governo com a Constituição aprovada.

O Governo, representado pelo Primeiro-Ministro, Paulo Kassoma, foi convidado a assistir ao acto de votação, presenciado igualmente por outras figuras do país, convidadas para o efeito.

Mais do que um texto balizador de toda a legislação, a Constituição representa também o completar de um processo iniciado em 1961 (a luta pela independência nacional). Enquanto angolano, desejo que os juizes saibam aplicar indistintamente a Lei Magna, ora aprovada pelos legisladores, para o bem de todos os angolanos e da Nação.
Estamos todos de parabéns. Temos CRA!
Bem haja!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

"FALIDA": UM MAL A EVITAR

Quem frequenta os taxis de Luanda está habituado a ouvir a palavra "falida" e os mais atentos conseguem medir a perigosidade em andar num "azul e branco" em falida.

"Falida" é um termo recém-inventado pelo sempre inovador calão luandense e que significa emprestar o carro-taxi a um condutor terceiro sem o consentimento do dono da viatura.

Normalmente, os condutores/taxistas não são proprietários das viaturas com que trabalham. Laboram para os patrões a quem têm de prestar contas diárias. O valor vai de 10 a 15 Mil Kuanzas, dependente do estado técnico da viatura, da (in)documentação e do número de acentos. Ao motorista é reservado um dia por semana, sendo o outro o do descanso e manutenção. Ao patrão cabem cinco dias por semana.

Acontece, porém, que nem sempre aqueles a quem se confiam as viaturas estão dispostos a conduzir ou pronts a zelarem pelo meio que lhes foi confiado. Aqui aparecem os "falideiros" que são outros condutores no desemprego (credenciados ou não) que por via das amizades conseguem viaturas confiadas a outros para o exercício temporário da actividade de taxi. É que estes empréstimos ou cedências de viaturas nunca são feitos com o conhecimento do dono do meio.

O "falideiro" é normalmente um irresponsável. Não tem compromisso com o dono do carro e não poupa esforços para, em pouco tempo, juntar o dinheiro que cabe ao patrão (do amigo) e fazer a sua parte. Daí o uso de caminhos ínvios, transposição de buracos que danificam o meio, manobras muitíssimo perigosas, entre outros desmandos nas estradas.

Um carro nas mãos dum "falideiro" é sempre evitável pelos males acima enumerados. Muitos têm sido os danos e acidentes causados por "falideiros" sem que o dono da viatura se aperceba. Tantas têm sido também as vezes em que o "falideiro" que se compromete a fazer o serviço de transporte numa determinada rota acaba por acidentar noutra, na busca desenfreada pelo lucro rápido. Estórias há também de motoristas que viram desaparecer o carro do patrão emprestado a um amigo "falideiro". Há mesmo quem tenha ido fazer longo curso quando o propósito da "falida" era apenas a cidade de Luanda e numa rota pre-estabelecida.

Então, sai uma "falida"?
_ A minha resposta é NÃO!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

DE OLHO NA ENGRENAGEM 2


“Angola é um país com necessidades infinitas e recursos finitos” (sic. Severino de Morais, A.N., Dez. 09). Há que encontrar remédios que nos façam chegar a um equilíbrio entre a necessidade e a possibilidade. A meu ver passa pelo uso parcimonioso do que se tem e encontrar soluções duradouras para o que ainda não possuímos.

Em potência temos quase tudo. Rios e cascatas para gerar energia, este recurso imprescindível ao desenvolvimento, faltando-nos as melhores ideias, o dinheiro e as mini-hídricas que devem substituir as centrais termoeléctricas, a diesel, que são “mais um prejuízo do que benefício a longo prazo” aos olhos de quem quer poupar. Temos os campos, enormes prados e savanas propícias para a agricultura. A guerra levou as populações a desenvolverem outras actividades temporárias e de subsistência, perdendo, algumas delas, a perícia no tratamento do recurso vital, a terra. É preciso “dar anzóis e ensinar a pescar”. Significa ensinar técnicas e práticas agrícolas modernas (Cabinda é um bom exemplo disso), facilitar o crédito bancário ou em espécie (preparação de terras, sementeiras, fertilizantes e afins) e, sobretudo, estruturarem-se os mercados para a matéria-prima agrícola.

