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sábado, janeiro 29, 2022

A ARTE FÚNEBRE DOS EBOENSES

A imagem mostra uma cidade. Sim uma necrópole. A foto foi feita na rodovia que liga a comuna de Condé à vila sede do município do Ebo, Kwanza-Sul, Angola.

Aqui, a condição social do de cujus reflecte-se na última morada que pode ganhar a configuração daquilo que deixa ou contar a historia da relação havida entre o defunto e o tijolo, cimento e cal.
Visitando a necrópole, junto ao monumento dedicado aos heróis (governamentais) da Batalha do Ebo, é possível ver o engenho artístico dos nativos e aperceber-se de quem, em vida, era quem!
Avô Francisco, sexagenário, diz-se "muito viajado", na sua qualidade de camionista, comerciante e ex-militar, e atesta, sem pestanejar, que "dos muitos povos que conhece, os eboenses transcendem-se na arte de fazer campas".
Parecem arquitectos e engenheiros civis, sendo que "todo o óbito termina com a construção da campa", cujas dimensões e arquitectura dependem do valor social e económico detido, em vida, pelo defunto.
"Pode ser que tenha feito e deixado dinheiro, que tenha feito e deixado filhos, sobrinhos, netos e muitos bons amigos, que tenha sido soba ou outra pessoa notável e muito respeitada pela comunidade. São esses e outros atributos que determinam o tamanho e os contornos da campa", relatou.

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