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segunda-feira, abril 23, 2012

DIÁRIO DA CHUVA

Choveu em Luanda.

Os agricultores estão alegres. Está, entretanto, dificílimo contactar os idosos. Estão  todos nas "hongas" a aproveitar o regadio natural e lançar sementes à terra.

Doutro lado, porém, só lamentos e "muxoxos" dos administradores da coisa pública. A chuva, o melhor fiscal d´obras, chegou. Está tudo à mostra. Faltam arruamentos por concluir, casas por construir, lixo por recolher, águas por drenar, enfim. Foi desfeita toda a maquilhagem e "a mulher enfeieceu".

Depois dos lamentos virão as desculpas de sempre. A falta de chuva que não deixa as barragens produzirem energia eléctrica, a mesma chuva que, quando cai, derruba os postes, cabos eléctricos e outros estragos que no dizer dos "dimixi" fazem com que não tenhamos, nunca, nem água canalizada nem energia eléctrica domiciliar.

Choveu em Luanda, mais uma vez e os resultados e desculpas estão à montra!

quarta-feira, abril 18, 2012

A MINHA RELAÇÃO CONFLITUOSA COM AS MOTOS

Por que me perseguem as motorizadas?

Em menos de nove meses, três foram os acidentes e incidentes com motorizadas. O primeiro aconteceu a 25 de Junho de 2011, em Luanda. Estava a atravessar a estrada. O agente regulador mandou parar o trânsito, mas lá vinha um guineense de Conacri, sem licença de condução nem passaporte, projectando-me contra uma viatura. Por pouco não fui dessa para melhor! Benevolente, embora tivesse retido a motorizada em minha casa, acabei por devolvê-la ao dono sem outras exigências ou denúncia à polícia.
A segunda foi na segunda semana de Janeiro de 2012. Dirigia-me ao Centro Integrado Zwo Lyetu, em Saurimo. Na passadeira, junto à escola do Kandembe, liguei o intemetente e parei o carro para deixar os alunos atravessarem a estrada. Distraído, como disse, um jovem que não possuia nenhum documento embateu contra a parte traseira da carrinha que eu conduzia, quebrando o stop. Por sorte, havia um polícia trânsito na cercania que rapidamente cuidou do assunto. Levamos a motorizada e o jovem à esquadra mas o polícia de transito de Saurimo não pôde responsabilizá-lo. Inicialmente o jovem comprometeu-se em ressarcir os danos provocados na carrinha, mas depopis de uma conversa entre o jovem e o agente que cuidava do caso (em língua nacional Cokwe) o assunto ficou  em águas de bacalhau. E o polícia subiu mesmo "à cátedra da sua petulância", aconselhando-me a levar o jovem (eu sozinho) à sua família para que se responsabilizassem dos danos... Foi todo o dia perdido na esquadra sem que me fosse passado um papel sequer a atestar que estive na esquadra por causa de um rapaz que embateu na carrinha.

A terceira foi a 16 de Abril. Saia da Faculdade para casa quando um rapaz montando uma motorizada, êbrio e em contra-mão, veio ao encontro da carrinha conduzida por mim. Dada a eminência do perigo imobilizei a carrinha mas, mesmo assim, o jovem, qual suicida, jogou-se frontalmente contra a Hilux, estatelando-se depois no asfalto, já sem noção do que se passava à volta. Mais uma vez havia um agente regulador de trânsito que rápidamente chamou reforço, evitando assim que a viatura fosse vandalizada, como é hábito destes povos. Levado o motard ao hospital, na companhia de dois polícias de viação e trânsito (21h30), fui depois  solicitado a passar pelo local do sinistro onde recolhemos a motorizada em direcção ao comando policial. Até aqui parecia tudo a correr bem, se não fosse a solicitação dos meus documentos pessoais e da viatura, passando eu de vítima a vilão. Foram horas de sofrimento. Pior seria se não tivesse recebido a visita de Adão Diogo e esposa e da jornalista Flávia Massua e irmã; Se não tivesse, do lado de fora da esquadra, o sempre presente Elias que se desdobrava em contactos; Se não tivesse o Zeca Fernandes a fazer outros contactos para minimizar a minha dor; Se não tivesse enviado um sms ao D.M. que no dia seguinte permitiu a devolução dos documentos... É que o polícia alegava, inicialmente, que era preciso acompanhar a evolução clínica do moto boy que na manhã do dia seguinte já andava com os próprios pés, para depois alegar que "o jovem não tem possibilidades e o chefe tem de o ajudar"! Ora essa. Ainda tentei concordar. Quem sem culpa sente a milímetros o cheiro nauseabundo da cadeia, quem fica misturado no quintal da polícia com pilha-galinhas e criminosos é capaz de aceitar uma proposta dessas para se ver livre da situação constrangedora. Mas, por sorte minha, quando me preparava para pedir dinheiro emprestado e "ajudar" o jovem ferido (via polícia), ligou-me o DM a saber da minha localização. Informei-o que estava na polícia porque ainda não me tinham devolvido os documentos, mesmo estando o jovem já fora do hospital. Desconheço as diligencias feitas pelo DM, mas só sei que aqueles que condicionavam a minha "soltura" ao pagamento de uma "coima" tinham já os lábios secos. Trocaram informações baixadas eventualmente pelo seu chefe e os documentos me foram devolvidos minutos depois. O dia já tinha mais de metade do seu tempo.

Mais do que esta narração dos três casos acidentais que tive envolvendo motorizadas, o prgunta que persiste é: por que razão as motas me perseguem?

sexta-feira, abril 13, 2012

O PERIGO DO "LUGAR COMUM"

Enquanto jornalista,
Intrigava-me, sempre que fosse a províncias, encontrar e reportar factos noticiáveis que aos olhos dos confrades locais não passavam de algo comum ou sem interesse jornalístico.