O elevado nível de iletracia e a falta de preparação/especialização técnica e profissional da maioria da nossa população rural levar-nos-á, irremediavelmente, ainda por muito tempo, a empregar essas pessoas na agricultura. E a agroindústria é mais uma vez chamada para fazer parte da solução. Ali onde não houver empresários, será necessário sair-se do campesinato individual e passar-se ao associativismo agrícola que deve ser incentivado, formando-se os actores rurais. Da empresa pública de mecanização agrícola aguarda-se também uma intervenção de fundo e com maior acutilância. Deverá saber onde estão as potencialidades e ir ao encontro dos lavradores que hipotecarão as suas colheitas ou os seus excedentes. Já assim o foi no tempo colonial quando se ia à loja comprar sementes. O pagamento era feito apenas no fim da colheita.

Por outro lado, sendo a terra “propriedade originária do Estado” (sic. Projecto consolidado de Constituição) é preciso que ela seja distribuída àqueles que a trabalham ou que a queiram trabalhar. Há fazendas paralisadas, há décadas, ocupadas ou entregues a pessoas que nada entendem do cultivo e da criação. É preciso redistribuí-la àqueles que saibam dar à terra o esperado valor acrescentado. A criação de Zonas Económicas Especiais, viradas para a indústria e a agricultura, é um bom passo ensaiado pelo governo que de minha parte merece os devidos elogios.


 Tb. publicado pelo Semanário Económico (Angola), edição de 21.01.2010

domingo, janeiro 10, 2010

CAN ENLUTADO

(ACTUALIZADO)
É hoje (10.01.10) que começa (em Luanda, Benguela, Huila e Cabinda) aquela que se pretendia que fosse a Melhor Festa do Futebol ao Nível de África. Infelizmente a festa está maculada por um ataque armado da FLEC à equipa do Togo.

Ao meio da tarde de sexta-feira (08.01.10), os rebeldes do enclave de Cabinda atacaram a selecção togolesa quando esta se dirigia do Congo-Brazza para a província angolana de Cabinda, anfitriã de um dos grupos do CAN. Em consequência dos disparos de metralhadoras contra o autocarro, morreu o assistente do treinador togolês e um assessor de imprensa da mesma equipa. Sem vida ficou também o motorista (este angolano) e oito outras pessoas ficaram feridas.

Até ao momento desta prosa estamos ainda entre o choque e a alegria (agora contida) e não se sabe se, de facto, o Togo vai participar da festa depois de ter anunciado a desistência, momentos após o ataque à sua comitiva. Tudo indica, porém, que os togoleses vingarão os seus camaradas nos relvados e elevarão bem alta a bandeira do seu país...

O CAN está a acontecer, mas já sem a chama inicial. É que os africanos dificilmente misturam tristezas com alegrias...

22H05

E pior ainda é que na partida inaugural do CAN, em Luanda, a nossa alegria durou pouco. A faltar 12 minutos do fim, Angola vencia por 4-0 mas deixou-se empatar pelo Mali, no último minuto dos 4 de compensação... Há sorte pior?

quarta-feira, janeiro 06, 2010

"MESTRE ZÉ": UM EXEMPLO QUE RAREIA

Observando o mestre fiz o meu "curso" de corte e costura nos idos de 1987/89. De igual modo, observando o "mestre" pude conciliar a teoria da electricidade à prática.

Já houve tempos em que os pais no afã de tornar úteis os seus filhos varões apostavam em dois sentidos: A profissão e a formação académica. Hoje os tempos são outros, mas as catástrofes, para aqueles que se dão mal na academia (escola formal) também são enormes.

Encontrei a 23.12.09. no bairro da Terra Nova, em Luanda, este grupo de jovens numa oficina. Mestre e aprendizes concertavam um Toyota Starlet. A forma abnegada como o mestre transmitia conhecimentos, distribuíndo tarefas (pedido de chaves e outras ferramentas) aos seus pupilos e a forma como estes (pupilos) se entregavam ao ofício despertaram a minha atenção. Daí o mérito para esta postagem.

O mestre responde pelo nome de José Raimundo, também conhecido naquelas paragens como "engenheiro" devido a sua percia em recolocar nas estradas viaturas vistas como "sucata-morta". Da sua tragetória, sei que iniciou-se como cobrador na cisterna dum actual governante, à rua da Liberdade, vendendo água pelos subúrbios de Luanda. Depois passou a motorista. Descontente com o pouco, frequentou um curso profissional de mecânica e é agora um apreciável mestre no ofício de dar vida a carros avariados. E vai fazendo a sua escola. Desde que comecei a frequentar a sua oficina contabilizo mais de dez os jovens discipulos que conheci. Uns têm já a sua vida feita e montaram os seus próprios negócios... Há mesmo técnicos médios de mecânica que por lá fazem a prática.