Pois, a repetição e o hábito fazem dos factos, mesmo anormais, lugares comuns ou factos normais. É isso que faz com que se desvie deles a nossa atenção que se dirige ao periférico, ou para o nada, fazendo com que na aparente ausência de factos dignos de atenção e registo, o nosso olhar se fixe na propaganda e no simplesmente lúdico.


A exemplo, temos o que mais incomoda em Luanda e em algumas outras cidades de Angola: falta de transportes públicos, grandes congestionamentos do trânsito, deficiente recolha de lixo e drenagem, elevados níveis de poeira, gritante falta de H2O e energia eléctrica, poluição sonora, vadiagem, promiscuidade, prostituição, bebedice, delinquência juvenil, desleixo e espírito "deixa andar" das autoridades policiais, transporte de pessoas em caixas de carrinhas e camiões, gente pendurada em entradas de comboios, venda em passeios e passagens superiores (pontes para peões), etc., assuntos que deveriam encher, de forma critica e pedagógica, as páginas dos nossos jornais e noticiários audiovisuais deixaram de neles fazer presença constante.
Do Kambwá

Por que será?
Tornaram-se lugares comuns. Os jornalistas coabitam todos os dias com eles. Os nossos corpos e mentes ganharam anti-corpos. Deixamos de sentir dor.
E, enquanto não despertamos, nos vamos contentando com assuntos periféricos como maratonas e danças que roçam a pornografia.

terça-feira, abril 03, 2012

MEMÓRIAS DA PAZ (10 anos depois)

Decorria o mês era Março de 2002. A missão que me fora incumbida pelo Director de informação da LAC-Luanda Antena Comrcial, Sr. José Rodrigues, era a de seguir ao Luena e reportar para o auditório da sintonia azul o que se estava a passar no terreno.
"Para o Luena já!"

Só que eram poucos os que lá podiam chegar. Voava-se pouco para o Moxico e as viagens de carro, nem pensar!

Quem mais para lá voava era o PAM- Progarma Alimentar Mundial com aviões ligeiros do tipo Beachcraft e cargueiros Antonov's.
E lembro-me, a propósito,duma anedota que de tanto o PAM fornecer milho aos carenciados angolanos no tempo da guerra, alguém ousou em perguntar a uma criança:
- Que planta dá o milho?
- É PAM, mano! - terá respondido um menino.

A minha ida ao Luena, capital do Moxico, aconteceu semanas depois da morte de Jonas Savimbi em combate. Objectivos: transmitir aos luandenses, ouvintes da LAC, que se passava no terreno, ou seja, as movimentações dos militares que procuravam a paz definitiva e a situação humanitária dos milhares de civias que saiam todos os dias das matas (os que estavam sob domínio da UNITA).

Embora tivesse feito antes deslocações em reportagens militares ( feitas em cenários de guerra presente ou recente), aquela foi a mais marcante. Não só pelo impacto que teve, mas também por ter sido quase um exclusivo para rádios privadas angolanas (a abordagem na Rádio Pública era muito formal e marcada por discursos selectos e oficiais). 
 
Edificio do Gov. Moxico
Lembro-me da dificuldade que havia em mandar "despachos" para Luanda. Havia apenas duas línhas telefónicas para ligações que fossem para fora do Luena. Enorme era a fila, e uma tentativa fracassada era suficiente para ser substitído por outra pessoa na cabine. E, pior ainda, porque havia sempre ao lado uma "toupeira" a escutar o que as pessoas diziam ao telefone. E foi nestas circuntâncias que depois de uma entrevista bem conseguida com um governante da província, minutos depois, fui abordado por agentes da polícia ligados à sede do Governo que me pediram para voltar ao local da entrevista, pois o chefe queria corrigir algumas coisas que dissera na entrevista. Perante a minha negação de que "estava a mandar o material para Luanda" os homens pediram-me então a K7 onde estavam gravadas várias entrevistas: a do governante em questão e outras feitas ao longo dos dias anteriores.
- Já mandei a entrevista toda em directo.
- Em directo quer dizer o quê?
- Quer dizer que as pessoas já ouviram e a minha direcção em Luanda já gravou o que o chefe disse.
- E assim vamos dizer o quê no chefe?
- Digam que não me viram ou que já mandei e não dá mais para recuar.

E lá se foram os homens. Até hoje fico sem saber se terão sido orientados pelo Governante ou se terá sido "meixeriquice" deles.

domingo, abril 01, 2012

DEZ PERGUNTAS AOS POLITICOS ANGOLANOS

1- Do pouco que sei e ouviu sobre a CASA do Abel Chivukuvuku, a formação assume-se como "um partido do centro. Um ponto de convergência entre os não radicais da esquerda (perdsonificada pelo Mpla) e da direita (personificada pela Unita). Haverá nestes dois partidos e outros periféricos tantos “vira Casaca” para encher a Casa de Abel?
2-      Das poucas passagens que retive até hoje de políticos da Unita uma delas foi do Paulo Lukamba” Gato” que ainda nos tempos do “aço quente”, numa entrevista sobre possíveis negociações com o governo, dizia que “A política é a arte do possível”. Quero aqui fazer uso desta tirada para questionar que possibilidade terá Abel Chivukuvuku para fazer casamentos que lhe venham a encher a casa e obter votos para chegar ao poder?
3-      Ouvi, em tempos Abílio Kamalata Numa, discursando em Benguela para seus militantes nos seguintes termos: “Se o regime ajudou a criar a casa então que case com ela e dê os seus militantes”. Até que ponto a casa afectará o MPLLA depois das deserções já criadas nas hostes do Galo Negro?
4-      E, atendendo que “a política é a arte do possível” Quererá o Partido tri-color (vermelho, preto e amarelo) buscar uma aliança com a CASA de Abel só para reduzir o Galo a “churrasco”? Pretenderá o aspirante a Presidente de Angola, Abel, aceitar um possível aceno do M que lhe pode inibir de chegar à Cidade Alta?
5-      Depois de casamentos e concubinatos já visíveis como os que unem MPLA/ND, MPLA/FNLA-NGONDA que outro(s) enlace(s) podem conhecer a nossa política nos poucos dias que faltam para o tiro de largada para as eleições?
6-      Quem dos contendores da FNLA (Ngonda e Kabango) levará a FNLA às eleições depois do que se vem passando na Assembleia Nacional e Comissão Nacional Eleitoral, onde Ngonda, apesar de ser o presidente de jure, não tem representante que lhe preste obediência?

7-      Depois de ter sobrevivido à extinção compulsiva face ao fracasso das últimas eleições em que não pôde eleger sequer um deputado, terá o PDP-ANA do finado Mfulupinga Landu Victor pernas para mais uma corrida?

8-       Quem esteve atento ao que se passou no Senegal, onde o velho Abdulaye Wade foi copiosamente derrotado na segunda volta depois de ter aparecido à frente da contagem da primeira volta, terá notado qual foi a estratégia da oposição daquele país. Unir-se em torno de um para mudar o status quo. Que cogitam os nossos actores políticos da oposição?

9-      Olhando para o M, que a meu ver vai muito bem na sua “preparação física” para a próxima "maratona", noto a ausência apenas dum assumido/declarado delfim para suceder/coadjuvar o Candidato Natural daquela formação. Até que ponto essa situação poderá ou não refrear/animar a tendência de voto para o “Glorioso”?

10-  Depois dum finca-pé entre oposição e Mpla sobre a indicação da presidente da CNE que condicionou, por outro lado, a indicação e tomada de posse dos representantes da UNITA PRS e FNLA à CNE, as últimas noticias (vindas do Parlamento e na voz de Emílio Homem à TPA) apontam para uma cedência ou desistência da oposição quanto ao finca-pé que vinham fazendo. Primeiro foi o Tristão da FNLA que decidiu retomar o seu assento na CNE onde ele e companheiros da “oposição radical” terão ficado sem ordenados (porque quem não trabalha para o povo não deve ganhar dinheiro do povo). Terá sido o não pagamento dos USD 10 mil de ordenado aos Comissários faltosos que forçou o regresso aos trabalhos?

terça-feira, março 20, 2012

PENA CAPITAL: VIVER NA CAPITAL

Sem energia regular, os meus amigos deixaram de reclamar. Atiraram a toalha ao tapete, como se diz na giria desportiva.

Sem água corrente, os meus amigos só falam em chamar sisternas mas essas tambeém estão algo raras.
Agua rara, como canta o Bonga.

Sem recolha exemplar do lixo, os meus amigos levam o lixo nos carros quando vão a cidade baixa trabalhar e, vezes há em que regressam com o lixo à casa, pois não encontram contentores ao longo da via...
Já sei foi o cuachar das rãs na lagoa próxima a minha casa. Agora são as moscas e mosquitos que procuram refúgio nos meus aposentos...
Nao será que viver em Luanda é o mesmo que cumprir uma pena? É uma pena que a nossa capital seja tudo isso de mau que se vive hoje...

sexta-feira, março 09, 2012

DO TEJO AO KWANZA: UMA PROPOSTA QUE VEM DE PORTUGAL

sinopse
"História de um jovem, que saiu do aconchego de sua mãe e partiu sozinho para Angola, atendendo ao chamamento dos irmãos que lá viviam. Teve os seus dissabores, as suas tristezas e alegrias. Foi lá que encontrou os seus primeiros amores, onde se fez homem e constituiu família. Viajou praticamente por todo país, pelo qual se encantou irremediavelmente. Pretende-se essencialmente, neste pequeno romance, mostrar a paixão que fica impregnada na alma de quem viveu em Angola. Jamais se esquecem os cheiros da terra vermelha e o pôr do sol."
Cais da Alma    -    € 10,00    + portes simples  =     € 11,00
ANGOLA, Do Tejo ao Kwanza    -    € 12,00 + portes simples  =  € 13,00
Estes preços referem-se a envio por correio normal e para Portugal e Ilhas, cuja transferência será feita para o meu NIB.
Se enviados à cobrança, acresce € 2,50.   

segunda-feira, março 05, 2012

A LITERATURA, A POLÍTICA E AS LIBERDADES (ENTREVISTA)

Blog: litsubversiva.blogspot.com
Temática: Jornalismo, literatura, afro-descendência, cinema, etc.
Local de alojamento: Salvador da Baia (Brasil)
Autora: Ana Paula Fanon (jornalista e escritora afro-descendente).
Sábado,03 de março de 2012
Literatura Angolana em cena:os escritos de Luciano Canhanga