É preciso incentivar e apoiar obreiros como este que ajudam a retirar jovens das más práticas, dando-lhes ofícios úteis à sociedade. O país bem precisa deles.

Parabéns Mestre Zé!

domingo, janeiro 03, 2010

"MAL AMADO DE MANEL ZÉ" SALVA HONRA DOS PALANCAS


Terminou esta tarde (03.01.10) em Portugal o período de preparação da nossa selecção nacional de futebol que deverá participar do CAN, organizado em casa, do qual se espera um resultado que supere a segunda fase conseguida no Ghana em 2008, sob comando de Oliveira Gonçalves.

No jogo derradeiro, hoje, Angola viu-se ultrapassada no resultado pela Gâmbia, no quarto minuto, tendo a honra sido "lavada" pelo até então "mal amado" do técnico Manuel José, o jogador do Valladolid de Espanha, Manucho Gonçalves, que empatou a partida aos vinte e nove minutos.

De um total de catorze partidas realizadas sob comando do português  Manuel José,  os Palancas Negras venceram apenas por duas vezes (Togo e Malta), empataram dez vezes com a Guine-Conakri, Camarões, Senegal, Cabo Verde, Congo Brazzaville, Ghana, Gâmbia, Louletano (segundo escalão português), Olhanense e Naval 1º de Maio (principal liga lusa) e perderam dois jogos contra o Portimonense e Estónia.

Olhando para as contas dos seus antecessores, arrisco-me a dizer que se Manel Zé não ficou atrás de Mabi de Almeida em termos de maus resultados, já não se lhe pode dar o mérito conseguido por  Oliveira Gonçalves, o homem que não só nos levou ao Mundial de 2006, como também nos levou à segunda fase de um Campeonato Africano das Nações.

Faltando seis dias úteis para o nosso onze nacioanl "alimar as últimas arestas", já no país, seria de todo útil que o comandados de Manuel José conhecessem o piso em que vão jogar e se habituassem ao clima de Luanda, palco das "hostilidades", já que clima e estado do relvado foram as desculpas mais apresentadas pelo treinador luso para explicar os seus desaires na Europa. Por tudo o que disse, resta-me desejar que o pastor Manel Zé consiga levar o "nosso rebanho a bom pasto" e devolver aos angolanos a alegria que há muito nos foge no que ao futebol diz respeito.

Não sendo dos mais fanáticos adeptos dos actuais Palancas, nem dos mais acérrimos cépticos, quero também esperar que o "rebanho" reencontre a alma e vença tudo e todos que se lhe atravessem o "caminho verde" do Estádio 11 de Novembro, a partir de 10 de Janeiro.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

O AMOR DOS KALUANDAS AOS BICHOS DE ESTIMAÇÃO


Considero-me dum tempo em que o cão ainda era o amigo fiel do homem e o apreço deste pelo seu bicho era de extrema grandeza. Tão nobre era a relação que ao perder o cão o homem sentia algum vazio e muitos chegavam mesmo a realizar funerais aproximados aos com que se brindam os humanos. Os cães eram realmente bichos de estimação usados na guarda de casa, na caça, nos serviços policiais, etc..

A par do apreço do homem/dono havia os serviços camarários que recolhiam os "imbua se ngana ie"* sempre que encontrados a vadiar ou mortos na estrada pública para que não infestassem o ambiente de podridão e não afectassem a saúde pública... E hoje?

_ Assisto, com nostalgia dos tempos que já lá se foram, ao degradar desta relação cão/homem e homem/cão. Mais por culpa dos racionais do que dos canídeos. Vezes sem conta aqueles que cuidam de nossos bens patrimoniais são jogados fora de casa porque estão acometidos de alguma moléstia ou lhes pesa a idade e fraqueja a tenacidade no latir. Outras vezes são até mortos pelo próprio dono... E quando atropelados por imprudentes automobilistas nunca se lhes é dada a dignidade que merece um verdadeiro bicho de estimação.

Quanto aos serviços camarários que deviam recolher os cães sem dono, mortos ou vivos, estes deixaram de existir. Se existem deixaram de cumprir com o seu ascéptico papel. Que fazer?
_ Falta amor... É preciso cultivar o amor em 2010. "Quem mata cão não tem coração"!

*cão sem dono