A internet é um meio de comunicação que possibilita a aproximação de pessoas de diferentes lugares e culturas,embora o sociólogo Zygmunt Bauman no vídeo Fronteiras do Pensamento e no livro Amor liquido convide -nos a fazer reflexões sobre as relações virtuais.Foi neste contexto que conheci o escritor Luciano Canhanga ,visitei o seu blog, depois adicionei-lhe ao meu perfil no facebook e conversamos sobre experiências literárias em países marcados pela colonização a exemplo de Brasil e Angola.
Angola é um país situado geograficamente na costa ocidental de África, cujo território principal é limitado a norte e a nordeste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico que, apesar do fim da guerra civil em 2002 ainda sofre com os resquícios históricos.
Embora a língua portuguesa seja o idioma oficial deste país, existem outras línguas que compõem a cultura angolana como :umbundu, kimbundu, ambundu e a literatura é um meio de manter contato com as manifestações culturais e as reflexões políticas de quem se utiliza da palavra para registar a memória do seu povo.
Relendo a entrevista concedida por Homi Bhabha (Prosa & Verso) O Globo sobre valor das diferenças publicada em janeiro do ano corrente; em que Bhabha responde ao jornalista porque ele coloca a literatura como a forma mais sensível e de enorme significado entre os atos de sobrevivência cultural,cheguei a conclusão de que o meu oficio político na diáspora é dar visibilidade as produções literárias que estão a margem das chamadas alta cultura.
O entrevistado do blog Literatura Subversiva é Luciano António Canhanga jornalista e escritor do Libolo ,município da província do Cuanza-Sul, em Angola, autor do romance "O Sonho de Kaúia", Mayamba, (2010).
Quando começou a sua carreira literária ?
A minha paixão pelas letras teve inicio em 1983 quando um primo, Arnaldo Carlos, me emprestou o primeiro livro que li, gostei e retive. Foi "Vozes na sanzala" de Uanhenga Xitu. A escrita começa na década de noventa do séc. XX, quando de forma ainda muito incipiente comecei a escrever os primeiros poemas e a inventar algumas histórias, cujos personagens eram as pessoas que me eram próximas. Com a criação do meu primeiro blog em 2005 comecei a publicar algumas crônicas e artigos que evoluíram para o texto do meu primeiro livro publicado em 2010.
Quem são os seus escritores(as) prediletos (as) ?
Tenho uma admiração muito grande por Uanhenga Xitu e Jofre Rocha que são narradores de situações. Escritores preocupados mais com o conteúdo do que a forma. É óbvio que procuro encontrar o meu próprio caminho, mas inspirei-me muito neles. Também admiro Saramago e Mia Couto. Em Angola cito ainda Roderick Nehone e Jacinto de Lemos que são exímios cultores da palavra.
O senhor considera o livro O Sonho de Kaúia autobiográfico ?
Não! Talvez me perguntasse se vivi parte do que escrevo? A resposta seria sim, mas o que escrevo não é a minha história pessoal. Descrevo apenas situações políticas, sociais e históricas vividas pelos angolanos. O fato do personagem principal Kaúia tornar-se jornalista, profissão que exerço, faz com que alguns leitores busquem uma relação de familiaridade entre o personagem principal e o autor.
Que avaliação o senhor faz da literatura Angolana no Cenário internacional e nacional?
A internet popularizou a literatura e permite que os pensadores/criadores intercambiem conhecimentos e experiências. Hoje as formas e os conteúdos não são estanques. A nossa literatura já é marcadamente diferente daquela do século passado, devido a universalidade da criação e intercâmbio entre os criadores. Falando de Angola, depois de um período em que haviam poucos escritores e com temáticas pouco distintas, estamos hoje a viver um boom em termos de criadores. Óbvio que "nem tudo é literatura", porém estou a crer que depois da quantidade venha a qualidade. Já li bons textos de principiantes, mas também já comprei livros que desaconselho a meus filhos, devido a forma como a língua portuguesa é maltratada.
Angola é um país africano colonizado e marcado por um período de guerra civil. A situação hitórica, política e social do seu país refletem na sua produção literária ?
Quem lê “O Sonho de Kauia” encontra um pouco de tudo isso. A luta pela independência (homens que foram à guerra e encontraram as mulheres com os filhos nas mãos), os resquícios da “política assimilacionista do Estado Novo” que proibia o uso das línguas de origem bantu entre os nativos, a guerra civil que se seguiu a independência e o consequente êxodo de pessoas do campo para as cidades, as adaptações, etc. etc. E encontra ainda as desordens sociais nas grandes cidades como as construções anárquicas, o caótico tráfego automóvel, as novas manias de grandeza, etc. É sobre tudo isso, a que acresço pitadas de humor, que continuo a escrever. Quando sair a público o livro "Os desaquartelados", os leitores voltarão a encontrar um retrato do que foi e é Angola no tempo em que sou parte do seu agregado populacional (1976-2012).
O que mudou no seu país após o período de guerra civil ?
Depois de termos todas as atenções viradas para a guerra, estamos agora a pensar na reconstrução do que foi destruído: o tecido social, as boas práticas que foram ignoradas, o resgate do papel da família, etc. Estamos a reconstruir Angola, mas o caminho ainda é longo, pois há coisas que ficam reservadas a próxima geração, aquela que nada teve a ver com a guerra.
Quais são as suas principais preocupações políticas, uma vez que o senhor além de escritor é jornalista ?
A liberdade é a minha principal preocupação. Não há sociedade que se tenha desenvolvido num clima de ausência de liberdade e temos ainda uma grande marcha por efetuar neste domínio. Os escritores tem liberdade de escrever, mas há dificuldade em publicar. Sabe que Angola tem apenas 16 milhões de habitantes, sendo grande parte iletrada, e, pior ainda, porque dos que foram alfabetizados poucos têm cultura de leitura e há ainda os que não têm nada para ler. Logo, Angola não é um bom mercado para a literatura, sendo que apostar neste género artístico não anima os editores. Só para lhe dar um exemplo: Eu compro na editora os meus próprios livros para oferecer a amigos.
Noto que os jornalistas têm mais dificuldades em relatar os fatos, sobretudo, quando envolvem a governação. Muitas vezes, porque ninguém quer estar mal com os detentores do poder e dos medias, os jornalistas enveredam pela auto-censura que chega a ser mais perniciosa do que a censura explícita. Hoje, os grandes jornalistas do país ou são free lancers ou estão na assessoria porque a media privada começa também a ser submetida a operações de compra hostis. Sendo os novos titulares dos jornais, pessoas ligadas ao poder e com forte controle sobre as matérias publicadas.
Como funciona a política editorial para publicação de livros em seu país ?
A política editorial no pais é ainda bastante fraca. No passado era apenas a União dos Escritores Angolanos que editava. Ser-se membro da União era o grande bico d´obra. Agora há novas editoras, só que, na maioria das vezes, o autor precisa de ter um patrocínio para publicar. Essa dificuldade é mais acrescida quando se trate de um neófito que procura por um lugar ao sol. Os já consagrados têm alguma facilidade em ver o seu projecto aceito pelas poucas editoras existentes e ou pelos patrocinadores, mas os livros vendem pouco em Angola, devido a falta de cultura de leitura. Há uns que preferem editar fora do país, mas lá se coloca outra questão: para vender fora você tem de ser conhecido antes.
O senhor pretende lançar algum livro este ano ?
Tenho dois livros a espera de quem os aceite editar. Um infanto-juvenil "Manongo-Nongo", que até foi escrito com a pretensão de oferecer às crianças do Leste de Angola, desde que alguém se encarregasse dos custos de edição, e um romance "Os desaquartelados" que também já pode sair ao público. Aprendi ao longo do processo de aprendizagem que “a literatura adiada não apodrece. Ela antes amadurece”. É por isso que tenho paciência em esperar por melhores dias, pois enquanto aguardo pela chegada do sol, vou aperfeiçoando os textos.

quinta-feira, março 01, 2012

EM VIANA: CRESCE ONDA DE LADROAGEM NA VILA NOVA

Na sexta-feira, 24.02, uma cantina foi assaltada, junto à vala, e ouviram-se disparos. Na terca-feira, 28.02, uma casa no mesmo quarteirão foi assaltada e novamente ouve disparos de arma de fogo. Ontem, quarta-feira, 29, a minha casa foi rondada e o portão forçado.O bairro Vila Nova tem uma esquadra da polícia que não fica distante da Zona 1 a que me refiro.Os bandidos fazem das suas e a polícia nada faz?
E depois virão com desculpas de que foi feita justiça por mãos próprias...

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Wa Xisa Veya, wa Sakana Veya

- Wa xisa veya, wa sakana veya (bis)
Era essa a canção que marcava nossos momentos de "malambas" entre o Manuel José e eu nos idos tempos em que "militei" na LAC.
Nesta segunda-feira, 27 Fevreiro, fui rever o "Manel Zé", com quem apenas me tenho comunicado ao telefone, já fazia tempo. E, tivemos a oportunidade de, novamente, recitar o nosso "Wa xisa veya, wa sakana veya".
Também fui à RNA confabular com o Kitembo, a Naza (AM) e outros confrades. Na Eclésia (que saudade do Clube de Amigos de Jornalismo da IMUA-Moisés) reencontrei a Da Costa e a Volola que me fizeram recuar no tempo.
Mas não foi tudo. Conheci novos amigos noutros media e revi velhos companheiros de viagens e reportagens. Como a vida é tão aberta nas redações noticiosas, onde não há distinção de sexo nas conversas que apenas acontecem nelas!
Foi bom reviver nove anos de microfone em punho e conversas sem tabús.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

DEGRADAÇÃO AMBIENTAL: UM VENENO CONTRA O PRÓPRIO HOMEM

Miguel Sakandembe tem 74 anos e viveu a sua infância em Saurimo. Sempre que passa pela nova ponte do Muangueji lembra-se dos dias de praia fluvial que teve e das pescarias com os SEUS amigos. Hoje, do rio da sua adolescência e juventude só restam saudades. As areias, resultantes das ravinas, transportadas do Acampamento, Manauto e Xikumina fizeram desaparecer a água e quando ela é vista, neste tempo de chuva, está toda turva, impedindo a reprodução de cardumes e de plantas ribeirinhas.
Nas suas nostalgias, Sakandembe lembra-se também duma cidade com bastantes árvores e, sobretudo, bambúss que, com as suas infindáveis raízes, serviam de cortina contra a erosão das terras. Foi um tempo em que as ordens eram acatadas e todos tinham responsabilidade sobre a vida colectiva e sobre o futuro de Saurimo.
Os dias que se seguiram à nossa independência, se bem que alegres, pois os destinos do nosso país são ditados por nós memos angolanos, foram também de algum descuido. Partiram-se casas e lojas que seriam úteis aos nossos filhos. Cortaram-se árvores que nos dariam sombras e travariam a força erosiva da chuva, sem que outras fossem plantadas para substituir aquelas que o crescimento da cidade forçou o seu abate.
Os bambús serviram para fazer o colmo de muitas casas e até hoje o que ainda resta vai sendo cortado indiscriminadamente, sem que uma outra cortina arbórea seja instalada aí onde termina a cidade.


Madalena Nakala vende carvão no mercado do Catorze. A senhora nos seus trinta e tal anos já perdeu a conta de quantas árvores derrubou para a feitura de carvão. Muitas áreas que eram florestas estão hoje desmatadas e com sérios riscos de nascerem ai outras ravinas por falta de cobertura vegetal. Madalena sabe que sem árvores jamais seria possível fazer o seu negócio, mas nunca participa de campanhas de plantio de árvores.
To-Zé Sakalumbo que vive no Murieji é um grande caçador. Todos os dias as suas armadilhas apanham cabras do mato, lebres e outras presas que comercializa no mercado do Adolfo.
Única coisa que ele ainda não dominava era a necessidade de fazer a selecção de presas apanhadas vivas. Um certo dia foi surpreendido pelos homens que trabalham na preservação animal e foi aconselhado a soltar as fêmeas, sempre que encontrasse o animal ainda vivo, porque são as fêmeas que permitem com que haja crias todos os anos. To-Zé segue o conselho e é agora um disseminador destas ideias na comuna do Murieji. O jovem To-Zé também participa das campanhas de arborização e está sempre a falar às vizinhas para que deixem de mandas as crianças deitar o lixo, pois a sua pouca altura não os permite colocar o lixo no contentor.
To- Zé e Madalena Nakala são pessoas  da mesma faixa etária, mas muito diferentes, devido ao comportamento que evidenciam perante o equilíbrio da biodiversidade.
Plantar árvores para impedir o surgimento de novas ravinas, substituir as árvores que se cortam por velhice ou devido ao necessário alargamento da cidade, ensinar as crianças onde e como depositar o lixo, poupar as fêmeas na caçadas para permitir a reprodução dos animais, evitar a desflorestação das nossas matas para que tenhamos ar puro e sombras, deixar de lavar carros junto as ribeiras para evitar a contaminação das águas, entre outras medidas são tarefas de todos nós. Devemos nos esforçar em consegui-lo  para que nem nós, nem nossos filhos tenhamos no futuro lamentos piores do que aqueles do Kota Sakandembe.
 Cuide de si e do que está à volta de si.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

UM RELAXANTE CHAMADO IGREJA

Aos domingos,  frequentar uma igreja torna-se uma terapia social contra o stress, fadiga, vícios nefastos à saude fisica e psiquica.
A igreja, sobretudo as protestantes/evangélicas que ainda não foram mercantilizadas, levam-nos à abstração, reflexão e introspecção e retira-nos dos lugares comuns geradores de fadiga e vícios.

A igreja torna-se assim, para além de lugar de adoração, um local de reencinto de reencontro de contemporâneos, colegas, amigos e irmãos na fé que vivem todo o ambiente lúdico criado com os cânticos, jograis, teatros, ofertórios, acção social e educacional, etc.

A igreja torna-se ainda um agregador de sinergias e carregador de energias para além da já citada  terapia contra o stress.
Ainda não sabe onde viver esses momentos?

Procure por uma Igreja Metodista Unida e consulte a bíblia em Mateus 7:7-8.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

A PORRADA CONTINUA: NOS "CONGOLENSES"

Passados dois anos desde que visitei pela última vez a zona das Pedrinahs, a Terra Nova, julgava que a "porrada" dos polícias e fiscais administrativos de Luanda contra as "zungueiras" tivesse terminado ou no mínimo houvesse com as denúncias quase diárias um tratamento mais humano para com aquelas senhoras do arreió-arreió.

É que ao passar pela rua Lino Amezaga que Liga a Avenida Brasil (Hoji-ya-Henda) à Estrada de catete (Avenida Deolinda Rodrigues) roçando o mercado dos congoleses (vulgo congolenses), pude ainda ser brindado com o mesmo filme: um policia corria ferozmente atrás das zungueiras que comercializvam nos passeios, chegando mesmo a se apoderar da bacia de uma delas. E o polícia não estava sozinho.
Os seus colegas estavam sentados e expectantes numa esquadra móvel aí estacionada (vulgo roulotte), enquanto um outro individuo, a paisana, e ostentando um porreto e rádio de comunicação semelhante ao que usava o polícia, acondicionava os trofeus recebidos das zungueiras mais desatentas.

Será que os chefes da corporação  já explicaram para onde os seus subordinados levam essas bacias e respectivas imbambas? Seria bom que as zungueiras soubessem.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

ATÉ QUANDO VIVEREMOS COM OS ETERNOS PROBLEMAS DE LUANDA?

Sempre que estou em Luanda, invade-me um misto de alegria e tristeza. 
Alegria porque partilho o calor e a amizade da familia: dos filhos, dos sobrinhos, da esposa e dos amigos.
 
Tristeza porque noto que na nossa capital os serviços básicos sempre desandam na nossa capital: a crónica falta de energia eléctrica, a deficiente recolha de lixo, a falta de água em muitos pontos de Luanda, a acumulação de areias nas bermas que provocam muita poeira, a falta de iluminação pública, o trânsito caótico e desordenado, a ausência de drenagem das águas pluviaias, os buracos nas estradas e as estradas mal construídas, as obras suspensas, o cheiro nausdeabundo que brota das fossas entupidas em plena cidade e arredores, etc. etc, um mar de problemas há muito adiados que fazem de Luanda, ao ver de quem aqui não vive e com experiências doutras cidades, uma selva.

E falando sobre lixo, no bairro em que vivo, Vila Nova, Viana, Sector 1, há mais de seis meses que os resíduos sólidos não são recolhidos. A administração entendeu realizar obras de drenagem das águas pluviais no bairro, o que quase todos os moradores louvaram, mas por via disso os acessos para as máquinas e equipamentos de recolha foram bloqueados e o resultado está aí: um mar de lixo e suas habituais consequências como acumulação e reprodução de moscas, mosquitos, ratos, gatos, etc. Só não se fala de outras doenças porque, felizmente, a chuva ainda tarda em chegar.

É caso para se dizer que, se por um lado estão a tentar resolver um problema (o das águas publivias), por outro impedem a recolha do lixo que já engoliu uma ruela (por sinal a minha) e ameça fortemente os quintais.

E como as coisas estão aí à vista de qualquer um, basta perguntar pela Padaria Cameha e rapidamente se encontra o local que fica a uns cem metros. A administração de Viana sabe disso mas as coisas continuam como estão...

 

terça-feira, janeiro 31, 2012

VIA EXPRESSA: PARA A MORTE?

Sim. Isso mesmo.
Não pode haver outras designacoes que não nos levem à ideia de que as vias expressas que se constroem em Luanda são pensadas para facilitar a morte dos pedestres.
Reparem que:
- Na Avenida Deolinda Rodrigues (Luanda/Catete) a iluminação pública termina na Ex- FILDA. De lá em diante é só escuridão.
- Na mesma Avenida, as passagens superiores ("pontes aéreas" como são conhecidas) estão colocadas em intervalos de 5 Km, inexistindo outros sinais de transito que facilitem as travessias, como semáforos e/ou passadeiras marcadas no pavimento.
- Na Avenida Comandante Loy (Shoprite/Palanca/Golfe II/Gamek/Benfica) existe apenas uma passagem superior junto à Vila do Gamek e contam-se as passadeiras marcadas no pavimento. Quando, tratando-se de uma via contruida para um transito rápido, deviam ser colocadas mais passagens superiores.
- Na dita "auto-estrada" de Cacuaco ao Benfica, pior ainda. Nem passadeiras, nem semáforos, nem iluminação, nem passagens supeiores nem nada. Quem, de bom senso, por lá passa se entristece ao contar o número de cães atropelados, o que leva a pensar quantos homens estarão a ter a mesma sorte, e quantos carros acidentados ao longo da via construída para ser rápida, contudo sem iluminação.

E dePois lá vem a polícia a erguer o dedo acusador apenas aos pedestres, como sendo os culpados dos muitos atropelamentos ou os condutores com formação deficiente. E o Estado/Governo/Quem-de-direito onde anda?
   

terça-feira, janeiro 24, 2012

ELEIÇÕES EM ANGOLA: O "BILO" COMECA PELO MBALUNDU

Depois da morte de Ekwikwi IV do MBALUNDU nada será como dantes  naquele reino. Augusto Kaciopololo, falecido a 14 deste mês, era um rei com filiação partidaria bem definida e ostentava um cargo de soberania, deputado a assembleia nacional, pelo MPLA.

Agora que "o coração do rei deixou de bater", estando, segundo a tradição, a caminho da morte, que no caso equivale à separação do cránio do resto do esqueleto, as atenções das pessoas e o "bilo" entre os interessados recaiem a quem o vai substituir no trono do reino de Mbalundu.

Na corrida, como é de prever, entram inquestionavelmente a UNITA e o MPLA. O partido da oposição porque tem o planalto central angolano como a sua maior praça eleitoral de sempre. Depois do amargo de boca que foi, para os homens do Galo Negro, o reinado de Kaciopololo Augusto, não estarão interessado em repetir a dose que seria, no caso, encarar a possibilidade de ver intronizado um outro rei que não seja de sua simpatia ou que vista uma camisola que não seja a sua.

O partido da situação, o MPLA,  depois da vantagem que teve/tem no terreno que foi o de ter um rei- militante e que contribuiu com o seu dinamismo como cabo eleitoral, conduzindo à vitória conseguida em 2008, quererá, como é de admitir, repetir a ementa, colocando ou fazendo colocar no trono um rei-de-vermelho-preto-e-amarelo.

Há ainda um terceiro grupo de pessoas académicas, conseravdoras da tradição e costumes bantus e com equidistância política que pretendem um rei apartidário, para manter a pureza do reinado. Esses argumentam que "o rei deve colocar-se acima dos interesses político-partidários e ser figura aglutinadora do povo mbalundu, independentemente das convicções políticas dos seus súbditos".

E, como quem ganhar o rei ganhará eleitores, a ver vamos, se desta vez quem levará da melhor entre o MPLA e a UNITA (principais contendores) que em Setembro voltam às urnas para a escolha do parlamento e Presidente da República, num escrutínio do tipo "paga um leva dois" ou seja, em um único boletim escolhe-se o partido e o Presidente da República.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

POR QUE SE DEGOLA A CABEÇA DO REI MORTO?

O corpo inerte do REI EKUKUI IV do Mbalundu, falecido no fim-de-sema, será degolado esta noite na capital do seu reino (Bailundo) para fazer cumprir a tradição. Provavelmente o rei não vá sozinho. É a experiência. Os Kesongo estarão já à caça de acompanhantes do Rei cujo corpo deverá ser acompanhado por uma ou duas "pessoas".
Diz a tradição, que se a cabeça não for separada do corpo e depositada no Ekokoto várias pragas podem assolar o reino, o que deve ser evitado.
Por outro lado, é através dessa prática que se contabilizam quantos reis já passaram pelo trono, bastando contar o número de crânios expostos numa fenda ou floresta (secreta) frequentada apenas por restritos membros da corte.
Para além dessas duas práticas, há ainda outra que atesta que "o rei nunca vai a andar sozinho", mesmo que vá para a morte, salvo em situações em que a sua despedida não pode ser assistida.
Se for em situações de enfermidade irreversível, os notáveis da corte dão fim à vida do rei no último momento, quando se nota que a partida é eminente. Desta forma "leva-se o rei" em vez de ir sozinho.
São questões e práticas discutíveis por um lado, tendo em conta a ocidentalização da cultura universal, mas também de respeitar, tendo em conta as nossas origens.
Concorde ou não com a prática, mas é verdade que o corpo de Augusto Katchiopololo, rei do Mbalundu e deputado do ciclo nacional pela bancada do MPLA, vai ser hoje degolado e depositado no panteão real do Bailundo. O corpo sem a cabeça, este pode ter outras exéquias mais formais e mais ocidentalizadas, tendo em conta a sua qualidade de deputado eleito para o mandato em curso.
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Subsídio "roubado" da página de facebook do Nguvulu Makatuka
 HÁ QUEM ESTEJA A DIZER QUE O REI DO MBALUNDU SERÁ DEGOLADO. Não de trata propriamente de degolar. Na verdade, na tradição ovimbundu o Rei apenas é considerado morto depois de a cabeça su estar separada do corpo. Houve uma falha protocolar no caso do designado EKUIKUI IV, cujo processo de morte está em curso. Tendo o coração deixado de bater, diz-se apenas que o Rei está muito doente. Ele é pendurado numa árvore tradicional pelo pescoço e apenas é considerado morto depois de a cabeça estiver separada do corpo. Não há um processo mecânico. Seria um sacrilégio. É a natureza que, pela gravidade, separa a cabeça do corpo. Apenas o corpo será enterrado. A cabeça será guardada no santuário do reino, junto da cabeça dos outros reis todos, desde KATYAVALA. No dia m que o seu corpo for sepultado, não será aconselhável as pessoas andarem pelas ruas, sobretudo sozinhas, há os drainados KATOKÕLA que poderão sacrificar algumas pessoas para que essas façam companhia ao SOBERANO. Esta prática já não existe, mas as pessoas não saem de casa, por reverência.
Nota: o autor deste blog é neto do rei  Ngana Ñunji, do Kuteka, título que significa PILAR.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

ANTES QUE SEJA TARDE: VIGIEM-SE PORTAS

“PARA ANGOLA, JÁ, EM FORÇA E DIPLOMACIA!”
A célebre expressão salazarista, que ganha apenas o reforço do elemento diplomacia, foi reiterada por Paulo Portas, MNE de Portugal em entrevista (04.01.2012) à SIC. E perece que Paulo Portas tem mesmo  port´aberta para, mais uma vez, Portugal  mandar à  teta do leite sem fim (Angola) todos os seus renegados, desempregados e empobrecidos até ao tutano, ainda por cima todos com os narizes empinados como nos tempos do “Portugal ultramarino”, para uma nova colonização cultural, económica e supostamente técnica.

Na media pública, por exemplo, e fazendo fé ao Site "Maka Angola", os tugas já aplicam o lápis azul herdado do salazarismo.

Antigos donos de meio-mundo mas agora sem tangas (já seria bom andarem de tangas), os tugas até se arrogam de “cá virem ajudar”, como se nos dessem “almoços de borla”, quando na verdade são eles que clamam por "restos das espinhas dos nossos pratos".

- É preciso muito cuidado!
- É preciso que os nossos políticos e diplomatas não entreguem a Nossa Pátria aos maçónicos de Coelhos e Portas!
- É preciso que se retome a célebre tirada de que “Connoscoa cooperação não será fácil”!
É que os tugas, como lhes é peculiar, vão bajular ao máximo os nossos "engraxáveis" líderes políticos, pois o Nosso Futuro em nada lhes interessa, senão os nossos dólares do momento.

Estão de olhos apenas nas nossas riquezas.
- Vão vender outras quinquilharias, como no tempo “doutra senhora”, e até banha de cobra ou de sardão para ter o nosso petróleo e tudo o que lhes der dinheiro para desafogar a sua asfixiada economia!
- Vão fingir que são especialistas disso e daquilo. Na nossa ignorância de ouvir quem fala “bom português", muitos decisores políticos serão ludibriados pela conjugação verbal e adjectivação!
- E os "luz e tanos" ficarão com os nossos empregos, os empregos dos nossos filhos, comprometendo, outra vez, o nosso futuro... O Futuro da Nação Angolana!
- Vão roubar e revender-nos até os nossos inertes…
- Vão ficar com as nossas melhores terras aráveis e vão fazer novas Baixas de Kasanje se não estivermos atentos.

É certo que muitos angolanos encontraram refúgio na Tugolândia no "tempo das bazucas", mas tiveram que se contentar com a dureza da pedreira, com a faxina das estradas geladas e outros trabalhos menores… Os de casa colocaram barreiras protectoras ao seu Interesse Nacional Vital, à invasão e à partilha do que é reserva do cidadão lusitano.

E nós, será que Precisamos de kimbanguleiros expatriados?
- Precisamos de capatazes tugas?
- Precisamos de “puxa-cabos” expatriados na nossa media pública e privada?

Antes que seja tarde. Antes que não tenhamos necessidade de rememorar a célebre canção "Milhorró" e o seu refrão “ai, ai, vão se embora, isso assim não pode ser”, vigiem-se as portas dos vorazes apetites lusitanos!
E, antes de terminar: é preciso também estarmos atentos aos "vendelhões de templos" e pregadores de "reino celestial na terra". Os que a coberto de futebóis vêm para cá implantar "igrejas de dinheiro". Angola já não é terreno virgem para as igrejas e o Brasil tem milhões de ateus por evangelizar.

Rivaldo e Rivais, para as missões a que se propõem, não deviam ser recebidos com tantas honras como se de salvadores da pátria fossem... Chega de enganar os nossos compatriotas que, na ausência de soluções materiais para a gritante pobreza que nos afecta, vão entregando o pouco que possuem a estes lobos vestidos de ovelhas. 

- A Nação precisa duma “Guarda-Republicana” contra a invasão tugariana, asiática e de tantos outros vendedores de banha de cobra bem identificados!

quarta-feira, janeiro 11, 2012

CULPA MORRE SOLTEIRA: QUEM AFINAL AUMENTOU OS EMOLUMENTOS?

Em Novembro do ano findo o Presidente da República assinou o Decreto 287/11, de 1 de Novembro, referente aos emolumentos a pagar pelos serviços prestados no sector da Justiça, nomeadamente os atestados de residência, de agregado familiar, de declarações diversas e respectivas segundas vias, cuja aplicação aconteceu no primeiro dia útil de trabalho de 2012 (03.Janeiro).

Recebido com tremendo repúdio pela população de Luanda, concretamente da Maianga, que de dia para noite viu triplicados os emolumentos para os documentos em causa, o Decreto Presidencial teve de ser suspenso no dia 06 de Janeiro pelo próprio emissor a quem a TPA brindou, de seguida, com uma ampla campanha de adulação pela “clarividente medida suspensória” do maldito decreto, como se de outra pessoa/Instituição tivesse partido.

Há clarividência na formulação das leis que morrem à nascença… Há clarividência no passo à retaguarda … E em que pé ficamos?
- A quem devem os explorados nos dias 04 e 05 de Janeiro atribuir culpa pelas elevadas taxas pagas?